Revisão: Lucas Ferreira, Juliana Paiva Zapparoli
Tradução e transcrição: Ivanir Ignacchitti
A equipe NintendoBoy orgulhosamente apresenta uma entrevista exclusiva com o Head de Product Marketing de Pokémon GO na América Latina, Alan Mandujano Burgos!
Com a comemoração de dez anos do jogo em 2026 e as novidades que estão por vir na próxima Go Fest, tivemos a chance de entrevistar um dos representantes mais importantes da nossa região de Pokémon GO, na atuação pela Scopely.

Tentando entender as principais direções que foram tomadas pelo time do jogo até hoje e o que move os desenvolvedores do Pokémon GO, a equipe do NintendoBoy preparou uma série de perguntas interessantes que foram feitas pelo entrevistador e redator Gabe, com a tradução e transcrição do redator Ivanir.
Sumário

Alan Mandujano
Head de Product Marketing para a América Latina

Gabriel Marçal
Redator veterano no NintendoBoy, fã de Pokémon.
Vamos conferir a entrevista transcrita na íntegra a seguir:
Estamos atualmente na temporada Memórias em Movimento em Pokémon GO, celebrando os dez anos do jogo. Como é fazer parte dessa comemoração que deixou tantos fãs emocionados e como essa temporada se destaca das demais?
Alan: Memórias em Movimento é uma temporada muito importante para nós. Como você disse, ela faz parte do décimo aniversário do jogo e acho que o próprio nome é bem preciso, sabe? São dez anos de memórias, o que é uma loucura, e estamos falando de um jogo que sempre colocou os jogadores em movimento, né?
A mensagem principal é que, em Pokémon GO, metade da diversão acontece fora do telefone. Esses momentos não existem apenas na tela do celular. Eles acontecem quando você vai a um parque, participa de eventos da comunidade, encontra uma nova Poképarada em algum lugar que conheceu, viaja para um novo país e captura um Pokémon exclusivo daquela região.

Tem muita coisa que acontece fora do jogo e, para nós, esta é uma grande oportunidade de celebrar isso. Esse sempre foi o espírito de Pokémon GO e acho que é isso que fará esta temporada ser especial.
É claro que teremos os eventos da GO Fest, que são sempre muito empolgantes, porque é quando liberamos alguns dos conteúdos mais importantes do ano. Desta vez, teremos Mega Mewtwo X e Mega Mewtwo Y fazendo suas estreias em Pokémon GO. Isso é algo que os fãs — eu incluso — vêm pedindo há bastante tempo. Acho que isso é só o início da grande celebração que teremos ao longo do ano. Queremos garantir que o jogo seja digno dessa comemoração e, mais ainda, que a comunidade receba a celebração que merece.
Também estamos trabalhando de forma bem próxima com a nossa comunidade no Brasil, com o Leo [Leonardo Wille, Country Manager Brasil de Pokémon GO] e a equipe daqui, para garantir que, tanto nas coisas que já anunciamos quanto naquelas que ainda não anunciamos, a comunidade brasileira esteja no coração de tudo este ano.
Estamos próximos da GO Fest deste ano, em julho. O que podemos esperar do evento em 2026?
Alan: Sim, temos conteúdos incríveis. Acho que o grande destaque, com certeza, é o Mewtwo. Ele é um dos lendários mais populares e muitos jogadores estão esperando para megaevoluir o seu. Muitos treinadores já têm um Mewtwo muito poderoso.
Eles também participarão de raids, irão desbloquear mais conteúdo e poderão ver o Zeraora, um Pokémon mítico muito popular que será um dos destaques do evento. E acho que o fato de a Pokémon GO Fest ser gratuita este ano é uma novidade muito grande para nós. A comunidade realmente respondeu muito bem a isso.
Como eu disse, estamos dando uma festa bem grande este ano e queremos que todos participem. Não importa se você é um jogador que não abre Pokémon GO há bastante tempo ou se é alguém muito dedicado: queremos todos no jogo para este grande momento.
Então, tornar a GO Fest deste ano gratuita e aberta é uma forma de a Scopely dizer: “Ei, queremos fazer uma festa, todos estão convidados e esperamos que vocês se juntem a nós nestes eventos em julho e no verão, que serão impressionantes”.
Estamos no ápice do Gigamax em Pokémon GO. Como foi o processo de adaptar essa mecânica do Sword/Shield para o Pokémon GO?

Alan: Esta é uma pergunta interessante. Desde o início, Pokémon GO tem a filosofia de ser um produto que torna a experiência de Pokémon acessível a todos. A franquia tem várias “expressões”, seja nos jogos, no anime ou em outras frentes, cada uma com sua própria abordagem.
Em Pokémon GO, a nossa expressão é: “Como esses Pokémon apareceriam na vida real?”. Sempre que tentamos implementar alguma funcionalidade da série principal, pensamos: “Ok, e no mundo de Pokémon GO, como isso ficaria?”. Encontrar esse equilíbrio demanda bastante trabalho das equipes da Scopely, junto com nossos parceiros da Pokémon Company.
Acho que Gigamax e Dynamax são bons exemplos disso, porque são funcionalidades que tiveram a comunidade em mente desde o início. A nossa missão foi pensar: “Ok, já temos raids e mega raids. Quais outros tipos de experiência podemos criar em que você precise trabalhar com a sua comunidade e encontrar o máximo de amigos ou jogadores possível para realmente desbloquear esse poder [social]?”.
Gigamax é uma das batalhas mais difíceis do jogo e você realmente precisa reunir um grupo grande de pessoas para derrotar esses Pokémon. Acho que isso lembra a época em que lançamos as raids, em 2017. Elas abriram muitas portas e levaram à criação de várias comunidades. Foi um grande ponto de virada para Pokémon GO, que se tornou uma experiência muito mais social. Queríamos replicar isso com o lançamento do Gigamax.
É claro que continuamos recebendo feedback da comunidade e tentamos sempre melhorar as nossas funcionalidades. Mas acho que, de forma geral, a recepção tem sido bem positiva. Isso tem nos permitido criar uma nova variação dos eventos de Gigamax, em parceria com as comunidades.
Precisamos realmente fazer com que as pessoas se juntem para derrotar esses Pokémon tão grandes e poderosos. Acho que isso nos ajudou a encontrar um novo tipo de gameplay. E também existe o Dynamax, que é uma versão mais acessível dessa funcionalidade, mesmo para quem não tem uma comunidade tão grande de jogadores por perto. No fim, tudo se resume a encontrar equilíbrio e a sempre pensar na nossa missão: levar as pessoas para fora de casa, fazer com que elas se encontrem, façam novos amigos e explorem novos lugares. Esse é o coração de Pokémon GO.
Já faz um tempo que é possível fazer a transferência de jogos do Pokémon GO para a HOME, deixando o jogador transportar seus Pokémon para outros jogos, incluindo o novo Pokémon Champions. Por que não é possível fazer o inverso (transferir da HOME para o GO)?
Alan: A conexão com a HOME é uma parceria que temos com a Pokémon Company e a Nintendo. É muito bom ter Pokémon GO como parte desse ecossistema, como você disse.
Eu diria que Pokémon GO é uma das experiências mais pessoais da série, porque não é a história de Red ou Blue: é sobre você. Você é o protagonista, e é a sua aventura com Pokémon GO. Então, você tem Pokémon que conseguiu no seu aniversário, quando estava com seus amigos ou quando estava começando na escola. Eles te trazem memórias. Deixam de ser criaturas digitais e se tornam memórias vivas. Para nós, é muito importante preservar esse fator especial dos personagens.
A Pokémon Company e nossos parceiros da Nintendo também pensaram bastante nesse processo e em como ele funcionaria. Eu não posso falar sobre como essa decisão foi tomada, porque sou do Marketing e não faço parte dessas conversas. Mas o que posso dizer é que todos os detalhes do jogo, incluindo coisas como essa, sempre levam em consideração como preservar o fator especial desses Pokémon.
Mesmo que haja uma transferência, ela precisa ser significativa para você. É aquela sensação de: “Eu sei que estou deixando ele [o Pokémon] ir embora, mas vou poder usá-lo em outra experiência”. Isso também preserva o valor do Pokémon que você está acostumado a ter em Pokémon GO. Então, continua sendo uma questão de equilíbrio, e acho que temos um bom funcionamento disso no momento.
Tivemos agora o lançamento de Champions e, até antes disso, já recebíamos feedback de jogadores competitivos dos outros videogames e campeonatos dizendo: “Ei, eu tenho jogado Pokémon GO para conseguir um novo Pokémon brilhante e ele estava no Dia da Comunidade hoje”. É sempre ótimo ver esse tipo de sinergia entre os pilares da franquia Pokémon.
Estamos bastante empolgados com o lançamento de Champions, porque vemos oportunidades de polinização cruzada. Nossos jogadores podem se interessar por Champions ou por outro jogo, e o mesmo pode acontecer do lado contrário. No fim das contas, esta é uma franquia impressionante e somos muito sortudos por fazer parte dela. A Pokémon Company tem sido uma grande parceira e está sempre buscando expandir a marca. Se você olhar, por exemplo, para a campanha que a Pokémon Company está realizando agora, “Qual é o seu favorito?”, Pokémon GO também faz parte dela.
Teremos novas funcionalidades relacionadas à interação com essa campanha, como tirar fotos e compartilhar com os amigos. Ficamos muito felizes de participar dessas oportunidades de colaboração, como fizemos anteriormente com Meltan ou Gimmighoul e, com sorte, também com o que vier no futuro. Mas o foco da Nintendo, da Pokémon Company e também o nosso é manter esses Pokémon especiais.
Pokémon GO tem uma presença forte em eventos no Brasil, como a gamescom, BGS, eventos em shoppings e vários outros lugares, além dos eventos de comunidade. Como vocês mantêm a grande estrutura necessária para lidar com tantos jogadores no Brasil? E por que a marca Pokémon se importa tanto com criar essa proximidade com o público?
Alan: Como eu disse, metade da diversão do jogo não está na tela, e sim fora dela. Conseguimos controlar o jogo e o produto, mas é nesse ponto que as parcerias se tornam muito valiosas. Elas nos ajudam a gerar impacto no mundo real e a oferecer espaços seguros para os jogadores.
Por exemplo, nossas parcerias com shoppings são especialmente importantes no Brasil e, honestamente, são até um modelo que pode ser aplicado em outros mercados. Conseguimos parcerias com comércios, lojas de conveniência e shoppings, além de providenciar espaços seguros para eventos como o Safári Urbano.
Começamos a modelar esse formato no Brasil, com o Safári em São Paulo, alguns anos atrás. Depois, repetimos a fórmula em Cancún, no México; Buenos Aires, na Argentina; e Santiago, no Chile.
Cada mercado tem realidades diferentes. Jogar na América Latina é completamente diferente de jogar em Tóquio, Londres ou nos Estados Unidos. Cada lugar tem sua própria realidade e seus desafios específicos e, para nós, a segurança do público é um dos pontos mais importantes.
Temos parcerias com shoppings e também com governos. Hoje, anunciamos uma parceria com a cidade do Rio de Janeiro e, neste ano, já organizamos eventos por lá, como o Pokémon GO Tour: Kalos – Global, em março.
Ter o apoio da cidade e trabalhar com eles para cuidar dos treinadores e oferecer um local seguro é algo que tem funcionado muito bem em todos os países em que fizemos isso. E é algo especialmente importante para Pokémon GO, em que metade da experiência envolve justamente o que acontece nas ruas e com os nossos treinadores.
Recentemente tivemos o lançamento do jogo Pokémon Legends: Z-A com o retorno de Megaevoluções e a introdução de novas criaturas. Podemos esperar que essas Megaevoluções apareçam no futuro no Pokémon GO também?
Alan: Algumas dessas Megaevoluções estiveram presentes no GO Tour, com o lançamento de Mega Malamar e Mega Dragonite. Foi realmente empolgante, especialmente porque é algo que saiu bem recentemente nos jogos da linha principal. Conseguimos trazê-los tão rápido para o jogo graças à grande parceria com a Pokémon Company, como parte da celebração da campanha dessas novas Megaevoluções. Foi algo muito empolgante, e alguns jogadores realmente gostaram disso.
No evento GO Tour em Pasadena, Los Angeles, e em Tainan, Taiwan, conseguimos fazer uma nova versão de evento ao vivo chamada Mega Night. Foi bem empolgante: depois que o GO Tour regular acabou no parque, tivemos uma segunda parte à noite, com DJ, luzes e surpresas.
Acho que foi um dos nossos eventos recentes mais empolgantes e bem recebidos, por causa da interação, da boa música e dos Pokémon aparecendo no jogo. Também foi a introdução da nova Megaevolução que temos no jogo, que chamamos de Super Megaevolução.
Já tínhamos a Megaevolução, mas agora temos essas novas formas. Então, a pergunta era: como fazer com que elas fossem especiais e empolgantes para os jogadores? Como sempre, esse é o nosso objetivo ao lançar um conteúdo.
Essa nova funcionalidade, em que a equipe trabalhou e que estreou no GO Tour, foi muito bem recebida, e vocês podem esperar mais disso. Alguns Mega Pokémon foram lançados em Pokémon Legends Z-A e, como de costume, o conteúdo dos jogos principais chega em algum momento a Pokémon GO.
Estamos sempre de olho no melhor momento para fazer isso porque, como eu disse no início, Pokémon GO busca ser acessível para todos. Se lançássemos todos os Pokémon que existem de uma única vez, seria algo difícil de lidar.
É por isso que, quando Pokémon GO foi lançado, colocamos apenas 150 Pokémon. Isso também nos dá a chance de fazer com que cada geração tenha seu próprio momento para brilhar. Quando finalmente liberamos esses Pokémon, as pessoas sentem que é algo especial e, às vezes, eles estão associados a eventos que acontecem ao longo do ano. Acredito que os jogadores podem esperar que isso continue acontecendo.
Falando sobre eventos novamente, neste ano tivemos o Carnaval do Flamigo, um evento que prestigiou o Rio de Janeiro e achamos isso bem legal porque a maioria dos eventos de jogos acontecem em São Paulo, como a gamescom LATAM neste momento. Por que escolheram fazer esse evento no Rio de Janeiro? E podemos esperar outros eventos como esse especificamente criados para a audiência brasileira?
Alan: É, esse foi um evento bem interessante. O Carnaval é uma parte muito importante da cultura brasileira, e o Rio é especialmente famoso pelo Sambódromo e por tudo o que acontece nessa época.
Quando estávamos nos planos iniciais desse evento, também fizemos parceria com nossos amigos da Scopely da Europa, porque o Carnaval é um acontecimento mundial. Apresentamos a ideia como um evento global, mas que, mesmo sendo global, teria ativações especiais em países onde o Carnaval é culturalmente muito importante.
Tivemos um evento em Colônia, na Alemanha, outro no Rio de Janeiro, entre outras cidades. Acho que foi algo ótimo que fizemos, e os resultados também foram ótimos. Se você se lembrar, tivemos o Flamigo com uma imagem de fundo do Rio de Janeiro. Para nós, essa é uma grande oportunidade de continuar fazendo o que temos feito com a equipe da América Latina desde o início.
Queremos que os jogadores não consigam dizer se o jogo vem dos EUA ou do Japão, mas que vejam coisas que os façam pensar que ele é daqui, né? Acho que todos os nossos esforços em localização, mídias sociais, eventos ao vivo e conteúdo in-game localizado, sempre com foco em relevância cultural e em momentos culturalmente importantes, são muito relevantes para nós.
Também percebemos que a comunidade realmente aprecia isso e é algo que esperamos continuar fazendo no futuro.
Para finalizar gostaria de saber se tem algo que gostariam de compartilhar conosco, novidades, eventos, e o que tem por vir.
Alan: Sim, estamos fazendo dez anos e este é um momento de reflexão. É olhar para trás e pensar nesses dez anos de aventuras, pessoas e conexões, mas também imaginar como serão os próximos dez anos.
Essa é uma pergunta que todos estão fazendo agora: o que vem no futuro? E isso é engraçado porque, embora eu não possa dizer quais funcionalidades vão surgir ou que conteúdo maravilhoso vai aparecer, tenho certeza de uma coisa: a comunidade estará na linha de frente disso.
Como eu disse, este é um jogo em que metade da diversão acontece fora do jogo, então faz muito sentido que a comunidade faça parte desse futuro. Nós aprendemos com o Brasil. Temos esse programa global chamado Embaixador da Comunidade, que acontece no mundo todo, mas tem suas raízes no Brasil e em outros países da América Latina. Então, os treinadores brasileiros já ajudaram a dar forma ao jogo nestes primeiros dez anos.
Estou muito empolgado em imaginar como será trabalhar com esses jogadores no futuro. Quando me perguntam qual é o futuro do jogo, eu penso nas pessoas, nas conexões, nas fotos. Quando a maioria dos jogos lança algo interessante, são exibidas gameplay e funcionalidades. Para nós, o mais impressionante são fotos de pessoas em um parque. Isso realmente mostra como a comunidade é uma parte importante deste produto.
O que posso dizer com certeza é que, daqui a dez anos, a comunidade estará no centro de tudo.

Com isso tivemos o prazer de compartilhar esse momento especial que reflete o marco na história do Pokémon GO! Dez anos de um dos jogos mobile mais populares do mundo não é pouca coisa, e gostaríamos de parabenizar a dedicada equipe do Pokémon GO que torna isso possível todos os dias. E vocês leitores o que esperam do Pokémon GO daqui em diante?
