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Desenvolvedora: Pokémon Works
Publicadora: Nintendo
Gênero: Estratégia | Simulação
Data de lançamento: 8 de abril, 2026
Preço: Grátis Pacote Inicial: R$ 38,90
Formato: Digital
Plataformas: Nintendo Switch
Análise feita no Nintendo Switch com cópia da versão paga fornecida gentilmente pela Nintendo.
Revisão: Juliana Paiva Zapparoli
Pokémon Champions é a concretização da promessa dos sonhos molhados dos jogadores competitivos da franquia que pedem há anos por uma maneira de se desvencilhar dos jogos principais, ou pelo menos essa pareceu ser a promessa anunciada durante o último Pokémon World Championship do ano passado.
O jogo finalmente foi lançado e tem tido uma recepção controversa envolta em diversas camadas de decisões que agradam e desagradam aos fãs que disputam em discussões acaloradas por toda a internet sobre as qualidades e defeitos do jogo.
Como grande fã da franquia e jornalista que acompanha de perto, além de jogador assíduo do competitivo sempre que minha carteira permite, resolvi contextualizar todas as questões emblemáticas que giram em torno desse lançamento, bem como responder à pergunta: começar a jogar Pokémon Champions no estado atual vale a pena?
O que é Pokémon Champions

O jogo é o simulador de batalhas da franquia Pokémon e tem como seu ponto de venda o foco nos modos competitivos, com quase nenhum conteúdo single player. Champions funciona de forma a facilitar a recepção de novos jogadores no cenário, trazendo bastante dinamismo na hora de construir as estratégias necessárias para times e Pokémon.
Por ser um sistema live service, acaba tendo alguns clichês do gênero, como passe de batalha, roupas customizáveis para um avatar do jogador, uma moeda interna e um tipo de assinatura para obter benefícios dentro do jogo.

A gameplay é completamente focada nos métodos competitivos: singles, formato um contra um e cada treinador pode usar um total de três dos seus Pokémon; e doubles, o formato oficial do circuito de VGC, no qual são usados quatro de seus seis monstrinhos, mas as batalhas ocorrem no formato de duplas. Dentro dessas duas opções, o jogador ainda pode escolher partidas casuais ou competitivas, além de participar de torneios online ou jogar com seus amigos.
O jogador também pode construir builds para seus Pokémon, pegar novos companheiros em um gacha, transferir bichinhos do Home e personalizar sua experiência, da música que vai escutar a quais poses seu avatar deve fazer antes da batalha.
Por fim, o jogo é um simulador completo dos formatos oficiais do Pokémon e mesclam seções dos jogos mainline já existentes, como o modo Battle Stadium do Scarlet & Violet, com o formato live service que também já é familiar a franquia com seus diversos títulos mobile.
Tempestade em copo d’água
Algumas mecânicas ou decisões, com as quais os jogadores podem estar pouco habituados, podem ser assustadoras num primeiro momento, mas vamos analisar qual o objetivo do jogo e se ele comete muitas contradições nesse proposta.
Champions tem como objetivo promover um ambiente centralizado e mais acessível para os jogadores de VGC, enquanto diminui a barreira de entrada para novatos que tenham interesse nos moldes competitivos da franquia, mas não o suficiente para ir atrás de um título principal.
Uma das coisas que mais se destacou na recepção deste título é a falta de boa parte dos Pokémon. Contando apenas com aproximadamente 200 monstrinhos, essa limitação pegou de surpresa algumas pessoas que vêm dos jogos principais.
Isso dito, é comum — e sempre foi — para o competitivo conter regulações específicas da geração mais atual de Pokémon, de forma a dar mais variedade para os eventos do jogo. Dessa forma, a proposta de Champions e o modo como ela foi implementada estão em completa concordância com a premissa de promover um simulador competitivo.

Já os itens, nem todos estão presentes, quando é normal que em um jogo principal tenhamos todos à disposição. Minha hipótese é de que a ideia seja cultivar uma base de jogadores que vá se acostumando aos poucos com os itens e suas diferentes funcionalidades, já que é uma parte fundamental do jogo, mas bastante opressora para novatos.
Pauta: a acessibilidade no mundo Pokémon

A principal questão que me pegou um pouco desprevenido foi a verdadeira contradição para mim: quão difícil é conseguir montar um bom time em Pokémon Champions. Porém, para não tirar os devidos créditos, vamos começar pelo que ele fez certo.
Para criar um time o jogador deve optar por todas as opções em um menu bem dinâmico. Os EVs (Effort Values), por exemplo, são pontos que o jogador pode alocar para ganhar uma vantagem em status específicos, normalmente precisam ser obtidos de forma manual ou são conquistados por meio de itens no jogo principal; itens que dão EVs também precisam ser obtidos ou comprados em um jogo da franquia principal.
Aqui, no entanto, podemos resolver tudo com o clique de um botão. O processo custa uma moeda padrão do Champions, que pode ser obtida em abundância num ritmo razoável, deixando o jogador livre para experimentar com rapidez e dinamismo diferentes configurações da distribuição desses status. Naturezas, habilidades e golpes, tudo é pauta superada com a exploração desse mesmo menu e com essa mesma facilidade e custo simbólico na moeda padrão do jogo.
Infelizmente, nem tudo são flores. Ao descrever essas possibilidades do jogo, a ideia de criar vários times, além de fazer os testes, parece algo fácil, mas o problema está no cerne da questão: o difícil mesmo é conseguir Pokémon.
Tem que pegar todos! Mas só com sorte, muito tempo ou um jogo principal.

O ponto aqui é que foi implementado um sistema gacha! Uma vez por dia, o jogador deve fazer uma seleção na qual uma série de Pokémon serão apresentados; destes, o jogador pode escolher um para recrutar, com moedas, tickets que possuem essa específica finalidade ou gratuitamente de forma temporária.
O problema disso é que, para um jogo verdadeiramente competitivo, o jogador vai precisar de diversos monstrinhos e facilidade na hora de criar e testar estratégias. Esse sistema dá ao jogador que possui jogos mainline a chance de transferi-los pelo Home, gerando uma vantagem sobre quem está começando pelo Champions, mesmo que sejam mais horas para treinar ao invés de perder tempo com esse sistema gacha.
Eu sou particularmente fã de jogos gacha — minhas 5.000 horas de Genshin Impact não me deixam mentir — e, ainda assim, acho que a mistura de gacha e jogos PVP nunca foi muito interessante devido à discrepância entre jogadores com base na sorte e quem abre a carteira.
O jogo não para por aí com suas ideias de monetização duvidosas, uma vez que o tamanho da box que registra os Pokémon obtidos é bem reduzido; para conseguir mais espaços para guardar seus monstrinhos, o jogador deve engajar em outro tipo de assinatura, fora a necessidade de assinar também o Home caso esse brincadeira cresça demais e a possibilidade de precisar ir atrás do jogo principal.

Se a ideia era trazer pessoas novas que antes não tinham experiência, afinidade ou familiaridade com o formato competitivo, então por que colocar tantas barreiras de entrada, tornando Champions tão mais denso do que precisa ser? O foco do jogo na gameplay é muito bom, basta instalar e sair jogando, mas, no fim, nada disso adianta se as pessoas não tiverem os Pokémon, elemento mais básico dessa equação.
Pelo menos agora, basta você ter um amigo com o jogo mainline que esteja disposto a te mandar monstrinhos pelo Pokémon Home ou até mesmo ir atrás deles pelo Pokémon Go — a ideia de sair na rua para capturar os companheiros que estarão ao seu lado no torneio parece romântica, mas boa sorte em conseguir com consistência os Pokémon desejados.
Sucesso e esperança: uma nova era para o cenário!

Apesar de todas as polêmicas, o jogo é perfeitamente funcional e tremendamente divertido. Com partidas o suficiente, foi fácil de entender como esse meta, que gira em torno da Mega Evolução, foi uma escolha ao mesmo tempo nostálgica e refrescante, tendo como apelo para o público geral as icônicas mega evoluções, enquanto os jogadores competitivos têm um respiro do meta de Paldea, que já perdurou por mais tempo do que o normal.
As animações são simples, mas bastante efetivas e o ritmo é ótimo: com poucos cliques, o jogador consegue iniciar a fila para uma partida e continuar ad aeternum. Tudo parece quase no lugar certo, mas, mesmo sendo um jogo mais direcionado, ainda faltou um pouco da força da franquia Pokémon que poderia ser demonstrada aqui, como as músicas.
O jogador pode escolher dentre uma lista bem seleta de músicas da franquia e algumas ainda ficam presas por pagamento por meio da assinatura, as roupas dos personagens são difíceis de combinar, para dizer o mínimo, mas tudo isso se resume à mesma velha questão: estamos falando de um jogo live service.

Como um título de lançamento, Pokémon Champions é um jogo bastante sólido, dando o primeiro passo para um novo rumo no qual o formato de competições oficial tem de tudo para se popularizar ainda mais. O título diminui a barreira de entrada, mesmo que não tanto quanto seria ideal. Ele cumpre seu objetivo na maior parte das vezes e tem bastante potencial para expandir em cima dessa base sólida que já foi construída.
Fazer análise de um jogo live service é sempre traiçoeiro, já que sempre somos vítimas dos próximos passos e decisões, mas, neste caso, decidi apostar, pois a sólida fundação desse jogo me fez ter esperança e uma postura otimista enquanto esperamos os próximos passos desta entrada. Isso dito, caso as ressalvas que fiz não sejam problemas, especialmente batalha de paciência com o gacha, aí sim o jogo vale muito, muito a pena — e tem sido um vício meu nas últimas semanas.
Prós:
- Excelente combate estratégico;
- Ótimo ritmo de jogo;
- Cumpre sua proposta, ainda que parcialmente.
Contras:
- Difícil de conseguir Pokémon sem um jogo principal;
- Poucas músicas disponíveis, que pode ficar enjoativas rapidamente;
- Ainda não conseguiu se desvencilhar completamente dos outros títulos.
Nota
9
