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Desenvolvedora: CAVE, City Connection
Publicadora: Clear River Games
Gênero: Cute ‘em up | Coletânea
Data de lançamento: 1 de outubro de 2026
Preço: R$ 205,99
Formato: Físico/Digital
Plataformas: Nintendo Switch, PlayStation 5, PC
Análise feita no Nintendo Switch com cópia fornecida gentilmente pela Clear River Games.
Revisão: Manuela Feitosa
É difícil ouvir o nome CAVE e já não associar a SHMUPs incríveis. Na família de consoles Nintendo Switch é possível desfrutar de uma boa gama de jogos da desenvolvedora, e ‘Muchi Muchi Pork! & PinkSweets Boosted’é mais uma adição a essa longa lista.
Seguindo a tendência de tornar grandes clássicos do passado disponíveis para uma maior audiência, a editora Clear River Games traz esse double pack de cute ‘em ups que foram originalmente portados dos arcades para o Xbox 360 — pasmem, foi o lar de grandes pérolas japonesas, mesmo com o saudoso console da Microsoft não sendo um campeão de vendas por lá.
O que diferencia tanto ambos os jogos a ponto de tornarem o seu relançamento relevante para a comunidade dos joguetes de “navinha”, você confere na nossa review!
O jeito CAVE de fazer Shoot ‘em up
Mesmo que não necessariamente seja uma demanda dos jogadores, o mundo capitalista (lê-se acionistas) pede que as desenvolvedoras diversifiquem o seu portfólio de produtos o máximo que conseguirem.
Quando você estranhar que a sua desenvolvedora preferida em algum gênero lançar um jogo totalmente oposto às suas raízes, duvide. Sempre vai chegar a hora de alguns deles fazerem aquele jogo que estranhamente tem mecânicas similares a algum sucesso recente, fazendo se perguntar no que raios os desenvolvedores estavam com a cabeça ao ouvir relatos dos mesmos estarem decepcionados por jogo x ou y não ter “performado bem”.

Os mais novos podem não lembrar ou serem muito jovens para questionamentos tão profundos movidos a engarrafamentos ou retenções para o trabalho, mas houve um tempo onde a indústria de jogos era mais “romântica”. A paixão por determinado estilo ou a amizade dos membros era o combustível que movia essa grande indústria.
Muito antes de uma realidade de lucros astronômicos que abarrotam os estudios de investidores, os jogos eram lançados quando estavam prontos e era uma grande vergonha quando algum produto chegava mal acabado aos consumidores. O primor em entregar uma experiência refinada à exaustão era motivo de orgulho. Um exemplo de desenvolvedora símbolo dessa geração é a CAVE.

Após jogar tantos jogos desse time é difícil não colocar as mãos em algo deles e não dar aquele sorriso de canto de boca pensando: “é…eles conseguiram de novo”. Tentanto fugir do óbvio e sempre colocando um tempero singular no seu molho, é bem fácil pensar que seria impossível criarem uma proposta de jogo que não fossem divertida. Os jogos ‘Muchi Muchi Pork!’ e ‘PinkSweets’ estão aí para não me deixar mentir.
Em Muchi Muchi Pork! você simplesmente salva o mundo na pele de meninas fofas que foram transformadas em porquinhas pelo General Bisteca, e para tal elas fazem uso de bicicletas ergométricas voadoras que funcionam como naves de combate. Já em PinkSweets você controla os Chefes do shmup ‘Ibara’, só que em versões bondosas — quem pensaria lá em 2006 em colocar vilãs redimidas como heroínas em um jogo sequência? É realmente tudo lindamente e estranhamente maravilhoso.
Filhos completamente diferentes apesar dos mesmos pais
Além da diferença estética gritante, o sistema de combate dos títulos possuem diferenças que tornam o ato de jogar ambos os títulos bem divertido.
Muchi Muchi Pork! possui uma pegada mais tradicional com três comandos: o tiro carregado, o normal e o tiro bomba para te livrar dos projéteis inimigos ao mesmo tempo que confere um dano de respeito nos inimigos. Por conta das fases com temática mais urbana, a variedade de inimigos na tela da aventura das meninas porquinhas é mais desafiadora.
O que pode parecer apenas poluição visual, na verdade é um cuidado de representação até do menor dos elementos. Repare que até os porquinhos que você resgata possuem uma pequena animação própria.

PinkSweets, no entanto, possui uma estética mais sóbria e fácil de diferenciar ameaças, por conta disso desviar dos projéteis é bem mais fácil, sabendo de onde vem e o que são. O jogar aqui é um pouco mais diferentão, onde a mecânica do tiro bomba é utilizada tanto ao pressionar o botão de tiro regular durante um tempo quanto por sem botão dedicado.
Ela ainda funciona como uma espécie de escudo sem um efeito em toda a tela, funcionando de forma mais localizada. Os projéteis dos personagens aqui também atuam de uma forma mais única para cada um dos pilotos, o que faz necessário utilizar cada um deles a fim de perceber o que se adapta mais à sua forma de jogar.

Os títulos não contam com um modo para iniciantes, mas encare o modo arcade como o difícil e o arrange (que é a experiência de console dos jogos) como um modo mais acessível mas que não chega a ser aquela moleza toda. Fica a seu critério escolher o que vai te frustrar menos, pois morrer você vai bastante (sinto muito (ou não)).
Os jogos também contam com Leaderboards local e online, para você bancar o bonzão contra os seus amigos de perto ou de longe. E por último mas não menos relevante, ainda é possível desfrutar de ambos os títulos em co-op local!
Clássicos como um roupagem aquém
Com o mercado tão aquecido e preenchido de ótimos títulos, quando se pensa em trazer algo do passado logo se espera que haverão adições ao material original que o tornem mais adequado que seus equivalentes mais recentes proporcionam, mas não foi o caso por aqui.
Apesar da trilha sonora com novos arranjos e dos modos arcade e arrange, as adições são muito tímidas perante a grandeza de ambos os jogos. Fãs de longa data como o redator que vos fala já se sente feliz de experienciar novos jogos, independente do seu ano de lançamento, mas conteúdos extras como entrevistas da época, artes conceituais e todo tipo de conteúdo que conta algo sobre o jogo nos faz ficar mais engajado e curioso com o título.

A competitividade atual torna necessário que grandes obras tenham um tratamento adequado e que seja claro isso mesmo aos menos engajados, ou infelizmente se tornaram apenas mais um na prateleira (digital ou não) dos jogadores. Então não espere um upscaling da resolução do jogo para um eventual modo fullscreen, nem tão pouco um tratamento de performance que retire os slowdowns. A despeito do descontentamento, claro que estou com o tratamento dado aos jogos, sua qualidade e pertinência permanecem atemporal, apesar do invólucro pouco respeitoso.
Lendas Cute ‘em up da CAVE revividas
‘Muchi Muchi Pork! & PinkSweets Boosted’ não é algo novo no mercado de jogos shoot ‘em ups, mas um resgate necessário dentre vários outros para manter acessível clássicos de outrora para uma nova geração de amantes de jogos de navinha.
No entanto, para àqueles que já jogaram estes títulos e queriam um justificativa para rejogá-los, não há nada substancialmente novo que agregue valor, a não ser, claro, poder jogá-los em plataformas atuais. Portanto, talvez sejam mais atraentes em uma promoção.
Prós:
- Não é todo dia que salvamos o mundo na pele de meninas porquinhas;
- Jogabilidades refinadas mesmo em sistemas de batalha diferentes;
- Acessibilidade a jogos relevantes do estilo shmup.
Contras:
- Apesar de uma interface dedicada para a coletânea, os jogos não possuem extras relevantes, como artes conceituais ou um player para ouvir as trilhas dos jogos.
Nota
8
