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Desenvolvedora: SIDRAL GAMES
Publicadora: Selecta Play
Gênero: Shooter | Roguelike
Data de lançamento: 2 de julho, 2026
Preço: R$ 49,99
Formato: Digital
Plataformas: Nintendo Switch, PlayStation 5, PlayStation 4, Xbox Series X|S, Xbox One, PC
Análise feita no Nintendo Switch com cópia fornecida gentilmente pela Selecta Play.
Revisão: Manuela Feitosa
Shoot ‘em Ups são simples. Pegue uma nave, coloque em um corredor e lote de alvos. É a linearidade do gênero, unida a um grau de dificuldade alto, que engaja o jogador e o faz repetir as fases de novo, de novo e de novo.
HYPERWIRED parece um Shoot ‘em Up tradicional, com cara, som e temática, mas busca um diferencial na fórmula. Afinal, corredores dão espaço para arenas, áreas iguais se transformam em zonas procedurais e power ups se transformam em… vários elementos distintos.
O Terror Contemporâneo
Se cada geração tem seu terror, da fome à guerra, da ameaça nuclear à global, a modernidade em suas maravilhas tecnológicas desperta um novo: o medo da bateria baixa em um celular. Os 10% sobressalentes em uma travessia de ônibus, com os carregadores USBs disponíveis, porém quebrados, e os cálculos mentais de quantas músicas poderão passar antes da descarga completa.

HYPERWIRED busca nessa sensação um gancho de gameplay bem fora do comum. Isso porque controlamos naves com cabos, e todos os nossos status podem e devem ser recarregados: desde a barra de vida até a munição, o laser e o motor de locomoção.
Para isso, precisamos navegar as arenas em busca de tomadas, cada um com seu atributo específico. Toda ação que fazemos custa algo, e gerenciar o posicionamento das tomadas em relação à sua nave, enquanto deve lidar com hordas de inimigos, é o grande desafio proposto no título.
Contudo, para combater os inimigos, contamos com a ajuda de outras pequenas naves, que vez ou outra aparecem nas arenas com alguma pendência. E se levarmos as naves às tomadas que carregarão o status ilustrado, ganhamos um ajudante fiel. Este, mesmo que avariado, ainda pode ser levado a outras tomadas em fases, conquanto estejam disponíveis, visto que em arenas com chefões a oferta de recarga é limitada.

O interessante é que, ao salvar tais naves, conseguimos debloqueá-las no seletor de personagens. Cada uma terá uma característica própria, seja pelos status (ofensivos, devensivos ou de movimento) ou até por características próprias (como a pod-racer, que perde energia mais rapidamente ficando parada).
Em paralelo com o loop central de ativar tomadas e avançar nas fases, ainda temos alguns atributos que devem ser considerados: escudos e bombas podem ser coletadas no mapa, um botão de slow motion nos deixa pensar, consumindo pontos coletados ao derrotarmos inimigos, e ainda power-ups podem ser ativados no cabo da nave, desde que não tenhamos nada mais conectado. O recurso mais valioso, contudo, é uma espécie de power-bank, que pode ser ativado a qualquer momento para recuperar a energia dos controles. A depender dos power-ups, tal ferramenta pode inclusive recarregar outros atributos, mas para isso é importante gerenciar os upgrades entre fases.
Como um bom roguelike…
Diferente de Shoot’em Ups em que power ups são restritos a seções ou áreas curtas, HYPERWIRED incorpora o sistema clássico de power up roguelike. Ou seja: a cada fase, temos várias opções e devemos escolher a que melhor encaixa naquela run.

Gerenciar tais melhorias personaliza enormemente nossa run, e é o que permite termos estratégias tão diversas mesmo com as mesmas naves. Experimentar, reciclar e expandir é vital para esticar ao máximo as runs, que podem vir a se tornar bem desafiadoras perto do fim.
HYPERWIRED é um título que não busca estender sua premissa para além do que ela é capaz. Seu loop de gameplay, embora inicialmente convoluto, logo se encaixa, e não há variação entre o início e o fim de uma run. Mesmo com novas áreas e upgrades, os inimigos ainda são os mesmos, os desafios similares e os status com pouco impacto.

Ainda que o jogador resgate todas as naves, elas invariavelmente serão destruídas em bosses que são poucos e sem mudanças, sem a possibilidade de as salvarmos, resetando nosso exército a cada nova área. Isso causa certa frustração, por não ser possível acumular um poderio bélico que “quebre” o jogo.
Ao finito e nada além disso
Compreendendo as limitações do título, acredito que a experiência é satisfatória àqueles que buscam experiências curtas, principalmente no handheld. Confesso, contudo, que a dimensão das pixel arts me deu certa dor de cabeça, por precisar forçar o olhar para distinguir naves inimigas de aliadas, tiros e power-ups e até as setas que identificam os diferentes tipos de tomadas.
Tive um crash bem incoveniente no meio de umas runs, que por não terem saves me fez perder um bocado de tempo à toa, mas não é como se as runs fossem particularmente longas. Além disso, desbloquear as naves não leva muito tempo, o que me faz apreciar o título pelo reconhecimento de suas limitações ao invés de propor a ser algo mais grandioso do que de fato o é.
No fim, dentre a miríade de títulos ofertados no Switch, HYPERWIRED é o típico entretenimento de final de semana, o petisco entre lançamentos maiores, a cura de uma insônica de quarta-feira. O jogador que se identifica com a cena, certamente encontrará no título uma distração competente.
Prós:
- O loop central é engajante, sendo um título simples mas que toma seu tempo para fazer o jogador o dominar;
- O elemento roguelike traz um senso de novidade a um gênero já bem explorado.
Contras:
- Pixel art fica comprimida no modo handheld;
- Progressão de upgrade não é tão bem sentido fase a fase.
Nota
7
