Desenvolvedora:
Publicadora:
Lançamento:
Preço:
Formato:
Gênero:
Plataformas:
Magic Rain Studios
First Break Labs
20 de outubro, 2025
R$ 74,95
Digital
Plataforma 3D| Cozy
Nintendo Switch, PlayStation 5, PlayStation 4, Xbox Series X|S, Xbox One, PC
Desenvolvedora: Magic Rain Studios
Publicadora: First Break Labs
Gênero: Plataforma 3D| Cozy
Data de lançamento: 20 de outubro, 2025
Preço: R$ 74,95
Formato: Digital
Plataformas: Nintendo Switch, PlayStation 5, PlayStation 4, Xbox Series X|S, Xbox One, PC
Análise feita no Nintendo Switch com cópia fornecida gentilmente pela First Break Labs.
Revisão: Manuela Feitosa
Se anteriormente tínhamos (e ainda temos) os indies carregando consigo a chama da tradição da icônica pixel art — que já não é muito presente nos jogos das grandes empresas hoje —, estamos tendo um movimento que caminha ao lado do uso das artes pixeladas: os jogos 3D que nos remetem ao mágico período dos primórdios dos polígonos nos videogames. Títulos 3D com áreas abertas que outrora não eram tão possíveis, com personagens com texturas que as homenageiam, são uma tendência que caminha lado a lado com a outra vertente do cenário indie.
Fazendo parte disto, ILA: A Frosty Glide chega como um cozy platformer 3D que, ao mesmo tempo que traz o que há de bom nos mais icônicos, possui um foco em ser mais relaxante e enquanto apresenta como um aspecto maior do que seu gênero o de contar uma bela e aconchegante história para o jogador que viver suas horas naquele mundo. Vamos então entender e detalhar cada coisinha sobre está aventura que pode ser bastante divertida apesar de algumas ressalvas.
Nada como um bom Storytelling
ILA: A Frosty Glide é muito intuitivo na introdução de quem é Ila e por que estamos iniciando nossa jornada. Sucinto de fato. No jogo, somos uma bruxinha que perdeu sua amada gatinha e estamos à procura dela. A introdução dessa premissa consegue ser bem cativante, com a animação de introdução e a sensibilidade com que criamos nosso vínculo inicial com a personagem.

É muito interessante como tudo sobre Ila e sobre o mundo abandonado que vamos explorando é contado por meio de fragmentos e colecionáveis que vamos encontrando no decorrer da jornada. Diferente de outros plataformas 3D indies muito queridos (embora este jogo tenha o teor colecionável de um Collect-a-Thon de N64), a sua existência não é justificada como simples desafios e o ato de simplesmente ir coletando estrelas (ou qualquer que seja o objeto do jogo que estamos jogando deste gênero).
A maior recompensa do jogador sobre explorar outros locais para encontrar documentos é o entendimento da história daquele mundo. O que são os bruxos? O que são os magos? Por que o mundo que exploramos é tão vazio? Por que uma criança vaga sozinha por todo esse ambiente? Muito mais do que ser um Collect-a-Thon para completar missões e esquecer dos problemas no fim do dia, Ila recompensa sua exploração e curiosidade com a narrativa e um entendimento de que o jogo é muito mais do que uma garota procurando seu precioso gatinho.

Ouso dizer que a sensibilidade do storytelling desse jogo relacionado ao loop de gameplay é o que mais gostei no jogo, e o que pessoalmente considero seu ponto mais forte. Se este aspecto pode te agradar ou não, é muito sobre a questão de você ser um jogador que prefere uma história scriptada ou alguém que aprecia a forma como a série Souls, da FromSoftware, conta sua narrativa através da lore.
Um platformer para relaxar (Até certo ponto…)
Dada a premissa narrativa do jogo e o fato de ser um jogo de plataforma em essência, como ele se sai ao se tratar do aspecto de gameplay por si só?
Essa é a pergunta de milhões. Em sua grande maioria, ILA: A Frosty Glide foca muito mais em ter uma exploração prazerosa de que dificuldade em si, muito pelo fator narrativo ser mais importante do que o jogador tentar algo várias vezes. Elementos que reforçam essa tese são tanto à ausência de um limite de vidas para caso o jogador morra, como também o fato de que o jogo não coloca nenhum daqueles desafios insanos como qualquer espécie de corrida contra o tempo ou alguma coisa extra que fará o jogador ficar tentando e se superar. ILA: A Frosty Glide apenas quer que você explore e, por meio dos puzzles propositadamente tranquilos (na maioria do jogo), aprecie o ambiente.

Em questões funcionais, a exploração do mundo consegue funcionar muito bem, principalmente no quanto o uso da vassoura consegue ser divertido. A tradicional vassoura voadora de bruxa também funciona com manobras de skate, a qual se dá por meio de planar no ar entre plataformas, wall-jump, etc. A progressão do jogo, no entanto, é sobre adquirir mais slots de poeira estelar e ser capaz de dar mais pulos no ar e complementar com dashes. Além de que ILA: A Frosty Glide coloca anéis no ar para recarregar os dashes: o melhor exemplo desse tipo de mecânica que posso dar é Celeste, que era repleto daqueles cristais no mapa com a função de que o jogador manuseie seus dashes e recarregue para atingir plataformas mais longínquas.
Aplicado para o contexto de ILA: A Frosty Glide, se trata de voar até lugares mais altos e obter colecionaveis necessários para a progressão ou opcionais. Apesar de tudo isto ser divertido na maior parte do tempo, há alguns problemas no jogo que tornam sua experiência bem irritante em certos momentos. Problemas estes que, por ironia do destino (ou não), eram bem recorrentes em jogos do gênero da era Nintendo 64, algo que muitos indies de plataforma 3D não repetem o problema de fato.
O primeiro é o pior de todos: A forma como a câmera interage com os objetos, assim criando uma experiência terrível em locais mais apertados, gerando uma perspectiva que torna difícil acertar os pulos em certos lugares. Isso era muito recorrente em pequenas plataformas elevadas e quando você ia medir a distância para voar até lugares mais distantes.

Essa questão da câmera conseguia ser realmente irritante em alguns momentos que o jogo exigia mais precisão, apesar de não ser um grande problema na massa do jogo. Apesar de que, nem todo jogo necessariamente precisa que se possa girar a câmera livremente, isso era um grande problema tanto nestes espaços estreitos como ao se passar por muitos objetos juntos, como árvores em uma floresta.
Além desta questão da câmera, existe alguns pequenos trechos do game com um level design desengonçado. Até aquele pedaço eu estava explorando e, mesmo quando eu me perdia, ainda sentia que eu estar perdido fazia sentido, mas houve alguns trechos que quando eu descobri o que fazer eu senti que não era o que o jogo havia me ensinado até então. Felizmente foi apenas em um trecho, não estragando a boa experiência que tive com o jogo.
Uma aventura cativante para curtir num final de semana
Sabe aquele jogo aconchegante para se jogar no seu final de semana e terminar numa tacada só? Apesar desta descrição caber perfeitamente a muitos jogos de plataforma 3D, eu enquadraria ILA: A Frosty Glide com um teor mais aconchegante e muito mais relaxante que o normal. Não é um jogo para te desafiar ao extremo ou testar o jogador de diversas formas, apenas uma experiência linear para apreciar uma sensível e amável história e entender aquele mundo, apreciar os detalhes e afins.
Não há colecionáveis absurdamente escondidos, sendo em sua maioria uma recompensa de pequenos desvios da rota principal. Além do mais, eu mesmo consegui me emocionar com a simplicidade e sinceridade com que este game te apresenta tudo. Sendo uma experiência aconchegante, ILA: A Frosty Glide não irá ser aquele jogo que irá te deixar com um vazio de tão incrível, mas ele não almeja isto, ele entrega o que se propõe a fazer, sem mais nem menos.
Prós:
- Storytelling cativante;
- Jogabilidade funcional;
- Exploração e quebra-cabeças divertidos.
Contras:
- Problemas de câmeras em espaços estreitos;
- Problemas pontuais de level design.
Nota
8
