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Desenvolvedora: KK3
Publicadora: ININ Games
Gênero: Shoot ‘em up
Data de lançamento: 19 de maio, 2026
Preço: R$ 179,99
Formato: Físico/Digital
Plataformas: Nintendo Switch 2, Nintendo Switch, PlayStation 5, Xbox Series X|S, PC
Análise feita no Nintendo Switch com cópia fornecida gentilmente pela ININ Games.
Revisão: Manuela Feitosa
Espero que o nível de cortisol de vocês esteja apropriadamente controlado, o de hoje é um difícil. Anos 90 difícil, ou seja, absolutamente injusto. O suco do suco dos jogos de fliperama em um console de mesa, para fazer todo o dinheiro suado gasto em menos de 40mb valerem a pena, claro, se estivermos falando da versão original. R-Type Dimensions III é o jogo do qual estamos falando hoje, um remake do clássico jogo de Super Nintendo, R-Type III: The Third Lightning.
Se por algum motivo o nome não é familiar a você, querido leitor do site, de forma resumida, é um dos grandes nomes do gênero schmup (shoot ‘em up), ou, como carinhosamente chamam, jogos de navinha. Eles nunca morreram, eles estiveram sempre conosco, eles me enfurecem sem fim e eu continuo voltando para eles de qualquer forma. Talvez eu tenha uma relação tóxica com balas, eu deveria evitá-las com maior frequência.
Mesmo que seja difícil enxergar um mundo onde esses jogos sejam tão dominantes quanto já foram no passado, sempre irei apreciar o fato que eles continuam sendo lançados, e clássicos como esses sempre retornam de uma forma ou de outra. Apesar de ter ao todo um jogo de qualidade nesse remake, ele acaba sendo mais preguiçoso do que empolgante para os fãs que já estão acostumados com a versão original.
Se mexer, atira

Sempre gosto de começar as análises com a narrativa, mas acho que acabei não me acostumando ainda ao fato que é impossível eu fazer isso nesse texto. Bom, eu consigo tentar. Navinha atira em alien. Alien atira de volta. Navinha vai para a próxima fase e faz tudo de novo por seis vezes ou mais.
Ótimo, posso começar a falar do jogo agora: Navinha atira em alien e você já sabe o resto. Certo, agora falando sério: ele é o arroz com feijão dos jogos de nave, indo de um lado ao outro da tela, seja da esquerda à direita, baixo para cima, o inverso, etc., atacando todos os inimigos, desviando de obstáculos e projéteis, coletando melhorias e tentando não perder tudo com qualquer leve deslize que você possa cometer. Perdão, acho que o certo seria dizer evitar as rasteiras que o jogo lhe dá.
R-Type tem como diferencial o uso do acoplamento da nave, uma forma de escudo e melhoria de tiro ao mesmo tempo, que pode ser arremessada, utilizada como barreira longe e perto da nave, e é necessária para melhorias de tiros da nave, como lasers que rebatem nas paredes, ondas que atravessam barreiras, projéteis que sobem em superfícies e se movem nelas, e talvez alguns outros do qual não tive habilidade o suficiente para pegar pois esse jogo é brutal. No caso de R-Type III, além da padrão de outros jogos, também há a opção de outros dois acoplamentos, o que é muito bom para o fator replay de um jogo que já possuí bastante fator replay.

Certo, chega de fazer firula, R-Type é injusto, propositalmente injusto, seus reflexos valem menos do que sua memória para jogos assim, já que esses são feitos como pega-trouxas, e eu devo dizer, eu sou bem trouxa. O jogo de R-Type em si não deve ter mais de 2 horas de conteúdo, sem contar o fato de precisar zerá-lo duas vezes seguidas para ver o final. Te garanto que sem conhecimento prévio, esse NÃO será o tempo que levará para você terminar o jogo. Esse tempo pode duplicar ou até triplicar se sua memória e senso de espaço lhe falharem. Ele irá lhe dar golpes baixos, colocar obstáculos difíceis de distinguir entre cenário e ameaça e ele certamente NÃO quer que você o termine sem esforço.

A franquia de R-Type em um geral não é para todos os jogadores. R-Type é para os que gostam de schmups, e schmups da velha guarda. Para tentar mitigar um pouco essa barreira, o jogo coloca um modo onde os jogadores podem continuar de onde morreram ao invés de voltar ao checkpoint, se bater a sua cabeça contra um prego até ele entrar funciona para você, vá em frente, eu pessoalmente prefiro um martelo, joguei como ele foi pensado originalmente, pena que não paro de acertar meus próprios dedos.
Refeito de qualquer jeito
Devo admitir que não há muito que se possa fazer para melhorar R-Type III em um remake, mas também devo relatar que R-Type Dimensions III fez o mínimo do mínimo para ser chamado de remake.
Além das previamente mencionadas qualidades de vida para jogadores menos experientes, o jogo possui uma dificuldade ainda maior, um dos maiores atrativos para jogadores que já possuem experiência com R-Type, misturado com novos gráficos em 3D ao invés das velhas sprites de Super Nintendo.
Focando no visual em específico, eu os achei pouco impressionantes. O jogo dá ao jogador a opção de utilizar os velhos visuais ou os novos, e apesar de tentar utilizar ambos em medidas iguais, fiquei por muito mais tempo nos visuais antigos, que são bem mais claros visualmente, e sendo bem franco, até mais bonitos que a versão nova. Podem até passar a ideia de modernidade por serem poligonais, não acho que sacrificar a claridade visual e maior precisão dos modelos compensa.


Em questão de som, é uma trilha sonora fantástica, o chip sonoro do Super Nintendo era fantástico, e conseguia produzir instrumentos em MIDI que iriam soar agradáveis se fossem lançados até hoje, e nessa parte o remake fez bem em criar uma nova instrumentalização para as mesmas composições do original, dando foco na guitarra e na energia durante a progressão das fases.
Um último fator a considerar é que o remake também adiciona a opção de jogatina cooperativa. Sobre a qualidade desse implemento, infelizmente não consigo informá-los, pois não acho que conseguiria convencer alguém a jogar R-Type comigo sem ser chamado de nomes do qual não posso escrever aqui sem perder a permissão de colocar novas análises no site, mas achei apropriado mencionar.
Ele me bate, mas eu gosto dele
R-Type Dimensions III é naturalmente um jogo divertido. Era de se esperar, sendo o remake de um jogo tão competente. Mas mesmo tentando agradar novatos com o fim dos checkpoints para um modo de infinitos erros, acho que é apenas a troca de uma frustração por tédio, ou seja, R-Type ainda não é para qualquer jogador.

Porém a sua avaliação vem com uma nota importante: Avaliação como produto e avaliação como um jogo. Avaliar R-Type III em comparação com outros jogos modernos, incluindo outros shmups, seria uma decisão a qual eu consideraria completamente errada, ele é do jeito que é pois foi feito em uma época em que jogos tinham identidades e até objetivos diferentes, e isso R-Type III faz muito bem. Mas, avaliando como produto, R-Type Dimensions III é um remake muito simples, à margem de poder ser considerado um port, por possuir todo o jogo original no apertar de um botão.
Portanto, recomendo R-Type Dimensions III para dois tipos de jogadores: aqueles que já estão acostumados com shmups ou a própria franquia R-Type, ou jogadores que estão muito curiosos para conhecer clássicos do gênero e querem um bom ponto de entrada para um dos mais icônicos do Super Nintendo.
Prós:
- Alto fator de rejogabilidade;
- Trilha sonora excelente;
- Melhorias de Qualidade de Vida para novos jogadores.
Contras:
- Dificuldade que envelheceu mal;
- Os novos visuais são insatisfeitórios;
- Poucas mudanças para um remake.
Nota
7
