- Entrevista: ‘Mononoke no Kuni’ traz a história de um jovem e seu cachorro em um mundo fantástico japonês - 12/10/2026
- Ikemen Big Bang, o otome game do ‘Neymar hipotético’ dos Ikemen, está a caminho do Switch - 10/10/2026
- M2 está levando ‘Senjin Aleste’, SHMUP exclusivo dos arcades, para o Switch - 10/10/2026
Como parte da nossa cobertura da TGS 2026, tivemos a oportunidade de fazer algumas entrevistas envolvendo jogos sob a publicação da Happinet. Entre as desenvolvedoras que tivemos a oportunidade de conversar, está a equipe do Studio Lights, responsável pela produção de Mononoke no Kuni e liderada pelo diretor, roteirista e supervisor Seiji Nanase.
O projeto e suas origens

Mononoke no Kuni é um jogo de ação e aventura 3D que está em desenvolvimento para PC com previsão de ser lançado também no Switch como um dos consoles adicionais. Detalhes sobre data de lançamento e afins ainda serão divulgados futuramente, já que o jogo ainda está em produção.
A proposta do jogo gira em torno de um jovem garoto chamado Taiki que viaja por um mundo fantástico inspirado por mitologia japonesa para salvar a alma de seu cachorrinho da raça Shiba Inu chamado Musashi. Juntos, os dois encaram o desafio de purificar yokai enquanto exploram o mundo habitado pelos mononoke, vendo sentimentos sombrios de arrependimento e tristeza no caminho.

De acordo com Nanase, a essência do jogo está em um desejo singelo: “Quero voltar para casa com o meu companheiro precioso mais uma vez.”. O diretor e produtor de Mononoke no Kuni, que já havia trabalhado anteriormente como artista técnico na Square Enix, usou como base sua experiência pessoal com o seu cachorrinho (um Shiba Inu preto) para tentar apresentar sua fofura e os sentimentos que a preciosa presença de seu companheiro animal fez com que ele sentisse, como o desejo de protegê-lo. Para o projeto, vale destacar que Seiji Nanase está trabalhando junto com uma pequena equipe de colegas que já tiveram experiências com produção de jogos de larga escala também.
Repensando o folclore japonês

Como um jogo que usa criaturas de folclore, perguntamos à equipe como foram selecionados os yokai que seriam usados no jogo. O ponto de partida foi a busca por oponentes que funcionariam bem em um jogo de ação, fazendo assim uma seleção com base no que poderia adicionar mecânicas interessantes para a gameplay além da questão puramente estética.
Exemplos dados incluem habilidades como transformar vento em lâminas (um traço tradicionalmente associado ao Kamaitachi), tornar álcool em chamas ou atacar debaixo d’água. Cabe aos jogadores assim saberem como responder a esses movimentos em combate.
A partir dos conceitos de gameplay, os desenvolvedores criaram narrativas únicas para o jogo tendo como base uma mistura de anedotas do folclore e a busca por um lado humano que explicasse as origens de cada yokai. Com isso, eles se perguntavam a motivação por trás deles terem assumido tais formas e as coisas que eles poderiam ter passado para chegar no seu “estado atual”. Entendendo as suas circunstâncias mais a fundo, inimigos assustadores podem ganhar outras camadas.
Beleza e medo

Outra influência importante para a equipe foram as obras do Studio Ghibli. De acordo com os desenvolvedores, “Todos da equipe cresceram as assistindo, e colocamos uma boa dose de importância nas emoções sutis que elas retratam ao visitar um mundo desconhecido — a coragem, incerteza e solidão que vem junto com essa experiência.”
Para eles, é importante que haja uma espécie de afeição pelas pessoas e criaturas que habitam esse outro lugar e uma espécie de contraste entre a beleza e o medo. A ideia por trás de Mononoke no Kuni é tentar fazer o jogador querer fazer parte daquele mundo, explorá-lo junto com o Musashi, saber mais sobre os seus habitantes e quem sabe querer revisitá-lo depois mesmo após acabar a aventura.

Em termos das criaturas do jogo, além da proposta bem pessoal por trás da concepção do cachorrinho Musashi, os mononoke foram criados de forma a brincar com o contraste de parecer um pouco assustadores inicialmente, mas mais fofos ao se aproximar. A ideia é ter certas qualidades que os diferenciam dos humanos e causam estranheza, mas ainda tendo um charme peculiar para se descobrir ao interagir com eles.
Além disso, a escolha de fazer o Taiki ser um garoto bem novo vem da ideia de vivenciar a jornada com os olhos de uma criança, para a qual tudo é meio novo e mágico. O protagonista promete uma perspectiva simples, mas em um mundo com camadas mais complicadas sobre a passagem de gerações e as emoções negativas carregadas pelos yokai.
Combate ágil, conexão emocional e tradução de máquina

Quanto à gameplay, a equipe comentou que o combate busca ter um apelo em torno do aprendizado de padrões. A ideia é que o jogador entenda como lidar com os ataques explorando o timing certo de reação, tendo como fazer parrying, fugir ou se defender dos ataques. Com o tempo e a prática, será possível lidar até mesmo com golpes que possam parecer difíceis demais inicialmente.
Jogadores que não estão muito acostumados com jogos de ação e gostariam de uma experiência mais confortável também poderão experimentar o jogo com um Modo Casual. Até mesmo o design de mundo foi feito de forma que o jogador possa optar entre seguir o caminho principal, tendo pouca chance de se perder, ou explorar para encontrar desafios mais complexos que demandam mais atenção para vasculhar os ambientes e para as batalhas de nível mais difícil. Assim, o jogador pode encarar os desafios no seu próprio ritmo.

Outro fator importante é a conexão de Taiki e Musashi, que transforma o tempo que eles passam juntos em habilidades de suporte mais efetivas, golpes combinados para desbloquear com estilo de samurai (Quickdraw Slash) ou ninja (Phantom Substitute) com roupinhas específicas para o Musashi usar. Ver os dois se ajudando e tentando proteger um ao outro tanto na história quanto na gameplay é um aspecto central da experiência para os desenvolvedores.
Ainda perguntamos sobre o fato do jogo ter uma tradução para o português do Brasil e a equipe nos informou que quer que os jogadores do mundo todo possam aproveitar o apelo do jogo, sua mitologia e os yokai sem que a língua seja uma barreira. Para eles, mesmo com os elementos culturais específicos por trás do projeto, o sentimento que dá início à história é universal na busca por salvar um companheiro precioso.
Em termos práticos, a equipe está trabalhando de forma próxima com os tradutores do inglês para garantir que essa versão reflita de forma precisa as intenções do original. A tradução de outras línguas (como o português), porém, usa tradução de máquina com base nos textos em japonês e inglês e é depois revisada e corrigida por falantes nativos de cada língua. Esse processo ainda está em andamento.
Na Terra dos Mononoke

De forma geral, a equipe convida fãs de cachorros e até mesmo pessoas que não entendem nada de mitologia japonesa a dar uma conferida em Mononoke no Kuni, que no momento conta com sua própria página no Steam. A promessa é que a aventura de um jovem garoto e seu cachorro se esforçando para proteger um ao outro nesse mundo fantástico traga belas paisagens, batalhas desafiadoras e um charme próprio.
Imagens: cortesia da Happinet
