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Desenvolvedora: Capcom
Publicadora: Capcom
Gênero: Ação e aventura| Ficção científica
Data de lançamento: 17 de abril de 2026
Preço: R$00,00
Formato: Físico (Game-KeybCard) / Digital
Plataformas: Nintendo Switch 2, PlayStation 5, Xbox Series X|S, PC
Análise feita no Nintendo Switch 2 com cópia fornecida gentilmente pela Capcom.
Revisão: Davi Dumont Farace
Pragmata é um shooter de ação e aventura sci-fi em terceira pessoa com uma mecânica que o afasta dos títulos mais convencionais do gênero. Antes de entrar nos pormenores de sua história e gameplay, quero pedir licença para afirmar com clara e categórica convicção que o jogo é mais um grande acerto da Capcom. Mais um entre vários, nos últimos anos, é bom frisar. O projeto foi anunciado em plena pandemia, em 2020, e passou por alguns adiamentos até o seu lançamento, agora em abril.
O Berço

Não há nada de original na história de Pragmata. O fio narrativo e as viradas de roteiro são bem previsíveis. Mas, tudo é feito de uma forma tão “redonda” e sem maiores pretensões, que acaba nos prendendo para saber o seu desfecho.
A história começa com uma missão de reparo, numa base lunar de pesquisa conhecida como “O Berço”, que está sob os cuidados de uma corporação que tem feito experimentos com um material, chamado de Lunafilamento. Com ele é possível criar, em grandes impressoras, todo tipo de aparato tecnológico, desde estruturas que sustentam a base, à ferramentas, armas e bots, que auxiliam os pesquisadores e trabalhadores do lugar. A administração é automatizada e fica aos cuidados de uma inteligência artificial chamada de IDUS.
Após uma breve apresentação, a equipe percebe que o lugar está misteriosamente vazio e bem avariado. Fortes tremores abalam a estrutura do Berço e bots surgem atacando a todos, vitimando boa parte dos membros da missão. Apenas uma única pessoa sobrevive com a ajuda de uma pequena androide sem lembranças, que se apresenta como uma Pragmata. Toda a história é conduzida à luz da relação entre Hugh e a carismática Pragmata, batizada por ele de Diana. Juntos a dupla precisa descobrir o que aconteceu na base lunar ao mesmo tempo em que buscam uma forma de voltar para a Terra.
Família

Narrativamente, Pragamata apresenta alguns temas interessantes e bem atuais: a visão megalomaníaca de grandes corporações e seus executivos, que parecem se colocar acima de qualquer debate ético ou legal em relação ao uso de tecnologias; a aplicação dos “avanços tecnológicos” na sociedade e campo científico; ou a desvalorização do trabalhador, escanteado e sem função dentro do mercado de trabalho, na medida em que há a substituição de sua força laboral por máquinas controladas por IA. Um vislumbre disso pode ser encontrado em arquivos diversos e vídeos holográficos que nos situam sobre os acontecimentos que antecederam aos problemas da base de pesquisa.
Porém, o fio condutor de toda trama, gira em torno da ideia de família. A família, independente da vertente sociológica ou filosófica que a analisa, enquanto instituição, é uma construção social. Fruto das nossas escolhas ou não, ela pode ser fonte de apoio e segurança ou algo totalmente disfuncional. A dinâmica entre a dupla de protagonistas, a família que o acaso construiu, se apresenta como uma solução para os problemas enfrentados durante toda a aventura. Mas também – sem querer entrar muito em detalhes – ainda sob essa ótica, a família também pode ser vista como a causadora desses mesmos problemas.
Hugh e Diana

Há milhares de quilômetros da Terra, Hugh experimenta um sentimento que nunca teve no planeta. Um sentimento, inclusive que, inicialmente na trama, ele desdenha. É estabelecido uma relação de afeto e carinho com Diana. Algo paternal, na medida que ele assume o dever de protegê-la. A partir dessa ligação, o foco não está mais necessariamente no que ele quer. Mas, no que a “pequena” precisa e deseja. Por mais rápido que tudo caminhe no jogo, essa relação é muito bem estabelecida. Em Pragmata, Hugh e Diana só perseveram porque possuem um ao outro.
Diana, apesar de uma Pragamata – um ser sintético – se comporta, em vários momentos, como uma criança de seis anos. Os engenheiros do Berço tentaram replicar, através da tecnologia, muitos dos biomas (naturais ou não) existentes na Terra. Em cada área visitada, o encantamento de Diana com as maravilhas que existem em nosso planeta – e que não são devidamente respeitadas e contempladas pelos seres humanos adultos – é extremamente convincente e condizente com a inocência da idade. Da mesma forma, há a possibilidade de, no nosso abrigo, reconstruir cenários comuns na Terra, com brinquedos diversos. Ver a Diana interagir e se encantar com eles é de aquecer o coração de qualquer um.
Em vários momentos eu ri um bocado com a forma literal que Diana interpreta certas falas do Hugh. Quando ele, por exemplo, brinca dizendo que parece que ela não sabe andar. E ela desce das costas dele e com toda assertividade do mundo aos pulos, prova que sim. Me emocionei com a inocência de um singelo desenho de giz de cera dado como presente pela pequena. Ou toda bagunça deixada por Diana no abrigo, evidenciando, de forma clara, quão aconchegante e cheio de amor um lar pode ser, a partir do toque decorativo que só uma criança pode proporcionar. Por mais que Pragmata não se resuma a isso, os diálogos e interações dos dois tornam toda jornada ainda mais interessante e divertida. É uma relação que foge de problematizações pessimistas de jogos como The Last of Us e God of War. A paternidade / maternidade não é um fardo!
Mecânica de combate brilhante

Não só a relação dos protagonistas é bem trabalhada no jogo. As mecânicas, no que se refere ao combate, é não só diferente quanto brilhante. O grande diferencial de Pragmata é casar resolução de puzzles ao mesmo tempo que atiramos e desviamos dos ataques de uma horda de inimigos robóticos. Na verdade, antes de atirarmos nos bots, devemos hackeá-los para que suas fraquezas sejam expostas. Durante todo o jogo, o combate é baseado nessa dobradinha: Diana hackeia e Hugh atira. O sistema de hackeamento consiste em conduzir o cursor por um pequeno “labirinto”, até o nodo EXE verde, que deixa os inimigos vulneráveis aos tiros.
Num primeiro momento, fazer duas coisas quase ao mesmo tempo pode assustar alguns jogadores. E causar até certa ansiedade. Mas, tudo funciona muito bem. A curva de aprendizado, na verdade, é incrível. Hugh conta com duas armas de recarga automática (unidade primária) e, mais pra frente, armas com munição limitada, divididas em três categorias: unidades de ataque, defesa e suporte. Uma vez que a munição acaba, a arma não fica mais disponível no inventário. Porém, o combate tem uma pegada bem arcade. Isso quer dizer que é fácil encontrar novamente essas armas pelo cenário.
Ao longo da aventura, conseguimos módulos e potencializadores (nodos e chips de hackeamento) que, ao serem equipados, acrescentam efeitos ativos e passivos diversos, que melhoram nossa defesa, ataque, suporte e hackeamento. Há ainda a possibilidade de aprimorar, de forma permanente, habilidades, acessórios, o traje (pontos de vida e defesa), as armas e a eficácia do hackeamento de Diana. Essas possibilidades variadas nos dão um excelente senso de progressão e abrem as portas para novas estratégias de combate, que transformam de forma maestral a gameplay.
O Abrigo

Pragmata é basicamente um jogo estruturado em fases. O Abrigo funciona como ponto seguro e HUB central onde selecionamos as áreas a explorar. É também nesse espaço que podemos fazer upgrades nas habilidades dos personagens, recriar alguns elementos presentes na Terra (Leitura de Memória Terrestre), se desafiar na sala de simulações de treino, visualizar o design dos diversos bots presentes no jogo ou brincar de “bingo” com Cabin (um tablet em forma de bot) para ganhar prêmios diversos, como novas skins para Hugh e Diana.
Toda vez que abrimos a tela de seleção da área que iremos explorar, podemos montar uma espécie de build, selecionando as armas que utilizaremos, nodos de hackeamento e módulos. O jogo nos instiga a visitar o Abrigo constantemente durante a exploração das fases. Seja para termos um momento de respiro da ação (que é bem frenética), para recuperar pontos de vida perdidos e suas recargas ou para montar uma build que case mais com o tipo de perigos que estamos enfrentando no momento.

Apesar de todo o jogo se passar no Berço, há uma interessante variedade de cenários. De áreas de mata, praia ou uma réplica da Times Square. Uma forma dos trabalhadores da base lunar, mesmo tão distante da Terra e de forma artificial, se sentirem um pouco perto de casa. Todos os cenários podem ser revisitados. Há uma variedade de itens a serem revelados e o jogo registra o percentual descoberto em cada área. Ao desbloquear a habilidade de busca de itens de Diana (uma espécie de sonar), encontrar esses segredos se torna bem mais fácil.
Em linhas gerais, a aventura é bem tranquila, com uma dificuldade bem amistosa. Das fases, as batalhas mais difíceis se encontram nas salas vermelhas (em que uma horda de inimigos nos ataca em um ambiente fechado) e as lutas contra os chefes. As batalhas contra os bosses, aliás, são incríveis! O pós-jogo de Pragmata acrescenta uma nova arma, uma nova dificuldade (lunático), skins e um novo modo de jogo que, ao terminá-lo, complementa o desfecho da história. Apesar da campanha ser relativamente curta (de 12 a 15h) somos incentivados a revisitá-la, buscando os seus segredos, nos desafiando nos novos modos, ou simplesmente, para continuar acompanhando as conversas sempre interessantes de Hugh com Diana.
Se permita experimentar
A versão do Nintendo Switch 2 de Pragmata faz concessões visuais para rodar de forma eficaz, como uma resolução menor, ausência de certos efeitos de partículas, luz e sombra ou o downgrade na animação do cabelo de Diana. Não há a possibilidade de escolhermos entre o modo qualidade e desempenho.
De forma nativa o jogo roda da melhor forma possível no híbrido, seja na dock ou no modo portátil. Em algumas raras vezes, presenciei algumas ligeiras travadas de tela, como se o jogo estivesse carregando, mas nada, no entanto, compromete a nossa experiência. As batalhas, no geral, são rápidas e fluidas, os comandos respondem bem pra caramba e apesar das concessões acima citadas, o jogo continua bonito.
Jogar Pragmata foi uma das melhores experiências com videogame que tive nos últimos tempos. A história é engajante, a gameplay divertida, os cenários são variados, o visual – se apoiando no poder da RE Engine – é lindíssimo, a trilha e efeitos sonoros são bem legais e tem bastante coisa para descobrir e desbloquear. Se não bastasse esse primor técnico, somos brindados com personagens super carismáticos, que interagem e se comportam de forma super crível. É justo afirmar que a dinâmica de Hugh e Diana é a cereja no topo do bolo.
Longe de discursos toscos proferidos, geralmente, por pessoas de índole duvidosa, uma das coisas que mais irá passar pela cabeça de quem jogar Pragmata é: “como é gostoso ser pai (ou mãe) de menina”. Se permita experimentá-lo.
Prós:
- A relação entre a dupla de protagonistas;
- Mecânica de combate;
- Boa variedade de cenários e inimigos;
- Lutas incríveis contra os chefes;
- Muito conteúdo desbloqueável.
Contras:
- História previsível, apesar de engajante.
Nota
10
