Desenvolvedora: Digital Eclipse
Publicadora: Atari
Gênero: Multigênero | Coletânea, retrô
Data de lançamento: 26 de fevereiro, 2026
Preço: R$ 54,95
Formato: Físico/Digital
Plataformas: Nintendo Switch 2, Nintendo Switch
Análise feita no Nintendo Switch com cópia gentilmente fornecida pela Atari.
Revisão: Davi Sousa
Talvez nossa audiência seja nova demais para lembrar de uma época onde tínhamos blocos, às vezes programas inteiros, dedicados a desenhos animados na programação da TV aberta, em quase todas as emissoras.
Mas a velha que lhes escreve lembra muito bem, especialmente do Disney Club, que inicialmente era transmitido nas manhãs de domingo da Globo em 1993 (admito que esse já não é da minha época), e depois em outro formato nos finais da tarde/início da noite no SBT em 1997, com o famoso em-universo programa pirata do C.R.U.J. (Comitê Revolucionário Ultra Jovem). E foi assim que eu me familiarizei com os seriados animados da Disney que, no exterior, eram transmitidos no programa The Disney Afternoon… que aqui curiosamente nunca passava de tarde de verdade, né?
Nossa audiência média talvez também não seja do tipo que morre de nostalgia pela era 8-Bits e 16-Bits do NES e SNES, ainda mais se forem jogos licenciados, e não os aclamados de grandes franquias consagradas, mas essa é (mais uma vez) uma ótima oportunidade para uma lição de história que afirma que sim, jogos licenciados, particularmente usando as marcas e personagens conhecidos da Disney, eram quase que garantia que iriam ser de qualidade! Muitas publicadoras e estúdios famosos deram o seu melhor, como a SEGA, Virgin Interactive, Traveller’s Tales e, claro, a queridinha Capcom!

Juntando essas duas etapas introdutórias, é o contexto necessário pra resumir que The Disney Afternoon Collection é uma boa pedida no Nintendo Switch, mesmo com 9 anos de atraso, após inexplicavelmente ter ignorado a plataforma no seu lançamento original em 2017, apesar de ser uma coletânea de jogos lançados exclusivamente em consoles Nintendo em seus formatos originais. Mas bem, a Atari, que agora é dona do estúdio Digital Eclipse, está corrigindo a mancada que a Capcom cometeu e nos trazendo alguns bônus que, supostamente, são pra compensar essa demora toda.
Como os jogos individualmente são clássicos imbatíveis com reputação que transcende gerações, é até redundante explicar em detalhes cada um deles; porém, adianto que são os exemplos práticos contra a falácia sobre jogos “envelhecerem” mal ou bem. Jogos bons continuam bons mesmo depois de quase 40 anos.
Hora de sentar na poltrona do papai!
No pacote, você irá encontrar o títulos de NES Ducktales (1989), Chip ‘n Dale: Rescue Rangers (1990), TaleSpin (1991), Darkwing Duck (1992), Ducktales 2 (1993) e Chip ‘n Dale: Rescue Rangers 2 (1994). As adições exclusivas deste relançamento para Switch e Switch 2 são os jogos de SNES Goof Troop (1993) e Bonkers (1994). Todos variam entre excelentes e ótimas recomendações pra uma locação de fim de semana!
Acredito que com a adição de Goof Troop (projetado por Shinji Mikami, sempre bom destacar), agora a seleção de jogos atinge um nível mais balanceado e variado de gêneros, mas os jogos de plataforma ainda são o tema predominante aqui. Óbvio, esses não resumem toda a biblioteca da Capcom com propriedades da Disney nesses dois consoles, mas dado o tema do programa Disney Afternoon, não há muito mais que ficou para trás, exceto por talvez as versões de Game Boy monocromático de ambos Ducktales e Ducktales 2, que não são completamente idênticas a suas contrapartes de console. É uma pena que ainda não abranjam completamente o tema proposto, e a preservação e acessibilidade desses títulos cada vez mais caros no mercado usados não mudam de figura.

Em questão de apresentação, nada mudou muito desde 2017: os menus coloridos remetendo àquela estética de fim dos anos 80, início dos anos 90, continuam firmes e fortes. Eu diria que até em detrimento, pois as animações de transição entre os itens são um tanto lentas e desconfortáveis, passando a sensação de lag. Mas é um visual chamativo acompanhado por uma música original para tela de título e remixes para os jogos de NES quando você os tem selecionados.
No entanto, é bem nítido que os jogos de SNES não receberam a mesma atenção, não só nisso (apenas tocando músicas diretamente dos jogos), como também em extras… ou a falta deles. Enquanto todos os jogos de NES têm seus Time Attack e Boss Rush para providenciar formas diferentes de experimentar esses jogos, os jogos de SNES são crus, só com a opção de bootar e jogar.
Os jogos de SNES também são estranhamente mal representados na sessão de galeria de arte, que contém documentos de design para os jogos, materiais promocionais e embalagens. Só o mínimo foi feito para incluí-los, mas nada além, como alguns dos jogos de NES vão.

Acredito também que os padrões pra coletâneas como essa também foram subindo ao longo dos anos, e até mesmo a própria Digital Eclipse andou se superando com alguns de seus lançamentos recentes, mas nenhuma consideração foi dada pra atingir esse patamar recente aqui. A coletânea, em suma, continua inalterada em suas funções e extras do seu lançamento original em 2017. Não que eu esperava muito… mas ao menos permitir que eu continue ouvindo as músicas do Jukebox ao navegar nos outros menus seria o mínimo do mínimo, não?

A função de rebobinar seu jogo também foi implementada de maneira meio estranha, pois não há interface alguma para você se situar e selecionar o ponto que quer regredir (como é comum nos emuladores do NSO). Você apenas segura o botão L e o jogo vai andar de trás pra frente sem cerimônias até você parar de forma seca.
Fora isso, as opções de visualização dos jogos são bem básicas, nada extraordinário, mas nada que deixe você pedindo por mais também. Remapeamento de botões, filtros de monitores CRT (TV de tubo), pixels limpos, bordas ou não e, se você for doido de pedra, pode até esticar a tela do jogo inteira pra preencher todo o quadro da TV 16:9. Suas preferências serão salvas e utilizadas automaticamente através de todos os jogos, sem precisar alterar cada um deles de acordo com seu gosto.
É pra já! Alerta geral! Hora H!
Mas se tem algo que eu fiquei um tanto confusa com a apresentação é a localização em português brasileiro. Não é uma surpresa que os títulos dos jogos não tenham sido traduzidos para seus nomes localizados (Tico & Teco: Defensores da Lei, Esquadrilha Parafuso, A Turma do Pateta, etc), mas alguns desses jogos ainda são bem densos em texto, diálogos entre personagens que te dão dicas pra progredir, e nada disso foi modificado nas ROMs dos jogos em si.
Uma breve descrição fora do jogo, no menu da coleção, não é necessariamente o suficiente pra te guiar. Mas mesmo com essas descrições, notei que a localização não é coesa consigo mesma. Enquanto ela irá usar nomes como Tio Patinhas e Tico & Teco normalmente, outros personagens e termos não são localizados, como Duckburg (Patópolis), Magica De Spell (Maga Patalójika) ou Fat Cat (Gatão). E essa introdução do jogo Bonkers? Em inglês, é uma referência direta à abertura da animação no primeiro parágrafo… mas em português, não tá nem perto da abertura brasileira do desenho. O que será que rolou aqui? Falta de atenção e carinho? Provável.

De qualquer modo, é difícil criticar quando as empresas fazem uminha pra Walt Disney ver e relançam seus jogos antigos. É incrivelmente frustrante como algo simples como jogar jogos 8-Bit em plataformas modernas tem que ser justificado com demanda de mercado, ou ter que ser através de uma coletânea maior que, como visto, às vezes nem cumpre totalmente o tema com que se comprometeu.
Na pior das hipóteses, você vai se divertir à beça com esses jogos, que serviram como alicerces invisíveis para a formação de muitas jogadoras velhacas por aí (cof, cof) e, na melhor das hipóteses, vai sair procurando cartuchos velhos e caros no Marketplace do Facebook logo logo.
Prós:
- Um compilado de jogos excelentes das décadas de ouro dos vídeo games. Todos os títulos recomendadíssimos;
- Esteticamente, o pacote é charmoso, acertando em cheio a época a que quer remeter;
- Para os jogos de NES, os bônus são vistosos e agregam valor no fator replay.
Contras:
- Em termos práticos, é uma compilação meio crua em funcionalidades, comparada a equivalentes recentes no mercado;
- Os jogos de SNES exclusivos de Nintendo Switch e Nintendo Switch 2 não recebem o mesmo carinho que os outros;
- Localização em português é incoerente com termos e nomes de personagens estabelecidos no Brasil, e não é coesa consigo mesma.
- As ROMs dos jogos continuam inalteradas.
Nota
8
