Desenvolvedora: IKINAGAMES
Publicadora: NIS America
Gênero: RPG baseado em turnos
Data de lançamento: 21 de maio, 2026
Preço: R$ 259,99
Formato: Físico/Digital
Plataformas: Nintendo Switch, PlayStation 5, Xbox Series X|S, PC
Análise feita no Nintendo Switch com cópia fornecida gentilmente pela NIS America.
Revisão: Davi Sousa
STARBITES é o mais novo RPG publicado pela NIS America no Ocidente, com o foco dessa vez sendo seus mechas em uma aventura de ficção científica. Aqui, os personagens vão pilotar seus mechas em combates de turno energéticos em um cenário pós-apocalíptico clássico para o gênero. Os visuais vibrantes e encantadores e os designs de personagem que são quase clássicos instantâneos acabaram me pegando já na primeira vez que eu vi a capa do jogo.
Desenvolvido pela IKINAGAMES, STARBITES possui uma proposta e direção de arte cativantes, mas uma execução divisiva. Infelizmente, este jogo e sua arte se tornaram, para mim, um ótimo exemplo de ideias incríveis e execuções medíocres, mas que ainda valem a pena no fim do dia. Entrem no robô e venham comigo entender os pontos fortes e fracos, e se essa aventura se paga no final.
Conheça Bitter

Logo no começo do jogo, após o diálogo introdutório, somos apresentados ao planeta Bitter, um local árido e sem muita vida orgânica, cheio de construções decadentes e máquinas revoltadas que ocupam esse ambiente inóspito. O planeta é um lugar bem padrão desse tipo de história, e é feito com esmero. A base onde nossos protagonistas moram serve como uma central para as pessoas que vivem ali, com bares, comércios de todas as naturezas e confraternizações de todos os tipos, e ela é bastante carismática desde o começo.
STARBITES tenta ser variado o suficiente na apresentação, com cenários diferentes que se desenrolam em pouco tempo, todos com ideias interessantes e coesos para aquele mundo. Temos como exemplos lugares especificamente poluídos na região, bem como outras bases protegidas do flagelo do deserto. Tudo é bastante apaixonante de um ponto de vista do design, e isso poderia ser o ponto mais forte dessa aventura, mas honestamente, não no Switch. Aqui, as texturas que já são simples acabam ficando borradas de um jeito que foi desagradável pela minha experiência. Os poucos detalhes no mundo aberto ficam ofuscados pelas limitações do console estarem sendo levadas ao limite.
No fim das contas, o Switch é um console que não tem o hardware mais impressionante, e que já está se aproximando do seu aniversário de 10 anos, o que o coloca em uma posição difícil para os jogos de lançamento que se baseiam em multiplataforma. Isso dito, não consegui identificar motivos para esse jogo não estar melhor otimizado na plataforma.
Eu, na intenção de entender o que se devia ao port e o que se devia ao próprio jogo, consultei uma jogatina de uma plataforma mais recente, e pude constatar que STARBITES já tem texturas bem simples originalmente, mas esse borrado, além de uma performance fraca de fps, foi uma questão desse port em específico.
Isso tudo dito, o jogo ainda está completamente jogável, e isso é mais uma questão de optar por jogar em outro hardware, se possível. Mas voltando ao ponto principal, ainda há muito a oferecer para além destes pequenos problemas técnicos, que não destroem a experiência.
A história da Garota Mágica Lukida™

Se já de início somos apresentado a esse mundo decrépito e sem esperança, nossa apresentação ao coração dessa história é o contrário. Lukida, uma jovem piloto de mecha conhecida como a maior devedora da cidade, tem um plano: escapar da colônia. Com ou sem sucesso, o ponto de partida é uma esperança pulsante e radiante como sua própria personalidade.
Com um elenco de apoio que tem mais carisma no design do que na personalidade em si, Lukida acaba carregando uma parte considerável do que tem de fantástico nessa história, tanto por um viés temático quanto por garantir que nos importemos com essa história e nos apaixonemos por esse grupo de desajustados. Lukida é uma garota energética e apaixonada, que faz as coisas com as próprias mãos e carrega dentro de si um otimismo inabalável, de forma que não ficaria deslocada em nenhum sentido em um jogo da franquia Atelier.
Parte do que torna a caracterização dela interessante é a própria premissa de que ela carrega uma dívida desde antes do seu nascimento e se tornou a maior devedora da cidade. Como provavelmente a pessoa que menos tem a perder, ela acaba sendo também a que mais tem vontade de viver. Movida inicialmente pelo desejo de sair dali e eventualmente pelos mistérios desse mundo, basta gostar dela que você deve estar bem na questão da história, que levanta todos os temas que já são esperados dessas narrativas distópicas, histórias de opressão e pobreza.
Entre no robô

Nem só de história vive STARBITES. No entanto, o jogo conta, na verdade, com mais tempo no campo do que na narrativa, com mapas vastos e labirínticos para explorar. Ele traz um loop bastante prazeroso de se jogar: de missão em missão, devemos explorar o deserto e os cenários subsequentes dentro do nosso mecha. Entre um ponto de recarga e outro, lugar onde podemos nos curar e salvar, podemos coletar baús, derrotar monstros e conhecer novos lugares. É o seu típico loop de RPG de mundo semiaberto, mas o verdadeiro trunfo está no combate.
A maior parte das horas do jogo serão investidas no combate. Aqui, para vencer, o importante é quebrar a barra de defesa do inimigo; para isso, você precisa acertar ele com uma das fraquezas um certo número de vezes, algo bastante semelhante ao combate de Octopath Traveller, mas ao invés de juntarmos pontos para soltar skills, aqui possuímos mana, que deve ser gerenciada e pode ser recuperada com ataques básicos. A graça é que skills diferentes acertam uma certa quantidade de vezes o inimigo, trazendo uma camada de densidade estratégica.

Embora esse combate não reinvente a roda por completo, ele é bastante viciante e divertido como sempre. Uma feature bem interessante dele é que todos os personagens possuem uma barra que enche conforme as ações avançam, e quando ela estiver cheia, o jogador pode puxar um turno extra desse personagem. Isso é bastante valioso para quebrar um inimigo problemático antes do turno dele ou finalizar um inimigo antes que ele possa se recompor, mas também pode entrar nos cálculos do jogador para quebrar um inimigo.
STARBITES ainda conta com alguma personalização. Além das armaduras e armas tradicionais de RPG, temos uma árvore de habilidades para cada um dos personagens. O jogo não é muito difícil, mas ainda é bem divertido e viciante ver o estrago que você pode causar nos inimigos. Essa situação só passa a ser diferente nas batalhas contra chefes, que, em maioria, contêm gimmicks específicos para balançar um pouco as coisas. Até porque muitas vezes o jogador vai ser abordado no open world e forçado a uma batalha. É mais difícil do que eu gostaria não ser encurralado pelo inimigo para iniciar uma batalha, o que pode tornar o processo um pouco tortuoso se você não for tão cativado pelo combate assim, e isso faz com que essas lutas contra chefes sejam ainda mais refrescantes.
Para além das estrelas

STARBITES tem um loop de gameplay bem divertido, mas não é tão inovador. O mesmo pode ser dito da sua estética dele e da história, o que o deixa numa posição um pouco medíocre quando visto de fora. Isso dito, ele foi uma experiência bastante divertida. Eu estava há algum tempo buscando um RPG engajante e divertido sem grandes pretensões, e ele cumpriu exatamente essa função.
Com tantas opções saindo para salvar o gênero dos RPGs de turno, STARBITES é mais um título divertido e cativante trazido pela NIS America que eu tive o prazer de zerar. O ponto é justamente que, caso ele já te pareça interessante e o conceito dele, por qualquer viés, tenha te interessado, dê uma chance. O jogo foi sim feito com carinho e entrega uma experiência agradável, mas caso você espere dele algo vanguardista ou uma qualidade como outros títulos modernos da indústria, ele pode facilmente te decepcionar.
O jogo é bem amarradinho, tem um worldbuilding bem-feito e razoavelmente denso, uma protagonista cativante, um combate viciante e, apesar de tudo, ainda senti que faltou aquele extra para elevar a experiência para o próximo patamar, seja no sentido de ser mais polido, seja no sentido de ser mais ambicioso. Ainda assim pessoalmente, embora tenha uma série de defeitos, STARBITES é uma declaração de como nem todo jogo precisa ser tanto para me fazer me divertir por algumas dezenas de horas.
Prós:
- Combate em turnos viciante e divertido;
- Protagonista carismática que move a história;
- Bom worldbuilding e boas ideias na direção de arte.
Contras:
- Não é muito polido no Nintendo Switch;
- O loop de gameplay pode ficar repetitivo;
- Faltam mais momentos difíceis para o jogador experimentar com os talentos.
Nota
8
