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Review | Tomodachi Life: Living the Dream

Manuela Feitosa 29/04/2026
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Revisora que passa a maior parte de seu tempo jogando, lendo ou tirando sonecas. Obcecada de uma maneira não saudável por UNDERTALE e qualquer RPG que seja de terror.
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Desenvolvedora: Nintendo
Publicadora: Nintendo
Gênero: Life Sim
Data de lançamento: 16 de abril, 2026
Preço: R$ 329,90
Formato: Físico/Digital
Plataformas: Nintendo Switch

Análise feita no Nintendo Switch com cópia fornecida gentilmente pela Nintendo.

Revisão: Juliana Paiva Zapparoli

Uma das melhores sensações que existem é a de ver as pessoas animadas e empolgadas por algo que você sabe que é bom. Seja por quem já era fã desde a época do Nintendo DS ou por quem descobriu sobre o jogo por meio do Nintendo Direct de setembro do ano passado, é seguro dizer que Tomodachi Life: Living the Dream é um dos lançamentos da Big N mais antecipados do ano, tornando-se a maior estreia da série no Japão até então.

A série Tomodachi começou com Tomodachi Collection em 2009, sendo um título exclusivo do Japão, e depois ganhou popularidade mundial com Tomodachi Life em 2014. A sua premissa, para quem não é familiar, é relativamente simples. Os jogos são uma espécie de life sim que giram em torno de personagens Mii (os avatares customizáveis da Nintendo), e é por meio deles que nos deparamos com situações imprevisíveis e cômicas. 

Agora, em 2026, com o tão aguardado título novo, temos não só uma grande expansão das opções de personalização e de gênero/relacionamento dos Mii, mas também inúmeras possibilidades de interações que mantêm o caos e humor e garantem uma experiência memorável e fora do comum.

Vivendo o sonho

O famoso Hugh Morris, que eu decidi adicionar na minha ilha e arruinou DUAS confissões de amor que aconteceram em um espaço de uma semana. Ele quebra corações, tem o coração quebrado e gosta de fingir que tá tudo bem com essa cara de inocente dele.

Atendendo à expectativa de fãs antigos da série, o jogo atual traz uma variedade muito maior na criação de personagens, seguindo a promessa da Nintendo de manter uma possível sequência mais inclusiva. No processo de criação de cada Mii, o jogador pode decidir se ele vai ser masculino, feminino ou não-binário e se ele terá interesse romântico por homens, mulheres ou pessoas não-binárias. Esses avatares podem ser baseados em amigos, família, celebridades, personagens, figuras políticas ou até partes de corpo. Eu já vi de tudo desde que o jogo foi lançado e essa é uma das melhores partes de toda a experiência — mais sobre isso depois.

A gameplay do jogo é relativamente simples e vai direto ao ponto: o jogador é encarregado de tomar conta de uma ilha, construindo uma comunidade usando o criador de Mii, estabelecendo relacionamentos e observando as interações sociais que se desenrolam entre os moradores. Diferentemente de outros life sims, Tomodachi Life nos concede um controle apenas parcial dos bonequinhos, o que dá abertura para que diversas situações inesperadas aconteçam e o jogador possa apenas observar o caos se desenrolar, se assim preferir. 

Eu PODERIA explicar… mas eu não vou.

Sem ter um início, meio e fim de maneira propriamente dita, o verdadeiro objetivo do jogo é de fazer a ilha subir de nível por meio de uma fonte chamada Wishing Fountain. É a partir dela que desbloqueamos uma série de itens para os Mii, como decorações pra ilha, peculiaridades de personalidade (como determinar que um personagem solta muito pum ou se assusta facilmente), cômodos diferentes e até passagens para viagens ao redor do mundo. 

Drama Total na ilha NBoy

Da esquerda pra direita, alguns dos moradores da minha ilha e também membros do site: eu, Vinícius, Kat, Ryuji, Marcos, Ivan, Hugh Morris e Kris.

A graça de Tomodachi Life: Living the Dream, apesar de não requerer muito do jogador, vem de observar os Mii interagirem, brigarem pelo controle remoto, se apaixonarem, pregarem peças um no outro ou até atrapalharem confissões de amor. É nosso papel observar essas situações e interferir quando necessário, seja para dar conselhos românticos, participar de minigames, dar presentes ou até levá-los para lugares específicos e criar uma interação. É por meio dessas ações que podemos subir de nível e nos aproximar de nossos Mii, usufruindo dos vários lugares que a ilha nos oferece.

Os membros do site NintendoBoy que estão na ilha gostam de se juntar e falar mal dos outros. Se juntar todo mundo, talvez dê umas três braincells.

O relógio do jogo acompanha o da vida real, o que significa que todo dia as ofertas de algumas lojas mudam e os itens são alterados. Na Fresh Kingdom, podemos comprar comidas pra alimentar os Mii, que possuem preferências de comida completamente distintas; na Where & Wear, é onde podemos comprar roupas; e na Quik Build, temos objetos que servem pra decorar a ilha. Além disso, temos a MNN, torre de notícias que diariamente transmitirá algum absurdo sem sentido e engraçado sobre os moradores da ilha. 

Meu (às vezes) querido amigo Vinícius apresentando o jornal na minha ilha. Todo dia um Mii diferente apresenta alguma notícia espalhafatosa sobre alguma ocorrência jocosa.

Depois de algum tempo de jogo, percebe-se que Tomodachi Life: Living the Dream é um jogo que é melhor apreciado em pequenas doses e aos poucos. O ciclo de minigames, interações e pedidos dos Mii torna-se repetitivo quando visto por muito tempo e em grande escala. É o jogo ideal pra encaixar na rotina no início ou final do dia, sem precisar tomar muito tempo e sem nenhuma punição para quem não conseguir acessar diariamente. Ao mesmo tempo em que existem várias cutscenes que eu já vi inúmeras vezes, ainda me deparo com algumas que são inéditas mesmo depois de dezenas de horas jogando. 

Problemas no paraíso

Kat aflito e tenso durante uma sessão de leitura de Heated Rivalry, provavelmente na parte em que eles estão na cabana. Fazer essa capa foi mais trabalhoso do que parece, mas apesar de eu ter desistido do meio pro fim, ficou bem legal e valeu muito a pena.

Em diversos momentos, o jogo vai apresentar situações bobas e absurdas dignas de serem compartilhadas com o mundo, porém a Nintendo bloqueou qualquer tipo de acesso online que não seja em uma rede local sem fio. Isso significa que o compartilhamento dos Mii, itens customizáveis e screenshots não está disponível e isso é de longe a maior frustração que os fãs têm expressado nesse lançamento de jogo.

Por não me considerar uma pessoa criativa, a decisão de não permitirem o compartilhamento de Mii — mecânica esta, inclusive, que já existia no jogo de 2014 e que também foi utilizada em Miitopia — tinha me deixado frustrada de início. A menos que seja de forma local, o jogo te obriga a passar pelo processo de criação não só de personagens, mas de customização de itens de maneira completa e sem nenhum atalho. Porém, apesar de isso realmente ser desanimador, eu meio que perdi a frustração e quase passei a pessoalmente apreciar esse bloqueio.

Há beleza em criar

Vai ter fanfic na TV SIM!!!

Não, eu não estou ficando maluca. Talvez eu seja uma das poucas pessoas a não ir contra a ideia de não poder compartilhar na internet os itens customizáveis do jogo, mas me permitam explicar por que no final das contas isso foi algo bom pra mim. 

Tomodachi Life é um jogo que brilha por conta da criatividade de seus jogadores. Decorações de ilhas customizáveis, Mii inusitados e caricatos e objetos e expressões moralmente questionáveis são apenas alguns motivos pelos quais cada experiência jogada é individual e única, incentivando e criando um espaço criativo que poucos jogos permitem.

Com a falta de opção de compartilhar tais coisas, somada à minha ausência de criatividade, eu me peguei indo a vários cantos diferentes da internet atrás de dicas pra deixar meus Mii mais bonitinhos e poder assim criar o Gojo Satoru mais lindo possível. Isso não só me levou a várias ferramentas e sites que os fãs criaram pra compartilhar suas criações, mas também me fez interagir com as pessoas, elogiando suas criações e pedindo tutoriais para poder fazer igual ou parecido. E foi aí que eu me liguei: esse é exatamente o ponto do jogo.

Eu acabei conseguindo criar o Gojo Satoru mais lindo possível, e obviamente ele não poderia vir sem a companhia de seu melhor amigo e amante, Suguro Geto.

Apesar dos recursos de compartilhamento restritos, nessas últimas semanas eu pude observar a grandeza da comunidade ao redor desse jogo por meio das pessoas compartilhando suas criações, criando tutoriais e dando sugestões pra decorar a ilha. Além disso, eu perdi a conta de quantas substâncias ilícitas eu vi sendo criadas, então eu acho que a Nintendo sabia o que estava fazendo quando decidiu nesse bloqueio. As pessoas são assustadoramente criativas.

No final das contas, é algo que ficou como lição para mim ao mostrar que eu não preciso ter tudo feito pelos outros de maneira fácil e rápida e que eu consigo, sim, criar algo incrível. Parte do processo de criação das coisas é sobre reconhecer que nem tudo precisa ser perfeito e que é até mais legal ter uma ilha 100% feita por mim, por mais que existam inspirações aqui e ali. 

Dose diária de surto

Tomodachi Life: Living the Dream é caótico, imprevisível, maluco e absolutamente divertido. É um jogo que estimula a criatividade, oferecendo tudo que o jogador precisa pra construir sua própria ilha e aproveitar cada segundo sem precisar ter pressa em concluir tudo de uma vez só. É um lançamento que definitivamente vale a pena experimentar, especialmente se você gosta de criar suas próprias histórias e está disposto a ter experiências completamente foras da curva que vão acompanhá-los por bastante tempo arrancando muitas risadas.

Prós:

  • Customização extensa com ferramentas que estimulam a criatividade;
  • Momentos engraçados e absurdos tornam cada minuto de jogo divertido e emocionante;
  • Ritmo da gameplay incentiva o jogador a jogá-lo em doses pequenas;
  • Superbobo.

Contras:

  • Restrição no compartilhamento de criações e screenshots é altamente limitante e frustrante;
  • Interações entre os Mii tornam-se repetitivas depois de um tempo.

Nota

9

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