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Desenvolvedora: Nintendo
Publicadora: Nintendo
Gênero: Tiro em terceira pessoa | RPG de ação
Data de lançamento: 23 de julho de 2026
Preço: R$ 279,90
Formato: Físico/Digital
Plataformas: Nintendo Switch 2
Análise feita no Nintendo Switch 2 com cópia fornecida gentilmente pela Nintendo.
Revisão: Davi Dumont Farace
Eu tenho o costume de dizer que, se a era do Wii U foi uma das piores épocas para ser fã da Nintendo, ao menos a companhia nos deu Splatoon.
Em um momento esquisito da história da empresa, onde tudo o que ela parecia saber fazer era jogar seguro, lá chegava o supracitado jogo em 2015: uma nova IP em um gênero que, até então, havia sido pouco explorado pela mesma — um shooter online. E acho que o simples fato de este texto existir já diz por si só qual foi o resultado crítico e comercial dessa nova empreitada da Nintendo, não?
Splatoon se tornou um fenômeno, especialmente no Japão, com três jogos principais, shows com hologramas ao vivo das idols, toneladas de merchandising e, rapidamente, foi crescendo até se tornar uma das maiores séries da empresa, ao lado de titãs como Mario, The Legend of Zelda e Animal Crossing.

Agora, 11 anos após a estreia da série, Splatoon finalmente recebe seu primeiro spin-off! Splatoon Raiders promete ser um “jogo de Splatoon com foco no single-player”, em uma franquia que ficou conhecida por ter campanhas para um jogador consideradas fracas, muito por conta do seu foco no PvP online. Então, será que o time de Splatoon finalmente conseguiu sair das sombras das batalhas online de Turf War e criar algo verdadeiramente especial com Raiders?
“Bem-vindos” às Ilhas Spirhalite
Splatoon Raiders começa com o trio da banda Deep Cut: Shiver, Frye e Big Man em um helicóptero, a caminho de uma ilha misteriosa em busca de tesouros para conseguirem pagar a imensa dívida de 6 bilhões que a cidade de Splatsville se enfiou. No entanto, eles se metem em uma forte tempestade e acabam caindo, destruindo o helicóptero e ficando presos na ilha.

Por sorte, o piloto que os acompanhava também era um mecânico extremamente talentoso! Com a ajuda dele, o grupo consegue criar uma pequena base na ilha e começa a explorar o local em busca de tesouros valiosos. Mas, conforme avançam e descobrem os segredos escondidos naquele lugar, fica cada vez mais claro que tem algo de muito errado naquela ilha, envolvendo os Salmonídeos que ali habitam e a neblina que cerca o lugar. Agora, cabe à Deep Cut explorar esse território desconhecido, descobrir o que realmente está acontecendo por ali e, é claro, encontrar uma maneira de voltar para casa, tudo enquanto tentam juntar dinheiro suficiente para pagar uma dívida de 6 bilhões.

Durante o jogo você terá uma variedade de diálogos com Shiver, Frye e Big Man, e se você sentia que esses personagens foram subutilizados em Splatoon 3, eu tenho boas notícias: esses três roubam a cena por aqui! Eles são um poço de carisma, e cada interação entre eles é super divertida, engraçada e especial. Vê-los passando a confiar na mecânica (sua personagem) com o passar da história, e até começar a tratá-la como membro da Deep Cut mais perto do final é bem fofinho. Aprender mais sobre o passado de cada um dos membros é muito bem-vindo, depois de Splatoon 3 não nos dar basicamente nenhuma informação sobre isso.
O único ponto negativo que eu tenho a dizer aqui é que o jogo, por algum motivo, não está localizado em Português Brasileiro! O apoio da Nintendo ao nosso idioma vem melhorando nos últimos anos, mas ainda assim existem algumas exceções notáveis de jogos que só teriam a ganhar tendo localização, Splatoon Raiders sendo um deles. Com diálogos e personagens tão bons, essa seria a chance perfeita de introduzir os jogadores brasileiros à série. Uma pena mesmo.
Salmon Run, só que diferente.
Como dito no começo, Splatoon não tem um histórico exatamente positivo quando o assunto são suas campanhas single-player. Todas são, sim, muito competentes, mas poucas conseguem ir além disso: Splatoon 1 foi uma introdução divertida, Splatoon 2 acabou sendo mais do mesmo, e Splatoon 3 finalmente tentou fazer algo mais grandioso, mas acabou pecando em algumas áreas. As exceções ficam por conta das DLCs, como Splatoon 2: Octo Expansion e Splatoon 3: Side Order, que são experiências muito mais completas, mas que ainda assim vivem à sombra dos modos online, algo que, para esse tipo de jogo, faz todo sentido.
Por isso, desde o começo, a proposta de Splatoon Raiders me interessou. Fiquei curioso para descobrir o quão diferente seria um spin-off totalmente focado no single-player, que não precisasse se preocupar com todo o componente online competitivo que sempre esteve no centro da franquia. A boa notícia é que Splatoon Raiders é, de longe, a maior surpresa que tive com um videogame em TODO o ano!

Para quem já conhece Splatoon, a melhor forma de descrever o jogo é como uma grande campanha single-player baseada no modo Salmon Run, introduzido em Splatoon 2. O loop de gameplay é simples: você entra em uma fase, enfrenta hordas e mais hordas de Salmonídeos (os principais inimigos do jogo) e coleta os tesouros depois de fazer uma bela de uma limpa neles, e acreditem em mim quando eu digo que isso vicia RÁPIDO! Desde o design de som das suas armas, as explosões que os salmonídeos fazem quando você derrota eles, os milhares de números subindo na tela a cada dano desferido, tudo em Splatoon Raiders parece ter sido meticulosamente feito para criar uma experiência sensorial absurdamente gostosa e satisfatória para quem está jogando.
O jogo é um CAOS durante o combate! Pelas prints que eu tirei enquanto jogava talvez seja até meio difícil de identificar o que exatamente tá acontecendo com tanto número, inimigo e partícula de tinta vindo pra cima de mim. Mas o interessante mesmo é que isso nunca me atrapalhou; nenhuma morte que eu tive pareceu culpa do jogo ou das informações que estavam na tela, e de alguma forma enquanto jogava eu sempre sabia o que estava acontecendo, como se meu corpo desenvolvesse um sexto sentido dedicado apenas à matar salmões assim que eu clicasse no ícone do jogo no meu Switch 2.

A gameplay de Splatoon sempre foi muito focada em movimentação, e eu diria que esse é o jogo onde esse aspecto é mais colocado à prova. Enquanto as campanhas anteriores da série eram muito mais focadas em um plataforming que, por vezes, acabava ficando meio monótono, aqui o foco está quase que inteiramente no combate. Cada decisão importa e pode ser a diferença entre a vitória e a derrota: desde o timing para usar seus especiais, passando por qual Salmonídeo você deve priorizar, até decidir se é melhor partir para cima dos inimigos ou recuar um pouco para recuperar sua vida num momento de mais tensão.
O novo sistema de Gadgets também ajuda muito a dar uma profundidade a mais para a experiência: basicamente, antes de cada fase você pode selecionar no máximo três equipamentos de um entre três diferentes tipos: Velocidade, Poder e Tática. Os equipamentos de Velocidade sendo focados em dar mais opções de movimentação, os de Poder sendo focados em dar muito dano, e os de Tática sendo muito mais sobre posicionamento e de fato criar uma estratégia para vencer. O uso deles pode variar desde um simples pulo duplo para as de velocidade, até um machado mortal para poder, ou uma bomba remota gigante para os de tática. Não diria que existe uma opção melhor ou pior, apenas escolha a que mais combina com seu estilo de jogo e as coisas devem fluir bem. Eu, pessoalmente, fui de Poder basicamente o jogo inteiro.

Se sua preocupação for sobre a duração do jogo e o quanto de conteúdo ele tem, eu diria que você pode ficar despreocupado também. São mais de 40 fases, a grande maioria com 3 opções diferentes de dificuldade com recompensas diferentes, várias roupinhas para customizar seu personagem, um conteúdo pós-game bem extenso e difícil. Eu terminei a campanha principal com 25 horas, mas consigo me imaginar passando das 100 quando inevitavelmente for fazer o tão temido 100%.
Abandonamos o Multiplayer?
Resposta curta: não! Splatoon Raiders tem um componente multiplayer ótimo e divertido, permitindo que você reúna até três amigos para jogar a campanha INTEIRA juntos. Sim, você pode jogar tudo do começo ao fim com mais três pessoas te acompanhando, e isso funciona surpreendentemente bem. Chamei dois amigos meus para fazermos algumas das raids mais complicadas, e essas foram facilmente algumas das horas em que mais me diverti jogando videogame em toda a minha vida.
Se conectar com seus amigos é bem fácil e direto ao ponto, levando apenas alguns cliques no menu. A conexão também se manteve bastante estável e agradável durante toda a experiência, sem problemas de dessincronização ou quedas de conexão. Foi uma experiência bem sólida que nem mesmo o Splatoon 3 conseguiu me oferecer.

Caso você não tenha amigos para jogar, não se acanhe, pois o jogo também te oferece a opção de se juntar à pessoas aleatórias com a função “Call for Help”. É só selecionar uma fase, pedir por ajuda e rapidinho pessoas do mundo inteiro vão se juntar à você em sua próxima Raid! Isso foi bem útil pra mim em algumas das fases mais difíceis, e mais uma vez eu fiquei surpreso com o quão rápido foi encontrar jogadores em relação até mesmo ao Splatoon 3. Em algumas fases específicas (como o chefe final, por exemplo) a função não está disponível, mas em praticamente todo o resto do jogo é possível chamar por ajuda.
Os Salmões também sabem fazer música!
Gostaria de tirar um momento desse texto para falar um pouco da apresentação do jogo. Mais especificamente queria dar um destaque para as músicas, pois Splatoon tem uma relação bem especial com sua trilha sonora. O resumo da obra é que todas as músicas do jogo são CANÔNICAS, todas elas existem no universo e são feitas por bandas de espécies do jogo, e isso inclui os Salmões. O ponto que eu quero chegar aqui é que a trilha sonora de Splatoon Raiders é um caos: as músicas são bagunçadas, tem instrumentos distorcidos, progressão que às vezes pode não fazer o menor sentido. Mas tudo isso é porque, no universo, elas são feitas pelos salmões, os inimigos da história.

É uma trilha sonora que induz à ansiedade, que ativamente quer que você se sinta esquisito. E enquanto eu acho isso um baita ponto positivo e uma forma bem única de se incorporar músicas não apenas ao jogo, mas ao seu universo como um todo, eu também consigo entender que esse método não vai agradar todo mundo. Claro, nem todas as músicas tem essa “singularidade”, e vale a pena dar um destaque para as maravilhosas composições da Deep Cut que tocam durante basicamente todo o jogo e são faixas mais “normais”, por assim dizer. Sem dar muitos spoilers, mas a música de chefe final cantada pelo grupo é de dar arrepios.

Visualmente o jogo é bem agradável também. Pode não parecer um salto tão grande em relação ao Splatoon 3 no Switch 1, mas os pequenos detalhes fazem toda a diferença; Por exemplo: agora, quando você atira tinta na parede, ela vai escorrer pra baixo como se fosse tinta real ao invés de ser uma textura sólida. As animações não apenas de gameplay mas especialmente de cutscenes também foram drasticamente melhoradas, dando uma sensação mais “polida” ao título como um todo.
“Catch ya later!”
Enquanto a ausência do português brasileiro foi inegavelmente um incômodo, Splatoon Raiders acabou sendo, sem sombra de dúvidas, uma das maiores surpresas que tive com um jogo em 2026. O que eu esperava ser apenas mais uma campanha divertida de Splatoon acabou se tornando uma experiência extremamente viciante, com um combate delicioso, bastante conteúdo e um multiplayer que funciona melhor do que eu poderia imaginar.

Mas acima de tudo, acho que uma das minhas maiores alegrias com Splatoon Raiders é que ele finalmente dá à Deep Cut o holofote que o grupo merecia. Shiver, Frye e Big Man roubam a cena aqui, e conhecer mais sobre esses personagens tão subutilizados no Splatoon 3 foi um verdadeiro prazer do começo ao fim do jogo. Splatoon Raiders prova que a série pode ser muito mais do que “apenas” um ótimo jogo online competitivo, e eu espero que esse seja o primeiro de muitos spin-offs focados no single-player que a franquia vai nos fornecer.
Prós:
- Combate divertido e profundo;
- Pós-jogo extenso;
- Componente online é muito bom;
- Trilha sonora única;
- História e diálogos divertidos;
- Belíssimas animações.
Contras:
- Ausência de PT-BR.
Nota
9
