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Desenvolvedora: Kenkou Land
Publicadora: HuneX
Gênero: Visual Novel | Mistério
Data de lançamento: 25 de junho, 2026
Preço: R$ 277,58
Formato: Digital
Plataformas: Nintendo Switch
Análise feita no Nintendo Switch com cópia fornecida gentilmente pela HuneX.
Revisão: Manuela Feitosa
MAMIYA – A Shared Illusion of the World’s End – é uma visual novel de mistério de atmosfera sombria desenvolvida pelo estúdio solo Kenkou Land, tendo sido lançada originalmente em 2021 para PC e recebido o episódio final em forma de DLC anos depois. A nova versão que chega agora ao Nintendo Switch conta com todo o conteúdo do jogo e ainda com alguns extras, como uma dublagem que não existia no lançamento original.
O jogo se passa em uma Tokyo durante um ano em que foi profetizado que seria o último da vida na Terra, acompanhando três partes da história de um elenco de personagens que têm o aparecimento de uma figura misteriosa chamada Mamiya em suas vidas.
Vida e morte de Natsume
A história de MAMIYA começa no funeral de um rapaz chamado Natsume. Mesmo não tendo nutrido tantas relações ao longo de sua breve vida, Natsume ainda foi capaz de alguma forma tocar emocionalmente os seus quatro amigos com a sua partida.
Seus amigos são Kikuchi Ryou, Toujou Minato, Morichika Haruki e Suou Keito. A partir do funeral, poderemos acompanhar cada um dos quatro rapazes seguindo com suas vidas após o ocorrido, e o que os moverá ao encontro com uma entidade misteriosa chamada Mamiya, que consequentemente os levará à morte.

Tudo isso acorre ainda no primeiro episódio do jogo e de maneira relativamente breve, servindo como uma introdução a esses personagens que acompanharemos no decorrer da aventura. Assim logo de cara, já nos familiarizamos com suas personalidades, problemas pessoais e até mesmo sua relação com o restante do grupo de personagens. A perspectiva de cada um deles é desbloqueada baseada em uma série de escolhas feitas durante o funeral de Natsume, funcionando como uma espécie de mini rotas dentro de um pequeno capítulo.
Mamiya assume uma forma diferente para cada um dos quatro garotos. Sua forma pode estar relacionada a forma com que o personagem vê o mundo, seus problemas e personalidade, o que faz com que a aparição desta entidade seja sempre interessante, deixando aquela coceirinha atrás da orelha tentando decifrar o significado de sua forma e aparição.

Como já estabelecido anteriormente, no final do primeiro episódio todos haverão de morrer, e certo personagem acredita que Mamiya pode estar envolvido com as suas mortes. Evidentemente, é um tanto quanto complicado elaborar muito sobre a história do jogo sem acabar dando spoilers, mas dá pra dizer que o jogo dá uma guinada para algo bem diferente e inventivo ao fazer um uso interessante da jogabilidade típica de visual novel, chegando a ser uma abordagem quase que metanarrativa que levará esses personagens para rumos inimagináveis pra quem viu somente o primeiro episódio da história.
Mamiya é uma história que só poderia ser contada em forma de videogame e utiliza isso não só de maneira mecânica mas também narrativamente, visto que um de seus temas principais que permeia não só a história como um todo como também o arco individual de cada personagem é o destino, mortalidade e o controle que temos (ou não) sobre esses aspectos da vida.

Dito isso, é seguro afirmar que o grosso da história só vai acontecer mesmo nos episódios 2 e 3, onde além das reviravoltas principais da narrativa, novos personagens e consequentemente novas tramas e uma nova visão sobre Mamiya será apresentada.
Compartilhando ilusões
O jogo é dividido em 3 episódios, sendo estes FallDown, DownFall e DoomsDayDreams, respectivamente. Enquanto os dois primeiros faziam parte do lançamento original, DoomsDayDreams foi adicionado posteriormente em forma de DLC.
A versão A Shared Illusion of the World’s End lançada pela dramatic create que foi portada para o Nintendo Switch já conta com a DLC, juntamente com alguns extras incluindo atuação de voz que não existia no lançamento original. Dentre todas as adições, diria que a atuação de voz juntamente com DoomsDayDreams são as “novidades” mais bem-vindas, considerando que MAMIYA É uma obra extremamente movida a personagens, traumas e conflitos, e nesses contextos uma boa dublagem é se não essencial, algo extremamente bem-vindo, e o que foi entregue não deixa a desejar em momento algum e realmente acrescenta à experiência como um todo.
Cada episódio de MAMIYA possui o seu próprio flowchart onde o jogador deve escolher qual parte da história vai acompanhar naquele momento. Em certos capítulos, algumas escolhas deverão ser feitas pelo jogador que irão alterar o rumo da narrativa, algumas dessas escolhas apenas irão desbloquear CGs novas enquanto outras desbloquearão novos capítulos, podendo até mesmo desencadear em finais precoces dependendo de que ponto está a história.

O flowchart de MAMIYA dá uma boa ideia de como os acontecimentos são espaçados, funcionando como uma ótima sugestão da ordem de como cada capítulo pode ser jogado. Claro, alguns desses capítulos como os Tips. de DownFall podem ser pulados em sua totalidade, mas não recomendaria negligenciar esse tipo de experiência visto que o aprofundamento desses personagens, suas dinâmicas de grupo e suas histórias individuais é de longe onde o jogo brilha mais.
MAMIYA é um trabalho bem robusto para uma desenvolvedora solo, não só pela qualidade da escrita e o escopo da história, mas também em um nível técnico. O jogo, por exemplo, conta com em torno de impressionantes 70 CGs que são lindamente ilustradas mesmo em sua simplicidade.
Ainda no que diz respeito a sua simplicidade, pode-se dizer que o jogo inteiro faz um uso extremamente inteligente da direção de arte, isto é, não existe uma grande variedade de personagens, retratos e cenários, mas todos que aparecem são muito bem feitos e suficientemente expressivos para um jogo que contém tanto drama. O jogo contém muitas músicas, mas grande parte são faixas já conhecidas e sendo todas de uso livre, como Csárdás do compositor Vittorio Monti.

Os cenários ao invés de serem comumente ilustrações são aqui imagens reais, porém distorcidas por uma granulação que lembra filme de câmera analógica, além de estarem embaçadas como se estivessem fora de foco. Essa abordagem ajuda o jogo a dar uma atmosfera de sonho, como se os personagens estivessem “deslocados da realidade”, algo abstrato mas ao mesmo tempo muito embasado no mundano e concreto, dialogando diretamente com a temática e sendo um exemplo claro do simples porém eficaz de sua parte estética.
No entanto, ainda passei por uma inconveniência com o jogo que me deixou de cara em como deixaram um erro tão grotesco passar despercebido dessa forma. Em um determinado momento, o jogo apresentou uma cutscene contando um dos conceitos chave do jogo de maneira divertida utilizando bonecos chibi e uma música, porém esse momento inteiro veio sem legenda alguma que não fosse a original japonesa, o que acabou tornando o momento completamente incompreensível para mim que sei ler pouquissímo de japonês. Felizmente é algo que pode ser facilmente arrumado com atualizações futuras, mas não deixa de ser um inconveniente grave.
Fim do mundo

MAMIYA – A Shared Illusion of the World’s End – é mais do que somente um história sombria, é um ótimo exemplo de como jogos são capazes de contar histórias únicas utilizando elementos de sua própria linguagem. É sem dúvida uma obra com limitações mas que soube contorná-las muito bem a seu favor, criando uma atmosfera sombria e opressiva que carrega o mistério da aventura.
Prós:
- Direção de arte impressionante considerando o escopo de produção do jogo, onde o uso inteligente de recursos visuais limitados ajuda a criar um clima único;
- Personagens fáceis de se identificar em suas dores e conflitos tornam a dinâmica de grupos interessante de acompanhar nos momentos bons e ruins de cada um;
- Atmosfera opressiva e sóbria complementa o mistério e o pavor existencial que assombra a narrativa.
Contras:
- Falta de legenda em certas cutscenes deixam trechos do jogo impossíveis de entender para quem não sabe nada de japonês.
Nota
9
