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Desenvolvedora: Dogubomb
Publicadora: Raw Fury
Gênero: Puzzle | Aventura
Data de lançamento: 03 de março, 2026
Preço: R$ 88,99
Formato: Digital
Plataformas: Nintendo Switch 2, PlayStation 5, Xbox Series X|S, PC
Análise feita no Nintendo Switch 2 com cópia fornecida gentilmente pela Raw Fury.
Revisão: Davi Dumont Farace
Em 2025, Blue Prince foi um dos lançamentos independentes que mais chamaram atenção, mérito surpreendente em um ano de Hades 2, Deltarune e Hollow Knight: Silksong, rendendo indicações e prêmios. O port no Switch 2 foi lançado como shadowdrop em conjunto com seu anúncio na Indie World do início de março, tendo como feature o suporte ao controle de mouse e apresentando-se como mais um port de peso para o novo console da Nintendo.
Explorar (ou ao menos tentar) o escopo do jogo, apresentando-o para a base cativa do híbrido é o que a presente análise anseia, apresentando a forma como o port se apresenta na plataforma. Sem dúvidas, Blue Prince é um dos jogos mais enigmáticos lançados recentemente, resgatando aquela veia de discussões e explorações à la RNG que, bem verdade, popularizou diversos jogos independentes no passado. Por isso, é bom não se assustar com as várias camadas a serem exploradas aqui.
O Arquiteto
Quando seu tio-avô falece, seu testamento deixa bem claro que toda sua propriedade está no nome do protagonista do jogo, o qual temos controle. A saga do quem recebeu a herança é extremamente simples: para ter garantia do direito, deve encontrar o quadragésimo sexto cômodo em uma casa com apenas quarenta e cinco cômodos.

Instantaneamente somos introduzidos à mansão onde passaremos os próximos dias. Somos colocados em um hall com algumas instruções e um papel azul para desenhos arquitetônicos, com três portas fechadas. Em posse dos planos, ao abrir uma das portas recebemos três opções de cômodos a serem criados em uma área adjacente, e aqui o jogo começa.
Todos os dias, temos acesso a um grid 9X5, formando os quarenta e cinco cômodos da propriedade. Destes, apenas dois são fixos (a princípio): o hall de entrada, com acesso no formoso jardim com uma área externa com diversas áreas iniciamente bloqueadas e com sempre três portas; e a antecâmara, na ponta oposta do plano, comportando-se como nosso objetivo principal. A partir disso, contamos parte com sorte e parte com estratégia para não apenas criar o máximo de quartos, guiando-nos para a antecâmara, mas também coletando o máximo de recursos ao longo do caminho.
Isso porque temos um limite de passos diários, que são gastos todas as vezes em que mudamos de cômodo, e que precisam ser reestabelecidos, seja com comida, quartos de repouso ou com itens que desgastam menos rapidamente a contagem de passos. Além disso, algumas portas em níveis mais altos podem estar bloqueadas, fazendo-nos precisar de chaves ou até cartões de acesso para abri-las. Também é importante, ainda, encontrar gemas e moedas. As primeiras possibilitam a criação de quartos especiais, e as segudas são para compra de itens e comida, ou até os mais variados itens que você possa imaginar, desde uma pá (para escavar pontos de interesse), um saleiro (para ganhar bônus na recuperação de energia com alimentos), e muitos outros.

Eis o loop de Blue Prince: a cada dia os quartos são resetados e devemos refazer nosso caminho até a antecâmara. Conforme vamos avançando, contudo, descobrimos segredos que nos dão acesso a melhorias permanentes, liberando acessos na área exterior e até liberando novos cômodos, permitindo uma variedade ainda maior de combinações diárias. Além disso, chegar à antecâmera é apenas o primeiro passo: primeiro porque inicialmente suas portas estão seladas, e posteriormente porque vamos, pouco a pouco, descobrindo diversos segredos que expandem (e muito) o jogo.
Muito mais do que aparenta
Se Blue Prince fosse apenas o loop de gameplay diário, acredito que já seria viciante o suficiente. A frustração de encontrar becos sem saída ou de não fazer tudo por falta de passos é facilmente remediada por áreas novas e pelo sentimento de progressão constante. Também, a cada dia, aprendemos mais sobre a natureza dos quartos: algumas cores representam pontos benéficos (ou não), e precisam ser levados em consideração. Por isso, além do menu em que conseguimos acompanhar a formação da grid diária, temos também acesso a um pequeno caderno com um compêndio das informações coletadas dos quartos acessados até então.
Ainda assim, o jogo mesmo sugere a importância de termos um caderno ao nosso lado a todo instante. Isso porque a verdadeira magia de Blue Prince está nos detalhes. Ao longo da casa, encontramos cartas, bilhetes, fotos, pequenas pistas aqui e acolá que nos permitem descobrir um código para abrir uma porta ali, desbloquear uma seção acolá, e mais importante: apresentando uma narrativa de intrigas políticas, interesses econômicos e profundas frustrações.

Como é de se esperar, qualquer informação mais profunda já se configuraria como spoiler, portanto pratico certa discrição na escrita. É importante se atentar que existem duas linhas narrativas: a de Simon, o protagonista, que busca o quadragésimo sexto quarto a pedido de seu tio-avô, em uma jornada nostálgica (visto que na infância tais acomodações serviram como locais de brincadeiras); e a da família Sinclair, com tragédias que se alastram por gerações e são refletidas inclusive nos quartos.
Por ser um jogo repleto de detalhes pequenos, ele acaba se tornando ótimo para ser jogado em comunidade. Blue Prince apresenta vários puzzles que são acessíveis para jogadores que não querem buscar respostas na internet, mas também apresenta uma trama com alto valor especulativo, e discutir sobre os achados é a única forma de se encontrar um consenso.
É uma tentativa de se resgatar um valor perdido de franca troca em redes sociais, em interações que extrapolam o campo do jogo em si. E devo dizer que o game sabe ser interessante o suficiente para despertar o desejo de se conversar sobre ele com outros, mesmo desconhecidos.
Meios para um fim
Blue Prince é um jogo interessantíssimo por si próprio, e confesso que o port para o console da Nintendo, ou nesse caso Switch 2, era o que impediu de jogá-lo até então. Fico feliz que tenha esperado essa versão.

Isso porque o jogo se beneficia de muitas funções do console, estabelendo uma versão que muito me agrada. Primeiro, o controle de mouse é excelente para ações pontuais, seja para minigames ou análise de documentos com a lupa. Como o único input para mudar o controle de analógico para mouse é encostar a lateral do Joy-Con 2 em uma superfícia lisa, é muito conveniente explorar a casa com o analógico e utilizar o mouse apenas em tarefas específicas.
Além disso, as screenshots me permitiram acessar documentos no meu celular, pelo aplicativo do Nintendo Switch, com muita facilidade, fazendo-me basear em minhas descobertas ao invés de recorrer a fotos na internet, aumentando minha imersão.

Outro ponto que não sei apontar como proposital ou não é que o zoom do sistema do Nintendo Switch 2 não substitui o uso da lupa. Quando damos o zoom pelo sistema, as palavras e imagens ficam borradas, forçando-nos a adquirir a lupa e não criando loopholes na gameplay. É um caso de limitação necessária para manter a coesão do jogo.
Por isso, acredito que a versão do Switch 2 é a versão mais apropriada para se aproveitar do título, permitindo features de console e de PC. Bem verdade, acredito que, com base nas minhas últimas reviews vejo, cada dia mais, que o Switch 2 está se colocando no mercado como um competidor direto da base PC Gaming com specs mais simples, tendo uma opção que mistura conveniência com um preço, embora salgado, ainda abaixo do mercado de PC.
É um comentário para outro texto, acredito, mas em Blue Prince vejo mais um port que não apenas não sacrifica nada da versão original como também apresenta conveniências que não são possíveis em outros sistemas.
Prós:
- Item BLoop de gameplay engajante, integrando bem soluções de enigma com a metanarrativa;
- Textos bem escritos nos deixam curiosos em relação ao mundo ao redor;
- A versão do Switch 2 apresenta features que tornam a experiência mais conveniente.
Contras:
- Por vezes, a quantidade de puzzles pode ser alarmante, mas um jogador organizado não lidará com a sensação de sobrecarga.
Nota
9,5
