Desenvolvedora: Square Enix
Publicadora: Square Enix
Gênero: RPG | Coletânea
Data de lançamento: 23 de julho de 2026
Preço: R$ 284,90
Formato: Digital
Plataformas: Nintendo Switch 2
Análise feita no Nintendo Switch 2 com chave fornecida gentilmente pela Square Enix.
Revisão: Juliana Paiva Zapparoli
Iniciando a série de anúncios-surpresa da Square Enix para o Switch 2, Final Fantasy X/X-2 HD Remaster chega oficialmente ao console. O título, que já estava disponível em seu antecessor, traz um dos mais icônicos jogos da franquia e sua sequência não tão querida em um único pacote.
A versão de Switch 1 do remaster já rodava muito bem na plataforma e podia ser aproveitada sem problemas no novo console. Então, a principal dúvida que este lançamento traz consigo é: vale a pena investir nesta nova versão? A resposta, bem, é algo que vai depender bastante do quanto as poucas adições possam lhe interessar.
Escute a minha história, esta não será sua última chance de ouvi-la

Como mencionado, Final Fantasy X/X-2 HD Remaster traz o icônico décimo título principal da franquia Final Fantasy e sua sequência. O remaster original foi lançado para o PS3 e o PS Vita em 2014 e, desde então, foi portado para inúmeras plataformas, incluindo o Switch 1.
A narrativa de Final Fantasy X segue Tidus, um jovem que vive na cidade de Zanarkand. Um dia, uma criatura colossal conhecida como Sin ataca o local e o protagonista é transportado para o mundo de Spira. Lá, ele descobre que Zanarkand foi destruída há 1000 anos e que Summoners, pessoas que podem invocar poderosas criaturas conhecidas como Aeons, fazem uma peregrinação para destruir Sin, que é uma ameaça constante para o mundo de Spira.
Por acaso do destino, Tidus se torna um dos guardiões de Yuna, a próxima summoner que parte em sua própria jornada de peregrinação. Junto com os outros guardiões da garota, ele aprende mais sobre o mundo de Spira, a origem de Sin e a verdade sobre sua Zanarkand.

Já Final Fantasy X-2 ocorre dois anos após X. Yuna derrotou Sin, mas o período de paz dura pouco, com novas ruínas contendo esferas especiais surgindo por toda a Spira, trazendo consigo novos mistérios e uma nova ameaça ao mundo. Junto com Riku, uma de suas guardiãs, e a novata Paine, Yuna se torna uma Caçadora de Esferas, em busca de desvendar os mistérios que vêm surgindo por todo o mundo.
Apesar de X e sua sequência estarem em um único pacote, os títulos são opostos em muitos de seus elementos básicos. A narrativa talvez seja a principal: enquanto X é uma aventura com um tom mais trágico, quieto e emocional, X-2 é mais colorido, berrante e com um tom mais exagerado para contar sua história. Muitos fãs acham até desrespeitosa a forma como X-2 continua a narrativa geral após o final de X, com até mesmo alguns acreditando que a sequência tira o peso emocional que seu predecessor estabelecia em seus momentos finais.
X-2 ainda tem seus momentos sérios, mas a verdade é que ele realmente é um tipo de história muito bem diferente do seu predecessor. Já X é uma das melhores narrativas da série e possui um bom impacto com seus temas, personagens icônicos e momentos que ficam na memória.
Combate por turnos ou combate por turnos com uma pitada de ação?

Final Fantasy X e X-2 são dois RPGs com combate por turnos, similares aos jogos clássicos da série. Apesar disso, cada um dos dois títulos presentes traz maneiras diferentes de representar o icônico estilo de batalhas pelo qual o gênero é famoso.
Final Fantasy X nos apresenta o Conditional Turn-Based Battle (CTB), um estilo mais puro se considerarmos duelos por turnos. Cada personagem age em sua vez, com o canto direito da tela mostrando a ordem (podendo ser manipulada com o uso de habilidades). Além disso, de início, os personagens possuem seu próprio arquétipo (Yuna é a summoner e maga branca, por exemplo), além de serem úteis contra tipos específicos de monstros. Temos sete lutadores à disposição (com três ativos e o resto de backup), sendo possível alterá-los a qualquer momento.
Já Final Fantasy X-2 retorna com o famoso Active Battle System (ATB), que a franquia usou durante o quarto e nono jogos. Cada personagem possui sua própria barrinha que, ao ser preenchida, permite que ele utilize uma ação. A principal diferença do ATB de FFX-2 é que ele funciona de forma mais ativa do que em outros títulos. Ações especiais, como magias, possuem uma segunda barra que precisa ser enchida antes que ela ocorra. Além disso, monstros e outros personagens podem atacar antes mesmo que uma ação especial seja ativada, interrompendo-a em certos casos.

FFX-2 também traz de volta um dos sistemas mais queridos de Final Fantasy, o Job System. Renomeado para Dressphere, as três protagonistas da aventura (Yuna, Rikku e Paine) podem alterar a sua classe, ganhando habilidades únicas. A principal novidade é que as Dressphere estão integradas no sistema de combate, permitindo que os jogadores alternam entre as classes no meio dos duelos, trazendo uma estratégia a mais para a ação.
Outras mudanças também estão relacionadas aos sistemas que correm em paralelo às batalhas, especialmente em Final Fantasy X. X-2 tem um sistema tradicional de experiência e level ups, com a única novidade sendo a possibilidade de adquirir Ability Points (necessários para desbloquear habilidades das classes) durante os combates (matar inimigos recompensa AP naturalmente, enquanto você adquire AP extra ao utilizar as habilidades de cada classe).

FFX, por outro lado, utiliza um inédito sistema de Sphere Grid. Este é basicamente um tabuleiro gigante no qual os jogadores utilizam esferas especiais, adquiridas ao vencer batalhas, para desbloquear pontos de atributos e habilidades. Derrotar inimigos recompensa com AP, que, ao atingir certas quantidades, faz com que o personagem ganhe Sphere Level. Cada nível permite que o herói escolhido mova-se uma casa, com o jogador podendo se mover tanto para frente quanto para trás.
O Sphere Grid é um sistema interessante, porque os jogadores podem “montar” o personagem da sua maneira. Apesar de cada um começar no seu quadrado, logo é possível entrar no Sphere Grid de outro personagem, aumentando assim as opções de customização.
O incrível mundo de Spira

Sendo remasters de dois títulos de PlayStation 2, Final Fantasy X/X-2 HD Remaster possui visuais bem agradáveis para sua época. A Square Enix soube aproveitar bem o poder do console, entregando um mundo rico e com muitos detalhes. Cada local de Spira é único e os jogos não envelheceram nada mal em termos de visuais. Cutscenes também são muito lindas e até hoje ainda surpreendem, graças a seus efeitos e alta qualidade.
Os personagens possuem bons modelos, mas vale mencionar que a versão HD refez o rosto de todos, deixando-os um pouco mais genéricos. HD também deu um salto na resolução do jogo e nos assets, trazendo um pouco mais de vida para o mundo de Spira.
X-2 foi feito reutilizando bastantes assets de X, incluindo modelos de personagens que não condizem muito com qual deveria ser seu estado durante a narrativa. O game, contudo, possui muitos novos modelos, locais e até mudanças em cenários do original. As protagonistas são bem mais animadas do que em X, com muitas caras e bocas ocorrendo em certas cutscenes, dando uma vida extra e charme às garotas.

Em termos musicais, X marca a despedida do lendário compositor Nobuo Uematsu da franquia. Para o título, o músico trouxe algumas melodias semelhantes a temas icônicos, mas também incluiu novos estilos musicais na trilha sonora, incluindo um tema de boss final bem heavy metal. X-2 possui um estilo musical bem diferente, mas ainda é possível encontrar melodias que se aproximam do clássico estilo da franquia.
Além de exploração e combate, o mundo de Spira possui diversas atividades opcionais que os jogadores podem aproveitar em ambos os títulos. Entre os mini games, um dos mais lembrados por quem jogou FFX é o Blitzball, um jogo à parte que possui suas próprias regras. O conteúdo opcional em ambos os títulos expandem bastante o mundo original, além de conceder poderosas recompensas a quem decidir investir seu tempo em tentar completá-los.
Por fim, além dos jogos, o pacote traz alguns extras adicionais. Eternal Calm é um vídeo especial que liga as narrativas de FFX e X-2, enquanto X-2: Last Mission é uma sequência de X-2, um pequeno modo roguelike com uma mini-história que ocorre após o jogo. Ambos são bônus que eram exclusivos do Japão, antes de serem portados para o Ocidente com a coletânea. Há também um áudio drama de 30 minutos intitulado Final Fantasy X -Will-, que serve como uma outra sequência para X-2, tendo sido feito especialmente para a coletânea.
Retrocompatibilidade ou uma versão nativa: qual vale mais?

Com a versão de Switch 1 já disponível e funcionando sem problemas via retrocompatibilidade, a principal dúvida em relação a este lançamento é: quais as novidades que o diferenciam do que já está disponível? Sinto dizer, mas a Square Enix deixou bastante a desejar nesse quesito.
A resolução de ambos os títulos foi melhorada e os tempos de loading foram diminuídos. Tirando isso, a única novidade é a introdução dos boosts disponíveis na versão de PC da coletânea: Turbo Mode (velocidades 2x e 4x), batalha automática, taxa de encontros (muitos ou simplesmente remover os encontros aleatórios), supercharger (personagens recuperam vida e suas barras de overdrive carregam automaticamente); além de poder adquirir todos os itens, habilidades e 999999 Gil.
Devo dizer que é um pouco decepcionante que essas são as únicas novidades, especialmente em termos dos boosts. Final Fantasy X/X-2 HD Remaster foi o primeiro jogo a receber tais extras, mas suas opções são um pouco limitadas em comparação a outros relançamentos mais recentes, como FINAL FANTASY VII Rebirth no Switch 2. Ter opções de customização de XP, AP e Gil (2x, 4x, 16x) seria bom, ao menos na minha opinião.

Para quem já possui a versão de Switch 1 da coletânea, não há muito incentivo para adquirir este lançamento. Não é possível transferir seus saves e não há nem mesmo um Upgrade Pack, sendo necessário pagar o seu valor normal; além disso, a Square Enix podia ter aproveitado a oportunidade para trazer mais novidades. Mencionei os boosts adicionais, mas a desenvolvedora também poderia ter incluído a opção de pular cutscenes em FFX e até mesmo incluir legendas em português para ambos os títulos.
Caso você não tenha a versão de Switch 1, contudo, esse novo lançamento é uma ótima opção para experimentar ambos os títulos. Só experienciei um pouco de lag em FFX-2 ao final das batalhas, mas, tirando isso, os dois jogos funcionam sem problemas sérios na plataforma e os boosts são novidades bem úteis em certos momentos, especialmente Turbo Mode, que ajuda a navegar alguns dos cenários mais longos da aventura.
A calma eterna que permanece após terminar esses jogos

Final Fantasy X/X-2 HD Remaster é um ótimo pacote com dois títulos divertidos da franquia. FFX é um dos melhores jogos clássicos da série e fecha com chave de ouro a era mais tradicional, enquanto X-2, apesar de sua narrativa fraca e premissa estranha, oferece um dos sistemas de combate mais interessantes e interessantes da série. A nova versão de Switch 2 deixa a desejar, mas esta é a melhor forma de experimentá-los no console híbrido da Nintendo caso você ainda não tenha comprado a versão de Switch 1.
Prós:
- Duas aventuras gigantes em um único pacote;
- Visuais ainda são muito bons;
- FFX possui uma das melhores e mais emocionantes narrativas da franquia;
- Sistema de combate de X-2 é um dos mais divertidos da série.
Contras:
- Novidades em relação à versão de Switch 1 deixam a desejar;
- Sem upgrade path ou transferência de saves entre as versões.
Nota
8
