Desenvolvedora: Nippon Ichi Software
Publicadora: NIS America
Gênero: RPG de ação | Musou
Data de lançamento: 23 de julho de 2026
Preço: R$ 314,99
Formato: Físico/Digital
Plataformas: Nintendo Switch 2, Nintendo Switch, PlayStation 5, PC
Análise feita no Nintendo Switch 2 com cópia fornecida gentilmente pela NIS America.
Revisão: Davi Sousa
De vez em quando, o nosso corpo pede coisas específicas que nem sempre sabemos o porquê. Você pode estar sentado no sofá, relaxando, assistindo a alguma coisa boa na televisão e, de repente, você quer comer uma bolacha (ou biscoito para nossos leitores e editores cariocas)! Ou, se você tem os dons culinários, por que não preparar algo doce para você mesmo?
Para a análise de hoje, irei falar de um mundo mais doce, um mundo onde os conflitos começam e terminam devido a uma sobremesa muito popular nas mesas de muitos países e culturas: o pudim! Disgaea Mayhem possui uma premissa ousada tanto em sua narrativa quanto em sua própria concepção, sendo inicialmente um jogo que não carregava o nome da icônica franquia da Nippon Ichi Software, mas que a NIS America decidiu localizar como tal.
Embora o meu histórico com a série Disgaea seja um tanto vazio em muitas partes, eu estava animado para a experiência de Mayhem, uma vez que ele foi anunciado no Ocidente porque a ideia de um “musou de Disgaea” parecia perfeita em conceito; que forma melhor de representar os danos e escalas exageradas de Disgaea do que encher a tela com centenas de inimigos? Os meus sonhos para o jogo final, no entanto, foram esmagados com a demo do jogo – que recomendo vocês tentarem jogar antes para entender minhas críticas.
Sem mais delongas, venha descobrir por que levar ao forno um mercenário, uma princesa confeiteira e uma gameplay de ação em um mundo preso às dinâmicas de uma série de estratégia pode não gerar um dos melhores pudins, mas um que poderia ter um certo… potencial.
Os estranhos pudins de Super Duper

A narrativa de Disgaea Mayhem se centra no bizarro submundo de Super Duper, um nível infernal que antes era liderado pela força e derramamento de sangue, mas que, graças ao último Overlord, mudou de caminho e passou a focar em uma coisa: pudins! E é aqui, nessa premissa, que o jogador verá que a história, em muitos pontos, não vai se levar a sério – como em qualquer Disgaea – e vai sempre dar uma ênfase na comédia.
Tendo apresentado o conceito “bizarro” deste mundo, nós temos uma dupla de protagonistas inusitados: a princesa e atual Overlord de Super Duper, Tichelle, e o mercenário contratado N.A., que é “sério demais” para o inusitado Super Duper. Os jogadores de Mayhem poderão ver que a história se constrói de uma maneira interessante para estes dois, onde vemos o estoicismo de N.A. lentamente se derretendo e construindo uma amizade genuína entre ele e Tichelle, mas é claro, não sem seguir uns padrões chatos.

Não me levem a mal: dado o tom mais cômico do jogo, eu acredito que essa forma não é ruim, e combina com o padrão mais bobo que outros jogos da NIS em geral possuem, mas vocês precisam levar em conta a situação curiosa de este não ser o único aspecto repetitivo de Mayhem, e isso é algo que vai pesar depois.

Com sua história base tendo entre cinco a sete horas até você chegar ao fim se não fizer mais nada, Disgaea Mayhem definitivamente não se estende mais que o necessário, mas poderia usar um pouco do runtime básico de outros RPGs de menor escala…
Um combate fácil para um mercenário
Kyouran Makaism, como é chamado no Japão, foi vendido como uma forma de explorar o universo extenso que vemos em Disgaea e outros jogos interconectados da Nippon Ichi Software através de um estilo de gameplay que seria uma novidade para eles – um RPG de ação em um ambiente 3D! O jogo segue o mesmo princípio de títulos no estilo Warriors, ou musou, onde você controla um único personagem e tem uma variedade de combos que podem começar e terminar com os botões X e Y.
A seleção de armas em Disgaea Mayhem inclui ao todo as categorias abaixo:
- Espadas
- Lanças
- Machados
- Armas de fogo
- Cajados de magia
- Arcos e flechas
- Luvas de combate corpo-a-corpo

Cada arma funciona de uma maneira diferente e terá certas vantagens e desvantagens perto de outras, mas o jogo também conta com um sistema de gameplay único através das habilidades especiais que certas armas possuem, tendo uma espécie de mecânica de ATB Cooldown para o reativamento delas. Essas armas podem ser o fator decisivo para um contra-ataque certeiro contra uma horda de monstros ou um chefão em particular.
Porém, um outro aspecto no qual Kyouran Makaism foi revelado foram os companheiros, monstros icônicos da série Disgaea que você recruta como parte de seu arsenal. Eles não apenas seguem N.A. pelo mapa, como também possuem seu próprio especial, durante o qual, por um tempo limitado, se tornam uma arma para N.A. usar contra inimigos, tendo seu próprio set de especiais e armas que eles podem se transformar. Não é um combate ruim, muito pelo contrário, mas é outro ponto do jogo que vai ser repetitivo se você não der uma pausa eventual para outras coisas. Por sorte, assim como nem só do pão viverá o homem, nem só do modo história e mapas centrais viverá Disgaea Mayhem!

Congresso, rogues e um Monopoly

Facilmente o melhor ponto para o jogo na minha opinião é a ênfase que Disgaea Mayhem dá no conteúdo paralelo à história através dos modos alternativos que você vai desbloqueando, entre coisas bobas como um congresso de políticos no qual você pode pagar uma propina, coagir à força ou só pagar para aprovar suas leis como os diferentes modos, e vantagens que você desbloqueia através deste sistema. Antes, o jogo é até meio opressivo dentro das coisas que você pode ou não fazer dentro do castelo, então lentamente conquistar essa liberdade é até satisfatório.
Dentro dos modos que o jogador pode desbloquear bem no comecinho da aventura pelas votações, estão eles:
- Item World: o modo roguelike do jogo, onde o jogador pode escolher um item de N.A. ou um aliado monstro para dar um level up básico. Ele segue a mesma premissa que vemos em outros jogos da NIS, como os Disgaea ou Phantom Brave, onde você tem um “mundo” gerado in-game com uma série de inimigos para enfrentar em ondas – é perfeito para dar level up uma vez e ficar overlevel na main story.

- Chara World: um modo feito para aperfeiçoar stats específicos de N.A., onde Tichelle e outros aliados entram no corpo do mercenário e o aventuram como num jogo de tabuleiro. É um modo carregado pelo RNG e pela aleatoriedade de tudo, mas acaba sendo bem curtinho ~
Chara me fez fazer isso.

- Cheat Mode: desbloqueado e aprimorado conforme o jogador prossegue tanto na história quanto no tribunal. Os Cheats são essencialmente modificadores de estatísticas que permitem que o jogador decida quanta EXP, dinheiro ou pontos de alma N.A. irá ganhar após determinadas missões. Com você podendo tirar a porcentagem de um aspecto para colocar em outro, é uma das mecânicas mais divertidas de se mexer.

- Reincarnation (para companheiros): funcionando da mesma forma que o Reincarnation de outros Disgaeas, esta versão permite pegar personagens overleveled e coloca-los de volta no nível 1, aprimorando uma série de stats específicos baseados na quantidade de pontos de alma que o jogador possui.
- Modificações gerais: para encerrar, entre correr e pular no HUB World (o castelo) a melhorias gerais em lojas, o congresso acaba sendo a mecânica mais importante nas mãos do jogador, e caso você a mecânica de combate repetitiva, junte um pouco de dinheiro para tentar fazer parte dessa palhaçada entre políticos viciados nas coisas mais estranhas possíveis.
“Potential Game”
Eles chamam Disgaea Mayhem de 007:
0 modos de otimização decentes.
0 variedade de inimigos.
7 horas de uma história curtíssima.
Brincadeiras à parte, eu acho que nunca tive um “aftershock” tão grande entre um mesmo gênero do que partir de Granblue Fantasy: Relink para este jogo (e sim, é uma comparação injusta, mas não pude deixar de fazê-la enquanto jogava). Mas se fosse para criticar os aspectos deste, a gameplay dele como um RPG de ação não estaria nas minhas prioridades de crítica.
Disgaea Mayhem infelizmente só falha em muitos dos aspectos que tenta promover. Você queria um jogo de ação 3D? Boa sorte, a ação acaba em minutos, com poucos mapas te deixando matar mais do que 100 inimigos; quem sabe apostar a sorte da IP em um jogo com uma produção maior? Nope, o jogo é feio em diversos pontos, e jogar ele no portátil era como escolher meu método de tortura…

Se eu fosse jogar no modo performance, o jogo sairia tão feio que os meus olhos doíam em alguns pontos que não precisavam ser borrados. Se eu escolhesse o modo qualidade, ele travava simplesmente no meio de combos contra uma série de inimigos.
E para piorar tudo, os erros de otimização nem são exclusivos do Switch 2, que é o console no qual joguei. Pois olhem como é o jogo rodando no Windows 10 em alguns PCs:

No fim, eu me diverti em muitos aspectos de Disgaea Mayhem, mas ao mesmo tempo é um dos jogos que eu acredito que mais me arrependi de pegar para uma análise. Eu quero ser justo com a Nippon Ichi Software, e sempre torço para que eles encontrem o acerto de que precisam para acertar em cheio…
Mas Disgaea Mayhem, ou Kyoran Makaism, como uma ideia em geral, não foi este acerto.
Eu ri muito, mas…

No fim do dia, a história de Tichelle e N.A. acabou me divertindo em muitos aspectos, e o humor bobo e um tanto zoomer que a série carrega me animou de uma forma interessante – eu realmente não esperava uma referência a Cory in the House entre todas as coisas, mas infelizmente nem só de humor vive um jogo, e este possui aspectos que o tornam difícil de recomendar não apenas em um vácuo, mas até para fãs de longa data de Disgaea.
Se mesmo depois dos meus pontos falando mal dos aspectos do jogo, você ainda quiser experimentar para ver se é tão ruim assim, eu diria: vá em frente. A Demo explora o prólogo e te faz ter uma noção do que se trata! Dito isso, Disgaea Mayhem cometeu erros que variam entre “pode ser corrigido em um patch” ou “são estruturais nas falhas do jogo em si”, então meu ponto final sobre ele é que acertou em uma coisa apenas…
“Pudins são o início e fim de todos os conflitos” ~ViniMonado após assistir Dragon Ball Z: A Batalha dos Deuses.
Prós:
- Humor bobo com personagens carismáticos como Tichelle e N.A.;
- Uma ambientação interessante para Disgaea e com foco em doces;
- Variedade de modos alternativos para aqueles que se cansam do combate.
Contras:
- Problemas de otimização horríveis, mesmo em um console poderoso como o Switch 2;
- Uma narrativa curta que não é auxiliada pela repetição;
- Gameplay de combate que não se aprimora além do básico presente nela;
- É um jogo difícil de recomendar, mesmo para fãs de carteirinha de Disgaea.
Nota
6
