- Review | METAL GEAR SOLID: MASTER COLLECTION Vol.2 - 08/09/2026
- ‘Astonishia Story’ é nova versão do RPG clássico do PSP que está chegando ao Ocidente pela NIS America - 04/09/2026
- Lute contra a vergonha quando ‘Caladrius 2/Dark Element’ trouxer belas garotas e rapazes perdendo suas roupas ao mundo dos SHMUPs em dezembro - 03/09/2026
Desenvolvedora: KONAMI
Publicadora: KONAMI
Gênero: Stealth, Ação, Tiro | Coletânea
Data de lançamento: 27 de agosto de 2026
Preço: R$ 284,90
Formato: Digital, Físico (Game-Key Card no Switch 2)
Plataformas: Nintendo Switch 2, Nintendo Switch, PlayStation 5, Xbox Series X|S, PC
Análise feita no PC com chave fornecida gentilmente pela KONAMI
Revisão: Davi Dumont Farase
Metal Gear é uma série clássica concebida por Hideo Kojima e sua equipe na Konami. A franquia começou em 1987 com um jogo para MSX, depois se reinventou em 1998 com o início da linha Solid no PS1, que continuou até o lançamento de Metal Gear Solid V: The Phantom Pain, em 2015.
Com quase 40 anos do seu início, a Konami atualmente investe em trazer de volta o seu legado com os pacotes Master Collection. Desta vez, METAL GEAR SOLID: MASTER COLLECTION Vol.2 traz em especial METAL GEAR SOLID 4: Guns of the Patriots, um título que antes era visto como “prisioneiro do PS3”, junto com a edição HD de METAL GEAR SOLID: Peace Walker e o jogo de Game Boy “Metal Gear: Ghost Babel”.
Leia também:
Um resgate histórico

METAL GEAR SOLID 4: Guns of the Patriots foi originalmente lançado para PS3 em 2008 e nunca havia sido portado para outro sistema até agora. Enquanto isso, METAL GEAR SOLID: Peace Walker chegou primeiro ao PSP em 2010 e recebeu uma edição HD para PS3 e Xbox 360 no ano seguinte, sendo parte do pacote ocidental de Metal Gear Solid HD Collection.
Assim como foi o caso de títulos da coletânea anterior, o relançamento desses dois jogos em particular traz a oportunidade para experimentá-los pela primeira vez em sistemas Nintendo. Considerando especialmente o fato de que MGS4 nunca havia saído do PS3, a nova versão é uma forma de expandir o alcance do seu legado para novos jogadores.

Curiosamente, Metal Gear: Ghost Babel, o jogo de Game Boy da franquia, também está presente no pacote, mas é tratado como um “extra” junto com a trilha sonora digital. No Switch e no Switch 2, é possível comprar MGS4 e Peace Walker separadamente ou pegar o pacote completo e ter esse “brinde”. Ele permite alterar o tamanho da tela, esticando as proporções para tela cheia por exemplo, e escolher diferentes fundos para as laterais.
Um ponto que chama a atenção antes mesmo de entrar no mérito de cada jogo é o fato de o pacote ser menor que o anterior. No Vol. 1 tínhamos os três Metal Gear Solid junto com as duas obras mais antigas que estabeleceram as bases da franquia no MSX. Embora seja possível argumentar que o primeiro relançamento do MGS4 foi bastante significativo e deve ter dado trabalho por conta das especificidades do seu sistema de origem, fica a sensação de que poderiam ter aproveitado melhor a oportunidade.
Afinal, em se tratando de Metal Gears de períodos próximos, tivemos mais três jogos de PSP que nunca foram portados para outras plataformas. O Vol.2 seria a oportunidade perfeita para os relançamentos de Acid, Acid 2 e/ou Portable Ops, que provavelmente não teriam muito espaço para serem vendidos separadamente em um potencial próximo volume que feche os lançamentos numerados com a “duologia” de Metal Gear Solid V (Ground Zeroes e The Phantom Pain).
As cores de um capítulo antes exclusivo

A série Metal Gear é composta por jogos de ação dentro da categoria “stealth”, dando aos jogadores o convite à furtividade. Invadir bases inimigas sem ser visto é considerado ideal, sendo o jogador capaz de usar várias táticas para distrair guardas e avançar. Junto com isso, temos uma trama de conspiração política como pano de fundo e excentricidades narrativas bem peculiares na forma de personagens que assumem os papeis de chefes nos jogos.
Metal Gear Solid 4 é uma espécie de ponto final para a série, amarrando algumas pontas soltas e ressignificando detalhes da série para trazer uma conclusão forte para a jornada de Solid Snake. Na obra, acompanhamos uma versão mais velha do protagonista, que está ainda tentando entender as causas de ter tido um envelhecimento precoce e acaba se vendo no meio de uma grande conspiração envolvendo os segredos de estado com alguns elementos já introduzidos anteriormente na série.

Em comparação com outros jogos da franquia, a estrutura aqui é um tanto diferente, sendo uma experiência narrativa dividida em capítulos que levam o jogador a explorar partes diferentes do mundo. Conforme a trama avança, também será necessário encarar chefões com poderes bem específicos, como a capacidade de se camuflar no ambiente ou voar e causar explosões nos arredores de uma torre onde Snake se encontra.
Algo que chama a atenção no jogo é a variedade de situações que encaramos. Para além de se esconder dos inimigos e lidar com os chefões, temos trechos fugindo em alta velocidade e tentando seguir rastros de pessoas, por exemplo. Além disso, fazer boas jogadas de forma geral rende pontos que podem ser usados para comprar itens na loja do Drebin.
Conquistando novos aliados

Já Peace Walker é um caso interessante, em se tratando de um jogo que adiciona elementos de simulação de gerenciamento de base à gameplay usual. Cabe ao Snake (aqui o Big Boss e não o Solid) explorar com cuidado os ambientes e recrutar aliados usando o sistema Fulton para arremessá-los ao ar e enviá-los à base. Isso pode ser feito tanto com inimigos atordoados quanto prisioneiros de guerra.
As pessoas conquistadas através desse sistema se tornam parte da base e podem ser alocadas em diversas funções. É possível, por exemplo, melhorar a pesquisa e desenvolvimento de itens, garantir refeitórios abastecidos e cuidar dos enfermos, tendo cada soldado uma predileção por áreas diferentes. Esses sistemas se tornariam a base do último jogo numerado da franquia, Metal Gear Solid V: The Phantom Pain.

Peace Walker segue um esquema de missões com áreas interconectadas e muitos de seus ambientes tendem a ser curtinhos, além de contar com poucos inimigos. Certas fases são cortadas em partes menores, tudo pensado dentro da lógica de ser um jogo que pode ser aproveitado em jogadas mais rápidas, como voltando para casa no trem, ônibus ou metrô.
Em termos de história, Peace Walker mostra os esforços do Big Boss na América Central construindo o seu grupo de mercenários “Militaires Sans Frontières”. Após a visita de um professor e de uma garota chamada Paz, ele começa a investigar uma misteriosa movimentação militar na região da Costa Rica e acaba se envolvendo em mais uma grande conspiração.

Vale destacar que as cutscenes são apresentadas em um formato que remete a um quadrinho animado. A ideia é que elas usem artes que remetam ao estilo do Yoji Shinkawa, tradicional artista da série associado a concepts e artes de capa, com traços acinzentados e pretos bem marcados. Durante as cenas, há momentos de interação colocando o jogador para atacar inimigos e se defender dentro de um tempo específico. Efeitos visuais com onomatopeias coloridas também aparecem aumentando ainda mais a sensação de “quadrinho em movimento”.
O gostinho de uma época

De forma geral, é possível notar que ambas as experiências estão um tanto datadas em sua apresentação por vários aspectos. No caso do MGS4, as cores e a iluminação de ambientes são bem características de jogos de tiro da época do PS3 e é particularmente curioso como o save só registra a chegada até uma determinada tela, fazendo com que o jogador perca qualquer progresso posterior se acabar parando antes de mudar para a próxima parte. Também não há uma opção rápida de carregar um save dentro do jogo, sendo necessário voltar para o menu inicial.
Tanto MGS4 quanto Peace Walker também contam com texturas um tanto borradas e modelos com pontas e formatos que parecem “poligonais demais” e seriam um pouco mais trabalhados atualmente. A manutenção desses elementos de uma forma intacta não é ruim (e é melhor do que enfiar em alguma IA que cuspisse algo totalmente diferente), embora fique a impressão de que seria possível dar ao jogador opções de algo mais modernizado junto com a experiência original. O ponto que talvez merecesse um pouco de ajuste ainda é o volume, pois aumentando as vozes nas configurações, as conversas no Codec do MGS4 ficam mais altas que as vozes nas cutscenes.

O relançamento, porém, trouxe algo particularmente especial: a possibilidade de jogar os dois títulos principais em português do Brasil. Essa adição inédita da língua é um ponto alto deste pacote, já que não havia essa opção anteriormente para esses jogos (ao contrário de Ground Zeroes, The Phantom Pain e METAL GEAR SOLID Δ: SNAKE EATER). A tradução é, de forma geral, boa, embora seja possível perceber alguns errinhos pontuais aqui e ali que mereciam ser corrigidos. Vale destacar ainda que Ghost Babel não teve a mesma adição.
Para além dos jogos em si, um ponto bem importante da MASTER COLLECTION são os extras disponíveis no pacote. Temos arquivos digitais detalhando vários aspectos da produção dos jogos, a cronologia da franquia, personagens relevantes e até um banco de dados detalhado (para o 4) e um livro com o roteiro por escrito para consultar. Vale destacar, porém, que a trilha sonora digital é bem reduzida contando apenas com 16 trilhas selecionadas dos jogos, o que não é nem perto de representar sequer um deles.
Cheguei, Brasil

METAL GEAR SOLID: MASTER COLLECTION Vol. 2 é um pacote que permite jogar obras clássicas da franquia pela primeira vez nos sistemas Nintendo, além do PC e outros consoles modernos. O pacote é uma parte essencial da franquia e é notável ver MGS4 finalmente disponível em outros sistemas. Há um esforço de preservação de legado e de trazer um pacote bem recheado de extras, mas fica a sensação de que, como coletânea ou como nova apresentação dos jogos, ainda dava para fazer mais.
Prós:
- Jogos de stealth de alta qualidade e importantes para o legado da franquia, sendo um deles anteriormente exclusivo do PS3;
- Tradução inédita para o português do Brasil para MGS4 e Peace Walker;
- MGS4 traz conclusões importantes para a saga, assim como um estrutura bem variada em seus capítulos;
- O sistema de coleta de aliados e gerenciamento de base do Peace Walker é muito divertido;
- Pacote de extras bem recheado para fazer a coletânea uma experiência de colecionador.
Contras:
- A aparência dos jogos é um tanto datada em modelos e texturas;
- Peace Walker tem missões com áreas bem pequenas;
- O sistema de save em MGS4 pode ser um tanto inconveniente em algumas situações;
- A trilha sonora digital inclusa é bem reduzida;
- Volume das vozes nas cutscenes fica menor que nas conversas via Codec no MGS4.
Nota
8,5

