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Desenvolvedora: Yacht Club Games
Publicadora: Yacht Club Games
Gênero: Adventure | Plataforma
Data de lançamento: 29 de maio, 2026
Preço: R$ 67,99
Formato: Digital
Plataformas: Nintendo Switch 2, Nintendo Switch, PlayStation 5, Xbox Series X|S, PC
Análise feita no Nintendo Switch 2 com cópia fornecida gentilmente por Yacht Club Games
Revisão: Manuela Feitosa
Em 2014, uma empresa de desenvolvimento de jogos californiana viria a lançar um jogo independente que moldaria todo um padrão e definiria todo um estilo: Shovel Knight. A empresa, Yacht Club Games, acertou em cheio com a premissa de um jogo que minuciosamente simulasse os estilos e “limitações” do NES, mas sem as ditas limitações que pudessem atrapalhar a arte, entregando um plataforma de ação que moldaria não só o mercado indie, como também todo o legado que a Yacht teria!
A análise de hoje, no entanto, não é sobre Shovel Knight, porém seria injusto comentar sobre Mina the Hollower, a nova aposta dos desenvolvedores da Yacht Club Games, sem mencionar o seu legado prévio… mas o que é Mina the Hollower como um jogo?
Com um anúncio em 2022 via um Kickstarter de MUITO sucesso (conseguindo quase 400% do valor inicial do projeto), Mina the Hollower é outro projeto que visa homenagear um estilo específico de jogo Retro, mas ao invés de ir para os 8-bits do NES, o jogo puxa os aspectos 8-bits do Game Boy Color! Tendo uma originalidade muito forte em sua aparência, designs e temáticas, o jogo não esconde suas verdadeiras inspirações, que são principalmente:
- The Legend of Zelda – especialmente os de GB/GBC.
- Castlevania – especialmente os “Classic”vanias.
- Bloodborne e outros derivados da série Souls.
Nesta análise iremos explorar castelos mal-assombrados, pântanos venenosos e diversas áreas com a atmosfera de terror gótico enquanto nos encantamos com o incrível mundo de Ossex e seus habitantes, tanto vivos quanto mortos. Será que a Yacht acertou em cheio, ou será que este jogo seria um triste fim a um excelente estúdio? Sem o drama teatral, vamos a análise!
Mina, a Hollower!

Rumo ao bizarro cenário da Ilha Tenebrosa, nossa protagonista camundongo, Mina, é chamada para a capital da ilha, Ossex. No entanto, ao se aproximar da estranha terra, o navio que carregava Mina e outros passageiros é atacado, fazendo ela precisar andar até Ossex, assim como também a deixou essencialmente náufraga em uma terra misteriosa.
Mina é uma pesquisadora, inventora e Hollower, essencialmente um clã especial que consegue utilizar poderes através da terra e se enterrar na mesma. Sua presença na ilha se deve a uma facção terrorista ter destruído os “Geradores de Faísca”, baterias de energia que alimentam toda Ossex, e cabe a Mina, a inventora original dos Geradores, a consertá-los, afinal, existem sete geradores espalhados por toda a ilha.




Basicamente sem equipamentos (fora a arma escolhida inicialmente) e preparo, Mina deverá se aventurar por um mundo lotado de perigos, onde os mortos voltaram à vida e andam pela ilha livremente, e a única certeza que Mina tem é de que essa história está muito suspeita desde o princípio. Com a narrativa tendo aproximadamente umas 30 horas até o encerramento, Mina the Hollower é um jogo que vai consumir alguns dias do jogador, mas é certamente uma experiência única, ainda que aparentemente derivativa.
Falando nisto…
Comemorando dois aniversários diferentes?!
Originalmente planejado para um lançamento no halloween do ano passado, Mina the Hollower teve um adiamento inesperado causado por “balanceamento e polimento” (de acordo com a própria Yacht); o que de início acabou sendo triste, pois o jogo estava em desenvolvimento ativo desde 2022, e era algo que muitos estavam ansiosos.




Porém, por conta do adiamento que levou o jogo de 2025 para 2026, uma coincidência enorme acabou caindo nas mãos da equipe, e algo que nem acredito que eles previram: o jogo está saindo entre os aniversários de 40 anos de The Legend of Zelda (fevereiro de 1986) e Castlevania (setembro de 1986), as suas maiores inspirações! Sem querer chamar o jogo de derivativo, pois tem muitas coisas que ele faz de forma original, mas acho uma boa já apontar as comparações aqui para explicar melhor as mecânicas:
— Semelhanças com The Legend of Zelda
- Perspectiva e combate: o jogo se observa numa perspectiva top-down, onde podemos mover a protagonista em quatro direções diferentes. O combate se dá com um uso de armas variadas que você precisa usar na direção que o rosto da personagem está apontando; com algumas exceções específicas, como mini adagas e o escudo, que funcionam semelhantemente a um bumerangue arremessável.
Devido à perspectiva top-down do jogo, muitos aspectos do mesmo exigem uma certa sabedoria de como usar o ambiente ao seu redor, com o uso específico de pulos sendo um fator que vai definir se Mina conseguirá acessar determinadas áreas ou não. É certamente uma das partes mais divertidas do jogo, no entanto.
— Semelhanças com Castlevania
- Sistema de armas e subarmas: no jogo você pode equipar uma série de armas principais, que varia do chicote central da protagonista, presente em todas as campanhas de marketing do jogo, a Estrela da Noite, a outras armas como espadas, facas, etc. Adicionalmente, o jogo também possui um sistema de subarmas, marcados por um uso limitado que você pode preencher ao coletar certos itens que estão no jogo, incluindo em candelabros e matos que você pode destruir para descobrir que item ou recurso tem dentro dos mesmos.
Por ser um jogo com múltiplos tipos de inimigos e ambientes diferentes que podem ser afetados pela forma que você joga, em nenhum momento do jogo é recomendado que você fique usando a mesma arma, com o jogador sendo aconselhado por certos “avisos” do game a qual seria a hora certa de tentar estratégias novas.
— Semelhanças com SoulsBorne
- Mercadoria de ossos: um sistema adicional do jogo, adicionando alguns elementos de RPG ao mesmo, são os ossos (pense no sistema de Souls ou os de SoulsBorne)! Ossos funcionam como um sistema de EXP, assim como também são a economia do jogo: você pode acumular para juntar mais pontos em determinados aspectos como força ou potência de subarma, ou comprar certas melhorias e vantagens você mesmo.
Vale apontar que você perde os ossos caso morra e só os recupera se for até o local, os perdendo para sempre se morrer antes de recuperá-los.
Com essa mistura de sistemas, Mina the Hollower consegue homenagear suas principais inspirações, enquanto ao mesmo tempo cria algo original e que vale as dezenas de horas da campanha central! Falando de aspectos como o combate e afins, muitos que estão acostumados com jogos como The Legend of Zelda: Oracle of Seasons se sentirão em casa jogando Mina, a aventura, apesar de ter seus puzzles e momentos que me fizeram pausar um pouco, é muito mais focada na ação.

Entretanto, caso queiram ter alguma vantagem de início, um amigo meu me ajudou a gravar algumas dicas de certos equipamentos que você consegue no early-game, então para evitar dificuldades maiores, fica o vídeo abaixo.
Uma atmosfera gótica
Já fica escancarado pela aparência e ambientação de Mina the Hollower, mas o jogo tem aquele clima mal-assombrado que realmente adiciona um tcham ao jogo. Dada a dificuldade dele em certos aspectos, Mina consegue entregar uma atmosfera que não é um terror convencional, por assim dizer, mas que ainda vai fazer você ficar na ponta dos pés para tentar passar de um momento difícil.
É um jogo visualmente lindo e único, e com momentos que usam as cores em 8-bits ao seu máximo! Com uma ênfase nos close-ups que Mina recebe em dados momentos como em espelhos ou cutscenes, creio que muitos compreenderão a beleza dentro do estilo retro de Mina.
Mas fica a dúvida se esse jogo acabou perdendo um pouco do timing para fazer bom uso de sua atmosfera gótica; não estou reclamando da experiência em si, mas ele realmente exclama como um “jogo de halloween”.
Hora de falar do Nintendo Switch 2…
Separei um tópico só para falar das adições da Nintendo Switch 2 Edition, já que este jogo é uma. Apesar de não ser uma das mais carnudas em termos de conteúdo, vale a pena apontar o que essa edição (que pode ser feita por um download de graça, caso você possua a versão de Nintendo Switch) possui:
- Suporte a HDR;
- Taxa de quadros fixa nos 120FPS, tanto no dock quanto no tablet;
- Resoluções máximas maiores – com suporte ao upscale do dock, aparentemente;
- Funções relacionadas ao modo mouse do Joy-Con 2 apresentam bônus menores ao jogo.
Agora que comentei a última coisa a respeito das minhas opiniões positivas do jogo, vamos ao tópico de “reclamações”…

Uma última esperança para roedores
Como um jogo de ação e aventura, Mina não há muito do que reclamar. Se a pessoa que está jogando o jogo for fã de Zelda ou buscar algo como Zelda, vai achar com o jogo da ratinha com chicote! Mas com as contrapartidas que, com os variados tipos de fãs de Zelda que existem, você vai se encontrar numa encruzilhada específica.
Meu primeiro jogo da franquia Zelda foi Oracle of Ages, então esteticamente, Mina foi literalmente feito para mim; mas ao jogar mais a fundo e ver tudo do jogo, vi que minha (rara) preferência por Ages foi mais uma vez ofuscada pela superioridade geral que Seasons tem. A gameplay é quase exclusivamente focada em combate, com os puzzles ficando de escanteio e sendo só um artifício legal para alguns momentos, mas que não tem o mesmo peso de uma “dungeon clássica” que fãs de Zelda pedem tanto.
Uma outra reclamação a se fazer é a dificuldade do jogo, que embora justa, acaba me fazendo questionar o design do jogo em alguns momentos. Certos pulos se tornam difíceis no early-game pela perspectiva, e a mecânica semelhante às Souls de SoulsBorne podem frustrar um jogador que perdeu milhares de ossos apenas porque caiu em um precipício sem a chance de se curar.
Diversos dos meus pontos são extremamente pessoais e não tiram de Mina como uma experiência, mas antes de encerrar este tópico, só queria fazer um questionamento: será que foi uma decisão inteligente usar um jogo que pode ser visto como divisivo como a última esperança de seu estúdio? Em qualquer resposta, eu tiro o meu chapéu para a Yacht, pois sempre admirei a coragem que eles demonstram.
Os geradores de Hype!

No fim, Mina – que já era um dos dois jogos indies que eu mais aguardava este ano (com o outro ironicamente também sendo protagonizado por um camundongo) – apenas provou para mim que os desenvolvedores de Shovel Knight ainda sabem o que estão fazendo. Como uma bela forma de homenagear franquias antigas e ainda apresentar algo novo, Mina the Hollower é o tipo de jogo que consegue prender aquele que consegue alcançar a imersão dentro do mesmo.
Se você é fã de Zelda e quer uma aventura clássica, jogue Mina the Hollower! Se você é fã de Castlevania e sente saudade da atmosfera “única” dos jogos clássicos, jogue Mina the Hollower! Se você é… AH, JÁ ENTENDERAM, JOGUEM MINA THE HOLLOWER!
Prós:
- Uma aventura que vai durar dezenas de horas e te levar a ambientes únicos;
- Spritework 8-bits que emula os visuais da era Game Boy Color de algumas franquias;
- Atmosfera sombria que, em muitos momentos, vai te deixar ansioso;
- Variedade em combate, exploração e descobertas de segredos.
Contras:
- As sessões de plataforma podem parecer estranhas devido à perspectiva;
- Por favor, chega do sistema de “Souls”, este jogo realmente não precisava.
Nota
9,5
