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Desenvolvedora: Claytechworks
Publicadora: Square Enix
Gênero: Adventure | RPG de ação
Data de lançamento: 18 de junho, 2026
Preço: R$ 339,90
Formato: Físico (Game-Key Card)/Digital
Plataformas: Nintendo Switch 2, PlayStation 5, Xbox Series X|S, PC
Análise feita no Nintendo Switch 2 com cópia fornecida gentilmente pela Square Enix.
Revisão: Lucas Ferreira
Durante o meu histórico com o Nintendo Switch, uma desenvolvedora sempre apelou para os meus gostos específicos com os seus RPGs: a Square Enix, mais especificamente, com seus jogos no estilo HD-2D! Geralmente simples em estilo, mas refinados em termos de gameplay e/ou história, eu sempre me empolguei para cada lançamento novo que a famosa “Team Asano” preparava, e desde LIVE A LIVE de 2022, fiquei viciado nesse estilo único.
No entanto, um jogo que prendeu a minha atenção desde sua revelação em uma Partner Showcase de 2025 foi “The Adventures of Elliot: The Millennium Tales“, uma tentativa da equipe que produziu Octopath Traveler e Triangle Strategy de tentar entrar no mercado de RPGs de ação — lembrando que o remake de Star Ocean 2 não conta. O jogo pegou minha atenção, não apenas pela ideia de ser um RPG de ação, mas pela frustração de, na época, ainda não possuir um Nintendo Switch 2, já que este era o único jogo do estilo HD-2D que parecia pular o Switch original.
Tendo jogado The Adventures of Elliot por algumas poucas horas em sua demo de prólogo (uma muito boa, caso queiram experimentar o conteúdo inicial do mesmo) e por dezenas no jogo completo, eu posso dizer que entendo a decisão de pular o Nintendo Switch para o lançamento deste jogo, ao mesmo tempo que posso recomendá-lo.
Entre comparações com The Legend of Zelda, uma gameplay única que recompensa a experimentação acima de tudo, e alguns toques e elogios a mais para o jogo, me acompanhem durante esta análise, enquanto exploramos o mundo de Philabieldia através dos olhos de Elliot, Faie e dos companheiros que ambos fazem em sua jornada entre o tempo.
Philabieldia e suas diferentes eras
A narrativa de Elliot é interessante no sentido que, de início, ela parece superficial: ao sermos introduzidos ao reino de Huther, na região de Philabieldia, ficamos sabendo sobre seu histórico, os casos de monstros bestiais que atacam as pessoas, e sobre a única segurança que este povo possui através de uma magia constantemente renovada pela princesa Heuria. É neste contexto que somos introduzidos a Elliot, um jovem aventureiro que tem seus serviços contratados pelo reino para ajudar na busca do ministro Kaifried, por uma opção de proteção que não dependa da princesa.




Logo após Elliot interagir com Heuria, os dois formam uma amizade e introduzem um dos melhores conceitos do jogo: o de companions! Mas o interessante a apontar é que, em um momento da narrativa, após Elliot descobrir ruínas que ficariam sendo chamadas de “Portões do Tempo“, Kaifried trai o grupo e busca uma forma de alterar a história humana. Neste contexto, vemos uma batalha árdua no passado de Huther entre Elliot e Kaifried, agora com um poder superior, e que resulta na “morte” de Elliot.

Incrivelmente, no entanto, tudo o que falei até agora foi apenas o conteúdo presente na história da demo. Não darei tantos spoilers para conteúdos que não foram apresentados pelo marketing do jogo, mas caso queiram jogar o jogo “às cegas”, vocês foram devidamente avisados.
Pouco tempo após a luta contra Kaifried que resultou em sua morte, Elliot acorda em um abismo e é revivido por Faie, uma fada que apenas ele consegue ver e ouvir. Tendo voltado à consciência, o aventureiro resolve voltar para sua era e descobre que, o que quer que Kaifried esteja fazendo, está afetando a princesa Heuria e a saúde dela. As missões de Elliot e Faie então se tornam duas: parar Kaifried e salvar Heuria!




Usando outros portões do tempo por Philabieldia, Elliot e Faie precisarão descobrir novos poderes, novos equipamentos e novos aliados para alcançar seus objetivos. Entrarei em mais detalhes sobre elas depois, mas por enquanto, estas são as únicas eras que Philabieldia possui e são presentes no jogo:
- Era da Segurança: o presente de Elliot e onde começamos a nossa história; possui esse nome devido à “Magia de Segurança” que a princesa invoca pelo reino.
- Era da Reconstrução: a idade das trevas de Philabieldia e onde Kaifried se escondeu; foi o período menos seguro da humanidade, sem barreiras e magias.
- Era da Magia: os anos dourados e uma era onde a humanidade dominava magia; é onde Elliot vai quando precisa aprender mais sobre artefatos antigos.
- Era do Broto: o início da sociedade de Philabieldia, e o período quando a humanidade aprendeu magia; é onde vemos mais sobre a misteriosa raça bestial dos “Myū”.
Um RPG repleto de experimentações
O aspecto interessante de The Adventures of Elliot como um RPG é que ele é mecanicamente simples: o jogador possui apenas dois botões de ataque (Y & X no Nintendo Switch 2), que seriam essencialmente sua “arma principal” e “arma secundária”. Porém, durante o jogo, não só você pode trocar de armas e equipamentos a qualquer hora, como pode experimentar diferentes efeitos que as armas possuem através de equipamentos especiais chamados de magicita.
Mas antes de me apressar com os efeitos de armas e o que o jogo te permite experimentar, me deixe falar quais são as opções de armas e ferramentas que o jogo oferece ao jogador:
- Espada: A arma inicial de cada aventureiro e que pode ser usada para ataques simples de curta distância. Seu poder carregado permite um corte áereo!
- Lança: Arma que Elliot ganha de seu amigo Euygene e permite ataques seguros a uma distância. Seu poder carregado permite que Elliot dê um ataque em corrida!
- Bumerangue: A opção perfeita para ataques duplos à distância, o bumerangue é uma arma ideal, mas difícil de usar. Ao carregar, o bumerangue voa mais rápido!
- Martelo: Uma arma que serve tanto para ataques de concussão, quanto como uma ferramenta para quebrar obstáculos. Cria ondas de choque ao carregar o golpe!
- Arco & Flecha: Uma arma que gasta recursos (flechas) conforme é usada, perfeita para ataques à distância. Ao carregar, dispara 3 flechas ao custo de apenas uma!
- Bombas: Uma ferramenta que pode ser usada como arma dado o seu poder de explosão. Apesar de não ter um ataque carregado, seu dano crítico é quase garantido!
- Foice acorrentada: Em tese, uma arma que permite ataques de curta e longa distância, é a última arma que Elliot descobre. Seu ataque carregado permite que Elliot traga inimigos para perto de si!
- Escudo: Embora tecnicamente não uma arma, é a ferramenta ideal para Elliot se proteger de ataques. Ao ser usado gasta stamina, e eventualmente pode ser usado para desnortear inimigos, com o timing certo!




Através de sua simplicidade mecânica, Elliot se destaca com as formas que você pode customizar o seu combate através de boosts, magicitas e magias equipadas em Faie: difícil de acertar com apenas um bumerangue? Lance dois! Usar o escudo não te recompensa tanto? Faça com que sua espada ganhe um golpe extra sempre que você o usar, etc. E é nessa experimentação que Elliot tem um combate que encontra sua complexidade através de mecânicas simples.
Saindo um pouco do combate, no entanto, vamos para o meu aspecto favorito do jogo…
Uma aventura no tempo!
O ponto interessante do jogo está diretamente no título, são os “Contos do Milênio”! Através de viagens no tempo por portões espalhados por toda Philabieldia, Elliot e Faie conseguem explorar diferentes pontos do tempo e encontrar diferentes personagens; você pensaria que alguém que está tentando impedir um ministro maligno de mudar o passado não mexeria com o passado, mas o Elliot é muito “bonzinho” para evitar de ajudar os outros.
The Adventures of Elliot possui um sistema de missões paralelas que irão aparecer no mapa como símbolos verdes, e é através destas missões paralelas que temos um gostinho a mais do worldbuilding e storytelling do jogo, além de termos uma ideia de quais são algumas das figuras míticas que vemos em certos contos, como por exemplo: o Rei Herói é dito ter vivido 200 anos antes do período da Era da Segurança e tinha uma esposa de saúde frágil. Vou só dizer que chegamos a conhecer alguém extremamente parecido na Era da Reconstrução!
Meu ponto favorito, no entanto, é que através dessas diferentes missões entre as eras, Elliot e Faie fazem mudanças que podem alterar eras futuras! Vou tirar meu chapéu para a equipe do Tomoya Asano na escolha de algumas destas missões, pois as mudanças são tão mínimas que você só pode descobrir através de conversas com outros NPCs — que por si só, já interagem com o mundo e a forma que progredimos com a história de forma orgânica.

Enfim, a conclusão que quero chegar é apenas uma: este pode parecer um RPG com uma história clichê na superfície, mas ele entrega algo tão especial que a única comparação que consigo fazer — em termos de viagem no tempo, ao menos — é com Chrono Trigger, e a forma como os diferentes períodos de tempo agem entre si.
Comparando as jornadas de Elliot e Link
Chegando na verdadeira questão do “elefante na sala”, diversas prévias do jogo o apontaram como uma alternativa para The Legend of Zelda, enquanto os próprios desenvolvedores negaram e comentaram outras inspirações. Caso queiram um resumo geral, fizemos uma notícia sobre a resposta que um dos produtores do jogo deu à pergunta. Vocês podem ler aqui…
Embora os jogos possuam suas semelhanças, como…
- Um título semelhante, com ênfase na aventura;
- Uma perspectiva semelhante (aos jogos 2D);
- Protagonistas heróis e/ou aventureiros;
- Companheira fada;
- Mecânicas de combate simplistas.
…eu posso garantir que as comparações, por mais justas que sejam, são um tanto infundadas. Para aqueles familiares com certas franquias como Mana ou Ys (mais especificamente os portáteis), vocês perceberão que Elliot é mais próximo destes do que de um Zelda!
Se eu fosse falar um aspecto de Elliot que definitivamente vai agradar os fãs de Zelda, porém, são suas masmorras. As mesmas seguem uma estrutura muito próxima ao que os primeiros jogos 3D de Zelda tinham: entrar em uma masmorra, ou algo próximo disso ⮕ conseguir um item ou magia específico ⮕ navegar a masmorra com mais facilidade usando este item ou magia.




Por fim, entre este jogo, Mina the Hollower e o eventual remake de Ocarina of Time que lançará ainda este ano, é possível dizer que os fãs da série Zelda, em sua apresentação mais tradicional, estão bem alimentados este ano.
A Faie realmente é tão chata?

Formando minhas próprias opiniões sobre Elliot, minhas críticas são poucas, porém precisas! O jogo pode ser relativamente fácil independente da dificuldade que você joga; ele possui uns glitches visuais — que são pouca coisa, como visto acima, mas acho válido a Square Enix ficar sabendo; e por fim, embora não seja ruim, a trilha sonora é um tanto esquecível, um verdadeiro downgrade das orquestras presentes em jogos como Octopath ou Triangle Strategy.
Dito isso, uma crítica que tenho visto de outras prévias é um tanto engraçada e me traz memórias de um período estranho da internet: o ódio a ̶N̶a̶v̶i̶ Faie. Há quem diga que ela comenta demais, há quem diga que os diálogos repetidos não adicionam em nada, e eu fico numa posição estranha de quem realmente amou a personagem, ela só é fofinha.
É, meu ponto de crítica foi menos de crítica e mais para defender uma fada fictícia de críticas. Eu podia ter medo dela inicialmente — dado o histórico do Asano com outras fadas — mas esse medo lentamente se transformou na fadinha sendo minha personagem favorita do jogo.

Entre o tempo e a arte
Resumindo tudo em apenas um ponto, The Adventures of Elliot: The Millennium Tales é o jogo ideal para aqueles que buscam uma experiência que não foge muito do padrão ação-aventura, mas também o expande! Sua campanha com cerca de 30 horas para completar é certamente a duração certa que fará com que muitos o considerem como um jogo ideal para se jogar de forma portátil ou na TV (off-topic, mas este acabou sendo o meu jogo perfeito para jogar durante uma viagem).

Sem muito mais o que acrescentar, se você já é fã dos outros jogos HD-2D da Square Enix, as chances são de que Elliot vai ser um jogo quase certeiro de você gostar. Não se tornou o meu favorito dos HD-2D, mas entraria em um “top 3” muito facilmente!
Prós:
- Combate que recompensa a experimentação geral dos sistemas;
- Uma história simples, mas que entrega momentos sinceros e divertidos em sua narrativa;
- Mundo vasto que consegue ser lindo, mesmo se repetindo quatro vezes separadas;
- Faie, minha amada fadinha.
Contras:
- Certos aspectos são bem aquém aos outros jogos da Team Asano;
- Estranhamente, elementos gacha.
Nota
9

