Review | Tony Hawk’s Pro Skater 1 + 2

Review | Tony Hawk’s Pro Skater 1 + 2

06/07/2021 0 Por Molan

Desenvolvedora: Activsion
Publicadora: Vicarious Visions
Data de lançamento: 25 de Junho, 2021
Preço: R$199,00
Formato: Digital/Físico

Análise feita no Nintendo Switch com chave fornecida gentilmente pela Activsion.

Não é todo dia que um dos jogos mais aclamados de todos os tempos é refeito para os videogames modernos. Tony Hawk’s Pro Skater 1 + 2 é um remake de dois grandes clássicos dos anos 1990, sendo o segundo um dos jogos mais bem avaliados do Metacritic. O sucesso da série lançou tendência mundial; muitos jogos de skate foram publicados durante os anos 2000, inclusive a própria franquia cedeu à tentação de seguir pelo mais do mesmo após o auge do gênero. 

Convenhamos que pouquíssimos jogos chegaram perto do nível dos lendários primeiros títulos do Tony Hawk. O carisma e a originalidade deles são únicos, então nada mais justo que voltar às origens e literalmente recriar o que já era bom, dando um tempero de modernidade para os consoles atuais. Vale a pena mencionar que a versão de Nintendo Switch pode ser jogada em qualquer lugar, tornando-se o jogo de skate portátil definitivo, embora muita coisa tenha sido sacrificada em razão disso.

Porém, já posso adiantar que Tony Hawk’s Pro Skater 1 + 2 cumpre o que promete por entregar exatamente o que deveria: um gameplay divertido e moderno.

Tão natural quanto a luz do dia

Sem rodeios e direto ao ponto, os remakes são exatamente o que os clássicos eram: um compilado de pistas e celebridades mundiais das diversas cenas do esporte. Diferente dos mais recentes jogos de skate, os primeiros títulos da série Tony Hawk não contavam com nenhum tipo de história ou narrativa, o único objetivo do jogador era apertar o botão start e literalmente desafiar as leis da física ao som de muito Rock.

Mas nem tudo é como antigamente; o layout dos controles foram atualizados para equilibrar a jogabilidade aos tempos modernos. Porém isso não significa que os veteranos não possam jogar da forma old school, já que é possível alterar para a forma clássica de jogar a qualquer momento. 

Falando em estilo clássico, o level design original envelheceu tão bem que quase não foi necessário alterar nenhum dos elementos das pistas. A maioria das rampas e corrimãos permaneceram em seus exatos lugares, a principal e mais notável mudança foram obviamente os visuais, que agora estão adequados para os videogames da atual geração.

O leque de pistas é realmente grande, e a curva de dificuldade é bem gentil com o jogador. O primeiro estágio, por exemplo, é mais fechado e serve basicamente como um tutorial direto ao ponto de como as coisas funcionam. É necessário cumprir um número específico de missões e desafios para desbloquear a próxima fase e esse ritmo se mantém de forma natural até a última pista ser liberada.

Tony Hawk Pro Skater é uma experiência imersiva que conta com uma quantidade insana de manobras, possibilitando muitos combos que multiplicam a pontuação — e a diversão — do jogador. A melhor parte de tudo isso é que nem precisa ser um mestre da destreza para entrar na brincadeira, já que o game oferece diversas opções de acessibilidade e assistências, criando uma experiência arcade viciante para todos os públicos. 

Edição completa

O remake combina e refina os dois melhores jogos de Skate da geração 32/64 bits. Recriaram com dedicação todas as pistas clássicas, adicionando algumas atualizações pontuais que dão um ar mais coerente para alguns estágios; como o shopping, por exemplo, que agora está abandonado e em ruínas. Os objetivos antigos estão de volta: coletar as letras para formar a palavra SKATE, encontrar as fitas escondidas, e todos os desafios já conhecidos.

Outra novidade é que agora existem desafios extras para serem desbloqueados fora das fases, como realizar por diversas vezes uma manobra rara, por exemplo. Quando concluídos, o jogador recebe recompensas como uma skin extra ou diferentes artes para ostentar no skate. Além disso, agora há um sistema de nivelamento, característica que aumenta a motivação de quem joga junto o fator replay como um todo.

Como de costume nos jogos modernos, há um modo multiplayer online, que pode ser aproveitado com amigos ou pessoas aleatórias do mundo inteiro. Aliás, o multijogador online é uma excelente adição, funcionando como uma praça virtual onde é possível ver outros jogadores e competir amistosamente com qualquer um. Basicamente ganha quem pontua mais antes que o tempo acabe e, diferente dos estágios arcade offline, aqui não é possível usar opções de assistência, por razões óbvias.

Há uma tonelada de customizações e personagens desbloqueáveis. Além disso, é possível melhorar os seus skatistas preferidos após ganhar pontos de habilidade, que podem ser investidos em mais velocidade, pulos mais altos ou equilíbrio melhorado; facilitando a execução das manobras ao gosto de quem joga.

Vou te levar, yeah

A trilha sonora traz de volta o espírito dos anos 1990 com muito Hardcore Rock e algumas excelentes adições, como “Confisco” da banda Charlie Brown Jr. — que apesar de não ser a minha preferida do grupo, casa muito bem com o Punk Californiano presente no game. A trilha sonora não é o único ponto alto além do gameplay, a direção de arte conseguiu recriar muito bem o espírito presente nos jogos consagrados de PS1 e Nintendo 64 para a modernidade.

Por outro lado, a versão de Switch sofre com alguns sacrifícios em prol da portabilidade do console. A mais notável é a fluidez, que está travada em trinta quadros por segundo. Junto a isso, a resolução e a iluminação deixam a desejar. Principalmente a resolução, que apresenta bastante serrilhamento nos cenários e pode se tornar um incômodo em estágios maiores, quando é necessário visualizar objetos a longa distância. 

Eventualmente o desempenho tropeça e acontecem quedas de quadros por segundo em pistas maiores e mais elaboradas, como New York à noite, que possui diversos prédios e veículos em movimento. Todavia essas falhas são perdoáveis quando o game é aproveitado em modo portátil, já que ele consegue manter a mesma experiência de um jogo moderno em qualquer lugar; e que experiência, diga-se de passagem!

Só os loucos sabem

Poucos jogos do Switch conseguem oferecer uma experiência portátil intensa e ao mesmo tempo satisfatória como Tony Hawk Pro Skater 1 + 2. O título é definitivamente um dos jogos de skate feitos para se jogar em qualquer lugar do mundo, seja na TV da sua casa ou em uma praça de alimentação do shopping. Apesar dos sacrifícios necessários para o port existir no console híbrido serem bem notáveis, de forma alguma eles sacrificam a alma do game — que se manteve jovem e radical desde os anos 1990 até os dias de hoje.

Prós

  • Experiência portátil fantástica;
  • Jogabilidade arcade refinada;
  • Diversas opções de assistência que democratizam o desafio para todos os gostos;
  • Trilha sonora implacável.

Contras

  • Jogabilidade limitada a 30 quadros por segundo;
  • Visualmente desagradável;
  • Eventuais quedas de quadros por segundo em estágios maiores.

Nota Final:

9,5