- Review | SAEKO: Giantess Dating Sim - 06/07/2026
- Review | R-Type Dimensions III - 19/05/2026
- Review | Kingdom’s Return: Time-Eating Fruit and the Ancient Monster - 22/04/2026
Desenvolvedora: SAFE HAVN STUDIO
Publicadora: HYPER REAL
Gênero: ADV | Terror psicológico
Data de lançamento: 25 de junho de 2026
Preço: R$ 50,99
Formato: Digital
Plataformas: Nintendo Switch, PC
Análise feita no Nintendo Switch com cópia adquirida pelo redator.
Revisão: Davi Dumont Farace
Quanto mais tempo se passa no consumo de terror, especialmente os de estética anime e adventure games e visual novels, é que terror e tesão andam lado a lado. Um acaba exacerbando o outro quando apresentam temáticas que exploram emoções fortes e irracionais. É um dos grandes motivos de eu ser fã do gênero. Bem irônico vindo de um redator que já está apático a sustos e choque e que está no espectro assexual. Zero tesão, zero medo, mas ainda com apreciação à Saiko: Giantess Dating Sim.
É um projeto independente impressionante, é que mostra muito potencial do desenvolvedor para projetos futuros; porém, pequeno e enxuto demais. Ainda assim, foi o suficiente para garantir que eu tenha tido a possibilidade de ir atrás de todos os finais do jogo e com tempo para dissecar alguns de seus temas. Pode até não ser o próximo gigante dos videogames, mas com certeza não é coisa pequena.
Passos grandes em pequenos momentos

Sem muita cerimônia, descobrimos que controlamos uma pessoa que foi encolhida ao tamanho de um boneco, e estamos aos cuidados de uma moça chamada Saiko. Ela é definida como bonita e elegante logo de cara, e quase na mesma medida, como o monstro que deixa o jogador em cativeiro, responsável por garantir petiscos de alta qualidade para ela.
O jogo do qual estamos falando tem um desenvolvimento rápido. Colocando várias caixinhas de mistério e propositalmente ignorando algumas delas em propósito ao desenvolvimento principal, que é o relacionamento entre o protagonista, Rin, e Saiko, a antagonista do jogo, e como um afeta o outro.

A temática acaba seguindo a de um relacionamento tóxico, que causa dor a todos ao redor dos dois, enquanto um torna o outro cada vez pior, tornando o ciclo mais vicioso. Nesse ponto, o jogo faz uma escolha proposital de ser muito superficial com os personagens que nos são apresentados na história. Isso gera o resultado misto de complimentar os temas da história, porém acaba que o terror, a empatia e o medo de perder esses personagens é pouco presente.
Ainda assim, a situação é perturbadora o suficiente para criar desconforto no jogador, especialmente quando o jogo usa dos seus visuais mais confortáveis e fofos e trilha sonora em estilo lo-fi para acalmar o jogador em contraste a toda situação que o jogo coloca o protagonista. Sem contar o uso de senso de humor constante, principalmente usando a vulgaridade, que pode ser engraçada para alguns. Para mim acabou sendo divisivo, com algumas entregas tão absurdas que voltavam ao engraçado e outras simplesmente como uma escrita juvenil.

Como puxar um gatilho.
O jogo em si é focado na história, com as interações do jogador visando avançar o texto ao próximo estágio, tornando um ponto de falha, logo a condição de jogo, quase inexistente. Visto que nesse site temos redatores que adoram novels cinéticas, ou seja, lineares de começo ao fim como um livro (comigo incluso nesses redatores), isso não é exatamente um ponto negativo, mas alguns elementos são apresentados como mecânicas que iriam exigir mais do jogador do que de fato é necessário para a narrativa.
O papel do jogador acaba sendo o mesmo que o de Rin, puxar o gatilho para Saiko, decidir qual deles será morto desta vez. Mesmo que obrigatório para progressão, ainda é uma tarefa sufocante. Não é tempo suficiente para conhecê-los como personagens, mas é responsabilidade suficiente para o jogador se sentir como o carrasco deles. Não me darei muito o trabalho de explicar essas mecânicas, já que elas são apenas ilusões de um jogo para progressão narrativa. Sua única condição de falha é ativamente ir contra o senso comum e errar as opções de diálogo com a Saiko, e é aí que surge a parte de dating sim do título.

Não responda muito rápido, do contrário Saiko saberá que você não está escutando. Não ignore suas perguntas, do contrário você realmente estará a ignorando, porém, não responda todas, você não é uma buzina, e claro, não responda incorretamente. Devo admitir que esses momentos me estressaram em absoluto, mas isso é menos uma prova de uma falha do jogo e mais que eu não aguentaria dois dias com alguém que fosse uma ameaça a minha vida.
Toda a outra interação do jogador vem do celular da Saiko, que contém um mini-game que devo admitir ter jogado mais do que imaginei que faria: uma web-novel de quatro capítulos, que me fez levantar mais questões sobre o mistério do jogo, da qual ele não respondeu, por sinal, e alguns desbloqueáveis baseado nas decisões que você como jogador tomou em meio a jornada definida.
Tudo isso culmina em três finais. Nenhum deles me satisfez por completo, mas não foram ruins, e não estragaram a experiência.

Tudo isso por um cara só?
Além da própria história, todo o resto do jogo foi desenvolvido por apenas uma pessoa, incluindo os visuais em pixel art, que são de alta qualidade e em momentos com animações muito fluídas, especialmente para a própria Saiko. Por consequência da maioria dos personagens ficarem na história por pouco tempo, as ilustrações acabam não enjoando quanto outras histórias com poucas ilustrações e personagens.
Em adição às animações, e em contraste com o tema do jogo, há muitas músicas calmas e suaves, tomando como base o que se escutaria em uma compilação de músicas do gênero lo-fi, com batidas lentas e suaves, mesmo que em alguns momentos mais desconfortáveis.

Considerando que todos esses elementos foram feitos por apenas uma pessoa, não surpreende que o tempo de jogo seja tão curto. É uma tarefa difícil para qualquer um fazer tantos elementos conectados, algo que nem alguns dos indies mais conhecidos fizeram.
Baixo orçamento, grande preço
O fator principal da minha não recomendação de Saiko: Giantess Dating Sim é o fator do preço. Por mais que seja mais barato que a maioria dos jogos da eShop, 60 reais ainda é um preço bem salgado para um jogo tão curto. Deve-se considerar que você está lendo uma história curta e que pode ser consumida em um único dia, como um livro.

Em questão do que foi apresentado, fiquei muito contente com a história contada, e acho que pode agradar outros jogadores até mais do que me agradou, mas pode ser de interesse esperar alguma promoção, caso sinta que o tempo de jogo justifique sua compra.
Como é um jogo de pouca jogatina, feito por um único desenvolvedor, a nota será pela história que me foi apresentada, e eu fiquei bem contente com ela.
Prós:
- A história é simples, porém muito boa;
- Pixel art de alta qualidade, entregando também animação fluída;
- Boa trilha sonora.
Contras:
- Muitos mistérios da história não são resolvidos;
- Os finais são fracos;
- O jogo é muito curto.
Nota
8
