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Desenvolvedora: Weird Beluga
Publicadora: Fireshine Games
Gênero: Plataforma 3D | Ação e aventura
Data de lançamento: 13 de agosto, 2026
Preço: R$ 84,95
Formato: Digital
Plataformas: Nintendo Switch 2, PlayStation 5, Xbox Series X|S, PC
Análise feita no Nintendo Switch 2 com cópia fornecida gentilmente pela Fireshine Games.
Revisão: Lucas Barreto
Olhando o meu histórico de análises aqui no NintendoBoy, noto como é frequente a comparação de qualquer jogo de produção independente com um nome consagrado da indústria, sempre sustentado na ideia de que os atuais desenvolvedores mais novos se inspiram naquilo que jogaram na infância. Tentarei evitar fazer isso com Duskfade, na busca de não minimizar a proposta do game e analisar de fato o que a experiência como um todo entrega, independente do que é original ou derivativo.
O meu trabalho já é facilitado pelo fato de Duskfade ser bem simples de se entender, sendo fácil evitar a necessidade de comparações: um jogo de plataforma 3D com ação e exploração em fases lineares. A ideia aqui é tentar trazer um estilo de jogo já consagrado com uma apresentação visual deslumbrante, que já causa uma primeira impressão positiva. Caso não tenha visto o trailer, dá uma olhadinha aqui em cima, provavelmente vai chamar sua atenção, com a perspectiva da câmera do jogo semelhante a uma lente grande angular com o jogador bem no centro, distorcendo as laterais e reforçando a parte central da imagem. O efeito é diferente do que se tem em outros games e tem funcionalidade coerente com a proposta de gameplay.
Com a atenção de todos aqui, agora vamos analisar para verificar se esse deslumbre inicial tem alguma substância por trás, se o game consegue ser memorável para além de suas referências, criando um pacote coerente de gameplay, apresentação e história.
Tá na hora da história

Logo no início, notei que Duskfade é um projeto de fato independente, e recheado de ambição. Os desenvolvedores não parecem dispostos a abrir mão de certos custos para apresentar uma experiência completa, com trilha sonora grandiosa, cenas dubladas e visuais deslumbrantes como já comentado. Mas vale ressaltar aqui que, apesar do esforço, é evidente que este não é um jogo triple A. Algumas animações não saem tão bem quanto deveriam, a dublagem é sofrível e o visual, apesar de bonito, não é revolucionário. Por sorte, nenhum desses pormenores é um grande problema para Duskfade, afinal de conta ainda há inspiração o suficiente por trás de todos esses elementos para que nada seja tedioso ou sem graça. Nessas “arestas”, o jogo é capaz de demonstrar seus pontos fortes, mas sem conseguir esconder os fracos.
A aventura começa com uma cena cinemática animada em que conhecemos o protagonista Zirian, e a sua motivação é um clássico no mundo dos jogos: ele precisa salvar a sua irmã que está presa em uma torre. Uma coisa que sempre levo comigo é: não é porque a premissa é um clichêzão enorme que a história já está fadada ao tédio e previsibilidade. Pelo contrário! Muitas vezes fico interessado em ver como os escritores vão tentar deixar interessante uma fórmula tão batida. Duskfade não reinventa a roda, mas reúne diálogos que parecem ter sido escritos por pessoas que realmente se preocuparam em traduzir emoções e sentimentos de personagens no texto, o que é algo mais raro do que deveria no mundo dos games.

Apesar de ser um jogo de plataforma, o fato de ter cenas e diálogos que trazem contexto para os cenários e avançam o relacionamento dos personagens é um ponto muito positivo da experiência. E nada se estende ao ponto de ofuscar o principal, que é sair pulando e espancando inimigos. As cenas e os diálogos aparecem em momentos oportunos e necessários para o avançar da história. Um exemplo são os flashbacks mostrados durante a aventura, principalmente após derrotar um chefão. Eles oferecem profundidade ao protagonista Zirian, ao mostrar a relação deste com a irmã e com o avô, tudo sendo mostrado aos poucos, revelando a imagem completa para recompensar cada vitória do jogador dentro dos desafios de cada mundo.
Por outro lado, em outros momentos temos conversas contemplativas em certos cenários entre Zirian e seu parceiro de aventura, Cuckoo, um passarinho artificial criado pela sua irmã que será de grande ajuda durante toda a jornada. Em alguns cenários, também temos ecos, que são básicamente áudios de pessoas que já passaram por ali. Novamente, funcionam como uma maneira inteligente de adicionar contexto e profundidade para esse universo.

Mas para isso tudo funcionar dentro desse universo clockpunk, é preciso um gameplay que se sustente e desafie o jogador de maneira competente dentro de cada fase, e normalmente é aqui que muitos jogos acabam sendo mais rasos do que deveriam.
As engrenagens do relógio
A boa notícia é que Duskfade é bem competente quando falamos de gameplay e level design. O jogo mistura plataforma com exploração de maneira bastante natural, com fases desenhadas para instigar o jogador a dar uma olhada em tudo antes de seguir pelo caminho que claramente é o correto. Dentro do título, há um Hub, que é a cidade principal e de lá é possível acessar quatro reinos distintos. As correntes que prendem Allira na torre estão espalhadas nessas áreas e obviamente precisamos quebrá-las uma de cada vez.

Confesso que, logo de início, não achei nada demais sair pulando e matando alguns inimigos simples com ataques básicos. As mecânicas são relativamente comuns para jogos do gênero, no entanto Duskfade cresce muito conforme novos desafios e upgrades vão sendo liberados. A movimentação do jogo é absurdamente bem pensada e dá aquela sensação de que qualquer plataforma pode ser alcançável, graça ao pulo duplo e a capacidade de Zirian de se projetar para frente no ar. As animações reforçam essa sensação de satisfação e a grande distância entre as plataformas faz com que o jogador esteja sempre usando esse sistema de pulos.
Mas isso é só o início. Assim que são liberados novos acessórios, como o gancho e a prancha para deslizar em trilhos, tudo fica ainda mais gostoso de explorar e o alcance de onde você consegue chegar vai ficando ainda mais longo, abrindo espaço para “combos” de pulo para explorar o cenário. Por conta desse sistema bem pensado, por mais abertos que os mapas sejam, é no geral bem gostoso de sair andando para cada lado e explorar mais e mais, não sendo o tipo de jogo em que o tamanho e a distância do mapa se tornam um problema.

Por outro lado, apesar de não ser tão efetiva quando a movimentação do personagem, o sistema de combate funciona bem o suficiente. É simples, geralmente baseado em sair batendo em quem está à sua frente, mas conforme novos inimigos aparecem, o jogo cobra caro do jogador que não está tão atento ao padrão de ataques dos inimigos. Aliás, há um sistema de esquiva satisfatório em que toda vez que você consegue desviar de um ataque inimigo no último segundo, o tempo para e você tem a oportunidade de encher o inimigo de porrada. O que deixa tudo um pouco repetitivo é que a onda de inimigos sempre aparece em áreas específicas do mapa, ou seja, você nunca encontra um inimigo escondido ou andando em algum lugar, eles sempre aparecem juntos em uma certa área do mapa e desaparecem depois que você os derrota.
Por outro lado, as batalhas contra chefes tornam o combate bem mais interessante. O legal é que não só você tem que descobrir como tirar dano do bichão, como normalmente o jogo vai exigir a sua habilidade de plataforma para conseguir tirar dano. Isso tudo deixa o cenário das batalhas mais épico e dinâmico, além de claro, dificultar as coisas para não ser apenas um fluxo para sair batendo aleatoriaemente.

É uma pena que o maior problema do jogo anule quase tudo de positivo que citei acima.
Relógio atrasado

Propositalmente, deixei de fora do trecho anterior o maior problema que tive com o jogo e que talvez seja algo exclusivo do Nintendo Switch 2: desempenho. Duskfade é deslumbrante, os cenários são lindos de se olhar, há um maximalismo de texturas, formatos e cores que adoro ver em jogos, cenários surrealistas que parecem ter saído de filmes como Doutor Estranho ou mesmo de uma pintura do Salvador Dalí. E olha só, no Nintendo Switch 2 tudo isso está representado fielmente com uma resolução que não sacrifica a identidade visual do jogo. Mas como nem tudo é perfeito, o desempenho acaba sofrendo feio nessa história.
Como anunciado pelos desenvolvedores, Duskfade mira uma performance de 60 quadros por segundo conectado a Dock do Switch 2 e de 40 no modo portátil. E esse é o ideal mesmo, é o tipo de jogo que se beneficia muito de um desempenho robusto, por conta de toda a ação e os trechos de plataforma. Infelizmente são raros os momentos que o jogo consegue manter a performance prometida jogando na TV e em algumas fases é tão prejudicial que tive que fazer cada movimento já contabilizado na minha cabeça o delay que teria por que o jogo parece estar em “câmera lenta”.

É honestamente uma pena porque achei que esse tipo de problema estava preso na era do primeiro Nintendo Switch, mas é um fantasma que volta aqui. Acredito que com atualizações futuras ou até mesmo um modo de 40 FPS para a televisão, o jogo possa ficar bem mais palatável na plataforma. Chegou ao ponto, em um setor de lava do primeiro mundo, em que eu cogitei pegar outro código e continuar o jogo em outra plataforma, já que de fato eu estava gostando do que via ali, mas os problemas de responsividade lutavam contra a minha experiência.
Para fechar com chave de lata, além da taxa de quadros, notei um delay no áudio perceptível, que também não ajuda durante os momentos de ação. A percepção que fica é que o game de fato não teve tempo suficiente para ser otimizado para plataforma da Nintendo.
Que horas são? Já dá para jogar?

É sempre difícil avaliar os méritos de um jogo que está prejudicado tecnicamente. Por um lado, temos a experiência que está debaixo de todos aqueles problemas, e ali tem muita coisa boa. Reconhecer isso é reconhecer a competência dos desenvolvedores em criar um base sólida e criativa para o jogo. Por outro, quando vemos jogos da perspectiva de produtos, visto que o jogo custa um certo preço para ser adquirido, receber um game que é prejudicado por aspectos técnicos não parece um bom négocio.
No final do dia, o meu propósito aqui é tentar mesclar as duas perspectivas. Afinal de contas, mesmo com todos esses problemas essa é a versão que joguei e me diverti. Mas acho importante pontuar como o jogo parece rodar bem melhor em outras plataformas, como vi em vídeos pela internet. Por ser um jogo de ação e plataforma que exige muito do reflexo do jogador, é inegável que a experiência está comprometida aqui.

Antes de encerrar o texto, vou tirar o elefante da sala, que prometi não tocar no inicio do texto. É claro que Duskfade é claramente inspirado em Kingdom Hearts e Jak and Daxter. Inclusive, os próprios desenvolvedores não escondem que são grandes fãs da franquia, a arma utilizada pelo protagonista é muito parecida com a famosa Keyblade utilizada por Sora. A questão é que essas comparações realmente não são o ponto principal que eu queria trazer dentro dessa análise, Duskfade é recheado do seu próprio mérito, na estética, nas cores, na sua história e até mesmo no seu gameplay, trazendo inspiração de fontes diferentes para criar uma experiência única e marcante.
Deixo aqui a minha expectativa para uma experiência mais polida no Nintendo Switch 2 a partir de futuras atualizações, mas por enquanto, a minha recomendação para aqueles que tem interesse é que procurem jogar em outra plataforma.
Prós:
- Visual clockpunk deslumbrante traz uma bela estética maximalista para os variados cenários do jogo;
- Sistema de movimentação é divertidíssimo e transforma a exploração do jogo em algo naturalmente prazeroso;
- Narrativa que se revela aos poucos não atrapalha o ritmo de jogo e traz bons diálogos;
- Sensação de progresso com upgrades e novos itens tornam o jogo engajante.
Contras:
- Cenas com animação estranha e dublagem fraca demonstram que o jogo não recebeu o mesmo cuidado em todos os aspectos;
- Desempenho técnico do jogo no Nintendo Switch 2 deixa a desejar e prejudica consideravelmente a experiência.
Nota
6
