Desenvolvedora: Compile Heart, Idea Factory, Cocone
Publicadora: Eastasiasoft
Data de lançamento: 27 de abril, 2023
Preço: R$ 157,99
Formato: Físico/Digital
Análise feita no Nintendo Switch com cópia fornecida gentilmente pela Eastasiasoft.
Revisão: Marcos Vinícius
Originalmente lançado em 2012, Mugen Souls é um dos RPGs desenvolvidos pela Compile Heart para o PlayStation 3. Embora a sua sequência, Mugen Souls Z, esteja disponível no PC, o original havia ficado restrito à plataforma da Sony até hoje.
Pegando a todos de surpresa, a Eastasiasoft anunciou o relançamento de Mugen Souls para Switch, já que não houve nenhum anúncio desse título no Japão. A nova versão se vende como uma espécie de reparação histórica para os fãs de jogos de fanservice, já que o lançamento original havia cortado parte do conteúdo. Porém, será isso suficiente para justificar o jogo?
Dominando o universo com o “moe”

Mugen Souls conta a história de Chou-Chou, uma garota que se auto-declara o “Deus Irrefutável do Universo”. Fascinada pelos mundos ao seu redor, ela decide partir para a dominação mundial, transformando todos os indivíduos e até mesmo objetos e planetas em seus peões. Para se tornar a líder suprema incontestável, ela terá que encontrar o “herói” e o “rei demônio” de cada um dos sete mundos da galáxia.
Com essa premissa, o que temos é um contexto bem leve e engraçado abusando de piadas nonsense e estereótipos de histórias de fantasia japonesas. Mesmo com alguns detalhes interessantes ocasionalmente, o foco da história é na comédia, então não espere nada além disso e de uma boa dose de fanservice.
Especificamente, vale destacar que a forma como Chou-Chou conquista lacaios envolve explorar os fetiches dos personagens com um “fator moe”. A personagem pode se transformar em várias outras formas como “sadista”, “masoquista”, “bipolar” (claramente tsundere no japonês), entre outros.

Todos os personagens possuem algum tipo de inclinação que ela pode explorar para tentar conquistá-los e isso é válido até mesmo para objetos inanimados como cristais e postes. Isso é transformado em uma importante mecânica no gameplay em que o jogador deve fazer uma performance escolhendo três ações como “olhar”, “sorrir”, “agir como um bebê chorão”, etc. As melhores opções variam de acordo com o humor do inimigo, mas o mais importante é que Chou-Chou esteja na sua forma correta.
Imagino que para uma boa parcela dos jogadores possa ser incômodo o fato da personagem ter um corpo infantil e usá-lo dessa forma. Porém, apesar das implicações contextuais, o único momento em que o jogo de fato mostra o corpo dela explicitamente é durante um minigame opcional de banho que havia sido omitido na versão traduzida de PS3. Ele permite tocar na personagem e nas outras aliadas e não possui nenhum contexto razoável/interessante fora do apelo pervertido.
Os primórdios dos RPGs da Compile Heart

O sistema de combate de Mugen Souls segue o formato de turnos e é possível ver como ele traz alguns detalhes que seriam polidos futuramente em títulos de nível muito maior como Death end re;Quest. Primeiramente, o jogador deve movimentar os seus personagens (no máximo quatro) por uma pequena arena 3D na qual estão dispostos inimigos, aliados e cristais que podem ser usados durante a batalha.
Embora a área de alcance varie de acordo com a arma utilizada, a ideia geral é que após chegar próximo a um inimigo, será possível atacá-lo com golpes básicos ou habilidades físicas e mágicas especiais. No caso das Skills, vale destacar que o jogador pode escolher entre arremessar os inimigos pelo campo de batalha ou não. Essa mecânica é similar à da série Death end re;Quest, mas é necessário ter mais cautela aqui já que os aliados tomam dano ao serem atingidos pelos inimigos que ricocheteiam.

Para além disso, Chou-Chou em particular também pode usar a mecânica de apelo moe para converter inimigos e cristais. Usar esse sistema faz diferença, aumentando os bônus obtidos ao final da batalha e servindo como uma forma de obter itens a mais em vez de depender puramente do combate. Porém, o jogo inclui uma trava limitando o número de vezes que é possível se transformar durante as batalhas, o que força o jogador a já ter em mente a forma que deve ser ideal em cada área em vez de poder se adaptar à ocasião durante o combate.
Em particular, vale destacar que a conversão de criaturas em peões causa dano nas redondezas e que um cristal gigante no meio da arena pode ser usado para converter todos os inimigos da batalha e levar a uma vitória imediata. Também é importante ter em mente que a criação de peões dá a Chou-Chou a habilidade de usar uma Peon Ball para causar dano massivo a todos os oponentes, mas a energia acumulada pode levar à sua autodestruição em alguns turnos.

Ainda em termos do combate, também temos uma modalidade especial em que Chou-Chou usa sua espaçonave G-Castle para lutar contra outras naves. A ideia desse sistema envolve interpretar as ações dos inimigos para poder escolher a melhor reação como em um jogo de pedra-papel-tesoura (mas bem mais complexo). O ponto crucial aqui é que o jogador precisa coletar shampurus em batalha para melhorar sua nave e ter uma experiência menos complicada nesses momentos, valorizando o uso da tática de “Moe Kill” que rende mais lacaios.
Além de tudo isso, o jogador pode ajustar o equipamento e as skills de seus aliados, mudar sua aparência (o que também afeta os atributos), usar um sistema de banho para ganhar benefícios temporários (como mais ataque), criar aliados e passar suas técnicas e poderes para terceiros, etc. Há uma enorme gama de opções de customização, mas, mesmo com os tutoriais iniciais, a sensação geral é que muitos detalhes são mecânicas supérfluas adicionadas gratuitamente à proposta sem trazer benefícios reais à experiência.
Um jogo preso no tempo

Infelizmente, Mugen Souls é um jogo datado em seus vários aspectos. O primeiro ponto em que isso é visível é na aparência, já que a versão de Switch não traz melhorias notáveis em comparação com o original. Os personagens podem até ser considerados fofinhos, apesar de seus modelos serem de baixa qualidade e pouco detalhados, mas os ambientes são inegavelmente ruins.
O visual dos cenários de Mugen Souls é exatamente o que algumas pessoas falam em tom de piada como “gráficos de PS2”. São áreas sem vida com modelagem e texturas rudimentares. A primeira área é especialmente ruim pois os inimigos mesclam com o fundo e o jogo não aplica nenhuma técnica (como um contorno básico) para auxiliar nessa diferenciação. Com uma câmera muito próxima do ambiente que ajuda a enfatizar os problemas e detalhes relativamente pequenos para o modo portátil, o resultado é algo bem ruim de olhar.
Porém, os problemas do jogo não são apenas uma questão estética: as dungeons são muito genéricas e possuem um design desinteressante. A obra chega ao cúmulo de praticamente ignorar o que está visível no mapa e o que é apresentado na história para fazer uma progressão linear em que o jogador só precisa seguir até o próximo objetivo no mapa sem que isso tenha uma relação significativa com o ambiente. Nesse sentido, é como se tanto a história quanto os mapas fossem apenas um enfeite que o jogo não considera relevante.

O que é curioso é que o jogo até tenta explorar um sistema de marcos, dando dicas de locais opcionais para ir no mapa para conseguir dominar o continente e torná-lo seu peão. Bastava aproveitar isso melhor para a história principal em vez de usar o sistema apenas para forçar o jogador a explorar mais só para fazer o jogo render numa concepção errônea do que um RPG precisa ter.
Para piorar a situação, o jogo é um tanto lerdo, tendo frequentes quedas de fps na exploração. Também não há nenhum tipo de adição significativa para melhorar a qualidade de vida do jogo, embora seja possível habilitar todos os DLCs do lançamento original, que incluem equipamentos que facilitam drasticamente a aventura e itens cosméticos com impactos na performance das personagens.
Um relançamento fiel ao original

Mugen Souls é um relançamento que se mantém bem fiel ao original japonês. Infelizmente, o jogo é muito datado em mecânicas e estética e é difícil recomendá-lo frente a tantos títulos bons do gênero no Switch. Vale a compra apenas para quem já tinha curiosidade e curte muito RPGs descompromissados com contexto bem leve de humor.
Prós
- Curioso sistema de conversão de inimigos em shampurus usando o poder do moe;
- Mecanicamente rico em sistemas e subsistemas para o jogador explorar;
- Contexto leve e engraçado;
- DLCs do original já estão inclusos e podem ser ativados caso o jogador queira usá-los.
Contras:
- Mapas sem vida com eventos no meio do nada;
- Várias mecânicas são supérfluas e acrescentam pouco à experiência;
- O visual é datado e ainda pode dificultar enxergar inimigos no modo portátil;
- Problemas de performance;
- Ausência de adições de qualidade de vida.
Nota Final:
5,5
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