Desenvolvedora: AP Thompson
Publicadora: Fellow Traveller
Gênero: Aventura Narrativa | Puzzle, Roguelike, Estratégia
Data de lançamento: 29 de outubro de 2026
Preço: R$ 53,49
Formato: Digital
Plataformas: Nintendo Switch 2, Nintendo Switch, PlayStation 5, PC, Android, iOS
Análise feita no Nintendo Switch com chave fornecida gentilmente pela Fellow Traveller
Revisão: Lucas Ferreira
Desenvolvido por AP Thomson e publicado pela Fellow Traveller, Titanium Court é uma experiência narrativa delirante que chegou ao Switch alguns meses depois da versão de PC. Excêntrico e intrigante, o jogo é extremamente único e atmosférico com altos níveis de metalinguagem e piadas que ajudam a pensar sobre a vida, a sociedade e tudo mais.
Em um mundo peculiar

Em Titanium Court, assumimos o papel de rainha de uma corte de fadas. O problema é que você é só uma pessoa comum perdida longe de casa, tudo ali lhe parece alienígena e a situação de ser rainha nunca foi algo que você queria para si.
A sua tarefa como rainha é guiar as fadas por uma guerra recorrente. Diariamente, as fadas são forçadas a participar da disputa, encarando desafios variados que podem terminar tanto com a total derrota da corte quanto com sua vitória. Presas nesse loop e imortais, elas já estão acostumadas com essa tarefa mundana.
O campo de batalha é uma espécie de puzzle match-3 em que o jogador pode alterar as condições eliminando terrenos repetidos, o que pode ser feito diretamente pela tela do Switch ou usando o Joy-Con. Também é possível usar parte do seu tempo para movimentar a própria corte para uma de suas adjacências (excluindo diagonais) mesmo que não seja formado um match, ampliando o leque de opções.

Embora haja a lógica do puzzle como uma exigência da mudança de condições da guerra, o ponto real está menos em fazer os matches e mais em usar estrategicamente as opções para criar uma situação favorável. Em algumas ocasiões, fazer um match pode piorar o campo e aumentar o risco de ser atacado pelos inimigos por eliminar barreiras naturais, lojas e tesouros, por exemplo. O objetivo é sobreviver ao ataque dos inimigos que acontece assim que o tempo de fazer matches acaba, então é importante ficar atento ao posicionamento da Corte e dos inimigos no mapa, assim como o quão rápido eles irão agir na timeline de ação à esquerda do mapa.
Além da questão de manipular as condições de batalha, a principal vantagem do match é ganhar recursos. Comida, água, madeira e pedra são essenciais para a criação de soldados ou o uso de habilidades/magias específicas. Combinações específicas geram recursos diferentes, então esse também é um ângulo para se avaliar.
Por fim, ainda temos classes variadas para escolher, desbloqueando mais opções com o tempo, e um esquema de Conforto/Contenda que permite reduzir ou aumentar o desafio com bônus específicos. As condições específicas de cada classe podem trazer diferenças bem significativas para o combate, com mecanismos bem diferentes disponíveis desde o início. Para uma classe, pode ser interessante eliminar inimigos ou castelos, enquanto outra foca na criação de muralhas, e há ainda mais uma que só quer saber de atear fogo em tudo.
A mágica está em tudo

Apesar da gameplay da guerra em si já ser chamativa e cheia de detalhes para se ter em mente, aproveitando-se também do esquema já tradicional de escolhas de rotas de um roguelite, o que Titanium Court oferece vai muito além. De fato, o que chama a atenção no jogo é uma atenção ao detalhe em todas as camadas para criar uma experiência absurdista de alta qualidade.
A Corte é composta por indivíduos bem curiosos e carrega uma cultura bem específica que é intencionalmente estranha para quem está jogando. Com os seus excessos, o jogo brinca com a noção de senso comum, assim como traz alguns ótimos metacomentários sobre a vida em sociedade. É o tipo de experiência em que o absurdo ajuda a narrativa a penetrar mais fundo e dar espaço para o leitor pensar por conta própria.
E Titanium Court é um jogo cheio de história e de coisas para falar, não se contentando em apenas ser divertido. É uma daquelas experiências que parece que carregam a alma de quem o fez, que parece que o autor colocou tudo que conseguiu dar conta. Estar aberto para o que o jogo tem a oferecer pode abrir espaço para algo verdadeiramente único.

Um ponto importante da experiência é justamente o quanto ele tem para oferecer ao jogador que continua explorando. Não se trata apenas de “mais conteúdo” para encher linguiça, mas de dar ao jogador sempre mais camadas e espaços de interação, narrativas secundárias, questionamentos e respostas. Titanium Court é um mar que se abre mais e mais a cada novo ciclo, dando ao jogador motivos para navegar mais fundo.
Em termos de visuais e trilha sonora, o jogo é bem chamativo em suas escolhas. A estética principal é retrô e bem colorida, as músicas parecem carregar um toque de psicodelia no seu uso da guitarra e há um abuso de cut-ins para momentos de vitória ou derrota. Essas imagens que aparecem na tela acompanhadas por efeitos sonoros de pop-up trazem imagens de pessoas azuis praticando esportes, cigarro, gatos, entre outras coisas e são usadas sem nenhuma parcimônia para chamar a atenção.
Para quem se permite sonhar

Francamente falando, Titanium Court é uma experiência única que consegue brincar com seus gêneros como uma forma excêntrica de contar sua história. É o tipo de jogo experimental que faz com que sair da sua zona de conforto seja uma delícia e valha cada minuto investido.
Prós:
- Uma experiência narrativa muito recheada de detalhes em um mundo bizarro e curioso;
- Interessante sistema estratégico de combate e remanejamento de territórios usando funcionamento de puzzle match-3;
- Boa variedade de classes com funcionamentos distintos;
- Estética retrô over-the-top extremamente bem aproveitada;
- Narrativa que empolga ao abrir mais camadas quanto mais o jogador explora;
- Pode ser jogado na tela de toque.
Contras:
- Pode viciar e enloquecer.
Nota
10
