Revisão: Paulo Cézar Viana de Paiva
Pokémon é possivelmente uma das franquias mais reconhecidas quando falamos de “jogos publicados pela Nintendo”; não só a marca “Pokémon” em si é a mais rentável do mundo, como os jogos sempre acabam surfando na onda dos portáteis de sucesso da Nintendo e aproveitam de vendas que muitas vezes chegam às dezenas de milhões de unidades. Porém é compreensível que, nos últimos anos, a série se tornou um tópico delicado para algumas pessoas, com polêmicas relacionadas a qualidade dos jogos da era Switch sendo um assunto predominante para os fãs menos casuais da série.
Dito isso, não dá para negar o apelo popular que a ideia de Pokémon dá, especialmente mais recentemente com a era do Nintendo Switch 2, onde podemos ter uma visão mais otimista do futuro. Então, para aqueles que desejam algo para saciar a vontade de Pokémon durante um período de “seca” entre os lançamentos principais da série, eu vou recomendar aqui neste artigo cinco jogos que caem no mesmo gênero e subgênero que a série mainline de Pokémon se encaixa: RPGs “monster-tamer”!
— Claro, porque somos um portal inclusivo, o texto de hoje contará apenas com jogos indie, afinal, eu não preciso explicar para alguém que gostaria de algo como Pokémon para ir atrás de Digimon, ou falar sobre MegaTen, que hoje em dia é uma franquia million-seller.
Antes de começarmos a parte carnuda do texto, no entanto, fiquem com essa montagem massa que um amigo meu fez com alguns dos mostrinhos que temos nos jogos que comentaremos hoje:

Todo mundo quer ser um mestre!
Semelhante a outras listas que fiz aqui no site no passado, eu não pretendo ranquear esses jogos em termos de um “pior” a um “melhor” (embora exista um na lista que eu defenda ser superior aos outros na minha opinião, mas isso é algo meu), então só irei falar de cinco monster-tamers , que se inspiram pesadamente em Pokémon e merecem um destaque a mais. Tendo dito isso, tem três tópicos que eu gostaria de esclarecer antes de começarmos esse artigo, não são regras por assim dizer, mas são ideias que vão iluminar um pouco mais sobre o ideal do texto:
- Esta lista não foi feita para diminuir Pokémon ou tratar estes jogos como um “Pokémon-killer”; cada jogo aqui existe por seu próprio mérito e possuem uma qualidade única, mesmo se inspirando em Pokémon.
- Os jogos aqui citados precisam seguir os parâmetros básicos de ser um RPG e ter uma inspiração visual ou mecânica de Pokémon; jogos como Bloomtown e Athenian Rhapsody apesar de encaixarem como monster-tamers se inspiram em mídias diferentes – MegaTen e Undertale respectivamente.
- Gostaria que essa lista fosse inclusiva para todos os tipos de jogadores, e apesar de entender o apelo multiplayer de jogos do tipo, sei que nem todo jogador de monster-tamers jogam jogos pelo multiplayer; portanto, jogos que são apenas multiplayer como Temtem ficarão de fora da lista, mesmo sendo um jogo interessante desse subgênero.
- Menos uma regra e mais um adendo: sabemos que nem todo mundo que lê os nossos artigos possuem em si um Nintendo Switch ou a preferência de jogar jogos deste tipo no mesmo. Logo, em casos de jogos com lançamento multiplataforma, estaremos especificando para quais plataformas os jogos foram lançados (mas o preço usará a Nintendo eShop de base).
Logo mais, se vocês gostariam de ver outros jogos que se encaixariam aqui, me avisem porque este é um tópico que é interessante e está constantemente expandindo com conteúdo promissor de desenvolvedores indies promissores! Finalizando aqui, daremos início ao tópico principal com…

- Desenvolvedora: Studio Aurum
- Publisher: SOEDESCO
- Plataformas: Nintendo Switch, PlayStation 4, Xbox One e PC (via Steam)
- Lançamento: 12 de outubro, 2021
- Preço: R$ 74,95
Durante um bom tempo, sites que faziam “fusões” de Pokémon foram relativamente populares entre fãs da série, com alguns deles os compartilhando devido aos nomes bisonhos (hoje mudou, mas por um tempo misturar o Hitmonlee com o Kingler dava um nome bem… curioso) ou a própria aparência. Monster Crown, no entanto, pega o conceito de fusão que esses sites imaginavam e o integra como sua mecânica principal!
Se inspirando diretamente por Pokémon, mas também pegando notas de outros jogos neste subgênero como Shin Megami Tensei, “Monster Crown: Red King” oferece um sistema de monster-taming único perto dos outros daqui da lista, com um foco muito forte em subjugação e negociação; os monstros aqui são feras que você precisa barganhar para que lutem ao seu lado, não monstrinhos que você pode só capturar para satisfazer seu desejo de luta. Com um sistema de finais múltiplos que variam através das escolhas do jogador, cabe ao mesmo decidir que caminho irá trilhar: entre o salvador do mundo ou um messias das trevas, qual escolha mais agrada o seu coração?
Visualmente tomando notas da era Game Boy Color de jogos deste tipo, o jogo conta com um foco no sistema de fusão de criaturas, mas também cruzamentos genéticos através de um breeding system; uma narrativa um tanto “edgy”, mas que combina com a vibe que o jogo quer passar; e para colocar a cereja no topo do bolo, um sistema de combate diverso que usa até de “power-ups” temporários – pense nas mecânicas de Mega Evolução ou Gigantamax – para fortalecer os seus monstros para um combate in-game ou contra amigos em um multiplayer online.
Resumindo tudo: apesar de ser provavelmente o jogo mais “cru” da lista, sendo repletos de erros de estabilidade e afins, Monster Crown é uma homenagem única ao gênero dos monster-tamers e certamente um jogo que vale a pena de ser jogado por quem tem interesse no mesmo. Vale apontar que sua sequência, Sin Eater, lançou há pouco tempo relativo desse texto ter sido escrito, eu ainda defendo que é melhor jogar o original primeiro, pois ele tem tantos pontos fortes que se a pessoa começar a jogar pela sequência pode nem acabar notando esses pontos.

- Desenvolvedora: Studio Supersoft
- Publisher: Raw Fury
- Plataformas: Nintendo Switch, PC (via Steam e GOG) e iOS/Android (via Crunchyroll)
- Lançamento: 20 de setembro, 2023 [19 de junho, 2024 para o Nintendo Switch]
- Preço: R$ 74,95
Sendo possivelmente um dos jogos mais únicos, se não, o mais único do texto de hoje, Moonstone Island é a resposta que a desenvolvedora Studio Supersoft tem para a pergunta que eles mesmos fizeram: e se os elementos de Pokémon se misturassem com Harvest Moon/Story of Seasons em um RPG deck-builder? O jogo mistura os três elementos, de RPG a um jogo de cartas para um life-sim lotado de coisas para fazer e até relacionamentos a seguir, deixando ao jogador a missão mais importante…
— Escolher com quem casar: a florista ou a cozinheira? Me ajudem, por favor!
A história se passa na ilha Moonstone, um arquipélago de ilhas aéreas que nosso personagem, um alquimista de gênero ambíguo cai após finalmente sair da casa dos pais; nesse arquipélago, o jogador poderá construir uma relação com os outros habitantes de Moonstone e formar uma família caso desejar (ou ser um esquisitão social que nem eu que as vezes esquece de falar com os outros habitantes porque está ocupado com seus próprios objetivos), mas para tudo isso funcionar, precisamos de uma fazenda para abrigar os monstrinhos da nossa equipe.
Possuindo um sistema de combate único, mas com um foco claro no fator social, Moonstone Island é o tipo de jogo perfeito para quem gosta de criaturinhas bonitinhas, mas prefere experiências mais relaxantes, oferecendo um meio-termo ideal para ambos os nichos. Este jogo foi recomendado a mim por conhecidos próximos, e confesso que fui pego de surpresa, uma das poucas críticas que eu teria, no entanto, é que a falta de um “modo online” prejudica ele, sendo o único jogo deste artigo onde nem mesmo um PvP online é possível.

- Desenvolvedora: TRAGsoft
- Publisher: indie.io
- Plataformas: Nintendo Switch, PC (via Steam) e iOS/tvOS/Android
- Lançamento: 31 de março, 2022 [21 de julho, 2022 para o Nintendo Switch]
- Preço: R$ 59,99
Uma das maiores perdas durante a transição do Nintendo DS para o Nintendo 3DS foram as belíssimas animações em spritework que alguns RPGs usavam no portátil; não me leva a mal, o 3DS também tem jogos com sprites lindíssimos, mas fica evidente que eles queriam realmente fazer uso do “3D” no nome do console. Mas para os saudosistas deste estilo artístico como eu, eu tenho uma resposta para vocês em um RPG monster-tamer que busca homenagear justamente essa era: Coromon!
Inspirado diretamente na era DS dos jogos de Pokémon, Coromon busca trazer uma experiência um tanto única, que contenha:
- Um sistema de combate por turnos 1v1;
- Narrativas bobinhas, mas que são o bastante para entreter o jogador;
- Incentivo para modos de jogos alternativos, como um próprio “Nuzlocke”;
- Formas alternativas equivalente a monstros “Shiny” que afetam o combate – mais disso no próximo parágrafo.
O sistema do jogo é o mais próximo possível de um RPG tradicional para o subgênero; cada monstrinho tendo uma barra de stamina que determina quantas vezes ele consegue usar tantos ataques, você pode recuperar stamina em meio ao combate mas perde um turno no processo, elevando as batalhas do jogo a um nível bem maior de estratégia do que até mesmo alguns jogos desse mesmo gênero. Isso sem falar que o sistema de “shinies” do jogo é apenas uma versão mais rara e mais poderosa de um mesmo Coromon, o que para mim é um livramento, mas para Shiny Hunters é ainda mais um incentivo para caçá-los.
Não há muito mais o que dizer sobre Coromon, é um dos jogos mais bem avaliados presentes na lista, e que apela diretamente ao fã que se atrai mais pela franquia da Nintendo. Por enquanto só estamos esperando para ver se a sequência que eles prometeram realmente vai lançar, não querendo colocar pressão, TRAGsoft, mas está demorando!

- Desenvolvedora: Moi Rai Games
- Publisher: Team17
- Plataformas: Nintendo Switch, PlayStation 4, Xbox One e PC (via Steam)
- Lançamento: 8 de dezembro, 2020
- Preço: R$ 104,90
Com a ascensão a popularidade que os jogos indies tiveram entre os meados da década de 2010 para cá, tivemos explosões de representação de múltiplos gêneros de jogos, assim como também jogos que serviam como uma “brincadeira de misturar” entre estes gêneros: um puzzle com loop de um beat ‘em up? Provavelmente existe um indie com foco nisso! Um shump misturado com ação e aventura? Bem, acho que dá para entender o ponto que eu quero chegar com essa escolha no texto, né?
Monster Sanctuary existe para agradar tanto o fã do RPG monster-tamer quanto o fã de metroidvania; com um foco enorme na exploração de um mundo 2D side-scroller e cujas criaturinhas que o habitam mudam a forma que você o explora o overworld central do jogo! Seja planando usando uma criatura voadora ou quebrando blocos específicos usando outra, o jogo te incentiva a domar as diversas feras que você vê no mundo para prosseguir com a exploração em sequência do jogo – tal qual um metroidvania faria.
A estrutura do jogo é parecida com Pokémon, mas também se inspira em outros monster-tamers, como a mecânica de você “capturar” os monstros através de ovos dos mesmos que você encontra, lembrando um pouco Monster Hunter Stories. O combate segue uma estrutura de 3v3, com cada monstrinho tendo uma barra de stamina própria que limita as suas ações por turno (sinto que já falei isso antes), mas que é recuperada a cada passagem do mesmo, adicionando mais uma camada de estratégia no jogo.
Notem que eu não falei muito da narrativa do jogo, e é porque ela é extremamente superficial, com o jogo sendo muito focado em gameplay acima de tudo, o que não é um problema na minha opinião, já que ele sucede bem no que foi a sua intenção! O combate é bem divertido, e as partidas online são bem balanceadas, então mesmo com um multiplayer meio “morto”, ainda dá para se divertir com os modos além do single-player.
— A Moi Rai também está produzindo um outro jogo de monstrinhos, desta vez Aethermencer; recomendo que deem uma olhada pois parece promissor.

- Desenvolvedora: Bytten Studio
- Publisher: Raw Fury
- Plataformas: Nintendo Switch, Xbox One, Xbox Series S/X e PC (via Steam e Epic Games Store)
- Lançamento: 26 de abril, 2023 [25 de maio, 2023 para o Nintendo Switch]
- Preço: R$ 59,99
Guardando o que é, na minha opinião, o melhor Poké-like [odiei o termo, prometo nunca mais usá-lo] para o final, Cassette Beasts é certamente uma das escolhas mais certeiras no texto de hoje, oferecendo não apenas um RPG repleto de criaturas carismáticas, fofas e radicais para “copiar” e enfrentar, como também uma série de sistemas que tornam ele um dos jogos mais únicos daqui. E claro, como podem perceber tanto pelo título do jogo quanto pelas artes e trailers do mesmo, este jogo tem um foco específico em música, uma área na qual ele entrega majestosamente.
Em Cassette Beasts controlamos um personagem avatar que, de repente, acorda como náufrago em uma ilha onde algumas pessoas simplesmente acabam sendo “enviadas”, esta ilha é habitada por monstros e humanos, com os humanos tendo descoberto um jeito de copiar as habilidades dos monstros e se transformando neles usando fitas cassete. É o dever do jogador explorar essa ilha, num mundo aberto até que grande para um jogo deste porte, e descobrir os segredos por trás dela.
Um dos aspectos do jogo que mais me cativou é a história: não só ela lida com certos temas, sendo bem madura às vezes, como ela explora a relação do seu personagem com os outros habitantes. O jogador precisa os conhecer melhor para conseguir usar de aspectos como a fusão no meio do combate ou só prosseguir na história, mas com cada conversa e momento que você passa com estes personagens, você pode escolher ter uma relação com eles – fica a seu critério se essa relação será romântica ou apenas uma amizade, porém.
Tendo um combate de turno 2v2 onde a tipagem de seus monstrinhos nunca é fixa e sempre sofre por mudanças (plástico vira veneno com ataques de fogo, terra vira vidro quando eletrificada, só para dar uns exemplos) Cassette Beasts pode ser perfeito tanto para quem busca um RPG pelos personagens quanto por quem busca por desafios! Sua DLC mais recente, o “Píer do Desconhecido” expande ainda mais a história deste mundo e introduz personagens novos para você conhecer, e parece que a Bytten tem planos de continuar com o suporte ao jogo, ainda que no ritmo dela.
No fim de tudo, eu só queria um motivo para poder falar de como eu amo esse jogo, e em especial, sua soundtrack!
Mas ainda temos que pegar!
Finalizando o texto, eu acredito veementemente que Pokémon não é perfeito, mas é uma franquia que uniu tanta gente que é quase impossível não ser fã de um jogo ou outro. Quanto aos jogos da lista, eles foram criados com uma forte inspiração e amor por Pokémon, além de serem boas alternativas para quem já é fã da série! Logo, eles não são uma competição direta, mas sim uma homenagem para o gênero monster-tamer e até mesmo um “banquete” lotado de possibilidades para os fãs deste subgênero específico de RPG.
Ainda tem muitos jogos que se encaixam nessas categorias na família Switch, mas acredito que esses cinco são as melhores opções para quem procura algo que nem Pokémon que possua designs bem-feitos e mecânicas diferentes que façam eles se destacarem entre outras opções – olhando para ti, Nexomon.
Espero que tenham gostado da lista, e caso algum desenvolvedor de algum desses jogos tenha lido isso: por favor, continuem fazendo esse tipo de jogo!
