Desenvolvedores: Deathbulge, Five Houses
Publicadora: Five Houses
Gênero: RPG
Data de lançamento: 30 de junho de 2026
Preço: R$ 59,99
Formato: Digital
Plataformas: Nintendo Switch, PC, PS4, PS5, Xbox One e Xbox Series X|S
Análise feita no Nintendo Switch com chave fornecida gentilmente pela Five Houses
Revisão: Davi Sousa
Deathbulge: Battle of the Bands é um RPG baseado em turnos desenvolvido em uma parceria entre Dan Martin (“Deathbulge”) e o estúdio Five Houses. Com um estilo de quadrinhos bem expressivo, a obra conta a história de uma disputa de bandas com um sistema de combate cheio de camadas.
Um mundo de disputas musicais e excessos cômicos

Faye, Ian e Briff fazem parte de uma banda de pequeno renome chamada Deathbulge. Um dia, para tentar alavancar a popularidade da banda, Faye decide inscrever o grupo em uma disputa musical chamada Batalha das Bandas, mas ela não imagina no que está se metendo. Poderes misteriosos agora afetam suas performances e o grupo logo se vê encarando vários desafios usando sua música como uma arma.
Em uma jornada para tentar sobreviver à Batalha das Bandas, a Deathbulge terá que encarar vários desafios conforme descobre mais sobre a competição. No protagonismo, temos um trio bem peculiar tanto em personalidades individuais quanto em suas relações. Como velhos amigos, eles realmente têm uma história pregressa e não são uma estrutura uniforme em suas vontades e ações. Briff tem um complexo de herói, Ian é aquele amigo queer ultra dramático e há vários NPCs exóticos para conhecer.

Além disso, chama atenção o estilo artístico do jogo. A obra é ilustrada por Dan Martin, um cartunista britânico cujas tirinhas são chamadas de Deathbulge e disponibilizadas no site oficial do artista. O jogo se passa no mesmo universo, dando a chance de explorar as loucuras do criador de perto, especialmente se o jogador explorar as várias missões alternativas disponíveis.
É tudo bem cômico, e os personagens são muito espalhafatosos e performáticos em seus diálogos, com várias expressões exageradas. O jogador chuta portas as arremessa para tudo quanto é lado em vez de abri-las como gente, e as conversas tendem a ter um gostinho de absurdo que é bem interessante.
Batalhas dinâmicas

Em Deathbulge: Battle of the Bands, inimigos aparecem no mapa conforme exploramos, e encostar neles leva ao combate. Uma vez dentro da batalha, temos um formato de turno em que a cadência da ordem de ação pode ser vista na tela para que o jogador compreenda quem é o próximo a agir.
Para além da questão de simplesmente saber quem agirá primeiro, Deathbulge traz um sistema de vanguarda da equipe. A ideia é que o jogador pode alternar entre os membros do time para ter vantagens, dando tempo para que quem está atrás possa recarregar sua energia de Hype para poder usar técnicas especiais.

Um exemplo de vantagem já é visível bem no início: em seu estado inicial, Faye é mais ágil do que Ian, mas Ian tem mais HP e pode resistir com mais facilidade aos ataques dos seres da floresta. Colocando Faye na vanguarda, podemos adiantar a chegada do próximo turno e, quando o inimigo está prestes a atacar, alternamos rapidamente para Ian para que ele se torne o alvo prioritário de golpes.
Além disso, os turnos ainda são divididos em quatro tempos, que podem ter efeitos especiais dependendo das técnicas utilizadas. Por exemplo: é possível ganhar o benefício de aceleração quando o ícone do jogador está passando por aquele ponto da “linha do tempo”. Da mesma forma, há efeitos como “Pain”, cujo dano também depende dessa passagem por pontos específicos do turno.
Com todos esses detalhes para levar em consideração, o que temos é um combate baseado em turnos dinâmico e cheio de nuances estratégicas. Mesmo inimigos comuns podem dar trabalho se o jogador não conseguir dominar o campo de batalha e planejar bem suas ações.
Equipando golpes

Como é comum em RPGs, um elemento importante de Deathbulge: Battle of the Bands é o equipamento dos aliados. Porém, em vez de “armas”, equipamos os golpes que usaremos em combate e acessórios com efeitos passivos variados.
De forma geral, existem dois tipos de golpes para equipar: Beats e Mods. O primeiro é um golpe básico que não custa Hype e pode receber upgrades com o tempo, enquanto o segundo são técnicas mais específicas.
Beats são obtidos derrotando inimigos, surgindo como “drops”, ou seja, recompensas ocasionais que dependem da sorte do jogador para aparecer. Embora sejam as técnicas que não consomem energia, elas possuem alta variedade, especialmente quando estão em seu nível máximo de upgrade. Por exemplo: alguns Beats são regenerativos, enquanto outros são focados em dano. A discrepância entre o mínimo e máximo do efeito pode variar bastante, e eles podem ter efeitos de buff e debuff.

Enquanto isso, os Mods são exclusivos de cada personagem, custam Hype e tendem a ser mais poderosos, variando de acordo com os atributos dos personagens (os Beats têm dano/cura fixa, exceto pelos upgrades). Para obtê-los, é necessário encontrar esses itens pelo caminho ou concluir uma das várias missões secundárias.
Um detalhe interessante dos Mods é que eles também podem ser equipados em um slot específico de “Class Mod”. Com isso, determinado personagem muda de classe para uma ideal para aquele tipo de habilidade, reduzindo o custo de Hype da técnica escolhida. Não há restrições sobre o que equipar, mas é interessante ter em mente tanto os atributos de cada classe quanto quais técnicas o jogador pretende utilizar com mais frequência.

Os itens também possuem um sistema absurdo de Estoque. Em vez de ter que se preocupar em ter itens específicos, o jogador tem pontos de estoque, e cada consumível anteriormente encontrado consome uma certa quantidade deles toda vez que é usado. Na prática, é como se os itens também fossem técnicas, dando mais maleabilidade para o jogador planejar estrategicamente o seu uso. É possível expandir o limite de estoque e restaurar o valor próximo das zonas de repouso.
Pessoalmente, só tive um único momento de incômodo com o jogo, quando ele acabou dando um erro e fechando logo após uma longa cena de diálogo pós-boss. Com isso, tive que voltar ao último autosave antes do boss e recomeçar. Porém, na segunda tentativa, tudo correu bem, e não reproduzi o mesmo problema.
O brilho da alma indie

Deathbulge: Battle of the Bands é um RPG indie incrível que consegue apresentar um mundo hilário e charmoso junto de uma gameplay absurdamente bem pensada em seus detalhes. Dinâmico e cheio de elementos estratégicos, o jogo é uma experiência verdadeiramente especial dentro do gênero.
Prós:
- Combate baseado em turnos cheio de opções estratégicas para usar;
- O sistema de equipar golpes permite ajustar builds de forma bem interessante;
- Um universo cartunesco carismático com personagens bem espalhafatosos em personalidade;
- Sair chutando todas as portas para entrar nos lugares é um absurdo que não cansa nunca.
Contras:
- Nenhum.
Nota
10
