Desenvolvedora: TNX
Publicadora: Nintendo
Gênero: Ritmo | Música
Data de lançamento: 2 de julho, 2026
Preço: R$ 219,90
Formato: Físico/Digital
Plataformas: Nintendo Switch
Análise feita no Nintendo Switch com cópia fornecida gentilmente pela Nintendo.
Revisão: Manuela Feitosa
Depois de mais de 10 anos sem um jogo da franquia, Rhythm Heaven Groove finalmente marca o retorno de uma das séries de ritmo mais carismáticas da Nintendo, desenvolvido pela TNX. Mesmo com uma fórmula que pouco mudou desde os títulos anteriores, o novo jogo mostra que algumas ideias simplesmente não envelhecem. IH!
A premissa ainda é a mesma – acompanhar o ritmo da música enquanto executa comandos simples, mas que exigem atenção e, principalmente, sincronia. Parece fácil, mas basta alguns minutos para perceber que acertar o tempo certo é muito mais desafiador do que parece. E é justamente aí que mora o charme da franquia. IH!
O caos faz parte do ritmo
Se tem algo que Rhythm Heaven Groove faz muito bem, é transformar o absurdo em algo normal. A franquia sempre abraçou aquele humor característico da cultura japonesa, misturando situações improváveis, personagens caricatos e comportamentos aleatórios. IH!
Um dos melhores exemplos é um dos novos minigames, onde você precisa apertar a letra A no ritmo, e caso você acerte, você vai ver imagens de pessoas tomando chá, refrigerante ou chocolate quente, e algumas dessas pessoas estão até com roupa de banho. Quando você lê isso, não parece fazer nenhum sentido, e realmente não faz, mas funciona muito bem no jogo. Você acaba entrando na vibe da música e, por algum motivo, até se conecta com aquela situação. No fim, você nem sabe se deveria rir ou curtir a música, e esse é justamente o jeitinho de Rhythm Heaven. IH!

Uma das novidades é o novo modo de narração, em que todos os textos do jogo são dublados por Lil’ Miss Reeds, uma simpática garota robô que tem um tique bastante engraçado, ela termina praticamente todas as frases com um “IH!”. É bobo, mas é o tipo de humor que combina perfeitamente com a franquia. Depois de algumas horas, você até se pega repetindo o “IH!” sem perceber… IH!

Apesar da narração em inglês ser muito boa, a ausência de dublagem e legendas em português pode acabar afetando a experiência de alguns jogadores. É uma novidade interessante que, infelizmente, acaba não sendo aproveitada por todos devido à barreira do idioma.

O jogo também conta com alguns minigames extras além dos tradicionais, trazendo experiências bem diferentes. Um dos destaques é Beatspell, uma aventura em que você controla uma garota de cabelo azul enquanto enfrenta diversos inimigos. Como já é de se esperar, pra soltar as magias é preciso seguir o ritmo da música. Durante as batalhas, um quadrado aparece ao redor da personagem e você precisa apertar os botões A e B na sequência correta para lançar diferentes magias. Dependendo da combinação, é possível atacar com bolas de fogo, envenenar os inimigos ou até curar sua própria vida, fazendo com que tenhamos também que pensar corretamente em qual magia será usada.
1… 2… 3… GO!
Se existe uma coisa que Rhythm Heaven Groove acerta em cheio, é naquilo que faz a franquia ser tão especial: suas músicas. Depois que você começa a jogar, é difícil querer parar. Cada erro dá aquela sensação de culpa, como se você estivesse impedindo a música de alcançar todo seu potencial, o que acaba incentivando a tentar melhorar e prestar mais atenção no ritmo.
A trilha sonora é extremamente variada, trazendo estilos para praticamente todos os gostos. Talvez alguma música não te agrade tanto, mas logo em seguida surge outra completamente diferente que conquista sua atenção. Os vocais são um espetáculo à parte, e a vontade de descobrir qual será a próxima canção acaba sendo um dos maiores incentivos para continuar jogando. Cada música transmite uma sensação diferente, mas todas conseguem manter o mesmo objetivo: fazer você entrar no ritmo e se divertir.
Quando você acha que o jogo já mostrou tudo que tinha para oferecer, Rhythm Heaven Groove surpreende mais uma vez com sua direção de arte. Cada minigame possui uma identidade visual própria, cheia de personalidade, e alguns deles chegam até a mudar de acordo com o seu desempenho no ritmo, deixando a experiência ainda mais dinâmica.




Como se isso não bastasse, os Remix elevam ainda mais esse cuidado. Eles misturam elementos de diversos minigames e trazem mudanças que transformam completamente a apresentação de cada um, mantendo sua identidade enquanto combinam o ritmo e as mecânicas de vários ritmos em uma única música. O resultado continua sendo muito divertido, mas alguns deles poderiam ter recebido um pouco mais de capricho para se destacarem ainda mais. Mesmo assim, é difícil decidir se você presta atenção na arte ou continua focado em acertar o ritmo da música.
Errar também faz parte do ritmo
Uma das coisas mais legais de Rhythm Heaven Groove é a forma como ele incentiva o jogador a continuar tentando, mesmo quando você erra algumas notas. Independente da nota que você recebe ao final de um minigame, o jogo sempre apresenta uma mensagem diferente acompanhada de uma arte exclusiva, tornando cada resultado único. Em vez de transformar o erro em frustração, o jogo faz exatamente o contrário, recompensando sua tentativa com uma nova arte e mensagem motivacional, quase como se estivesse dizendo que, na próxima vez, você vai conseguir um resultado ainda melhor.

Como nem todo som é agradável, uma das mudanças que pode dividir opiniões é a remoção total do ghost tapping, uma técnica que permitia que o jogador entrasse no ritmo da música e continuasse apertando os botões no tempo certo, mesmo sem uma dica visual ou sonora indicando exatamente quando agir. O jogo até te avisa que você está jogando “errado”…

O pior ponto do jogo, de longe, são os menus. A franquia nunca teve menus super elaborados, já que a proposta sempre foi manter tudo simples e direto, porém, em Rhythm Heaven Groove, essa simplicidade acabou passando do ponto. Os menus são sem personalidade, algumas opções podem ser um pouco confusas e falta aquele charme que está presente em praticamente todos os minigames. A sensação é que você só quer sair dali o mais rápido possível para voltar a jogar, sem nem sentir vontade de explorar o restantes das opções.

O jogo ainda conta com o Modo Perfect, que aparece ocasionalmente após você concluir um minigame, contanto que você tenha a nota Amazing. A ideia é o que o nome sugere, completar toda a música sem errar nada. Você tem apenas três vidas para conseguir o Perfect e, caso tenha sucesso, esse modo é desbloqueado permanentemente para aquele minigame. Quando você consegue o Perfect em uma música, o jogo te recompensa com uma arte que pode ser vista em uma das opções no menu.
E não para por aí. Caso você consiga fazer o Perfect três vezes seguidas, você desbloqueia o Night Mode, um modo de jogo onde você está completamente cego e só pode ouvir as dicas sonoras da música. Então eu te desejo boa sorte caso queira completar por inteiro o jogo. Nossa, quanto Perfect, né?

Uma surpresa bem legal para os fãs é a participação da cantora Ado na música “Love Me Forever!”. Como sempre, ela entrega um vocal impecável. E essa participação dela também trás algo engraçado, “Love Me Forever!” se tornou a primeira música de um jogo da Nintendo a ser lançada em plataformas de streaming além do Nintendo Músic.
Toda música tem um fim
Rhythm Heaven Groove consegue manter tudo aquilo que tornou a franquia tão especial ao longo dos anos. Seus minigames continuam criativos, a trilha sonora é excelente e o humor característico da série continua presente. É um jogo que entende muito bem sua própria identidade.
Isso não significa que ele seja perfeito. Os menus deixam a desejar e alguns Remix poderiam ter recebido um pouco mais de amor. Felizmente, esses problemas não são suficientes para diminuir o brilho da experiência.
No fim, Rhythm Heaven Groove é uma ótima sequência e uma recomendação fácil para quem já gosta da franquia ou quer conhecer um dos jogos de ritmo mais criativos da Nintendo. É aquele tipo de jogo que sempre deixa a sensação de que ainda dá pra jogar “só mais uma música”. IH!
Prós:
- Vocais impecáveis, com músicas que ficam na cabeça por muito tempo;
- Minigames variados;
- Excelente opções de acessibilidade;
- Músicas marcantes, com estilos diferentes que agradam a todos os gostos;
- Ado.
Contras:
- Os Remix poderiam ter recebido mais capricho;
- Menus simples demais e sem a mesma personalidade dos jogos anteriores.
Nota
8
