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Desenvolvedora: Shapefarm
Publicadora: Kepler Interactive
Gênero: Ação e aventura | Multiplayer Cooperativo
Data de lançamento: 03 de setembro, 2026
Preço: R$ 169,00
Formato: Físico e Digital
Plataformas: Nintendo Switch 2
Análise feita no Nintendo Switch 2 com cópia fornecida gentilmente pela Kepler Interactive.
Revisão: Juliana Paiva Zapparoli
Foi uma grata surpresa ver o anúncio de Orbitals no The Game Awards em 2025. O jogo chamou minha atenção por ser um exclusivo do console sem ser desenvolvido ou publicado pela Nintendo, o que é relativamente raro nos dias de hoje.
Não é que eu seja apaixonado pela ideia de certos jogos ficarem presos em uma plataforma, mas a perspectiva de um time de desenvolvimento focado em uma única plataforma para entregar a melhor experiência possível naquele hardware é sempre animadora e me pareceu ser o caso do game da Kepler Interactive.
A inspiração no trabalho da Hazelight, desenvolvedora de It Takes Two e Split Fiction, é inegável e um ponto muito positivo por aqui, afinal de contas, jogos de ação e aventura cooperativos ainda são relativamente raros na indústria. A grande novidade aqui é colocar tudo isso em uma belíssima apresentação visual inspirada nos animes da década de 80; inclusive, para deixar tudo mais autêntico, o estúdio trabalhou com o animador Hidetoshi Yoshida, um veterano na indústria de animação japonesa.
Nostalgia, inspirações, tudo isso chama muita atenção no jogo, no entanto, sabemos que, no final do dia, o que realmente importa é se tudo isso junto consegue ficar de pé de maneira coesa e satisfatória na hora de jogar. É mais comum do que parece ver jogos que apaixonam pela sua estética, mas deixam a jogabilidade e seu funcionamento técnico de lado.
Na análise a seguir, você irá descobrir como Orbitals consegue fugir dessa armadilha e entregar uma experiência obrigatória para quem tem um Nintendo Switch 2 e alguém disposto a lhe acompanhar nessa aventura.
É um SHOW!

É instantaneamente apaixonante abrir Orbitals pela primeira vez e dar de cara com o excepcional padrão estético de jogo, do momento em que aparece o logo dos estúdios responsáveis ao menu e as opções do jogo.
Esses elementos já são de encher os olhos e aparecem acompanhados da música-tema original que é simplesmente o encaixe perfeito para o jogo. Do início ao final da primeira cena, quando você e seu parceiro finalmente começam a controlar os personagens, fica evidente que, apesar da Kepler Interactive ser um estúdio recente na indústria, tudo aqui é feito com muito cuidado e polimento.
Não tenho dados ou números do investimento por trás de Orbitals, mas o resultado final pode facilmente se passar por um game de alto investimento. As cenas animadas emulam perfeitamente a era que o jogo busca homenagear, mas, mais importante do que isso, as animações e o visual dentro da gameplay são superestilosos e satisfatórios também, apresentando algo que honestamente acho que nunca vi em outro jogo de aventura. Mais do que uma mera simulação de estilo nas animações, há uma autêntica preocupação em capturar uma essencial visual de encher os olhos, recheada de cores, detalhes e variedade de cenários.

Acompanhamos os amigos Maki e Omura em uma jornada espacial épica, que se passa em um futuro distante onde a humanidade se resume à população que restou em uma nave. Os dois são basicamente os heróis do lugar, que é recheado de idosos, e os protagonistas, representando a juventude estão disposto a achar um caminho que dê uma nova esperança para a raça humana. O enfoque é principalmente na relação de Maki e Omura com Togen, mentor e amigo do grupo, e Kinakoko, uma senhorinha mecânica que é a “vovó” de Maki.
O desenvolver da história é basicamente um misto de produções ocidentais e orientais. Apesar de toda inspiração estética, é inegável alguns diálogos com tiradas e piadinhas que são típicos da escrita mais ocidental, tentando trazer o máximo de leveza para o jogo, principalmente nas interações entre Maki e Omura. No entanto, o arco principal e os eventos épicos são claramente baseados em animações famosas japonesas, e é divertido ver quão longe a história começa a ir nos trechos finais.

De forma geral, gostei bastante de acompanhar tudo: os personagens são carismáticos e funcionam, os momentos épicos de fato impressionam e a conclusão é emocionalmente satisfatória. A história consegue se apresentar sem ficar maçante para um jogo em que duas pessoas sempre estão juntas acompanhando tudo que tá acontecendo, ou seja, as cenas aparecem em momentos específicos e avisam de forma coerente aos jogadores que aquele é o momento de deixar o controle e prestar atenção.
Mas, apesar de tudo isso, é óbvio que só estilo não seria capaz de garantir uma ótima experiência.
Criatividade e inspiração
Orbitals bebe de forma descarada da fonte de It Takes Two e consegue ser muito bem-sucedido nisso. O level design em que quase tudo precisa ser feito em dupla é uma receita de sucesso e aqui é executada de maneira extremamente competente. Na maior parte do jogo, a tela fica divida para cada jogador poder fazer a sua parte, mas o que faz tudo funcionar é que, em cada fase, os desafios mudam completamente e você sempre está aprendendo uma nova mecânica que vai exigir muita comunicação e coordenação.

Seja mover uma plataforma para que o outro possa avançar, abrir uma porta, manter um drone carregado para que o outro possa seguir, controlar uma bolha de ar para que o outro possa nadar e respirar ou simplesmente pilotar a nave enquanto o outro atira, o jogo sempre vai apresentar algo novo e isso mantém a experiência fresca durante quase toda a duração da jornada — o que, pra ser sincero, é relativamente curto, zerei em menos de dez horas, mas, ao mesmo tempo, é perfeitamente justo! Quem, na vida adulta, tem um amigo com mais de dez horas disponíveis pra ficar jogando com você? É difícil e eu aprecio que o jogo tenha ciência disso.

A movimentação base de cada personagem é o alicerce da experiência, mas, em cada fase, você pode utilizar armas diferentes ou interagir de maneiras diferentes com o cenário apresentado. Nada é muito complicado e normalmente o jogo é bem claro sobre o que você deve fazer em cada trecho, o desafio normalmente fica em conseguir se entender com seu companheiro para avançar. É um tipo de gameplay assimétrico que considero muito rico, no qual cada jogador faz algo diferente para conseguir chegar ao mesmo objetivo, que é avançar de fase.
O jogo basicamente se divide em pilotar a nave e sair dela para explorar novos espaços a pé. É uma divisão eficiente e há sempre a sensação de estar visitando novos lugares, por mais que tudo aconteça de forma extremamente linear, pois é bem claro para onde se deve ir.

A diversão chega naturalmente e você não vai nem sentir o tempo passar enquanto joga com seu amigo. A comunicação é essencial, mas, ao mesmo tempo, cada um está focado em dar o seu melhor na sua missão específica, já que as tarefas de Maki e Omura normalmente são completamente diferentes.
(Quase) impecável no quesito técnico
Penso que foi uma decisão muito acertada trazer Orbitals como exclusivo do Nintendo Switch 2. É impressionante como o jogo roda maravilhosamente e é projetado na tela sem visíveis comprometimentos. Honestamente, depois de tantos anos com o primeiro Switch, isso é uma baita surpresa, visto que até mesmo exclusivos tinham bastante dificuldade no lendário console de 2017.

Não só isso, mas o game é o laboratório perfeito para o famigerado Nintendo GameChat do Nintendo Switch 2. Joguei o jogo inteirinho com meu grande amigo redator aqui do site, Mandow, ele lá na casa dele e eu na minha, nós dois conversando conectados pelo próprio sistema do Switch e tudo correu relativamente bem. Tivemos problemas de queda de conexão duas vezes, mas que devo confessar, eles provavelmente estavam atrelados à minha rede Wi-Fi, que estava tendo um dia particularmente difícil.
Mesmo assim, fiquei impressionado como não tive quedas recorrentes nem problemas de atraso ou lag durante a jogatina e tudo rodou como se eu e ele estivéssemos jogando localmente. Ou seja, se você não pode estar ao lado do seu amigo, pode comprar Orbitals sem medo que dá para jogar a distância, pois basta apenas uma pessoa ter o jogo — bom, e é claro, dois Nintendo Switch 2 são necessários também.
Ainda no aspecto técnico, vale destacar que tive um problema grave durante o qual o jogo literalmente ficou impossível de jogar. Enquanto a minha tela ficou normal, para o Mandow o jogo virou uma amálgama de texturas disformes quando eu tentava prosseguir. O mais engraçado é que, quando tentei voltar, a minha personagem na tela dele simplesmente entrou na famosa T-Pose. Reiniciamos o jogo e tudo voltou a normal, então não chegou a ser nenhum incômodo sério.

Para deixar a experiência ainda mais legal, o jogo está todo dublado na nossa língua e o trabalho de dublagem aqui está satisfatório; não é perfeito, mas é bom o suficiente e deixa tudo ainda mais com aquela cara de estar assistindo a um anime da infância. Inclusive, enquanto jogávamos, eu e Mandow ficamos na busca de tentar descobrir qual ator fazia a voz de cada personagem. É claro que, além de português, você pode optar por jogar com a dublagem japonesa para ter a experiência ainda mais autêntica.
É um ótimo início
Ao finalizar Orbitals, tive um misto de sensações sobre a duração. Enquanto achei que o tempo que dediquei foi mais do que satisfatório, também fica a impressão de que o jogo parece ter sido forçadamente reduzido em conteúdo para poder dar tempo de fazer tudo que os desenvolvedores queriam com um bom padrão de qualidade. Honestamente, levando em conta que é um estúdio jovem e que essa é uma IP original, isso é perfeitamente compreensível. Dá a impressão de que o jogo poderia ter mais fases, mais trechos e a história poderia ter mais cenas e mais personagens, mas isso tudo iria dificultar muito entregar um jogo redondinho.
E olha que, ainda que tenha esse aspecto de que faltou algo na experiência principal, Orbitals ainda encontra espaço para oferecer alguns minijogos. Básicamente, são pequenos desafios competitivos que vão pegar umas boas horas da sua jogatina, principalmente se você estiver com alguem que não seja um bom perdedor — felizmente, não é o caso do meu amigo Mandow que me venceu em quase tudo.

É bem possível que esse “recheio” que senti falta apareça em uma inevitável continuação, caso Orbitals seja um sucesso com o público, o que, honestamente, acho que é uma grande possibilidade, visto o quanto gostei da minha experiência com o jogo. É claro que exigir duas pessoas vai ser um limitador para o alcance desse tipo de experiência, mas o Nintendo Switch 2 aprece ser a plataforma perfeita para esse tipo de jogo, ainda mais com a possibilidade de poder jogar em qualquer lugar com um amigo que esteja de bobeira ao seu lado — ou em outra cidade.
Declaro com tranquilidade que Orbitals é uma experiência multiplayer obrigatória no Nintendo Switch 2, que traz charme, polimento e muita diversão. Criatividade e atenção aos detalhes vão pulando de todas as formas na tela enquanto você está jogando e é difícil pedir mais do que isso de um bom jogo.
Prós:
- Estética autêntica simula de maneira brilhante o visual dos animes clássicos em um videogame;
- Personagens carismáticos e elementos de fantasia espacial criam uma narrativa divertida com muito espetáculo;
- Desenhos de fases criativos e com pouquissima repetição resultam em uma fórmula perfeita para diversão;
- Minijogos divertidos são uma boa distração;
- Polimento técnico invejável no Nintendo Switch 2 justifica a exclusividade do jogo no console.
Contras:
- Falta um “recheio” de conteúdo para permitir que o jogo desenvolva um pouco mais suas mecânicas e sua narrativa.
Nota
9
