[Review] Atelier Ryza: Ever Darkness & the Secret Hideout

[Review] Atelier Ryza: Ever Darkness & the Secret Hideout

11/08/2020 0 Por CellyDiva

Desenvolvedora: Gust
Publicadora: Koei Tecmo
Gênero: RPG
Data de lançamento: 29 de Outubro, 2019
Preço: US$ 59,99
Formato: Físico, Digital


Atelier Ryza: Ever Darkness & the Secret Hideout é o mais recente título da franquia clássica de RPG da Gust e também o maior sucesso comercial na história da desenvolvedora. Claro que como grande fã de RPG japonês não poderia deixar passar uma experiência como esta, ainda mais quando estava em promoção na eShop do Nintendo Switch. Apesar de não ser meu primeiro jogo de Atelier, foi só após jogar Atelier Ryza que me despertou um imenso interesse na franquia, e não poderia deixar de compartilhar minha experiência com este jogo no qual posso dizer que curti bastante.

Se você não conhece os jogos de Atelier, que já conta com mais de 20 títulos mainlime lançados, este é uma franquia com estética mais voltada para o público feminino, embora nada impeça que homens também possam desfruta-lá. Em sua essência, jogos de Atelier apresentam protagonistas femininas cujo acabam de alguma maneira envolvendo alquimia em suas vidas. Normalmente, os jogos da série são RPG’s com historias não tão complexas, com batalhas em turnos e um foco maior em Crafting – ou sistema Synthesis como é conhecido. Em Atelier Ryza não é diferente, mas houve algumas mudanças em relação aos jogos anteriores que irei citar nesta análise. Então vamos lá!

Junte-se a Ryza e seus amigos em uma inesquecível “aventura de verão”

A história de Atelier Ryza se passa em um vilarejo pacato e foca na travessa Ryza e seus amigos Tao e Lent. Cansada da vida tranquila, Ryza e seus amigos exploram lugares desconhecidos em busca de aventura, onde cada dia para Ryza é algo diferente que ela pode descobrir. No entanto, uma de suas explorações a levou a conhecer personagens que passaram a compor o elenco da trama principal e o gatilho para que Ryza possa se interessar logo cedo por alquimia, bem como seus amigos também prosseguirem com seus sonhos.

No jogo conhecemos o alquimista Empel e sua parceira de Lila, ambos são introduzidos após salvarem Ryza e seus amigos de um ataque de animais selvagens. Ryza passa a se interessar por alquimia a partir daí, pois fica deslumbrada com o que pode se criar a partir de materiais aleatórios que encontramos por ai. Embora Empel não possa ser tutor de Ryza, ele ensina alguns troques e dicas de como a protagonista pode dar o primeiro passo para se tornar uma grande alquimista. Não apenas para Ryza, mas esses dois até então desconhecidos, ajudam também os amigos de Ryza em seus objetivos. Lent quer se tornar forte e provar seu valor aos moradores da vila e Tao quer decifrar um livro antigo por pura sede de conhecimento. Ambos se tornam pupilos de Lila e Empel, respectivamente.

Eu citei Ryza, Lent e Tao como o elenco principal do jogo até o momento, mas também tamos um quarto personagem importante para a trama, Klaudia. A linda e tímida adolescente de cabelos loiros e longos foi encontrada na floresta sendo perseguida por um monstro. Ryza e seus amigos decidem por ajudá-la e, logo depois, descobrimos que ela é filha de um rico comerciante, que recém chegou à vila para negócios envolvendo a Kurken Fruit, uma tradicional fruta que só pode ser obtida na ilha em que Ryza vive. Klaudia é extremamente gentil e cria laços com Ryza e seus amigos rapidamente – principalmente com Ryza, no qual acabam tendo um vínculo maior. Embora de início Klaudia sirva apenas como um NPC core da história, eventualmente acabará entrando na sua party.

Sistema de Synthesis, mudança na batalha e outras mecânicas

Já introduzi de forma breve cada personagem, mas e o plot de Atelier Ryza? Bem, a desenrolar da trama vem de forma bastante lenta, pois assim como seus antecessores aqui estamos falando de um RPG com uma pegada slice of life – uma combinação unica da série que serve para que você se apegue logo de início aos personagens do jogo enquanto vive uma experiência relaxante e… “moe”! Mas isso não significa que ele não avançará para algo interessante, pois como a narrativa é centrada em Ryza e seus amigos, você verá o amadurecer de cada um deles ao longo do jogo. Particularmente, o ritmo de Atelier Ryza foi bastante conveniente para mim, onde eu pude não ter tanta pressa para avançar com a campanha e me focar mais no sistema de Synthesis do jogo, que para mim é o ponto mais alto dos jogos de Atelier.

O sistema de Synthesis em Atelier Ryza é como um sistema de Crafting que costumamos ver em jogos de RPG, porém mais rico e viciante, em minha opinião. Literalmente todo o jogo depende de você craftar um item para progredir na história, então é meio inevitável você fugir desta etapa. Além do mais, é no sistema de Synthesis que você irá criar também itens necessários para o combate como porções de recuperação de HP, por exemplo. Se você gosta de um bom sistema de Crafting Atelier te oferece uma interface no qual você pode ver até onde você pode expandir a criação de um item a partir de um que está criando. Criar todos os itens do jogo pode-se considerar uma verdadeira “Platina”.

Agora que falei da Synthesis, não posso deixar de fora o sistema de batalha, o maior elemento que compõe um RPG. No sistema de batalha em Atelier Ryza temos algo como o estilo ATB de jogos modernos de Final Fantasy. Enquanto os jogos anteriores utilizavam majoritariamente o estilo de batalha por turnos, em Ryza você deverá prestar a atenção nos ícones dos personagens da sua party e nos inimigos no canto inferior esquedo, quando o ícone de um personagem passar pelo circulo você poderá realizar uma ação que pode ser desde ataques comuns e utilização de itens, a ataques especiais que consomem uma parte dos seus APs.

Embora você possa alternar entre cada personagem na party durante a batalha, é possível focar apenas em um personagem enquanto a CPU cuida do restante. Confesso que por não estar familiarizada com esse tipo de sistema de batalha, demorei bastante para pegar o jeito da coisa. Se o sistema de batalha é divertido? Posso dizer que é no mínimo interessante, mas que prefiria que mantivessem o sistema tradicional.

Entre outras mecânicas que Atelier Ryza apresenta, temos o Photo Mode, uma divertida e ampla feature que você pode arrumar os personagem em paisagens pelo jogo (que é belíssimo por sinal) e compartilhar com seus amigos pelas redes sociais. Recomendo inclusive que se for bater uma boa foto (print) jogue no modo TV, se possível, pois a resolução menor no modo portátil pode estragar algumas fotos até mesmo quando está compartilhando no Twitter onde a qualidade cai ainda mais se for compartilhado direto do sistema do Nintendo Switch.

O fanservice foi um fator determinante para o sucesso de Atelier Ryza?

Jogos de Atelier não costumam apelar para o uso abusivo de fanservice, embora eu tenha lido sobre praticas que acabaram por serem um fracasso dentro do âmbito de Atelier. No entanto, é questionável o fato da personagem Ryza ser um bom material ambulante de fanservice para vários públicos, principalmente o popular fetiche japonês por coxas e meias apertadas. Mesmo que haja um resquício de fanservice no jogo, Atelier Ryza é em sua essência um tradicional e fofo jogo de Atelier, que não atrairá um público mais pervetido em toda sua campanha. Mas a Gust não é burra, mesmo que ela não possa enfiar um fanservice massivo no jogo para não afastar sua base fiel de fãs, ela dribla isso vendendo a parte posters com ilustração sexys e roupas de praia para os personagens via DLC paga. Posso dizer que o jogo em si não é uma propaganda direta para esse tipo de conteúdo, mesmo Ryza é perfeitamente preservada nele. Porém, o fato do designer de personagens do jogo estar acostumado a desenhar algo mais peculiar, Ryza infelizmente não fugiu de ser um material de marketing de forma indireta para esse público em específico.

Então não, Atelier Ryza não foi um sucesso pela personagem ser atrativa para um público que gosta desse tipo de conteúdo, ele genuinamente é um bom RPG ao que se propõe e espero que Atelier Ryza 2 siga pelo mesmo caminho. Compreendo a necessidade de venderem esse tipo de conteúdo para um nicho adicional, mas referênciar Atelier ao fanservice é como arrancar todo o valor que a franquia costruiu nessas ultimas décadas.

Conclusão

Atalier Ryza: Ever Darkness & the Secret Hideout continua sendo um RPG nichado dentro do próprio gênero mas que evoluiu alguns aspetos bons o suficiente para que seguramente possa ser um bom Atelier para novos marinheiros. Dentro do que se propõe o jogo revitaliza a franquia de modo positivo embora em partes pode ser prejudicial à longo prazo devido preocupações envolvendo fanservice.

Eu tenho apenas uma crítica a este jogo. O sistema de batalha ATB que demanda atenção e tira o que é ser uma parte do que é ser um RPG mais relaxante para jogar. Muita coisa na tela para gerenciar, no qual ainda fica mais difícil de se lidar com muitos inimigos na tela. Talvez seja apenas por eu não estar adepta a esse estilo, mas por estar acotumada com batalhas em turnos nessa série acho plausível e compreensível que nem todo mundo tenha gostado ou se adaptado de primeira.

De resto, Atelier Ryza é um bom RPG, com personagens marcantes e uma trilha sonora relaxante, juntando isso a uma história lenta porém divertida de se acompanhar. Se quer Atelier Ryza como seu primeiro Atelier acho que ele é mais que apto para apresentá-lo a franquia, isso não considerando as diferenças entre o sistema de batalha entre este e antecessores. Agora se você é um fã hardcore de JRPGs, Atelier Ryza não oferece uma dificuldade satisfatoriamente elevada e nem builds complexas para preparar seus personagens, talvez você possa ae decepcionar se por exemplo acabou de sair de uma aventura épica em Final Fantasy VII Remake ou Xenoblade Chronicles Definitive Edition.

Agora se você já é um fã de longa data, Atelier Ryza é a evolução essencial da franquia após a trilogia Mysterious, ele não só ofecere um retoque visual como também traz adições, mesmo que algumas experimentais, para enriquece-lo com uma experiência variada de Atelier.

Avaliação: 8 / 10

1 – Melhor vomitar do que jogar isso
3 – Vai fazer outra coisa.
5 – Só jogue se você for MUITO fã mesmo…
6 – Jogo legal pra se divertir e se distrair.
7 – Jogo divertido, mas não é nenhuma obra de arte.
8 – Jogo bom, vale bem seu tempo e dinheiro!
9 – Jogo excelente que vai deixar uma marca em você!
10 – Jogo obrigatório!