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Desenvolvedora: Blue Backpack
Publicadora: Blue Backpack, ByteRockers’ Games, PARCO GAMES
Gênero: Ação | Metroidvania
Data de lançamento: 30 de julho de 2026
Preço: R$59,99
Formato: Digital
Plataformas: Nintendo Switch 2, Nintendo Switch, PlayStation 5, Xbox Series S/X, PC
Análise feita no Nintendo Switch 2 com cópia fornecida gentilmente pela Blue Backpack.
Revisão: Davi Dumont Farace
De vez em quando, na eterna busca do “que jogar em seguida”, você pode acabar se deparando com um jogo que você gosta pelos mais variados motivos: a gameplay pode te prender de uma forma única; a história pode comover seu coração da forma mais dramática possível; ou como foi o exemplo deste jogo comigo, simplesmente “clicar” de uma forma pessoal. O jogo que estou falando é Constance, um metroidvania que teve uma história de desenvolvimento interessante, e que inclusive já temos uma análise que recomendo ler abaixo…
Seja pela premissa interessante de um metroidvania que explora diferentes mecânicas pelos flashbacks de sua protagonista, ou pelo simples fato de que ele teve um desenvolvimento que girou ao redor do “hype” que Hollow Knight: Silksong teve entre 2019 a 2025, Constance sempre foi um jogo que chamou a minha atenção. Em muitos pontos você percebe os aspectos que a equipe do jogo se inspirou, mas também percebe a genialidade e originalidade através de como eles pegam um conceito amplo e dão o próprio twist nestas ideias!
A partir deste princípio, eu queria dizer que esta foi uma análise que me deixou confortável em fazer, mas foi o completo oposto – e fico feliz por isso. Sempre vi jogos como uma forma de arte válida independente da forma que sua gameplay ou história são apresentadas, e assim como um drama com uma reviravolta de embrulhar o estômago, Constance toca em tópicos que podem deixar algumas pessoas desconfortáveis, com gatilhos específicos que podem ser “compreensivos” até para quem não é um artista.




Tendo dito isso, vamos nos aventurar pelo mundo que pode ser tanto belo e criativo quanto caótico e destrutivo que é a mente de um artista.
O mundo pelos olhos de uma CLT
Constance possui uma narrativa que não esconde sua mensagem central: é sobre uma trabalhadora com uma carga de trabalho abusiva e que se sente sobrecarregada! A personagem titular, Constance (“Connie” ou “C’ para colegas e amigos), é uma designer gráfica profissional que trabalha desenhando e editando logos e propagandas para diversos contratos. Um trabalho que por si só não é ruim, mas com uma gerência que dá prazos pouco gentis e com até os outros colegas de Constance adicionando um peso a mais nas costas da protagonista a fazem chegar num ponto de ruptura:
Um ataque de pânico.

Este ataque de pânico de Connie é o que gera o mundo desta aventura: um local que é tanto belo quanto fragmentado, com as figuras robóticas que lotam este mundo, sendo muitas vezes representadas por criaturas corrompidas ou maquinários que deixaram de funcionar. Armada com a maior arma para um artista, o seu pincel, ela precisará desbravar este mundo surreal em sua busca pelas lágrimas que ativarão o trem que a levará de volta para seu lar, com o mundo ao redor sendo uma óbvia representação que sua psique cria das conexões de Connie.
Desde a forma que Constance adquire novas habilidades que a ajudarão a atravessar este mundo até aos minigames que o jogador faz nas memórias da mesma, constantemente vemos a imagem de alguém que tem um amor genuíno pelas artes (especificando o plural aqui, porque ela não apenas desenha), e este é justamente o tipo de coisa que eu consigo me conectar. Mas a apresentação deste jogo não seria nada sem a gameplay, portanto, vamos para o próximo tópico!
A arte pode renovar… ou consumir
A gameplay de Constance não é muito diferente de outros metroidvanias que se apresentam como plataformas de ação. E como tal, pode ser resumida em duas partes muito simples: exploração e combate!
- Exploração: Connie pode navegar pelo mundo de diversas maneiras, e ao longo da narrativa, ir desbloqueando habilidades que a permitem explorar locais onde era impossível antes. De dashs a pinceladas que limpam áreas corrompidas temporariamente, Connie tem acesso a múltiplos upgrades de seu moveset que a ajudam na locomoção por este belo mundo.

- Combate: Com um pincel em mãos, nossa protagonista consegue atacar seus oponentes usando ataques básicos e habilidades de tinta. Habilidades de tinta são desbloqueadas conforme você vai jogando e podem variar de uso, mas sempre gastam o recurso de tinta (que se preenche sozinho depois de um tempo). Se Connie usar sua tinta até exaustão, ela ainda poderá usar as habilidades, porém ao custo de HP – similar as habilidades Aeion de Metroid.
Diferente de muitos jogos neste estilo, Constance está constantemente bombardeando o jogador com upgrades para passar de fases ou inimigos específicos, aumentando ainda mais o leque de opções que alguém poderia ter para avançar a história. Com uma estrutura semilinear que em pontos lembra muito Metroid: Zero Mission, o jogo é repleto de momentos onde certas quebras de sequência podem ser possíveis se você souber usar a gameplay do jogo e o arsenal de Connie para sua vantagem! Não é algo que eu precise pessoalmente, mas é sempre bom de ver quando aplicado de fato num metroidvania.

Para encerrar o tópico de gameplay, o jogo possui uma estrutura de renascimento interessante: caso o jogador morra em uma sala, ele possui a opção de renascer no último ponto seguro, ou renascer na mesma sala e ter uma dificuldade maior com os inimigos até voltar em um ponto de descanso novamente. Em um paralelo interessante com a cultura de burnout que Constance enfrentava, eu fiz a escolha certa de tratar personagens fictícios como pessoas reais e muitas vezes escolhi ativamente nascer no último ponto seguro, aumentando um pouco mais o meu runtime com o jogo.
Um estilo artístico único para um jogo único
Possuindo um artstyle desenhado à mão, Constance pode inicialmente lembrar Hollow Knight em muitos pontos pela forma que ele se apresenta, e de certa forma, acho que foi intencional. A desenvolvedora não escondeu as inspirações por trás do jogo e as abraçou, e são nas pequenas diferenças em apresentação que vemos o jogo se destacar.
Sim, o jogo tem muitas áreas mais escuras ou “apagadas”, mas ao mesmo tempo, a maioria é repleta por uma coloração mais vibrante que dá uma vida única a este estilo. Destaco o artstyle neste tópico porque a versão de Nintendo Switch 2 pode ser jogada pensando em qualidade ou desempenho, algo que geralmente não importa muito para um jogo deste calibre, mas eu ainda preciso destacar o que torna a versão de Switch 2 diferente:
- Qualidade: o jogo roda no máximo hipotético que ele alcança! A resolução máxima chega a 1440p na dock, 1080p portátil e o jogo segue rodando a uma taxa de 60FPS.
- Performance: o jogo alcança o máximo de 1080p, mas consegue rodar a uma taxa de quadros de até 120FPS.
Embora não faça muita diferença sobre qualquer modo que você escolher (embora eu confesse que levei um susto vendo o jogo rodando de forma TÃO lisa – meu primeiro jogo de Switch 2 com essa taxa de quadros), eu particularmente preferi o modo qualidade, porque este jogo realmente é muito bonito. Acredito que muitos destes pontos da beleza no artstyle que estou falando podem ser notados nos pontos mais “neon” que o jogo possui.

“Mais um metroidvania”?
Traindo um pouco o meu costume de pegar o tópico de críticas para soltar as piores partes do jogo, eu queria apenas refletir em algo que eu vejo em muitas das análises que estudei sobre ele antes de pegá-lo para review, chegando em uma conclusão: algumas pessoas são maldosas demais! Entre comparar Constance com “metroidvanias melhores” a diminuir “metroidvanias piores” pela existência do mesmo, acredito que ambas as formas de analisar este jogo específico acabam removendo a nuance que ele possui por conta própria.
Voltando ao meu comentário de certos aspectos do jogo serem inspirados em outros indies de sucesso como Hollow Knight, eu ainda vou defender que Constance se trata de uma obra que não é derivativa, pois expande os conceitos que seu mundo permite explorar e traz uma perspectiva única a esta ideia de “mundo corrompido” que vemos em tantos jogos neste subgênero que saíram ao longo dos anos. Usar Constance para denegrir ou enaltecer outros metroidvanias, no fim, acaba diminuindo a artística que eu defendo que os desenvolvedores criaram de forma intencional, fazendo este conceito um que cria uma análise ruim!
No fim, minhas poucas críticas de fato ao jogo se dão ao spike repentino de dificuldade que o jogo tem em batalhas contra bosses – sendo as únicas partes realmente difíceis do jogo – e talvez aos poucos gatilhos que possam ocorrer devido a história do mesmo, algo que o próprio jogo reconhece e possui um aviso desde cedo. Se a pessoa que for jogar o jogo já estiver familiarizada e gostar de múltiplos jogos do subgênero, Constance provavelmente vai ser uma experiência completa para ela.
Chega de burnout por hoje
Esta acabou sendo uma análise que foi um tanto mais curta do que eu esperava, porém não uma vazia. Constance é um jogo que eu acredito que há muito para se dizer e entender, com as duas análises aqui no NintendoBoy levantando diferentes aspectos do mesmo, mas que ainda são leituras válidas do que os desenvolvedores queriam passar!

Para colocar de forma simples, quer você esteja pegando a versão de Nintendo Switch 2 pela primeira vez ou atualizando a sua cópia já existente do jogo, Constance é uma experiência que reflete em sua gameplay como a arte pode ser usada para consumir nossa energia, mas como ela também pode ser usada para preenche-la. E para os nossos queridos leitores CLTs de plantão, aprendam a descansar mais.
Saindo da tangente, só queria mandar um agradecimento ao meu editor-chefe! Vendo este jogo e ouvindo relatos de redatores para outros sites, percebo que não teria um site melhor para escrever do que o NintendoBoy (bajulação barata ou afeto genuíno? Deixo esta para o leitor decidir).
Prós:
- Um plataforma de ação única e bem desenhada que apresenta uma boa mensagem;
- Funções de qualidade de vida que mais jogos no mesmo gênero poderiam usar;
- Minigames curtos que demonstram a vida e os prazeres de Connie;
- Uma história curta, mas que vai te emocionar.
Contras:
- Batalhas contra bosses trazem um spike de dificuldade bem repentino;
- Tópicos sensíveis que podem ser gatilho para alguns jogadores.
Nota
9
