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Desenvolvedora: Emeteria
Publicadora: New Tales
Gênero: RPG de ação | Aventura
Data de lançamento: 17 de setembro de 2026
Preço: R$ 49,99
Formato: Digital
Plataformas: Nintendo Switch 2, PlayStation 5, Xbox Series X|S, PC
Análise feita no Nintendo Switch 2 com cópia fornecida gentilmente pela New Tales.
Revisão: Davi Sousa
Quando que você iria esperar que um jogo indie francês, com idioma original francês, faria tanto sucesso, né? Claro que não estou falando daquele outro desconhecido RPG de turnos não (Clair Obscur: Expedition 33), é outra parada (haha). Mas curioso, não? Outro jogo desenvolvido por um estúdio francês chamando atenção por aí.
Bom, sem mais baboseira, Fading Echo chega ao Nintendo Switch 2 depois do PC, trazendo algumas adaptações para funcionar aqui, mas os seus destaques, na verdade, vão para a dublagem brasileira, criatividade e comentários divertidos.
Um mundo corrompido, um computador falante em forma de peixe e poderes elementais
Nossa aventura seguirá uma parte da vida de One, sobre a qual não temos muita informação de história, origem, nem motivações até boa parte da jornada, mas que viaja com sua mãe pelo deserto, tentando sobreviver num mundo seco, instável e bugado (realmente isso, como em computadores, aparecendo aqueles glitches visuais volta e meia).
Logo no início, após um ataque, as duas acabam se abrigando no Bastion, atual morada de Vellum (ou V3llum), o tal programa de computador que se declara como arquiteto desse mundo, antes de tudo dar errado. Aparentemente, as coisas saíram do controle quando os Kelevra tentaram resolver alguma coisa, canalizando o Aether (tipo a mana, energia vital, força, etc.), mas tudo deu errado, e acabou-se criando algo chamado de Corrupção do Paradoxo, que aos poucos está consumindo o mundo de Corel e suas Sombras (dimensões paralelas).

Parece um pouco confuso e muita coisa ao mesmo tempo, mas quando você só aceita que as coisas existem, fica tranquilo. O que importa é que somos meio que uma lenda, uma força da natureza que acaba descobrindo isso no processo e recebendo a missão de tentar salvar o mundo. A família toda tem algo envolvido, mas não sei se todos são “mágicos” ou lendários, e existe mais de um clã por aí.
Vellum também criou alguns portais dimensionais que nos permitem viajar entre dois cenários, que compartilham alguns elementos comuns, como pedras-chave, algumas plataformas e coisa e tal. O caminho pode estar bloqueado de um lado, mas e se formos para o outro, pegarmos aquele elevador, recuperarmos uma chave, trocarmos de elemento, e voltarmos, será que dá para passar?
Para resolver a confusão toda, One irá a cada uma das quatro regiões para purificá-las. Cada fase tem quatro pontos de restauração, que você pode ou não fazer de uma vez, ou sequencialmente. Não tem problema nenhum ir a um portal de cada fase, ou todos os quatro de uma só vez, vai de você mesmo, mas isso afeta uma coisinha bem interessante, que comento mais à frente.
Splatoon 4 confirmado? Gameplay e poderes elementais de Fading Echo
Como Fading Echo é um jogo, vamos falar da sua jogabilidade e mecânicas. A principio, esta é uma obra de aventura e ação como os clássicos que conhecemos, tal qual Crash Bandicoot, Spyro, Ratchet and Clank, e até The Legend of Zelda e Kirby.
Andamos por aí em terceira pessoa, trocamos golpes com monstros esquisitos, pulamos em plataformas e apertamos botões para abrir portas. A diferença aqui é na parte incorporada de Splatoon, que brinca com as mecânicas de tinta espalhada pelo chão, junto ao poder e virar bolinha herdado de Metroid.
4 são os “elementos” principais em Fading Echo: água, fogo, tóxico e corrupção. Cada um te dá um poder enquanto estiver no formato bolinha, e uma condição de status para One (e inimigos). Esses elementos estão espalhados por aí em poças, e quando rolamos por cima, absorvemos suas características, ou as combinamos com o elemento atual.
Por exemplo: se estamos em forma de água e encostamos em fogo ou lava, viramos vapor, o que permite uma planagem bem longa. De água para tóxico, meio que viramos uma geleca, que permite pular bem mais alto. E por fim, de geleca para fogo, viramos uma bola de lava. A corrupção não interage com outros elementos, mas seu poder é de teletransporte: criamos um ponto de retorno, e podemos andar por aí até ativá-lo novamente, retornando no nosso estado atual com o item que for para o primeiro ponto.

Já em combate, as coisas mudam um pouco. Os inimigos também têm seus elementos, então quando um de fogo leva um golpe de água, ele solidifica. Se fica muito tempo no fogo, queima, e, no tóxico, enfraquece. Então, usar o terreno ao nosso redor e criar novas manchas no chão com nossos poderes é bastante importante e divertido.
Outro uso desses elementos está na resolução de puzzles. Acho que ficou bem evidente quando descrevi o que cada um faz, mas muitas vezes temos combiná-los para resgatar um item, acessar áreas altas ou distantes e até subir cachoeiras. Os mais comuns envolvem pegar uma pedra-chave para abrir uma porta ou apertar botões temporizados para ativar algo.
Vale citar que a variedade de inimigos é consideravelmente agradável. Tem alguns similares a outros, só que mais fortes, ou combinando características etc, mas são o suficiente para não ficar exatamente repetitivo, embora não tenhamos um boss para cada fase, ou para cada mundo, como de costume.

Aqui não temos um sistema de níveis, então, para ficar mais forte, One utiliza uma árvore de habilidades para facilitar o combate. As habilidades são adquiridas de duas formas: a primeira é encontrar a runa da habilidade escondida na fase; a segunda é utilizar as já disponíveis originalmente. Essas últimas se tornam acessíveis de acordo com cada portal que você tenha concluído de cada cenário. Achei original, e te faz decidir qual tipo de caminho quer seguir.
A grama do vizinho é mais verde? Problemas de gameplay no Switch 2
Antes de entrar nesse assunto, preciso ressaltar que Fading Echo traz gráficos e estilo de arte e de animação bastante criativos. Não que as técnicas não tenham sido vistas em outros lugares, mas a escolha e conjunção ficaram fenomenais. As cutscenes têm dois padrões: um é o clássico de animação 3D, e o outro é tipo uma HQ animada.
Imagina a cena de um quadrinho, com os balões de fala, uma cena estática, mas o cabelo de One está esvoaçando, ou que uma explosão acontece e a onomatopeia “BOOOM” vai crescendo junto, e tudo sendo dublado e sonorizado. Realmente bem legal. A escolha de cores dos cenários e as alterações que ocorrem ao mudar de dimensão também trazem um ar esquisito, diferente, mas que de alguma forma combina com o tema e funciona bem.

Mas, pouco antes de começar a escrever esta análise, dei uma olhada no YouTube para ver se mais alguém tinha comentado algo. Infelizmente, eu acabei assistindo uma gameplay para PC e, nossa, a experiência de jogo é bem melhor. Tanto os gráficos quanto o fps, lag, frameskip etc são tão inferiores no Switch 2 que fiquei honestamente bem decepcionado. Não me parecia ser um jogo tão requisitante de chipset e processamento, mas pelo visto eu estava errado.
Durante minha jogatina de Fading Echo, experienciei diversos bugs de colisão, frameskip (demais mesmo), atraso em iniciar as animações ou falas e telas de carregamento muito longas. O Switch 2 chegou até a “congelar” o jogo, esmaecer a tela com um filtro esbranquiçado com a palavra “Carregando…”, e demorou a voltar. Infelizmente, quebrou um tanto a experiência nesses momentos.

Estou sendo muito crítico e resmungão sobre um jogo indie? Talvez.
Dublagem de Fading Echo em português do Brasil
Criei esse tópico só para falar da dublagem de Fading Echo. O jogo é sim todo dublado, originalmente em inglês, com legendas em vários idiomas, mas imaginem minha surpresa ao navegar pelas configurações e acidentalmente mudar o texto para russo. Aí, para consertar, acidentalmente mudei o menu de dublagem, e não o de texto. Tudo continuou em russo, mas falado em português do brasil haha
A Critical Leap cuidou da dublagem para PT-BR e fez um trabalho excelente, trazendo nomes pesados da dublagem brasileira, como Guilherme Briggs (Buzz Lightyear, Superhomem) no papel do vilão, e Carol Valença (Luffy de One Piece) como protagonista. Confira o elenco de dublagem:
| Imagens | Personagens | Vozes Originais | Dubladores |
|---|---|---|---|
![]() | One | Samantha Béart | Carol Valença |
| Vellum | Laura Bailey | Adriana Torres | |
| Maddock | Matthew Mercer | Guilherme Briggs | |
| Bob | Sam Riegel | Reginaldo Primo | |
| Rahne Kelevra | Jasmine Bhullar | Flávia Saddy | |
| Cayrn | Liam O’Brien | Léo Rabelo |
Fonte: Dublapedia
Posso esperar um plot twist, ou foi tudo previsível? Valeu a pena jogar até o final?
Olha, eu honestamente não sei te responder isso. Embora ao longo do jogo eu tinha certeza que tudo seria previsível, e até que foi mesmo. Umas pitadas de história e alguns comentários te levam a entender o que é que deve acontecer no final.
Conforme fui jogando, além dessa sensação, e por causa dos problemas que citei acima (joguei totalmente no modo dockado), a dificuldade e criatividade dos puzzles e desafios, e até mesmo a dificuldade do jogo em si são oks, ainda mais pensando num jogo indie de menos de 50 reais, tornando-o bastante atrativo (sabe quando você compra o cartão de créditos para a loja, e sobra alguma coisinha? pronto, já sabe onde gastar).
Gostei muito das eventuais piadinhas e brincadeiras que colocaram, tanto nas personalidades quanto em alguns textos. Por exemplo a ficha de apresentação de inimigos explosivos mencionar que gostam de abraços, ou quando derrubamos um inimigo do penhasco, dele olhar pra baixo, sacudir as pernas antes de realmente começar a cair, que nem desenho animado.
O que quero dizer que gostei sim do jogo, mas não me surpreendeu. É bacana e divertido, te dá vontade de continuar, e diria que uns 3 dias jogando na moral, e sem exageros, jogando pra se divertir mesmo, você deve conseguir zerar. O How Long to Beat diz a duração de Fading Echo é entre 6 e 9h30min para completar, e acho que pode ser por aí, mas arredondando pra cima. Sim, eu fiquei mais de meia hora preso num puzzle idiota que eu só tava olhando pro lado errado. Mas tudo poderia ser melhor, por isso, minha avaliação é que recomento mas ali beirolante.
O Final mesmo inesperado é no sentido narrativo. Uma coisinha ou outra já estavam muito previstas, mas teve sim um plot twist que… bom, vou deixar essa no ar hahaha
Prós:
- Dublagem impecável tanto em Inglês quanto em Português do Brasil;
- Uso das ores elementais e manchas no chão bastante criativo e divertido
- Puzzles na dificuldade certa
- Escolhas visuais muito criativas e bem feitas
Contras:
- Telas de carregamento muito longas;
- Desempenho da versão de Switch 2 falho;
- Gráficos reduzidos no Switch 2 mesmo na dock;
- Controles bem chatinhos de controlar, especialmente a câmera;
- Frameskip frequente.
Nota
7

