Desenvolvedora: Tamsoft
Publicadora: Bandai Namco
Gênero: Esporte | Ação
Data de lançamento: 28 de agosto de 2026
Preço: R$ 339,90
Formato: Físico/Digital
Plataformas: Nintendo Switch, PlayStation 5, Xbox Series X|S, PC
Análise feita no PlayStation 5 com cópia fornecida gentilmente pela Bandai Namco.
Revisão: Lucas Ferreira
Aproveitando que 2026 é um ano de Copa do Mundo, a Bandai Namco decidiu apostar em um novo título da franquia Captain Tsubasa. Baseado em um dos arcos mais icônicos da saga, Captain Tsubasa 2: World Fighters evolui a jogabilidade do título anterior, mas ainda mais importante, ele serve como um grande círculo para a longa história da série nos videogames.
O arco inspirado por videogames agora em formato de videogame
Antes de falar do título em si, permita-me oferecer um pequeno resumo sobre a relação da franquia Captain Tsubasa e os videogames. Pode não parecer, mas entender esta relação faz com que World Fighters seja visto em uma nova luz, especialmente em relação a sua narrativa.
Captain Tsubasa teve início como um mangá no Japão, publicado na Weekly Shōnen Jump entre 1981 e 1988. A história original segue a jornada de Tsubasa Ozora, um jovem japonês que deseja ser o melhor jogador do mundo e fazer o Japão ganhar a Copa do Mundo. O mangá original acompanha os primeiros passos de Tsubasa no mundo da bola, jogando ao lado de seus amigos na escola, depois participando de um torneio de juniores na França e, finalmente, terminando com o personagem indo para o Brasil para começar sua carreira profissional.
O mangá termina exatamente neste ponto, com o criador, Yoichi Takahashi, indo trabalhar em outras obras. Apesar disso, a obra foi um grande sucesso em sua terra natal, com uma série de anime sendo produzida. Aproveitando esse sucesso, a Tecmo (atual Koei Tecmo), adquiriu os direitos da série para produzir jogos para o Famicom.
O primeiro título da Tecmo, batizado de Captain Tsubasa, foi lançado em 1998 e cobria todo o mangá. O jogo era um RPG de futebol cinematográfico e, apesar das limitações do console 8-bit, se tornou um sucesso, o que fez com a Tecmo decidisse continuar a série. Contudo, a desenvolvedora não tinha mais material para adaptar, então decidiram continuar com sua própria história, recebendo, na época, o apoio inédito de Takahashi, que fora convidado pela empresa para colaborar com algumas ideias.

Assim, o próximo título da série, Captain Tsubasa II: Super Striker, de 1990, deu início a essa narrativa da Tecmo, e ele é o ponto mais importante para essa review de World Fighters. Isso porque a história de Super Striker serviu como inspiração para Takahashi criar a narrativa de World Youth, o arco que está sendo adaptado no novo jogo da Bandai Namco.
Em Super Striker, Tsubasa está jogando pelo time de juniores do São Paulo, enfrentando rivais brasileiros pelo título do campeonato de juniores, antes de se unir à seleção de juniores do Japão para a disputa do Campeonato Mundial da categoria. A competição introduz diversos jogadores que viriam a aparecer nas continuações subsequentes do mangá, além de terminar com um duelo contra o Brasil, onde, no segundo tempo da partida, um misterioso jogador chamado Arthur Coimbra (inspirado no Zico), fazia sua estreia na seleção, quase derrotando o Japão.

Quatro anos após Super Striker, Takahashi continuava o mangá de Captain Tsubasa com um novo arco: World Youth. Além de prosseguir a jornada de Tsubasa, que estava jogando pelo São Paulo, o protagonista e seus amigos da seleção Japonesa participavam do World Youth, um torneio de juniores que reunia as principais seleções do mundo. Além de contar com alguns dos personagens introduzidos em Super Striker, World Youth terminava novamente com o Japão enfrentando o Brasil, com um misterioso jogador chamado Natureza fazendo sua estreia na seleção perto do final da partida, quase derrotando o Japão.
É bastante interessante como a Tamsoft, querendo ou não, acabou referenciando essa relação da série e os videogames com o lançamento de Captain Tsubasa II: World Fighters. Apesar do novo título não ser uma adaptação 100% fiel de World Youth, muitos dos elementos narrativos daquele arco estão presentes aqui, com as diferenças e novidades sendo bastante similares ao que aparecia em Super Strikers. É um grande círculo que existe por coincidência e que apenas aqueles que são grandes fãs da franquia e buscam explorar todas as suas facetas vão reconhecer.
O sonho de ser o melhor do mundo

Como mencionado anteriormente, a narrativa de World Fighters é baseada no arco World Youth, mas com algumas mudanças. A principal delas é a forma como exploramos a história: através dos olhos de um personagem customizável.
A narrativa tem início no Brasil, com nosso personagem sendo um garoto japonês que é recrutado por Roberto Hongo para fazer parte do time sub-20 do São Paulo. Após jogarmos algumas partidas pela equipe, nosso personagem retorna ao Japão com seus pais, se juntando ao time do ensino médio da Nankatsu e disputando o New Stars Summit, um torneio amistoso que reúne todas as escolas do Japão em preparação para a convocação da seleção de juniores que vai disputar uma nova competição que ocorrerá no lugar do World Youth, cancelado devido a questões extra-campo.
A história acontece com cutscenes simples usando os modelos 3D dos personagens. Para quebrar a monotonia, existem momentos em que podemos escolher uma de várias opções de resposta para nosso jogador. Apesar de cada resposta corresponder a um certo tipo de personalidade (como ser um jogador tímido ou alguém com ego grande), elas não mudam muita coisa em relação à narrativa. Além da trama principal, também é possível assistir cenas adicionais com narrativas extras que adicionam contexto aos duelos principais.

Cutscenes também ocorrem durante as partidas do modo história, imitando o estilo encontrado no anime. Certas ações durante os embates podem resultar em cenas especiais que lembram bastante os duelos no anime, incluindo ângulos, efeitos especiais e outras coisas.
A história é boa e a Bandai Namco conseguiu adaptar as principais partes do arco World Youth muito bem para o título. A adição do personagem customizável foi feita de forma natural, tanto que sua presença, na minha opinião, se encaixa muito bem aos outros jogadores existentes. Apesar disso, há certos pontos que a história deixa a desejar por conta de problemas com sua tradução, algo que mencionarei mais para frente. Além disso, o sistema de respostas poderia ser melhor utilizado para trazer resultados e enredos alternativos à linha principal.
O futebol arte de um jeito diferente

Captain Tsubasa 2: World Fighters é um jogo de futebol arcade. Diferente de EA Sports FC ou eFootball, sua jogabilidade não busca recriar o realismo encontrado dentro das quatro linhas, mas sim, transportar a ação vista no anime da franquia para os gramados virtuais. O jogo pega a base que foi construída em Captain Tsubasa: Rise of the New Champions e a expande com novas mecânicas e outras melhorias gerais.
Alguns aspectos são semelhantes a outros jogos do gênero, como passes e chutes sendo o mesmo botão que em outros títulos mais famosos. As diferenças ficam por conta dos outros dois botões de face do controle sendo utilizados para realizar ações que dependem de como seu jogador está no momento: caso tenha a posse da bola, você pode driblar; sem a pelota, resulta em realizar um carrinho ou ombrada para roubá-la do oponente. Um botão realiza a versão normal da ação, enquanto o outro realiza uma versão mais “forte” da mesma jogada.
Segurar o botão de chute permite um chute forte que o jogador pode decidir a direção para o gol. Segurando até o máximo, com alguns atletas, permite a utilização de seu chute especial, como o chute de trivela de Tsubasa, por exemplo. Esta é uma das principais novidades da jogabilidade de World Fighters e está diretamente ligada ao novo sistema envolvendo os goleiros.

Cada goleiro possui uma barra de estamina que se esvazia sempre que eles fazem uma defesa. A quantidade de stamina gasta a cada defesa é baseada no quão perfeito foi a defesa. Assim como os atacantes escolhem o lado que seu chute segue, os goleiros devem prever e escolher o lado certo. Quanto mais longe do lado correto for, mais estamina é gasta. Além disso, é possível também ativar as chamadas “Defesa Milagrosas”, onde o goleiro gasta pouca energia para fazer uma super defesa. Caso, contudo, o goleiro sofrer um gol de um chute especial muito forte, ele sofre um Break, perdendo um pouco de sua estamina geral para o resto da partida, ficando ainda mais vulnerável.
Outra grande novidade é a introdução de habilidades especiais. Cada jogador possui um círculo que é preenchido conforme você realiza qualquer ação em campo. Quando chegar a 100%, é possível realizar uma habilidade especial que depende do tipo do jogador. Zagueiros geralmente possuem um carrinho/ombrada super poderoso, jogadores do meio de campo podem dar passes incríveis ou driblar múltiplos jogadores seguidos e os atacantes possuem chutes fortes. Os personagens mais icônicos, contudo, possuem suas próprias habilidades que são superiores a todas as outras. O time também pode ativar uma super habilidade conjunta que melhora todos os seus jogadores uma vez por partida. Tais habilidades geralmente ocorrem para ajudar a equipe que estiver perdendo a tentar causar uma reviravolta.

Apesar de tudo isso, Captain Tsubasa II: World Fighters é um jogo bastante estratégico. Cada ação realizada gasta a stamina do atleta e é preciso ter isso em mente, pois a ação do jogo é um constante risco e recompensa. O sistema de Chain, introduzido neste título, faz com que cada ação de sucesso (dribles, passes e roubar a bola) adicione uma Chain para a equipe. Quanto maior for a sua Chain, mais forte é o seu chute, mas é preciso ter cuidado, pois com pouca estamina, o atleta pode ser desarmado facilmente, passando a Chain para o time adversário.
O personagem customizável introduzido no modo história pode equipar diferentes habilidades aprendidas de outros atletas. Assim, o jogador pode customizá-lo para melhor se encaixar em seu estilo de jogo. Além disso, o atleta customizável pode jogar na posição de goleiro, uma grande novidade em relação ao título anterior. Por fim, existem novas peças de vestimentas como óculos e bandanas, que podem ser equipadas, além de diversos estilos de corte de cabelo, com adicionais podendo ser liberados ao comprá-los numa loja in-game com pontos adquiridos ao jogar o modo história.
A jogabilidade de Captain Tsubasa 2: World Fighters é bem divertida, contudo, este é um jogo simples em termos de opções de jogatina e customização da experiência geral. Além do modo história, só há um modo de partidas single-player (contra CPU ou outro jogador), duelos online, treinos e um “museu” para conferir personagens e cutscenes habilitadas no modo história. Além disso, não é possível customizar o tempo das partidas, com elas acabando muito rapidamente, na minha opinião. Por fim, o jogo é muito fácil, ao menos no modo história. Mesmo jogando no Hard, não tive dificuldade, mas no single-player existem opções de dificuldade ainda mais difíceis que oferecem um bom desafio.
Tente Brilhar, Tsubasa

Infelizmente não posso falar de termos técnicos em relação a como o título roda no Switch 1 ou no Switch 2 vi compatibilidade, visto que recebemos a chave para outra plataforma. Todavia, existem algumas coisas que eu posso comentar que se aplicam a qualquer versão de Captain Tsubasa 2: World Fighters, a começar pela apresentação que já mencionei anteriormente.
Este é talvez o título da série que mais se aproxima da ação encontrada no anime. A Bandai Namco fez um ótimo trabalho recriando o estilo único visto na animação, especialmente nas mais recentes como o remake de 2018 e sua segunda temporada, seja em seus ângulos de câmera durante certos momentos, a forma como são recriadas as interações dentro de campo e até mesmo as habilidades especiais de cada jogador.
Talvez por isso o jogo apresente tempos de carregamentos que são um pouco longos demais, quando cutscenes ocorrem durante partidas. Para uma plataforma que utiliza SSD, é até um pouco estranho e só consigo imaginar que no Switch o tempo de carregamento seja ainda maior. Como é algo que ocorre bastante no modo história e interrompe a ação, fica difícil de ignorar.

Comparado com Rise of the New Champions, para cada novidade introduzida na jogabilidade, o título perdeu algo em sua experiência geral. Temos menos modos de jogo do que no título anterior, além de menos opções gerais. Não poder mudar a duração da partida, algo que já existia no título anterior, é desapontante.
Os personagens possuem os mesmos dubladores do reboot de 2018, assim como no título anterior. Porém, não temos mais legendas em português, algo estranho de remover, ainda mais quando o título anterior possuía tal opção. Apesar disso, eu entendo que talvez o budget para essa parte do jogo possa ter sido pequeno, visto que a tradução de Captain Tsubasa II: World Fighters é muito ruim.
Temos frases que não fazem muito sentido, referências a nomes oficiais de times que não podem ser utilizados e até mesmo inconsistências em relação ao seu personagem ou a eventos que estejam ocorrendo no momento. Rise of the New Champions possuía um modo história onde você também criava um personagem customizado e, ao iniciar a narrativa de World Fighters, eu pensava se haveria referências ao jogo anterior. Enquanto inicialmente era considerado que ambos os personagens são duas pessoas diferentes, em certos momentos os atletas mencionam como o nosso atleta apareceu durante o torneio de quatro anos atrás (o mesmo mostrado em Rise of the New Champions).
É isso, Capitão

Captain Tsubasa 2: World Fighters é um divertido título que consegue replicar muito bem a ação e emoção do anime dentro dos gramados virtuais. As adições à jogabilidade a tornam ainda mais estratégica e a customização do seu próprio atleta é divertida, especialmente com a introdução da nova posição. A narrativa também é outro ponto extremamente positivo, especialmente por ser a primeira vez que tal arco é adaptado para outro tipo de mídia.
Contudo, ao mesmo tempo em que introduz muitas boas adições, o jogo também perdeu bastante coisa em comparação a seu antecessor. Algumas das remoções, como a legenda em português, não fazem o menor sentido, visto que a série é bem famosa em nosso país. A Bandai Namco, é claro, pode reincluir algumas coisas em atualizações futuras, mas o fato delas não estarem incluídas no lançamento original já deixa um gosto ruim na boca.
Prós:
- Ótimas adições a jogabilidade que a tornam ainda mais divertida
- Apresentação do jogo lembra muito o anime
- Boa adaptação do arco World Youth
- Novidades no sistema de customização de personagens são muito bem vindas
Contras:
- Modo História é muito fácil
- Tradução tem muitos problemas
- Falta de opções extras de jogo e customização da experiência que já existiam no título anterior
Nota
8
