Desenvolvedora: Kogado Studio
Publicadora: Aksys Games
Gênero: Otome Game
Data de lançamento: 20 de agosto de 2026
Preço: R$ 251,11
Formato: Físico/Digital
Plataformas: Nintendo Switch
Análise feita no Nintendo Switch com cópia fornecida gentilmente pela Aksys Games.
Revisão: Manuela Feitosa
Como uma releitura de O Mágico de Oz, OVER REQUIEMZ vai tomar emprestado de maneira livre o mundo e personagens do clássico e resignificá-los, trazendo para dentro do contexto de um otome game com uma abordagem mais sombria.
O jogo tem sido um dos títulos mais bem cotados a receber uma localização desde seu lançamento oriental em abril de 2025, e em pouco mais de um ano depois, o jogo chega localizado em inglês prometendo bastante.
Forasteiras não são bem-vindas

Assim como Dorothy na versão original, a protagonista Yuhiru acaba sendo vítima de um tornado que a transporta para o mundo de Oz. Ao chegar lá, a sua recepção não é das mais calorosas, e a mesma acaba sendo acusada por um crime que não cometeu e logo em seguida sentenciada a morte. No entanto, um dos costumes dessa versão de Oz consiste em enviar esses criminosos para explorar ruínas misteriosas onde poucos são aqueles que saem com vida para descrever o que de fato encontraram lá. Tendo isso em vista, os que tiverem sorte o suficiente para retornar receberão o perdão e, consequentemente, a liberdade.

E assim se estabelece a premissa da jornada de Yuhiru. A garota precisa cruzar a região juntamente com um bando de criminosos — que nada mais são do que os interesses amorosos do jogo — até chegar às ruínas para explorá-la e talvez encontrar alguma pista que a ajude a retornar para casa.
Os supostos criminosos que acompanharão Yuhiru nessa jornada consistem em Dorothy, Molly, Kaize, Claude e Noil, cada um sendo análogo a um personagem de O Mágico de Oz. Alguns são representações óbvias e trazem consigo os elementos que consistiam na jornada dos personagens originais, como a busca por um coração do Homem de Lata, a coragem do Leão Covarde e o cerébro do Espantalho. Já outros personagens vão trazer elementos não tão referenciados, como Kaize, que representa a princesa Ozma, personagem recorrente dos livros mas que não chega a aparecer no primeiro da série, o mais referenciado e adaptado.

O mundo de Oz nunca foi lá muito complexo e profundo em seu material original e nas adaptações mais conhecidas, como o filme de 1939. OVER REQUIEMZ dá uma roupagem e um contexto político e social radicalmente diferente do habitual ainda que mantendo a iconografia do clássico, como a estrada de tijolos amarelos e a Cidade Esmeralda. Alguns personagens ainda se fazem presentes como Glinda, que nessa versão atua como uma espécie de guarda real.
No geral, dá pra dizer que OVER REQUIEMZ é quase como uma versão mais edgy do clássico. O jogo vai abordar temas mais pesados e por vezes pode ser bem violento e sombrio, narrativamente falando. Finais tristes e agridoces também não serão incomuns, até mesmo nas rotas mais tematicamente leves.
Romance e insanidade em Oz
Diferentemente do que é comum no gênero, OVER REQUIEMZ aposta em uma abordagem mais intuitiva na questão das rotas e as bifurcações narrativas que a história pode seguir. Logo após terminar o prólogo do jogo — que nada mais é do que um capítulo de exposição apresentando o mundo e os personagens —, é oferecido ao jogador a possibilidade de escolher qual história de personagem acompanhar direto de um menu, sem escolhas e decisões oblíquas ou abstratas que desencadeiam em determinadas rotas como é de costume.

OVER REQUIEMZ também não tem um sistema de “love catch” tradicional, mas sim uma categorização para os diferentes tipos de escolha que a protagonista pode fazer, todas bem obviamente sinalizadas quando aparecem. Dentre essas opções existem três tipos diferentes: aquelas que não afetam o rumo da história e servem muito mais para que o jogador tenha um pouco mais de controle sobre a personalidade da personagem; as que desbloqueiam falas bônus no menu de extras; e por fim, existem as escolhas que vão de fato alterar o rumo da história.
Outro ponto que OVER REQUIEMZ carrega como diferencial é o fato de que cada personagem em questão vai ter duas rotas separadas, Dark e Fact. Assim como os próprios nomes sugerem, a rota Dark costuma apresentar uma versão mais sombria do rumo que os acontecimentos do jogo podem desencadear, enquanto a rota Fact se aproxima mais de um “final verdadeiro”, algo mais tradicional de um otoge.
O que me surpreende nessa mecânica é o quão ela é capaz de expandir as formas como esses personagens são abordados. Desta forma acabamos vendo muito mais facetas do mesmo personagens ao invés de somente um final como é precoce. Ao longo da jornada foi bem interessante acompanhar o quão esses personagens tem uma certa pré-disposição a cair em caminhos mais negativos, e ver isso sendo de fato realizado e explorado em uma rota inteira foi bem divertido.

As rotas Dark ainda tentam não deixar o romance de lado, mesmo que isso acabe deixando algumas rotas com aquele gostinho de “posso concertá-lo”, e não é todo mundo que vai querer se relacionar com psicóticos malvados. Pelo menos não é o meu caso, mas sei que o público alvo de red flags ambulantes existe. Mesmo não gostando de romances com esse tipo de personagem, consegui apreciar essas rotas pelo que elas são e pela profundidade que trazem não só para a história, mas também para os personagens.
O gênero visual novel como um todo é cheio de histórias bem prolixas e com um ritmo mais cadenciado. Por um lado isso acaba criando uma barreira de entrada bem grande para jogadores mais casuais, mas ao mesmo tempo cria um desenvolvimento de personagem e mundo mais profundos, assim como permite que os acontecimentos “respirem” mais, perdurando pela narrativa e deixando o seu impacto ressoar mais naturalmente pela obra.

OVER REQUIEMZ aposta no exato oposto, optando por narrativas mais diretas e curtas que conseguentemente deixam aquele sentimento de que a jornada se passou inteiramente em um espaço muito curto de tempo, com poucos momentos para estreitar a relação entre os personagens — esse aspecto do jogo talvez seja até mesmo uma consequência de dividir em duas as rotas de cada interesse amoroso.
O jogo também é bem metódico nas suas disposições de rotas e estrutura narrativa: além de ofertar cada rota para escolha logo de cara, conta com um fluxograma idêntico para cada personagem. Isto é, todos vão ter a mesma quantidade de capítulos e as bifurcações para as rotas Fact e Dark também acontecerão no mesmo capítulo.

Uma das consequências de poder escolher o interesse amoroso logo de cara é a ausência do que seria uma rota comum, o que agiliza bastante as coisas e dá uma certa liberdade a mais para a história, além de ter que ter segmentos do jogo que servem mais como uma vitrine de cada personagem que é possível namorar, dessa forma a narrativa tende a avançar mais rápido que o normal. No entanto, o restante dos personagens tende a ficar bem de lado caso não seja o selecionado, o que torna difícil ter um gostinho da personalidade de cada um fora de sua respectiva história.
O final da estrada de tijolos amarelos
Um bom adjetivo para descrever OVER REQUIEMZ seria “conciso”. O jogo busca não perder tempo em estabelecer um mundo complexo ou personagens secundários fora da rota selecionada em questão, focando quase que completamente na trama do interesse amoroso, da protagonista e seu relacionamento.
O jogo toma a estética e temas de O Mágico de Oz muito mais do que qualquer outra coisa – não trata-se de uma adaptação fidedigna do universo da história de Dorothy sendo isekaizados em outro mundo, mas sim um ótimo romance de fantasia que toma emprestado alguns elementos clássicos.
Prós:
- O sistema de rotas Fact e Dark permitem que diferentes facetas dos interesses amorosos seja explorada, aprofundando bastante no que eles podem ou não se tornar;
- Acessível e direto ao ponto, o jogo deixa claro em quais pontos a narrativa vai se bifurcar e quais escolhas trarão consequências narrativas, prático para quem busca ir atrás de todos os extras e finais;
- Analogias interessantes criadas entre os interesses amorosos e os personagens clássicos de O Mágico de Oz, trazendo uma abordagem nova para arcos de desenvolvimento já conhecidos;
- Usa de maneira inteligente a iconografia de O Mágico de Oz, apresentando um mundo que parece novo mas ao mesmo tempo nostálgico e famíliar.
Contras:
- A história ser direto ao ponto até demais faz com que os personagens e os acontecimentos não tenham tanto tempo para “respirar”, criando a sensação de uma narrativa corrida;
- A dualidade das rotas acaba enfraquecendo o aspecto romantico do jogo, que acaba ficando de lado especialmente nas rotas Dark;
- Acessibilidade e remoção de barreiras comuns do gênero acabam esvaziando mecânicas como escolhas, banalizando as consequências e tirando um pouco da agência do jogador.
Nota
9
