Desenvolvedora: Digital Eclipse
Publicadora: Atari
Gênero: Coletânea | Retrô
Data de lançamento: 15 de outubro de 2026
Preço: R$ 76,95
Formato: Físico/Digital
Plataformas: Nintendo Switch, Nintendo Switch 2, PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox One, Xbox Series S|X e PC
Análise feita no Nintendo Switch com cópia gentilmente fornecida pela Atari.
Revião: Davi Dumont Farace
Estou tendo um déjà vu, ou estivemos aqui faz pouquíssimo tempo discutindo uma coletânea de jogos clássicos da Disney, publicada pela Atari? (já fazem 7 meses…). Desta vez, não é um pacote chegando com 9 anos de atraso no Nintendo Switch inexplicavelmente, mas uma nova empreitada da Digital Eclipse trazendo de volta os clássicos da Pixar, que embalaram o fim dos anos 90 e inicio dos anos 2000 os consoles de 16 e 32 bits (e portáteis de 8 bits).
“Mas isso não foi voar, isso foi cair.. com estilo!“
Em Disney/Pixar Toy Story: Retro Roundup!, a sua charmosa apresentação temática dos brinquedos mais icônicos do cinema, temos 11 jogos: Toy Story de Mega Drive e SNES (1995), acompanhado do port para Game Boy monocromático (1996); Toy Story 2: Buzz Lightyear em Ação! de PlayStation (1999); o jogo companion de Game Boy Color intitulado apenas Toy Story 2 (1999); Toy Story Racer para ambos PlayStation e Game Boy Color (1999); a surpreendente inclusão de Buzz Lightyear do Comando Estelar de PlayStation e também Game Boy Color (2000); e o bônus de ambas as versões de PlayStation e Game Boy Color de Vida de Inseto (1998).
A maioria dos jogos, pela primeira vez, tem os seus nomes localizados em Português Brasileiro. Originalmente desenvolvidos, em grande parte, pela Traveller’s Tales (enquanto algumas das conversões de portáteis foram feitas Tiertex Design Studios).

De fato, uma coletânea robusta em termos de quantia de jogos disponíveis, mas diria que é bem carregada pela presença de Toy Story 2: Buzz Lightyear em Ação! e Vida de Inseto, que são jogos de plataforma 3D bem elaborados, com muito conteúdo para se coletar e completar. Já o primeiro Toy Story não é um jogo exatamente confortável de se retornar, pois ele é um produto de sua época, onde os gráficos pré-renderizados, seus sprites grandes e expressivos e fases multi-gênero são o atrativo principal, mas várias pequenas peculiaridades são difíceis de lidar.
Buzz Lightyear do Comando Estelar é um jogo bem raso e que se destaca por sua apresentação cel shaded dos anos 2000 e pelo fato de ser incluso num geral, apesar da Disney ainda continuar a ignorar a existência da série animada do patrulheiro espacial (ausente do serviço de streaming deles). Toy Story Racer é um jogo de corrida nada convencional que irá te desafiar a aprender os controles e “deslizar” seus carrinhos de brinquedo.
Enquanto os jogos de Game Boy são meras curiosidades que valem a olhadela, mas são bem arcaicos, apesar dos truques para convertê-los para portáteis 8 bits (destaque para Toy Story Racer e suas pistas pseudo 3D). Mas eu admito que a versão de GBC de Buzz Lightyear no Comando Estelar me deu um novo contexto ao jogo, como um clone de Ikari Warriors.

“SE A CA-RA-PU-ÇA SERVE!“
Como podem perceber, a coletânea foca em dividir os jogos entre emulação de PlayStation e Game Boy em suma, com SNES e Mega Drive, sendo as exceções óbvias. Mas, mais uma vez, volto a mencionar que é lamentável quando uma obra como essa não se presta a ser abrangente em trazer todas as versões disponíveis desses títulos, alguns lançados no Nintendo 64 (Buzz Lightyear em Ação! e Vida de Inseto), no Dreamcast (Buzz Lightyear do Comando Estelar) e até mesmo para PC na época, que são únicas de uma forma ou de outra e tenho certeza que iria acariciar a nostalgia particular de alguns jogadores.
Apesar disso, o “recheio” dessa coletânea está mais nas diversas opções que você tem para revisitar esses títulos, como, exemplo, escolher entre as ROMs de outras regiões. No caso de Toy Story 1, por exemplo, existe até uma ROM inédita “definitiva” incluindo todos os pequenos recursos através de todas as regiões que o jogo foi lançado originalmente: reproduzir os jogos de Game Boy Color em cartucho preto diretamente com a paleta original para Game Boy monocromático, habilitar os “Códigos de trapaça do Rex”, que podem te dar desde saúde e vida infinitas, desbloquear segredos, munição no máximo e outras coisinhas que você só encontraria em Game Sharks da vida ou num guia de estratégia no Celeiro de Brinquedos do Al! Claro, funções básicas de relançamentos como esse, com pontos de restauração e de rebobinar também estão presentes.

Ponto de destaque vai para um excelente manual de instruções digital que cada um dos jogos recebe no menu da coletânea, com termos localizados em português e esclarecendo bem os objetivos de cada jogo. Há também um “Modo Treino”, onde o jogo irá inicializar num ponto de sua escolha e irá jogar sozinho para te mostrar o que deve fazer, com você sendo capaz de tomar controle a qualquer momento enquanto assiste.
A apresentação dos jogos em si também é bem agradável, com os jogos em 3D te dando a opção de renderizar internamente a resolução nativa em até 2x o original, resultando em visuais menos quadriculados, mas não menos autênticos. Bordas podem ser desligadas completamente (não é sempre garantia nesse tipo de coleção…) e filtros com efeito CRT (TV de Tubo) também estão disponíveis.
“Viu o chapéu?! Eu sou a Senhora Marocas!“
Quando diz respeito ao conteúdo extra da coletânea, foi de muito bom grado a inclusão de um minidocumentário em 5 partes com entrevistas com pessoas envolvidas nos jogos originais, incluindo o diretor Jon Burton da Traveller’s Tales, Jim Hanks (irmão de Tom Hanks, que dá a voz para Woody em jogos e todo tipo de produto que não sejam os filmes), Luigi Priore, gerente na Disney & Pixar Games, Jason Katz da Pixar e relatos nostálgicos de Chris Kohler e Mike Mika da própria Digital Eclipse.
Todo o contexto histórico por trás da produção desses jogos é preservado aqui. Com os desafios de entregar o resultado final em pouquíssimo tempo, as adaptações da Disney em parceria com a Traveller’s Tales se torna duradoura. Não é nada tão grandioso e aprofundado quanto os documentários em Atari 50: The Anniversary Celebration ou Tetris Forever, que são parte da linha “Gold Master Series” da Digital Eclipse, mas é bem-vindo da mesma forma.

Há também um punhado de material promocional dos jogos disponível para folhear (que convenientemente não mencionam as versões ausentes de certos jogos), e um tocador de músicas que você pode deixar reproduzindo enquanto navega nos menus. Esse tem remixes novos de clássicos dos filmes como “Coisas Estranhas”, “Amigo Estou Aqui” e algumas músicas selecionadas dos jogos da coletânea, mas também há a trilha sonora do primeiro jogo Toy Story para PC, que tem qualidade de CD (o que faz a ausência dessa versão jogável ainda mais aparente).
“Você é um homem muito triste e estranho… morro de pena! Adeus!“
Algo inusitado, tenho de dizer, é como o branding dos consoles originais não foram removidos para uma apresentação mais agnóstica de plataformas como acontece em Mortal Kombat: Legacy Kollection. Sim, você verá capas estampado “PlayStation” em seu Nintendo Switch, tão como “Super Nintendo” e “Game Boy Color” irá aparecer na Steam e Xbox; esse é o mundo bizarro onde vivemos! Com direito até mesmo de ser possível avistar embalagens originais em um modelo 3D, rotacionar e ver de pertinho os detalhes com o zoom.

Já quanto aos problemas, os jogos todos são bem responsivos e rodam perfeitamente em cada um de seus emuladores, tudo funcionando como deveria. Porém, um glitch de áudio estranho persiste em Vida de Inseto de PlayStation, onde ocasionalmente a música da fase que você está irá encerrar seu loop e começar tocar outra música da trilha do jogo aleatoriamente… até que ela se conclua e retorne a música apropriada para o momento. Acontece desde a primeira fase até o fim do jogo, consistentemente. É algo que eu imagino que irá ser notado e corrigido em breve. Outro glitch menor é também um clipe-voz em baixo pitch que reproduz toda vez que o diálogo com um NPC se inicia.
Pequenas alterações nos jogos foram feitas, como os prompts correspondentes aos botões de Nintendo Switch nos menus internos e cruzes vermelhas às vezes substituídas para atender as novas leis das Convenções de Genebra. Porém, apesar da excelente localização dos menus da coletânea, legendas para os documentários e tudo mais, os jogos em si se mantém inalterados e muitos diálogos entre personagens, instruções e navegação podem ser difíceis.
Como um todo, a coleção Retro Roundup! é satisfatória e entrega aquilo que promete. Toy Story já uma licença tão complicada, não só envolvendo a Disney e a Pixar, mas os responsáveis por brinquedos como Senhor Cabeça de Batata (Hasbro), a tela mágica Etch A Sketch (Spin Master) e até mesmo o cachorro Slinky (Just Play, LLC). Os desenvolvedores que trabalharam em cada um desses jogos, que foram publicados por distribuidoras diferentes (THQ, Activision) e a música de Randy Newman, que faz essa coletânea existir da maneira que é hoje, é um baita milagre. Foi a custo da remoção de jogos individuais dessa coletânea no serviço PS+ da Sony, mas agora, todos vão ter acesso a versões discutivelmente melhores e de forma mais conveniente.
Prós:
- Empacota alguns dos melhores jogos licenciados da época em uma apresentação charmosa e coesiva;
- Conteúdo extra de excelente qualidade, entre os materiais promocionais, entrevistas e tocador de música;
- Funções de Qualidade de Vida ajudam na acessibilidade de títulos mais arcaicos como os de Game Boy;
- Tem uma cobra na minha bota!
Contras:
- Infelizmente não inclui todas as versões dos jogos presentes (N64, Dreamcast, PC);
- Estranhos glitches de áudio em “Vida de Inseto” para PlayStation;
- Localização em Português Brasileiro não se estende para o conteúdo dos jogos em si;
- Alguém envenenou a água do poço!
Nota
8
