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Desenvolvedora: Sonic Team
Publicadora: SEGA
Gênero: Ação e aventura
Data de lançamento: 23 de junho, 2026
Preço: R$ 250,90
Formato: Físico (Game-Key Card)/Digital
Plataformas: Nintendo Switch 2
Análise feita no Nintendo Switch 2 com cópia fornecida gentilmente pela SEGA.
Revisão: Davi Sousa
E lá se vão quase trinta anos desde a primeira aventura 3D de Sonic. Seus lançamentos iniciais (ainda bidimensionais), nos anos 90, foram os jogos da minha infância, e cada visita que faço a um título da franquia funciona como uma máquina do tempo, que me transporta para uma época boa, mas que já passou. Outrora uma franquia exclusiva dos consoles da SEGA, Sonic Adventure foi um dos últimos respiros da empresa enquanto fabricante de hardware.
De lá para cá, Sonic foi se reencontrando e se ressignificando ao longo do tempo, mas sem repetir o sucesso dos títulos iniciais, como se esse sucesso, assim como a minha infância, tivesse passado. O ouriço azul, na verdade, passou por altos e baixos nos videogames. Arrisco a dizer que, dado todo o histórico, foram mais baixos do que altos. A franquia, desenvolvida pela Sonic Team, perdeu consistência, entregando sequências de qualidade questionável. Porém, isso não minou sua relevância frente à indústria e consumidores. Apesar de tudo, Sonic nunca perdeu totalmente o seu brilho.
De volta nos trilhos?

Lançado originalmente em 2022, Sonic Frontiers surgiu com a missão de colocar tudo de volta nos trilhos. Porém, antes mesmo do seu lançamento, logo no trailer de anúncio, isso foi colocado à prova por conta das mudanças visuais, enxergadas por alguns como “realistas demais”. Frontiers nasce tendo que se provar para além das críticas à sua direção de arte. De surpresa, agora em junho, a SEGA anunciou e lançou uma versão Definitive Edition do jogo, que conta com itens cosméticos, um livro de arte digital, a expansão O Horizonte Final (uma campanha extra em que jogamos com Amy, Tails e Knuckles) e melhorias gráficas para o Nintendo Switch 2.
A impressão que tive jogando é que Frontiers busca conciliar o que de bom tivemos nas aventuras 3D de Sonic, no intuito de agradar a diferentes públicos. Arrisco a dizer que o título, se não é o melhor, está no top 3 de melhores jogos do ouriço azul dos últimos anos. A empreitada é digna de nota, apresentando uma aventura consistente e diferente. A exploração é gostosa e conta como uma estrutura sandbox com desafios diversos que nos diverte. Porém, nem tudo funciona. O ponto aqui é tentar entender se os problemas se sobressaem a seus acertos.
Choque entre dois mundos
Na história, o Dr Eggman Robotnik mais uma vez apronta das suas e provoca um choque entre dois mundos. No processo, Sonic e seus amigos, na busca pelas Esmeraldas do Caos, chegam a um arquipélago antigo e desolado conhecido como Starfall Islands. Seus amigos, no entanto, ficam presos numa espécie de limbo temporal chamado de ciberespaço (que guarda alguns dos segredos das ilhas). Enquanto busca as Esmeraldas do Caos para resgatar seus amigos, o ouriço azul precisa ajudar algumas criaturas que vivem no arquipélago, chamadas de Koco. Nossa missão, portanto, consiste em salvar os nossos amigos, ajudar os Kocos, derrotar o mal iminente que ameaça toda Starfall Islands e retornar à nossa casa.

Jogos de plataforma, no geral, não costumam apresentar uma narrativa muito profunda e cheia de camadas. A história nessas aventuras nunca se coloca à frente da exploração do seu mundo. A simplicidade e o tom leve são o que, muitas vezes, torna tudo tão marcante. Em essência, Sonic Frontiers, pelo exposto no parágrafo acima, até mantém parte dessa essência, mas o texto presente força algo mais dramático e sombrio. O que quero dizer é que o título se leva a sério demais. Porém, essa carga dramática não possui o peso para fazer com que certas ações tenham o impacto desejado em quem está jogando, principalmente nos momentos finais da campanha.
A direção de arte, tão criticada durante as campanhas de divulgação e depois do lançamento, foge do ar mais cartunesco e colorido que sempre marcou os jogos do Sonic. Acima de qualquer coisa, Starfall Islands é um mundo desolado e distópico, e a identidade visual de cada uma das ilhas que exploramos tenta reforçar essa ideia, propositalmente ou não. A paleta de cores, tão vibrante em títulos anteriores, dá espaço a um mundo em sépia, desbotado, quase monocromático. Algo desnecessário, na medida em que títulos como The Legend of Zelda Breath of the Wild, Horizon Zero Dawn e Shadow of the Colossus apresentam também um mundo devastado, mas os três seguem um caminho artístico diferente do que vemos em Frontiers.
Explorando as ilhas

O jogo está dividido em cinco grandes áreas abertas, que contam, inclusive, com variação climática e ciclos de dia e noite. E em cada ilha, com exceção de uma, os objetivos se repetem: desbloqueie o mapa, adquira itens mnemônicos para ajudar seus amigos, derrote inimigos mais fortes para ganhar engrenagens, use engrenagens para desbloquear as torres do ciberespaço, complete os desafios do ciberespaço para conseguir chaves, use as chaves para desbloquear cofres com as Esmeraldas do Caos. Apesar da repetição, a variedade de desafios e demais objetivos que temos que cumprir são suficientes para nos entreter, afastando qualquer sentimento de tédio na exploração do mundo.
Sempre que iniciamos uma nova ilha, o objetivo que dá continuidade aos eventos de Sonic Frontiers é apontado na tela, mas, no início, mesmo com esse marcador, achei os objetivos um pouco confusos: qual desafio fazer para desbloquear mais o mapa? Qual cumprir para conseguir as esmeraldas? Às vezes uma esmeralda está no cofre da torre; em outras, com o personagem que temos que ajudar. Não que seja um um problema com o jogo em si; eu apenas demorei mais do que deveria (talvez por desatenção) para compreender o real impacto de certos desafios na progressão daquele mundo.
Equilíbrio e reciclagem

Uma coisa digna de nota é a forma como Sonic Frontiers casa muito bem momentos de velocidade com os de plataforma. Sempre tive a impressão, na minha experiência com outras aventuras 3D de Sonic — como Colors e Generations —, que faltava equilíbrio. O foco era todo na mecânica de boost, e aqui acredito que tudo foi dosado na medida certa. Os desafios de plataforma, por exemplo, são muito divertidos, e tem toda uma ilha pensada somente para isso. Frontiers foi o mais próximo que o Sonic Team chegou em adaptar a antiga jogabilidade 2D para o 3D.
No desafio do ciberespaço, visitamos uma fase mais tradicional; porém, são estágios que incessantemente vêm se repetindo, pelo menos há vinte anos, nos jogos do Sonic. Há até uma tentativa de explicar a presença desse trabalho de reciclagem numa linha de diálogo durante a aventura, da qual dei uma gostosa gargalhada, pela ousadia do Sonic Team. Ou seja, o jogo usa um elemento narrativo de sua história para justificar, da forma mais descarada possível, a nossa décima revisita a essas fases.
Outra coisa que marca presença aqui e se sobressai positivamente são as melodias, muitas delas vindas de outros jogos da franquia. Dada a qualidade das músicas, essa repetição está longe de ser um problema; na verdade, ela é até bem-vinda. A variedade e a qualidade das composições, não importa se antigas ou originais, das mais agitadas às mais calmas, casam perfeitamente com a aventura, dando o tom certo para nos aventurarmos por Starfall Island.
Os momentos de combate

Uma coisa de que gostei bastante foram os momentos de combates contra inimigos espalhados pelo mapa. Há a possibilidade de fazermos diferentes combos, parry para quebrar o ataque adversário e movimentos que baixam a defesa para que possamos atacar. Tudo isso casado com um sistema de evolução de poder através de uma pequena árvore de habilidades e a possibilidade de aumentar atributos como força e velocidade. Porém, aqui temos dois pequenos problemas.
O primeiro é que nos deparamos com poucos inimigos ao explorar as ilhas. Logo, os combates acabam não sendo um componente tão importante assim de Frontiers. E como eles são facilmente derrotados — com exceção dos guardiões —, muitas das habilidades acabam sendo subutilizadas. O segundo problema é que o nosso senso de poder acaba sendo limitado, esvaziando a eficácia do sistema de evolução. Apesar de podermos aumentar a defesa e ataque de Sonic, por exemplo, as vantagens dessas melhorias são pouco perceptíveis nos momentos de combate. Talvez a mais notável esteja nas lutas contra os chefões. Já que podemos melhorar a capacidade de anéis do Sonic e nas lutas contra eles, como Super Sonic, as argolas funcionam como um timer.
As batalhas contra os chefões, aliás, são fantásticas! São uma das melhores coisas de Sonic Frontiers. Basicamente, cada chefe possui três estágios: no primeiro, escalamos o titã, bem nos moldes Shadow of the Colossus, para pegar a última Esmeralda do Caos. Como Super Sonic, enfrentamos duas variações de ataques diferentes, que alternam após diminuirmos certa quantidade de energia do titã. Cada batalha é única e extremamente divertida, contando com puzzles, animações cinematográficas e até mesmo sequências de quick-time event.
A versão não tão definitiva
Um dos principais problemas do jogo base de Sonic Frontiers, para o Nintendo Switch, é de ordem técnica. A Definitive Edition, em tese, deveria corrigir esse problema, funcionando como a derradeira versão do jogo para os donos do Switch 2. O título, de fato, apresenta melhorias, seja em seu visual ou no framerate, adicionando os modos qualidade, que prioriza os visuais, e performance, que prioriza o framerate. Porém, elas não foram suficientes para corrigir totalmente os problemas do jogo base.


Para todos os efeitos, a Definitive Edition ainda apresenta um visual embaçado, conta com pop in de elementos dos cenários (como grama e árvores), erros em texturas e efeitos de luz e sombra. O modo desempenho, por exemplo, sacrifica o draw distance e a resolução para manter o framerate próximo aos 60fps. Jogar no modo portátil não foi lá muito agradável, sendo imperativo para uma melhor experiência abrir mão do framerate e jogar no modo qualidade.
Em suma, se você estava esperando um salto técnico nessa nova versão, irá se frustrar. A impressão que tenho é que ele foi mal otimizado, e isso fica evidente pela falta de polimento. O Switch 2 conseguiria entregar algo muito melhor. Dito tudo isso, a decisão da SEGA de não dar a opção de os donos do jogo base poderem adquirir o upgrade para a edição (não tão) definitiva é injustificável. Se quiser conferir, você terá que comprar o jogo de novo. Indefensável!
Esperança no futuro
Sonic Frontiers é mais do que eu esperava, mas ainda é menos que o antigo mascote da SEGA merece. Isso não quer dizer que o jogo é ruim. Os maiores problemas aqui são de ordem técnica e estão diretamente ligados tanto à falta de polimento quanto à estranheza que a direção de arte do jogo nos causa. Em sua estrutura, temos um parque de diversões para explorar, que guarda uma grande quantidade de segredos e desafios. Ao final da aventura, ficou claro que a SEGA ainda tem muito que acertar pela frente, mas, no geral, fiquei verdadeiramente esperançoso com o futuro da franquia, como há tempos não ficava. Ao que parece, o Sonic Team finalmente encontrou um caminho a seguir nas aventuras 3D do ouriço azul. Fico ansioso para ver o que vem pela frente!
Prós:
- Exploração tipo “mundo aberto” e desafios divertidos;
- Gameplay que mescla momentos de velocidade e plataforma;
- Destaque para os combates contra os titãs.
Contras:
- Pop in de elementos do cenário e texturas;
- Baixa resolução mesmo no modo qualidade;
- Estágios reciclados;
- Abandono da direção de arte mais cartunesca;
- Poderes e habilidades subutilizados.
Nota
7
