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Desenvolvedora: Compulsion Games
Publicadora: Microsoft Studios
Gênero: Ação | Aventura
Data de lançamento: 31 de março, 2026
Preço: R$ 199,00
Formato: Digital
Plataformas: Nintendo Switch 2, PlayStation 5
Análise feita no Nintendo Switch 2 com cópia fornecida gentilmente pela Microsoft Studios.
Revisão: Davi Sousa
Desenvolvido pela Compulsion Games e lançado originalmente em 2025, South of Midnight é o mais recente título da Xbox Game Studios que está seguindo a recente filosofia da empresa de abandonar a exclusividade de console de seus jogos, agora marcando presença também no mais novo console da Nintendo com o título que foi premiado no The Game Awards de seu ano na categoria “Jogos Impactantes”.
À procura de sua mãe
Em South of Midnight, acompanhamos a história da jovem Hazel, que, após uma grande tempestade atingir sua cidade e sua casa cair rio abaixo, sai em uma jornada para procurar por sua mãe, que não conseguiu evacuar a tempo e está desaparecida.

Durante sua busca, Hazel descobre que o mundo não é tão simples quanto imaginava, aprendendo que sua realidade é cheia de criaturas fantásticas, magia e histórias que podem ser descobertas através de suas habilidades como Tecelã, alguém que enxerga e pode influenciar os “Fios” que representam as almas e memórias das pessoas.

Durante a jogatina, exploramos a cidade de Prospero em busca da mãe de Hazel, cenário que é baseado em várias localidades do Sul dos Estados Unidos; área que também tem seu folclore usado como inspiração para as várias criaturas que encontramos durante a jornada, desde jacarés gigantes a até mesmo monstros do pântano. Não apenas teremos que enfrentar essas entidades, mas também entender suas histórias e ajudá-los da maneira que for necessária durante a progressão.
Lindo, mas a que custo?

Um dos maiores destaques ao ver South of Midnight é seu estilo visual bem único. Os gráficos são charmosos demais e o jogo usa bem a iluminação para criar uma boa mistura entre cenários realistas e modelos de personagens mais cartunizados. É clara a inspiração em filmes stop motion, onde os personagens parecem com bonecos sendo fotografados em belos cenários, e apesar de visualmente o jogo ter sucesso em replicar esse estilo, as animações não são boas no mesmo nível.

Por conta da inspiração, é adotada uma taxa de quadros menor que a de costume para jogos, o que não funciona muito bem em uma mídia interativa. Mesmo não sendo um problema de performance, temos a sensação de que o jogo está sempre travando, o que piora quando as eventuais quedas de framerate realmente acontecem, e o jogo simplesmente não parece suficientemente responsivo quando estamos em cenários de combate e exploração. Também são frequentes os problemas de áudio, onde às vezes o som é totalmente cortado ou as vozes estão atrasadas com o movimento da boca dos personagens.
Pelo menos uma área onde o jogo não desaponta em nada é na trilha sonora. Temos diversas músicas emocionantes e grandiosas, e um grande número de faixas com letras sobre as situações dos personagens durante a trama, cada uma com seu próprio gênero e instrumento e continuando a mostrar suas inspirações na região do Sul dos EUA. É sempre gostoso se deparar com uma nova música e parar para contemplar o evento.
Muito repetitivo
Voltando para a jogatina, exploramos Prospero por vários capítulos de forma linear e cíclica, onde vamos a um novo local, exploramos um pouco a área para encontrar pontos de habilidade e documentos expandindo a história, conhecemos um residente da cidade e então nos aprofundamos na história trágica dessa pessoa ou da figura mística que encontraremos enquanto enfrentamos diversas criaturas até apaziguá-las, e o ciclo volte a se repetir.
South of Midnight é quase uma coleção de pequenos contos em volta de uma história maior na busca pela mãe de Hazel, e todas essas histórias são bem emocionantes, sempre tendo tons melancólicos que te fazem lembrar como o mundo pode ser feio e triste, e mostrando como funciona o trabalho de Hazel como tecelã, trazendo um pouco de paz para estas almas.

Infelizmente, a fórmula de South of Midnight não demora para se mostrar bem repetitiva e rapidamente entendemos como os capítulos vão se desenrolar pelo jogo inteiro. Apesar das histórias menores serem bem interessantes, o conto principal da busca pela mãe de Hazel é algo super previsível ao ponto de às vezes até gerar irritação com a protagonista por não perceber algumas coisas que, para o jogador, são super óbvias.
E apesar de ser boa em sua maior parte, a trama parece perder o foco frequentemente, onde pontos importantes do começo ficam esquecidos até perto do fim, e algumas coisas que poderiam ter sido abordadas por mais tempo na jornada são muito curtas.

A última parte importante, e infelizmente não muito boa, a se comentar de South of Midnight é o sistema de combate, que é bem simples e até que bem-feito. Temos um combo básico de ataques e algumas magias que podemos melhorar com os pontos de habilidade que coletamos explorando o mapa, mas o verdadeiro problema é a falta de variedade que temos nos conflitos.
O jogo não possui uma grande variedade de inimigos e, mesmo assim, demora para introduzir todos eles, e com um combate simples que não possui muitos combos ou habilidades diferentes para variarmos durante a jogatina, passamos o jogo inteiro participando de lutas que são extremamente repetitivas e incessantes. Cada novo encontro é só um suspiro e um “e lá vamos nós de novo”; até as lutas contra chefes, que são tematicamente muito mais interessantes, ainda terminam com a repetição do mesmo padrão de movimentos até a barra de vida do inimigo chegar ao fim.
Muito interessante, mas muito falho

Em suma, South of Midnight é um jogo cheio de conceitos e ideias interessantes, mas que peca em muito da sua execução. O visual é belíssimo, mas as animações fazem a experiência parecer travada. A trilha sonora e o trabalho dos dubladores são ótimos, mas o jogo tem problemas de áudio dessincronizado. As histórias e o combate são interessantes, mas extremamente repetitivos. Consigo imaginar essa sendo uma experiência que clique muito bem para alguns jogadores, mas para mim, mesmo que tenha sido divertida, poderia ter sido muito melhor.
Prós:
- Visuais charmosos e criativos;
- Ótimo trabalho de dublagem;
- Canções memoráveis;
- Design de mundo e criaturas super interessantes inspirados no folclore do sul dos Estados Unidos;
- Histórias emocionantes.
Contras:
- Apesar de proposital, a taxa de quadros baixa traz uma estranheza e falta de responsividade dos movimentos;
- Problemas de áudio;
- O loop de gameplay se torna muito repetitivo muito rápido;
- O final da história parece muito acelerado.
Nota
7
