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Desenvolvedora: Crystal Dynamics, Aspyr
Publicadora: Aspyr
Gênero: Aventura e ação
Data de lançamento: 9 de junho, 2026
Preço: R$ 129,95
Formato: Digital
Plataformas: Nintendo Switch 2, PlayStation 5, Xbox Series X|S, PC
Análise feita no Nintendo Switch 2 com cópia fornecida gentilmente pela Aspyr.
Revisão: Manuela Feitosa
No final do ano passado, fiz a análise de Tomb Raider: Definitive Edition, versão para Switch 2 e Switch do aclamado reboot de 2013 da franquia. Foi meu primeiro contato com algum jogo da série e confesso que me diverti bastante, apesar de ser um jogo inegavelmente fruto de uma época e bastante fiel a uma fórmula específica.
Agora, menos de um ano depois, sou surpreendido com o lançamento surpresa da continuação de 2015: Rise of the Tomb Raider. Como falei no final da minha análise do antecessor, estava ansioso para esse lançamento, para ver como a série evoluiu e que melhorias gráficas poderíamos ver para o console da Nintendo, levando em conta que esse já foi um lançamento na época focado nas plataformas da geração PlayStation 4 e Xbox One.
Graças a esse portal magnífico chamado NintendoBoy, já recebi o código do game e tive a oportunidade de conferir como ele está na mais atual plataforma da Big N. Será que a desenvolvedora Aspyr aprendeu com alguns erros do port do jogo antecessor e trouxe uma versão mais robusta dessa vez? Essa é a minha maior curiosidade, mas antes disso também quero falar da minha perspectiva geral sobre o game.
A protagonista se arrisca, os desenvolvedores não
Comentei da última vez, mas vou reiterar aqui: essa série de jogos do reboot de Tomb Raider é uma amostra muito completa do que foi a indústria de jogos triple
A durante a geração PlayStation 3/Xbox 360 e PlayStation 4/Xbox One. Todos os clichês esperados estão aqui: cinemáticas impressionantes, quick-time events frequentes, movimentação pesada e realista aliada a câmera em terceira pessoa, progressão bastante linear, e, até mesmo o visual do jogo e as animações, tudo aqui entrega muito bem que tipo de jogo Rise of the Tomb Raider quer ser.

Há duas maneiras de se enxergar essa situação: a mais cínica é perceber que na época, os executivos da Crystal Dynamics simplesmente queriam atualizar a franquia já celebrada para os padrões atuais da indústria, sem refletir ou buscar um caminho criativamente mais rico e diferenciado, seguindo o caminho mais fácil para tornar a franquia um sucesso e agradar os fãs.
Porém, há um ponto de vista mais otimista se notarmos que, apesar da falta de inovação, Rise of the Tomb Raider, assim como seu antecessor, faz tudo muito direitinho. A construção das fases, dos desafios e dos cenários, é tudo relativamente bem executado para criar uma experiência redondinha. Por mais que eu reconheça que talvez os desenvolvedores estejam seguindo o caminho mais fácil, quando pego o controle para jogar consigo sair relativamente satisfeito com o que é entregue aqui.

Rise of The Tomb Raider é o tipo de continuação direta construída em cima do seu antecessor, apesar da nova história e do novo cenário, as mecânicas e os desafios são construídos e utilizados da mesma maneira, de forma que se você jogou o jogo anterior, já vai estar bem familiarizado o que é apresentado aqui. Mais uma vez esse caminho exibe a falta de ambição dos desenvolvedores, mas também é a rota perfeita para aperfeiçoar e cortar as arestas do que não ficou tão bem feito no jogo anterior.
Lara Croft, Tumbas, Exploração, Artefatos etc.

Lara Croft se vê dessa vez em uma situação mais pessoal. Muito motivada pelo que aconteceu com o seu pai, ela decide ir atrás de uma suposta fonte divina que concede a imortalidade. Ela viaja então para as montanhas da Sibéria, em busca da cidade onde fica esse artefato. No entanto, uma organização chamada “Trindade” também está em busca desse item, e utilizará todo seu poderio militar para atrapalhar a jornada da protagonista.
A narrativa aqui toma uma posição muito parecida com a do primeiro para mim, apesar do cenário diferente e da proposta bem mais focada em Lara do que em um grupo de personagens, achei que no final de tudo a estrutura da história tenta gerar as mesmas reações que do primeiro jogo. É evidente que essa proposta acaba tendo menos impacto para quem jogou Tomb Raider de 2013, visto que tive poucas surpresas por aqui.

A relação de Lara com alguns moradores do vilarejo que protege a fonte divina é um dos pontos interessantes da história, trazendo personagens como Jacob e Sofia que tem um certo carisma. Os vilões também são um ponto central que chamam atenção na história e entregam um antagonismo razoável para a protagonista.
Apesar de se inspirar consideravelmente nos jogos da Naughty Dog, tenho impressão que a Crystal Dynamics é bem menos talentosa na escrita, não só as peças se movem de maneira previsível, mas dificilmente as coisas ficam tão interessante a ponto de me deixar ansioso para ver o que vai acontecer. Tudo parece acontecer apenas de justificativa para me colocar em algumas boas situações de ação absurda, que essa parte é onde fato o game consegue brilhar.
Lapidando uma pedra que não estava tão bruta

O ritmo é: explorar um pouco uma área nova, resolver um puzzle aqui e ali, entrar em um tiroteio com capangas vindo de todo e, finalmente, correr por um perrengue absurdo porque o cenário decidiu se desmoronar de repente. A fórmula é a mesma do primeiro jogo e o nível de efetividade é praticamente o mesmo. O combate é divertido, sair atirando e utilizar as diferentes armas é um tipo de gameplay que a gente vê nos jogos há anos e é sempre difícil de errar.
Os quebra-cabeças talvez estejam um pouco mais bem elaborados, passei por alguns trechos onde tive que olhar bem o cenário e encontrar a solução, apesar de não ser nada muito trabalhoso. Gosto de ver o esforço dos desenvolvedores em construir cada área, mesmo que seja para um puzzles simples, há cenários muito interessantes, templos antigos, locais abandonados, montanhas pitorescas, e é notável que aqui a equipe teve mais tempo para desenvolver os cenários.

Talvez, esse maior investimento seja o grande ponto positivo de Rise of Tomb Raider contra seu antecessor. Os cenários parecem mais grandiosos e variados, o que torna as coisas mais interessantes. Há mais tumbas para se explorar e agora foi adicionado as missões secundárias, pequenos desafios repassados por alguns NPC’s que aparecem em certas áreas abertas do mapa. Não é nada obrigatório, mas recompensa jogadores que decidirem explorar um pouco mais com itens e upgrades que de fato fazem diferença na hora do gameplay.
Inclusive, o sistema de upgrade no acampamento volta igualzinho aqui e segue sendo recompensador. Melhorar as armas ou desbloquear novas habilidades para Lara de fato facilitam a vida do jogador e fazem com que você fique sempre de olho em qual vai ser a próxima habilidade para desbloquear.
Uma boa pedida no Nintendo Switch 2
Rise of the Tomb Raider é um upgrade visual considerável em relação ao seu antecessor, aqui tudo é mais detalhado e mais bonito, a começar pelo modelo da protagonista que agora tem um cabelo mais detalhado, com físicas mais realistas, a roupa de Lara e o jeito que ela se movimenta e interage com os cenários também é mais realista e mais polido. Os cenários, como já comentei anteriormente, são impressionantes e realmente dão a perspectiva de “imensidão” quando se olha no horizonte de cima de montanhas da Sibéria.

Em resumo, aqui no Switch 2 temos uma versão bem competente do game que está em pé de igualdade com a versão original lançada para Playstation 4 e Xbox One. Se era possível trazer uma experiência melhorada, talvez com a taxa de quadros a 60 qps, não sei dizer. Mas também não acho que seja algo essencial para esse tipo de game mais cinematográfico, os 30 quadros por segundo daqui parecem atender bem a proposta do jogo.
Além disso, a versão de Switch 2 é a definitiva, como tem de ser, então inclui todas as melhorias e DLCs já lançadas para o jogo até agora. Nada surpreendente ou muito acima da média, mas é bom saber que o que está sendo oferecido é o valor máximo que se pode tirar desse título.

A minha crítica pra versão de Switch 2 é a falta de mira com o giroscópio. O jogo permite a utilização do sensor de movimento do controle, mas somente para ficar rotacionando artefatos que Lara acha a 360°. Ora, isso é ridículo, os desenvolvedores se deram ao trabalho de implementar o modo mouse, o que já é algo legal, mas o que faltou para também deixar o jogador mirar com o giroscópio como diversos outros jogos já fazem? Me parece apenas um ponto que a Aspyr realmente deixa passar na hora do desenvolvimento e que pode ser facilmente resolvido com uma atualização.
Vale destacar que o jogo também é bem bonito no modo portátil, joguei alguns trechos e apesar de achar desconfortável usar os joy-cons, não tive nenhum problema de desempenho ou na qualidade da imagem.
Venceu mas não convenceu

É difícil avaliar a minha experiência com Rise of The Tomb Raider separado do seu antecessor, os dois jogos são muito semelhantes e jogar esse aqui me fez lembrar exatamente da minha experiência com o primeiro. Sim, há melhorias, principalmente visuais, mas de resto, é como se fosse uma versão levemente alternativa de tudo que já vi antes.
Ainda me diverti com mais um jogo da série e não acho que o total do que é apresentado aqui seja um jogo ruim, no entanto, me vejo menos empolgado para o inevitavel lançamento do terceiro e último jogo da trilogia, Shadow of The Tomb Raider, com receio de que talvez eu tenha que passar pela terceira vez por uma experiência bem parecida em menos de um ano.
De todo modo, é inegável que o trabalho que a Aspyr tem feito aqui é importante e fico feliz de estar perto de ver a trilogia inteira em um console da Nintendo. Sendo um jogo datado ou não, a disponibilidade desse tipo de experiência para os consoles atuais e principalmente para um híbrido é importante, e mostra o quanto avançamos em tecnologia durante todos esses anos.
Bom, empolgado ou não, falta só mais um e caso o NintendoBoy receba, tenham certeza que estarei disponível e preparado para encerrar a trilogia e repassar a minha experiência por aqui.
Prós:
- Fórmula do primeiro jogo reaparece mais polida e bem executada;
- Visual do jogo é um claro upgrade em relação ao seu antecessor e roda bem no Nintendo Switch 2;
- Nível de perigo em situações absurdas que a protagonista passa é ainda mais exacerbado;
Contras:
- Falta de inspiração dos desenvolvedores entrega uma continuação extremamente segura e pouco ousada;
- História cumpre apenas o básico sem evoluir para algo mais envolvente, principalmente nos diálogos;
- Falta de mira com giróscopio é um deslize besta para um relançamento deste tipo.
Nota
7
