Review | WarioWare: Get it Together!

Review | WarioWare: Get it Together!

27/09/2021 1 Por Pablo Camargo

Desenvolvedora: Intelligent Systems
Publicadora: Nintendo
Data de lançamento: 10 de Setembro, 2021
Preço: R$ 249,00
Formato: Digital/Físico

Análise feita no Nintendo Switch.


Não é segredo que a Nintendo é uma das empresas com o maior número de IP’s do mercado de jogos, não apenas temos os grandes nomes como Mario, The Legend of Zelda, Pokémon, mas também representações menores porém de qualidade inquestionável como Pikmin, Metroid, Xenoblade Chronicles, e Fire Emblem — como também temos IP’s que são vertentes de outras maiores, caso comum principalmente com Mario.

A amada série do bigodudo apesar de tecnicamente já ser indiretamente uma vertente de Donkey Kong, gerou mais dois nomes muito importantes para a empresa que ganhariam suas próprias franquias de jogos: Yoshi e Wario. Yoshi que na maioria de seus jogos seguiu o gênero de plataforma, o mesmo da franquia que o criou, e até hoje ganha jogos novos nesse estilo, sendo o mais recente, o Yoshi’s Crafted World. Já Wario, acabou tendo uma jornada diferente.

Após sua estreia em Super Mario Land 2: 6 Golden Coins, como um antagonista do encanador, o irmão torto do Mario estrelou em Wario Land: Super Mario Land 3 (note a similaridade de tratamento de nome com o primeiro Yoshi’s Island: Super Mario World 2), que eventualmente passou a andar com suas próprias pernas com 4 jogos até o GameBoy Advance assumindo de vez o nome Wario no título. Mas após Wario Land 4 a franquia tomaria outro rumo com a chegada do novo jogo do bigodudo ganancioso.

Em 2003 tivemos no Game Boy Advance o primeiro jogo da franquia WarioWare desenvolvida pelo Intelligent Systems — sim, o estúdio por trás de Fire Emblem) — que protagonizava Wario e um novo elenco de personagens bem carismáticos, como 9-Volt, Orbulon e Jimmy T. Essa séria escapa total do gênero de plataformas, se tornando uma coletânea de “microjogos”. Basicamente, estes microjogos são derivados de minigames que devem ser concluídos em segundos, onde o jogador precisa ter rápido raciocínio e reflexos para vencê-los, e quanto mais microjogos vencem, mais rápido o ritmo dos desafios vai ficando, tudo misturado com a bizarrice de Wario e seu elenco de personagens, causando um choque de estilos artísticos, e temáticas totalmente aleatórias para os microjogos, o que de certa forma traz uma individualidade boa para a franquia.

A franquia se tornou popular por sua criatividade, personagens carismáticos, boa trilha sonora e desafios viciantes, ganhando novos títulos em praticamente todos os consoles seguintes da Nintendo (com apenas o Wii U tendo um spin-off ao invés de um jogo principal), o que nos leva finalmente ao novo jogo do personagem, WarioWare: Get it Together! No Nintendo Switch.

Dessa vez com vários estilos de Gameplay


WarioWare: Get It Together! começa com Wario finalmente terminando seu novo jogo, na esperança que esse lhe traga muito dinheiro, e ao mostrar para seus companheiros o resultado final, o console acaba tendo alguns glitches e absorve todos para dentro de si, onde o elenco terá que se unir para derrotar os temíveis bugs dentro de suas coletâneas de microjogos. O visual do jogo é muito bom, tanto nas suas interfaces de menus quanto nos modelos dos personagens que se assimilam ao Game & Wario do Wii U nas cutscenes, adotando um estilo bem cartunizado com fortes contornos pretos, enquanto in-game utilizando-se modelos 3D como se fossem bonequinhos.

E o grande diferencial desta entrada é que aqui controlamos os personagens da franquia, ao invés de só realizar o microjogo como “o jogador”, estamos no controle de um dos rostos da franquia para que eles realizem o objetivo pedido. E o gameplay não poderia ser mais simples, apenas temos que nos movimentar com o analógico e realizar uma ação com “A”, até um joystick de Atari seria suficiente. Entretanto, cada um dos mais de 15 personagens apresenta uma mecânica diferente na jogatina, alguns como o Wario podem se mover livremente pela tela e golpear com o comando, outros se movem automaticamente em alguma direção e através da ação fazem algum ataque, enquanto alguns nem se mover podem, dependendo de argolas para locomoção pelos estágios.

Com base nisso pode-se facilmente imaginar que alguns personagens se dão melhores em alguns microjogos que outros, e como o jogo funciona de uma maneira que temos que levar pelo menos 3 personagens para os estágios, que são trocados aleatoriamente a cada microjogo, inevitavelmente isso vai causar momentos em que você tem que se virar em um desafio péssimo para seu personagem, perdendo um ponto que seria fácil com algum outro. Contudo, isso está longe de ser um empecilho, já que WarioWare é sobre raciocínio e reflexos rápidos, a ideia de personagens com gameplays diferentes acaba adicionando mais uma variável muito interessante para este conceito, já que estamos sempre adaptando nosso jeito de jogar, ainda mais se escolhermos jogar em sessões com mais personagens ainda.

Mais de 200 microjogos


E como vamos colocar esse gameplay a prova? Primeiro temos que passar pelo modo história do jogo, que pode ser jogado em 1 ou 2 jogadores, e mais tarde trarei detalhes de como o jogo muda quando jogado com mais alguém. Aqui temos que ir recrutando membros do elenco de WarioWare enquanto vencemos suas sessões de microjogos que estão infestadas de bugs, os estágios consistem em uma sequência de microjogos que possuem objetivos simples que precisam ser resolvidos rapidamente, que vão ficando cada vez mais rápidos com o passar do tempo, adicionando a dificuldade, e com uma “batalha de chefe” no final, que costuma só ser um microjogo mais longo com um desafio extra. E dificuldade não é nenhum problema com o modo história, pois se perdermos as 4 vidas no caminho, basta gastar uma pequena quantidade de moeda do jogo para poder continuar do mesmo minigame que perdemos, o jogo é bem convidativo a ser zerado rapidamente com facilidade.

Cada estágio possui um diálogo e uma cena animada antes de começar, que sempre são recheadas de um divertido humor, possuem como tema algum aspecto do personagem dono dele, como Crygor que foca em coisas tecnológicas, Ashley em microjogos de comida, e entre os mais populares, os microjogos de 9-Volt que envolve outros jogos de IP’s da Nintendo como Splatoon, The Legend of Zelda e Animal Crossing. Além de também ter alguns remixes pelo caminho que mesclam vários temas e fases especiais perto do final com variações do modo de jogar, como já começar acelerado e ter só 1 vida.

Os microjogos são todos muito bem criativos, cada um propõe um desafio único e são sempre acompanhados de bom humor, ainda mais por não seguirem uma consistência de desafios, nem de estilo artístico, podemos ter artes muito bem detalhadas seguidas de garranchos que parecem feitos em 10 segundos pelo filho de algum desenvolvedor, algo que adiciona muito bem ao humor bizarro de um jogo de um personagem tão bizarro quanto Wario. Apesar de que devo citar, apesar de termos uma ótima variedade nos mais de 200 microjogos disponíveis, com o tempo você começa a notar que alguns tem desafios similares, talvez até repetidos como girar algum item, mas essas “repetições” acabam sendo muito bem maquiadas devido aos diferentes  estilos de jogatina que temos com cada personagem.

A campanha é uma experiência bem curta, em apenas 2 horas já é possível termina-la com tranquilidade, mas saiba que isso também é longe de ser um problema, pois a graça do jogo começa após terminar sua bem humorada campanha, depois de jogar cada nível, podemos rejogá-los, dessa vez sem um fim, termina até perdermos todas nossas vidas, e dessa vez sem opção de continuar após a derrota, e rejogar os níveis é extremamente viciante, pois tudo é muito frenético e você sente a adrenalina correndo em você enquanto tenta alcançar resultados cada vez maiores nos níveis.

E se jogada com um segundo jogador, os níveis se tornam ainda mais desafiantes, pois ao mesmo tempo em que o Multiplayer pode facilitar um microjogo, ele também pode dificultar outros, já que os jogadores podem se esbarrar, acabar por não se comunicarem bem e errar objetivos que envolvem eliminar um número X de objetos, entre várias outras coisas. Por cobrar raciocínio rápido e em sincronia de mais de uma pessoa, pode gerar diversos momentos frustrantes entre os colegas que vão acabar rindo e brigando bastante durante a experiência.

Uma ótima experiência Multiplayer


O modo história não é o único modo do jogo, e talvez nem o melhor. Após terminar os níveis do jogo pela primeira vez, liberamos o “Variety Pack”, focado bastante na experiência Multiplayer, aqui temos uma boa quantidade de modos que costumam fazer os jogadores competirem entre si, realizando microjogos com algum objetivo a mais, seja uma competição de tempo, de quem termina os microjogos primeiro, uma espécie de “Batata Quente”, onde os jogadores devem revezar desafios, os completando o mais rápido possível para evitar que um balão estoure na sua vez, e um modo onde a pessoa que está realizando o microjogo o vê numa tela menor que pode ser sacudida, virada e esmagada pelos outros jogadores com os comandos de personagens. Caos é a palavra que define o “Variety Pack” de WarioWare: Get it Together!, e não poderia ser melhor que isso.

Também temos aqui alguns modos que fogem da realização de microjogos, como uma partida de vôlei entre os personagens, desafios de manter uma bola sem cair no chão pelo maior tempo possível, um modo batalha, onde digladiamos com os outros jogadores usando os personagens do jogo e mais. Para o jogador sem colegas, é possível realizar apenas uma pequena quantidade de modos que costumam envolver realizar certo desafio pelo maior tempo possível, até eventualmente perder nele, como o modo batalha mas contra CPU’s, e um modo meio “plataformer” que temos que seguir até o fim de cada fase sem ser atingido.

Presenteie os personagens


O elenco de WarioWare é muito bom, os personagens possuem designs muito criativos e carismáticos, e o jogo aproveita disso com um outro modo, a “Break Room”, uma espécie de Tamagochi com os personagens do jogo, onde podemos interagir com eles e customizar suas cores, basta dá-los presentes que podem ser adquiridos no “Emporium”, uma espécie de Gacha com presentes que vão de 1 à 5 estrelas (sem micro transações, claro) que pode ser usado com as moedas do Wario que conseguimos nas fases da história.

Cada personagem tem uma preferência de itens que vai influenciar no quanto vão upar com o presente, e a cada nível alcançado o jogador vai desbloqueando novas cores para customizá-los, desde cores básicas, até especiais como “zumbi” e “dourado”, além de 5 artes temáticas de cada um. É um simples modo para desbloquear acessórios e artworks, mas bem divertido para passar o tempo e até incentiva o replay das fases normais para conseguir mais moedas. Porém devo admitir que ter que upar mais de 15 personagens até o nível 30 pode ser uma tarefa bem cansativa, ainda mais se não tiver sorte para conseguir os itens preferidos de cada.

Poderia ter um Online mais pesado


E para finalizar, temos o último e talvez mais decepcionante modo do jogo, o “Wario Cup”, o modo Online do jogo, que consiste em desafios semanais, em que a cada semana o jogo fornece uma nova sequência de microjogos com alguma condição específica como usar X personagem, para os jogadores competirem entre si em quem tem os melhores tempos, além de ganhar moedas Wario e alguns presentes baseado na sua pontuação.

O modo em si não é ruim ao todo, apenas decepcionante que seja o único Online do jogo, tendo em vista que a outra grande franquia de Party Game da Nintendo, Mario Party, já adotou a jogatina Online completa, e certamente seria incrível WarioWare seguir o mesmo caminho, ainda mais na situação atual do mundo.

E para quem curte seguir objetivos, assim como alguns outros jogos da Nintendo, WarioWare: Get it Together! Tem uma lista de objetivos, basicamente “Conquistas” internas, que solicitam certos desafios para o jogador, envolvendo realizar ações específicas em outros modos, nos dando moedas Wario como recompensa.

WarioWare: Get it Together! é bizarro e viciante


Concluindo essa análise, WarioWare: Get it Together! é um ótimo retorno da frabquia e também uma ótima adição ao catálogo de First Parties do Nintendo Switch, acompanhado de uma boa OST, e visuais criativos e bizarros ao mesmo tempo. O jogo traz uma ótima e viciante experiência, principalmente se jogado com um amigo, embora sozinho pode acabar caindo na mesmice facilmente se não gostar muito do estilo de repetição dos microjogos no modo principal.

Prós:

  • Gameplay Viciante
  • Personagens com gamelays variadas
  • Criativo e bizarro
  • Vários modos para Multiplayer
  • Boa trilha sonora

Contras:

  • Experiência Single Player pode enjoar rápido
  • Falta de jogatina Online
  • Bastante grinding se quiser upar os personagens

Nota Final:

8,5