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Desenvolvedora: Hammer95 Studios
Publicadora: Epopeia Games
Gênero: Gênero | Tag1,Tag2
Data de lançamento: 30 de abril, 2026
Preço: R$ 49,95
Formato: Digital
Plataformas: Nintendo Switch, Xbox Series X|S, Xbox One, PC
Análise feita no Nintendo Switch com cópia fornecida gentilmente pela Epopeia Games.
Revisão: Juliana Paiva Zapparoli
Mullet Madjack finalmente chega ao Nintendo Switch! Um dos melhores e mais INSANOS shooters brasileiros finalmente dá as caras no console da Nintendo, após tanto tempo com um lançamento pendente. Eu admito que já havia jogado Mullet Madjack no meu (agora falecido) Xbox Series S, então ver a conversão para o menos poderoso híbrido da Nintendo foi bem curioso.
A pergunta que eu quero responder aqui é: quão bem a Hammer95 conseguiu converter seu popular jogo para o híbrido da Nintendo sem que haja uma perda de identidade? Bem, hora de descobrir.
Bem-vindo a 2095
Mullet Madjack se passa num futuro distópico onde humanos literalmente precisam de doses de dopamina para conseguirem sobreviver. Você controlará Jack, um justiceiro que tomou pra si a missão de resgatar a influencer mais famosa do mundo em uma transmissão ao vivo. Durante essa transmissão, caso Jack vá matando robôs e fazendo movimentos estilosos, sua audiência o dará mais dopamina, permitindo-o continuar sobrevivendo; se o protagonista entediar a plateia, é MORTE.

A história do jogo é bem cativante: os comentários sobre o consumismo sem pensar e a necessidade constante de dopamina representado pela live do personagem principal acaba sendo um comentário superrelevante no mundo que vivemos hoje em dia, onde apps como TikTok e YouTube fomentam essa necessidade de dopamina imediata.
Jack por si só é um protagonista bem carismático, com o arquétipo de personagem “durão” de animes e filmes dos anos 80 para criar um personagem bem engraçado e maneiro. Você conhecerá bastante de sua personalidade não apenas pelas cutscenes, mas também pelas diversas frases de efeito que ele diz durante as fases do game. A dublagem maravilhosa do grande Luiz Feier Motta, voz de Sylvester Stallone e Wolverine, ajuda muito também, claro.
É hora do Mullet
A gameplay em si também faz parte das mensagens e temas do jogo: controlando Jack, cada andar é uma corrida contra o tempo. Você tem apenas 10 segundos para viver e, conforme mata inimigos, a audiência da sua live vai fica cada vez mais animada e te dá mais tempo para concluir os níveis. Isso obriga o jogador a se mover rapidamente e com precisão durante todas as fases, eliminando todos os inimigos que conseguir para não encontrar a morte certa com o tempo limite.

Alguns modos de jogo diferentes estão disponíveis, com todos eles se utilizando desse mesmo conceito de gameplay, porém de formas um pouco variadas. Na campanha principal, você jogará a campanha principal atrás da princesa por nove capítulos diferentes, cada um com dez andares — é aqui onde a história principal do jogo rola e você vai assistir a todas as ceninhas. Mas também tem o modo infinito, que serve para ver até onde você consegue chegar sem morrer nenhuma vez, sem história nem nada, apenas um prédio infinito de andares para ver do que você é capaz.

A cada andar, o jogo deixará você selecionar uma de três melhorias para Jack, cujos tipos variam: algumas podem te dar armas novas, outras te dão algumas migalhas de segundos a mais pra sobreviver, efeitos especiais para as suas balas, etc. Elas ajudam não apenas a variar um pouquinho a gameplay, mas também, claro, auxiliam nas fases. Só tome cuidado, porque, se você morrer, perde tudo e volta do zero, lá do primeiro andar.
O level design do jogo é gerado proceduralmente, o que significa que é tudo aleatório: sempre que você morrer e rejogar um andar, o layout dele estará diferente. Mas isso é longe de ser ruim para um jogo neste estilo, já que dá mais variedade e a jogatina vira muito mais uma questão de se acostumar com os controles e ter pensamentos rápidos. Além disso, tudo nos níveis é tão meticulosamente bem posicionado que às vezes dá a impressão que foi feito à mão, mesmo.

A única coisa que eu melhoraria é a pouca variedade de inimigos presentes no jogo. Depois de um tempo, você começa a ver os mesmos oponentes repetidos e fica um pouquinho repetitivo, mas o jogo é tão curto que nem dá tempo disso virar um problema de verdade.
A experiência toda dura quatro ou cinco horas, e é tão viciante que isso mal chega a ser um incômodo. A falta de algumas opções de acessibilidade também me incomoda: não temos suporte a giroscópio para mirar, por exemplo, o que é uma pena para um jogo tão rápido e frenético quanto Mullet Madjack. Controlar jogos de tiro utilizando APENAS o analógico nunca me foi muito agradável.
Escreveu não leu, o pau comeu
Visualmente, Mullet Madjack é um vislumbre pros olhos. A estética do jogo é toda inspirada em animes e filmes dos anos 80 e isso dá uma característica muito única ao jogo, que felizmente não foi perdida no processo de port para o Nintendo Switch. As músicas também têm essa estética mais “synthwave” e, num geral, tudo se complementa tão bem que o jogo realmente parece ter sido retirado diretamente dos anos 80 pra nossa atualidade.
No âmbito visual coisas podem ficar um pouco caóticas e bagunçadas às vezes (tanto que admito que foi um pouco difícil tirar as screenshots pra esta review), mas, uma vez que você se acostuma com isso, não chega a ser um problema tão grande assim.

O que é um problema um pouco incômodo, entretanto, são algumas travadinhas que o jogo dá. Minha jogatina inteira de Mullet Madjack foi feita no Nintendo Switch 2, e, por algum motivo, o game simplesmente congelava por cerca de um segundo toda vez que uma fase era iniciada, o que é estranho.
Durante a gameplay em si, a taxa de frames por segundo não cai e o jogo roda liso como um sonho, mas, antes das fases iniciarem, sempre tem essa minúscula travada até mesmo no console mais poderoso da Nintendo. Não posso dizer quão frequentemente isso acontece no Switch 1, mas fica o aviso aos que têm interesse em comprar o game.
Dopamina pura
Mullet Madjack é DOPAMINA PURA: um jogo divertido e viciante como poucos são, mas que ao mesmo tempo passa uma mensagem superrelevante e atual. Seus visuais criativos, com gameplay cativante e que vicia superrápido, transformam a aventura do Jack num clássico indie instantâneo, além de, claro, um dos maiores exemplos de que o Brasil tem um potencial gigantesco para desenvolvimento de jogos.
Prós:
- Extremamente viciante;
- A gameplay é excelente;
- Estética retrô inspirado em animes dos anos 80 traz um charme sem igual à sua identidade.
Contras:
- Pode ser caótico em excesso;
- Falta de mira por meio de giroscópio.
Nota
9
