Desenvolvedora: Nihon Falcom
Publicadora: GungHo Online Entertainment
Gênero: RPG híbrido
Data de lançamento: 17 de setembro de 2026
Preço: R$ 324,90
Formato: Físico/Digital
Plataformas: Nintendo Switch 2, Nintendo Switch, PlayStation 5, PC
Análise feita no Nintendo Switch 2 com chave fornecida gentilmente pela GungHo Online Entertainment.
Revisão: Juliana Paiva Zapparoli
Após o sucesso do primeiro remake da série Trails, a Falcom não perdeu tempo e decidiu refazer o segundo jogo da franquia. Trails in the Sky 2nd Chapter: Nintendo Switch 2 Edition continua as aventuras de Estelle por Liberl, dando uma nova vida a um dos mais icônicos e amados títulos da série.
Sendo uma sequência direta de 1st Chapter, o novo remake refina tudo o que há de melhor no seu antecessor e finaliza com estilo uma das melhores narrativas do gênero.
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As coisas ficam sérias no reino de Liberl

Trails in the Sky 2nd Chapter é uma continuação direta de 1st Chapter, com sua narrativa ocorrendo diretamente após o final do título anterior. É obrigatório que você tenha jogado o primeiro remake antes de aproveitar este, além, é claro, de dar spoilers sobre muitos dos principais elementos narrativos de 1st Chapter.
Após a revelação do passado de Joshua e seu subsequente abandono, Estelle decide confrontar o misterioso grupo Ouroboros, que estava envolvido nos eventos do título anterior. Depois de um mês de treinamento fora de Liberl, a jovem Bracer retorna ao país e, junto com seus aliados, começa a investigar e resolver uma série de eventos que envolvem os membros da organização realizando experimentos para seu grande plano.
Enquanto 1st Chapter foi uma história mais voltada para apresentar o reino de Liberl e seus personagens, 2nd Chapter é algo mais próximo de uma narrativa tradicional de um JRPG. Não apenas temos o desenvolvimento de muitos elementos que a história do primeiro título apresentava, como também uma dinâmica ainda maior entre os personagens e vilões ainda mais presentes.

Ainda há muitos momentos de tranquilidade entre as partes mais sérias, além de um mistério que cresce lentamente, mas a narrativa também é bem mais direta em certos assuntos. Estelle e seus amigos tem um objetivo mais claro, além de sermos introduzidos a novos oponentes e problemas ainda maiores que seriam expandidos nos títulos futuros da franquia. A dinâmica entre os personagens também é bem diferente neste título em relação a seu antecessor.
2nd Chapter conta com um estilo estrutural mais similar a um JRPG mais tradicional. Temos uma party completa aqui, o que faz com que a dinâmica de grupo e suas relações interpessoais sejam uma parte ainda mais importante da narrativa. Alguns personagens se destacam ainda mais aqui, e sua presença constante ajuda a história a evoluir de uma certa maneira que ajuda a tornar o mundo apresentado pela Falcom em 1st Chapter ser sentir ainda mais vivo.

Em um resumo, 1st Chapter é a introdução da história. Conhecemos o mundo, personagens e alguns mistérios são deixados no ar. 2nd Chapter em si é o prato principal. Temos uma expansão ainda maior dos elementos introduzidos em 1st, novos mistérios são adicionados e a resolução das principais questões do título anterior são resolvidas, além, é claro, de deixar em aberto certas coisas que são exploradas em títulos futuros.
Isso, é claro, faz bastante sentido quando você olha para o desenvolvimento da versão original da duologia Sky. Originalmente, teríamos apenas um único título, mas, por questões de espaço, a Falcom decidiu separar os jogos no formato que conhecemos.
Em relação a remakes, 2nd Chapter também deixa as portas abertas para o terceiro título da saga Sky, The 3rd, receber o mesmo tratamento. Existem pequenas referências e até mesmo novas sidequests que servem como um teaser dos eventos daquele jogo. Agora, se isso vai ocorrer ou não, só a Falcom poderá nos dizer.
Em time que está ganhando não se mexe

2nd Chapter possui alguns pontos negativos que são comuns nos títulos da franquia que continuam a partir do início de uma nova saga, mas o ponto que mais me desaponta, contudo, é algo que só ocorre nele: a reutilização do sistema de combate sem grandes novidades. De maneira geral, o sistema de combate de 2nd Chapter é o mesmo de 1st Chapter. Não temos grandes adições além da mudança em relação ao ataque em conjunto, que agora pode ser realizado por qualquer personagem, anteriormente ele era limitado a Estelle e Joshua.
Também temos o sistema híbrido de combate em tempo real e combate por turnos que pode ser alternado a qualquer momento com um toque no Y. Ele ainda funciona exatamente como no jogo anterior, sem nenhuma novidade significativa em suas mecânicas.

As novidades do combate do jogo são poucas. Temos a introdução do sistema de níveis para os orbments e, com isso, novos quartz que desbloqueiam magias e habilidades extras e ainda mais poderosas do que era possível no título anterior. A outra mecânica introduzida é a adição de novos itens de comida que podem ser utilizados durante a batalha para causar dano aos inimigos.
O combate por turnos de Trails in the Sky 2nd Chapter segue a mesma premissa do sistema de combate de 1st Chapter. Isso significa que, além de podermos realizar ataques normais, ataques especiais (as conhecidas Crafts da série) e usar magias (as Arts), ainda é possível fazer ataques de follow-up com outro personagem ou um ataque em grupo sob certas condições. Também é possível andar livremente durante os embates sem gastar turno, adicionando um toque a mais de estratégia nos duelos.
Mesmo que o sistema de batalha ao longo da série não tenha sofrido grandes mudanças, a principal sendo a transição para o sistema híbrido em Daybreak, cada jogo da franquia trazia mudanças e novidades, mesmo que pequenas, para a fórmula. 2nd Chapter decide apenas refinar o que já existe e, apesar de ainda continuar divertido, a falta de algo a mais certamente desaponta, com o sistema se tornando bastante repetitivo rapidamente, especialmente se você jogar este jogo logo após o seu antecessor.

As novidades na gameplay estão em partes fora do sistema de combate. Estelle agora pode pescar por toda Liberl com um minigame simples, mas bem divertido e viciante. Além disso, o sistema de culinária foi expandido, permitindo que todos os membros da party possam fazer as receitas. São pequenas expansões a sistemas que existiam em 1st Chapter, mas que eram bastante limitados.
Um ano depois e Liberl continua linda

Trails in the Sky 2nd Chapter continua com a ótima apresentação do título anterior. Como já é um costume da franquia Trails, o título reutiliza bastante assets de 1st Chapter, causando certa sensação de preguiça por parte da Falcom. É verdade que, neste tópico, 2nd Chapter deixa a desejar, revisitando os mesmos locais do jogo passado sem muitas mudanças, mas também há certo charme nisso, especialmente em termos narrativos.
O jogo não apenas reutiliza assets de 1st Chapter, como também temos novos locais e até mesmo há certa mudança nos cenários antigos após dado evento na história. Estelle e Joshua também recebem roupas novas aqui e mesmo os personagens que mantêm suas vestimentas originais receberam novas cores alternativas em vez de reutilizar as opções extras do jogo anterior.
A Falcom também melhorou bastante a apresentação geral das cutscenes. As animações são muito boas e, desta vez, temos um número maior delas, contudo, ainda há muitas cenas que utilizam animações dos jogos Daybreak, especialmente as interações de diálogos normais entre os personagens.

A soundtrack de 2nd Chapter também é outro ponto que chama a atenção. Assim como 1st Chapter, a trilha original foi remixada e as novas versões de algumas das melodias são excelentes, com algumas sendo até superiores às originais. De quebra, é possível alternar para a trilha original a qualquer momento.
2nd Chapter é, talvez, um dos jogos mais bonitos da franquia. Apesar dos visuais não terem recebido um grande boost em comparação a 1st Chapter, a Falcom melhorou em muito outra parte vital para a experiência geral do título: seu desempenho. Diferentemente dos outros títulos que já estão disponíveis no Switch 2, que receberam versões para a plataforma como um adendo, 2nd Chapter foi desenvolvido com o console em mente.
O resultado é um desempenho muito melhor, tanto no modo portátil quanto no modo dock, além de uma estabilidade maior durante momentos com muitos efeitos especiais.
O fim da trilha pelo céu

Trails in the Sky 2nd Chapter: Nintendo Switch 2 Edition é mais um excelente remake da franquia Trails. Apesar de não ter muitas novidades, o título é um refinamento de todas as ideias que funcionaram até o momento na série e serve como um exemplo para qualquer desenvolvedora que deseja recriar seus clássicos para as plataformas modernas. Icônicos momentos foram recriados com carinho e o final da história de Estelle e Joshua ainda é uma das melhores experiências narrativas que o gênero tem a oferecer.
1st e 2nd Chapter são bons lembretes de tempos mais simples da saga Trails. Com uma protagonista cativante, um mundo rico com potencial a ser explorado e uma narrativa que encanta com seus mistérios e evolução de seus personagens, o retorno a Liberl merece ser aproveitado por fãs da série ou aqueles que curtem o gênero.
Prós:
- A narrativa é uma das melhores da franquia;
- Desempenho do jogo no Switch 2 é o melhor dos títulos da série, até o momento;
- Trilha sonora fantástica;
- É o título que introduz alguns dos personagens mais icônicos da série;
- A melhor versão do segundo título da série.
Contras:
- Sistema de batalha não tem muitas novidades;
- Poucas novidades de maneira geral fazem com que 2nd Chapter seja quase que uma expansão para 1st Chapter do que uma sequência em si.
Nota
9
