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Desenvolvedora: Spike Chunsoft, Square Enix
Publicadora: Square Enix
Gênero: RPG Dungeon Crawler | Roguelike
Data de lançamento: 9 de setembro de 2026
Preço: R$ 142,50
Formato: Digital
Plataformas: Nintendo Switch 2, Nintendo Switch, PlayStation 5, Xbox Series X|S, smartphone, PC
Análise feita no Nintendo Switch 2 com cópia fornecida gentilmente pela Square Enix.
Revisão: Lucas Barreto
Que os fãs de Dragon Quest têm estado um pouco famintos nestes últimos anos é um fato que poucos iriam questionar. O lançamento original do Dragon Quest XI já tem quase 10 anos e desde então vivemos de remakes ou spin-offs.
Então, quando a apresentação de 40 anos da série entregou apenas: uma versão nativa do XI S no Switch 2; um adiamento, mas enfim um trailer de Dragon Quest XII; e por fim, um novo Monsters, agora com personagens do Dragon Quest V …não é estranho dizer que muitos sentiram como se faltasse alguma coisa, não é?
E vai ser um tanto hipócrita o que vou dizer, porque reclamei que só estamos “vivendo de spin-offs“, mas me escutem: Mystery Dungeon é simplesmente maravilhoso! Anunciado num sizzle reel da última Nintendo Direct, Torneko’s Mystery Dungeon se trata de um jogo de Super Famicom que é tanto o primeiro spin-off de Dragon Quest assim como o primeiro jogo a adotar o nome Mystery Dungeon – um nome que eventualmente se tornaria uma série de jogos próprios, além de spin-offs de outras IPs.
Para outro jogo parecido com este:
Dragon Quest Heroes: Torneko’s Mystery Dungeon -Classic HD- é o relançamento inesperado do jogo original de 1993, finalmente ganhando uma versão localizada oficial. Sendo um jogo que eu queria jogar há muito tempo de forma oficial, além de ser um dos responsáveis por popularizar uma das minhas estruturas de gameplay favoritas no Japão, os rogue-likes, eu tenho muito a falar deste Mystery Dungeon.
Sem mais delongas, vamos navegar pelos andares da Masmorra Misteriosa e descobrir quais tesouros fabulosos – e perigos – nos aguardam nela!
Torneko quer abrir sua lojinha
Em termos narrativos, a premissa do jogo não tem muito a entregar: Torneko e sua família se mudam para um vilarejo remoto (que o jogador pode nomear da forma que quiser), e o mercador pede permissão ao rei para explorar a famigerada “Masmorra Misteriosa”. Então ele começa a montar sua loja baseado nas coisas que ele encontra dentro desta Masmorra. É uma ideia simples, direta e que, dada a premissa do jogo, mais do que funciona para colocar as mãos do jogador direto na ação!




A escolha de Torneko como o protagonista é interessante: este jogo começaria o padrão de spin-offs de Dragon Quest que se passam em universos que já conhecemos, com personagens familiares. Torneko é um dos “Escolhidos” de Dragon Quest IV: Chapters of the Chosen do NES, sendo um mercador que acompanha em alguns capítulos o/a jovem Solo/Sonia em sua jornada contra Psaro, e alguns diálogos de Mystery Dungeon até fazem referência à jornada passada de Torneko.
Essa versão remasterizada do jogo traz algumas melhorias de Quality of Life como a possibilidade de acelerar o tempo, um menu mais dinâmico, e outras coisas. O interessante é que essa versão específica do jogo adota o nome “Heroes” que, para os que desconhecem, é a série musou de Dragon Quest, embora creio que as ligações não sejam intencionais.

Dito isso, não dá para falar de Mystery Dungeon sem falar da titular Masmorra, logo, vamos para um tópico que explora todos os seus aspectos na superfície e nas profundezas…
Os diversos perigos da Masmorra Misteriosa
Com inspirações diretas em jogos como Rogue, a Masmorra Misteriosa possui uma proposta que é explicada na narrativa como uma propriedade mágica da mesma, mas essencialmente:
- Cada andar da Masmorra é gerado aleatoriamente;
- Caso Torneko caia na Masmorra, ela passará por mudanças novamente;
- E por fim, quaisquer itens ou experiência adquiridos na exploração serão perdidos no caso de uma derrota.
A gameplay funciona num esquema de turnos que acontecem por movimento: uma vez que Torneko se mexe, usa um item ou ataca um inimigo, um turno se passa. É um combate mais ativo, mas ainda carregando o aspecto turn-based que a franquia mainline de Dragon Quest sempre teve.

Pode parecer estranho explicar um rogue-like atualmente, mas esse jogo foi lançado numa época em que os mesmos eram MUITO incomuns ou sequer existiam. E devido ao fator de “cada andar da Masmorra ser gerado aleatoriamente” isso leva a diversas surpresas durante uma run, pois o layout de um mapa não é a única coisa que você vai notar que mudou.
Os itens em um determinado andar vão mudar, e isso vai essencialmente ditar os tipos de estratégia que você precisa usar. As armas podem vir amaldiçoadas, causando uma variedade de efeitos que incluem envenenamento ou não poder desequipá-las. Armadilhas no chão vão estar ocultas até Torneko pisar nelas ou usar artefatos que as revelem, etc.

Cada exploração na Masmorra vai apresentar diversos perigos que não se limitam apenas aos monstros poderosos.
Que jogo desgraçado (+ reações da fanbase)
Torneko’s Mystery Dungeon é um jogo muito injusto, e parte da graça está justamente nisso. Nos últimos dias, a fanbase de Dragon Quest têm se mostrado bastante ativa nas redes sociais para demonstrar nas múltiplas formas que o jogo ferrou com uma run que parecia perfeita, seja por armadilhas, um Zoom que deu errado ou um monstro que o jogador acabou transformando em um ainda mais poderoso. O jogo não esconde o quão “desgraçado” ele é – por falta de uma palavra melhor.
Um exemplo que vocês podem ver é na postagem abaixo:
Infelizmente este local aleatório era um pequeno ninho de monstros.
Uma das minhas preocupações ao ver o remaster anunciado na Direct foi algo bem bobo: “e se diminuírem a dificuldade do jogo apenas para uma aproximação melhor do que Mystery Dungeons mais recentes possuem”? Bem, minha preocupação sumiu poucos minutos após entrar na Masmorra Misteriosa Menor do início do jogo, já que o título ainda continua desafiador e com um RNG complicado até hoje.
A melhor forma de explicar o RNG deste Mystery Dungeon seria um cassino: você entra de noite, começa a ganhar todas e, de repente, apaga. Ao acordar, você descobre que o cassino está em chamas, você perdeu tudo e aparentemente apostou a mão da sua mãe, vó e tia em um casamento com um cara chamado Antônio Montanhas. É caótico, é loucura, e acima de tudo, é uma experiência estranhamente viciante!

Vale apontar também que é essa dificuldade que dá tempo de jogatina. No fim das contas, afinal, sem ela o jogo vira apenas uma experiência de dungeon-crawl com apenas duas dungeons para explorar. Ao menos, com um sistema que te incentiva a prosseguir e ir melhorando sua base, você tem um “tchã” a mais para ir voltando na Masmorra Misteriosa!
“Não recomendado para os fracos de coração”
Para aqueles familiares com outros jogos no estilo Mystery Dungeon, este vai ser uma experiência normal, ainda que um tanto mais difícil que os baseados em outras IP como Pokémon ou Final Fantasy. No entanto, essa dificuldade e o RNG que constantemente prejudicam o jogador são os elementos que tornam esta iteração específica da Masmorra uma das mais difíceis de se recomendar (a não ser que você queira que a pessoa tenha medo da franquia para sempre).
Em termos de jogabilidade, no entanto, é o tipo de jogo que alguém poderia facilmente colocar como um top 10 entre os jogos da série Dragon Quest e eu não o julgaria por isso. E melhor ainda: o remaster faz um bom trabalho de auxiliar algumas das partes mais complicadas do jogo ao acelerar certos processos.
No entanto, pode-se perceber que em termos de música ele perde alguns pontos por não ter a mesma vibe épica ou heroica que outros Dragon Quest possuem, certamente um dos trabalhos antigos mais fracos do Sugiyama.

Porém, como todo remaster moderno à base de emulação, temos alguns problemas que o jogador novato pode não notar, mas para os japoneses que puderam jogar este jogo antigamente são reclamações válidas de se fazer:
- O menu está bem mais lento que o original.
- Os textos informativos ou de level-up estão bem mais intrusivos com a gameplay.
De resto, não há muito o que reclamar da experiência final, mas sempre apontando que a mesma se trata de um jogo de ’93 que passou por poucos retoques neste “remaster”.
Absolute videogame, cavalheiros!
Concluindo minha análise, Dragon Quest Heroes: Torneko’s Mystery Dungeon -Classic HD- é a forma perfeita que dá para experienciar o jogo que popularizou a estrutura rogue-like no Japão, com algumas melhorias que não tiram do jogo, mas suavizam a gameplay em si!

Para aqueles que gostam de rogues, eu recomendo esse remaster, mas, para os fãs de Dragon Quest em si, que esperam algo mais carnudo da franquia, recomendo esperarem mais um pouquinho para vermos as histórias de Bianca e Nera em outro spin-off, mas com uma novíssima aventura!
Prós:
- Uma experiência caótica de início ao fim;
- Gameplay simples e fácil de entender;
- Melhorias no QoL deixam o jogo mais suave;
- Finalmente uma localização oficial de um ótimo spin-off de DQ.
Contras:
- Certamente um dos trabalhos musicais mais fracos de Sugiyama;
- A dificuldade é um ponto que torna difícil de recomendar;
- Erros de texto que acabam causando delays no jogo exclusivos do remaster.
Nota
8,5

