Desenvolvedora: Obsidian Entertainment, Aspyr
Publicadora: Aspyr
Data de lançamento: 8 de Junho, 2022
Preço: $14.99
Formato: Digital
Análise feita no Nintendo Switch com cópia fornecida gentilmente pela Aspyr.
STAR WARS: Knights of the Old Republic II: The Sith Lords, ou ‘KOTOR 2’ como irei frequentemente resumir aqui, está de volta, porém não exatamente do jeito que queríamos. Lançado no já distante ano de 2004, o clássico RPG da Obsidian Entertainment, narra os acontecimentos de uma era anterior à trama do filme A Ameaça Fantasma. O título se passa cinco anos após o final dos eventos do primeiro jogo e foi muito elogiado na época, seja por sua trama, controles e efeitos sonoros; e que inclusive temos uma análise dele aqui.
Esse port da Aspyr, no entanto, parece que foi concebido no intuito de preparar o terreno para o remake de STAR WARS: Knights of the Old Republic, anunciado no ano passado e que ainda está em processo de desenvolvimento. Infelizmente, os donos do Nintendo Switch terão que se conformar com essa versão requentada de KOTOR 1 e 2, sem muitas novidades e (pasmem) com alguns problemas de performance este que estarei analisando. Mas, vamos deixar isso para um outro momento.
O último Jedi
A história de Knights of the Old Republic tem início após a violenta Guerra Civil Mandaloriana que destruiu a Ordem Jedi e deixou a República à beira do colapso. Um Sith chamado Amid ficou com a missão de caçar e destruir todos os Jedis que conseguiram escapar com vida. Nosso personagem é o último Jedi conhecido, que consegue fugir de uma emboscada a bordo de um cargueiro de classe dinâmica, chamado Ebon Hawk.
Seguindo a premissa básica de um RPG, não existe um personagem fixo que devemos encarnar. Nós, na verdade, temos que criá-lo. Mas, não espere ferramentas de customização numerosas como nos modernos jogos do gênero. O que temos à nossa disposição são modelos aleatórios e pré-definidos de personagens, distribuídos em três classes (Guardian, Consular e Sentinel), com traços físicos distintos e com atributos que podemos customizar de forma limitada (força, destreza, inteligência etc). Os nomes também seguem essa falsa premissa de escolha. No meu caso, a personagem que “criei” se chama Jaina Gofai.
Escolha o seu lado da Força

O principal ponto de destaque de Knights of the Old Republic 2 – como todo bom RPG – é podermos escolher o caminho que queremos trilhar. Dentro do universo de Star Wars isso quer dizer que nossas ações podem nos inclinar seja para o bem ou para o lado Sombrio da Força. Nossa personagem sempre irá se deparar com inúmeros dilemas morais, através de longos e numerosos diálogos ao longo de toda a aventura, que podem ou nos aproximar da ética de um Jedi ou da corrupção de um Sith.
Iniciamos o jogo controlando o droid T3-M4 que precisa tanto reparar os danos da Ebon Hawk quanto ajudar Jaina, que se encontra na sala médica em condições críticas. Esse prólogo funciona como um tutorial, demonstrando algumas das mecânicas presentes no título, assim como batalhas, hack, craft, itens e equipamentos. A progressão acontece de forma bastante cadenciada. A Força, no início, já não está mais conosco, não temos um Sabre de Luz, nem nenhum equipamento útil. Mas, todos os elementos que fazem do jogo um derivado Star Wars darão as caras durante nossa missão.

Ao passarmos a controlar Jaina, a gente descobre que ela não se lembra exatamente do que aconteceu. Esses “lapsos” na memória são preenchidos com as escolhas que fazemos em certos diálogos, seja com os diversos NPCs que interagimos ou com nossos parceiros de jornada, como a misteriosa Kreia, Bad-Dur e Atton. É um elemento interessante que ajuda na construção de nossa personagem, na medida em que cabe a nós decidirmos como preencher essas lacunas do passado da heroína.
A narrativa e nossas decisões, nesse sentido, possuem um peso gigante no jogo. Porém, assim como o título original, KOTOR 2 veio sem localização para o nosso idioma. Para quem não domina o inglês, acompanhar todas as conversas e informações que o jogo te passa, será um grande problema. E isso é um dos elementos que acabam tornando esse port muito mais atraente aos fãs da franquia STAR WARS ou do título do início dos anos 2000.
Sistema de batalha

KOTOR 2 nos traz uma gama bem extensa de armaduras e armas úteis que podem ser equipadas e que melhoram nossos atributos de defesa e ataque. Nossa party é sempre composta por três integrantes. No entanto, apesar de conseguirmos alternar entre os três integrantes a qualquer momento com o apertar de um botão, só podemos controlar um personagem por vez. Os demais nos seguem e nos auxiliam nas batalhas de forma automática (controlados pela IA do jogo).
As batalhas seguem uma premissa parecida com a que temos em Xenoblade Chronicles, porém sem a loucura visual do título da Monolith Soft. Dessa forma, definimos a arma e a ação do personagem, mas a execução é automática. Nossa função é muito mais estratégica e defensiva. No entanto, os golpes e habilidade aplicados não são precisos e os danos causados nos inimigos (assim como os deles em nossa party) seguem certa aleatoriedade. Em partes mais avançadas da trama, quando enfrentamos adversários um pouco mais fortes, dois golpes podem ser fatais.
Ao final das batalhas ganhamos pontos de experiência e podemos saquear dos bolsos dos inimigos caídos itens e equipamentos diversos, como materiais que nos permitem criar novas armas e armaduras. Subir de nível nos garante pontos que podem ser distribuídos de forma livre para melhorar nossos atributos, além de desbloquear novas habilidades. Algumas dessas habilidades são universais, porém outras estão associadas ao caminho que seguimos: da Força ou do Lado Sombrio da Força. Particularmente, durante toda minha campanha eu distribuí os atributos de forma aleatória.
Do visual a performance

O visual de KOTOR 2 é bonito para um jogo do início dos anos 2000. Temos que ter em mente que o trabalho da equipe de desenvolvimento focou em dar um pequeno “tapa” nos gráficos, aumentando a resolução e a proporção de tela para 16:9. Mas, para todos os efeitos, é um jogo de quase vinte anos de idade. Então, o visual segue datado e replicando uma película de cores pouco vibrantes e sem muitos elementos no cenário, que abusa do desfoque, por sinal. As cutscenes, por outro lado, são exatamente as mesmas do jogo original. E isso não é um elogio! A imagem acima está aí para provar.
Um outro problema são as quedas das taxas de quadro. O jogo se mantém estável na maior parte do tempo, mas durante as batalhas – principalmente nas que temos que enfrentar mais de dois inimigos – o jogo dá umas boas engasgadas. E isso é indesculpável! Salvo tudo isso, KOTOR 2 possui também alguns bugs que ou encerram o título de forma abrupta ou nos impede de prosseguir na história. A impressão que se tem é que faltou um pouco mais de cuidado com um título tão querido pela comunidade. Mas, uma coisa tem que ser elogiada: as músicas e o design de som são incríveis!
Mais do mesmo
STAR WARS: Knights of the Old Republic II: The Sith Lords é a prova de que sim, é possível fazer um jogo bom de STAR WARS. Porém, a ideia de relançar o jogo quase vinte anos depois, sem muitas novidades, replicando o original, simplesmente para gerar hype no remake de KOTOR original que está em produção, não foi das melhores. Pelo menos no que tange a sua execução: é mais do mesmo!
Ainda sim, STAR WARS: Knights of the Old Republic II: The Sith Lords diverte, dá pra jogar em qualquer lugar, a história é envolvente, aquece os corações dos fãs de STAR WARS e é – para todos os efeitos – a única experiência com o título que a comunidade Nintendista terá.
Prós
- Jogar um clássico
- Músicas e efeitos sonoros
- Escolha o seu destino
Contras
- Visual datado
- Problemas de performance
- Sem localização PT-BR
Nota:
7
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