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Desenvolvedora: Bethesda Game Studios
Publicadora: Bethesda
Gênero: Ação | RPG, Tiro
Data de lançamento: 24 de fevereiro, 2026
Preço: R$ 299,90
Formato: Digital
Plataformas: Nintendo Switch 2, Xbox Series X|S, Xbox One, PC, PlayStation 5, PlayStation 4
Análise feita no Nintendo Switch com cópia fornecida gentilmente pela Bethesda.
Revisão: Manuela Feitosa
Aos poucos, me parece que os portões estão se abrindo para a chegada dos jogos de terceiros no Nintendo Switch 2, principalmente os famosos AAA da geração passada, como é o caso do Fallout 4, que havia “pulado” o primeiro Switch. A perspectiva é interessante tanto para aqueles que nunca tiveram contato com essas franquias e querem conhecer agora, como para fãs antigos que veem valor na possibilidade de agora jogar um game absolutamente gigantesco na telinha de um portátil.
Fazendo um paralelo, ver Fallout 4 no Switch 2 lembra o primeiro teaser divulgado do Nintendo Switch original, onde a Nintendo sabiamente selecionou The Elder Scrolls V: Skyrim como um dos primeiros jogos de empresas parceiras a ser mostrado rodando no console. Ora, por mais antigo que o jogo fosse, foi uma surpresa ver rodando naquela tela e serviu como argumento para vender a funcionalidade do console.
É óbvio que agora em 2026, quase 10 anos depois do teaser, não é mais tão impressionante ver jogos gigantes em um portátil, até mesmo porque a Nintendo não é mais a única nesse mercado, com concorrentes notáveis como o Steam Deck e o Rog Ally. No entanto, para entusiastas, têm sido interessante ver como o novo console da Nintendo tem entregado um resultado acima do esperado graças a otimizações inteligentes e um kit de desenvolvimento mais focado.
Está análise no entanto, é muito mais sobre Fallout 4 no Switch 2 do que especificamente sobre Fallout 4, até porque, para ser sincero, acho que eu precisaria de alguns meses jogando para poder falar com mais propriedade desse game.
O mundo depois de uma guerra nuclear

Escrever sobre Fallout 4, é, de certa forma, tentar organizar o caos que a experiência provoca na minha cabeça, no sentido de que há tantas coisas a se fazer, tantas mecânicas, tantos itens e possibilidades, que é difícil condensar toda a experiência no texto. Tentarei manter o foco e ir dividindo por partes.
Como talvez você já saiba, por conta da fama, Fallout é uma franquia que se passa em um contexto pós apocalíptico. O jogo se inicia em 2077 onde tudo ainda está relativamente normal, com um futuro que parece muito mais a década de 50, com equipamentos e a estética relacionada àquela época, no entanto, esse período de paz é interrompido por uma guerra nuclear que obriga o protagonista a se esconder em um abrigo, onde ele, sua esposa e seu filho são congelados em câmaras criogênicas. O jogo começa de fato quando o personagem acorda após ver sua mulher ser assassinada e seu filho ser levado, dando o pontapé inicial para a motivação principal da história.
Esse início do game é interessante e traça um cenário inicial que captura o jogador logo de cara. No entanto, por conta da natureza difusa do game, na maior parte do tempo essa história principal pouco vai importar pois o grande foco será na sobrevivência nesse mundo destruído por bombas atômicas. Isso inclui, principalmente, encontrar sucata para fazer armas e quipamentos e construir amizades para chegar a uma nova sociedade.

Explorando sem limites…
Essencialmente, Fallout 4 é um jogo de tiro em primeira pessoa, no entanto, é um pouco reducionista falar que o game é só isso. Na realidade, essa é a base de jogabilidade que os desenvolvedores utilizam para viabilizar as diversas interações com o mundo pós-apocaliptico que o jogador explora. Não é muito diferente de Skyrim, que era a minha única experiência com jogos da Bethesda até então. A principal diferença na prática é trocar espadas e magia por pistolas, escopetas e outras armas militares.

O jogador passa mais tempo explorando do que atirando no game, o cenário é recheado de diferentes locais com diversos personagens, cada um com suas situações específicas. A experiência brilha quando você se perde jogando, quando tenta seguir para o destino principal, mas se distrai em alguma missão secundária super específica que traz uma série de novas informações sobre o mundo do jogo. Como o personagem principal esteve congelado por muitos anos, tudo é desconhecido e há muito a se aprender sobre o atual estado da humanidade.
Conforme o jogador explora locais diferentes, completa missões e derrota inimigos, há um senso de progressão palpável onde você consegue upgrades específicos numa lista imensa de habilidades, melhorar suas armas com diversas opções de melhorias e até mesmo melhorar cidades, com o sistema de administração de alguns locais onde o jogador pode criar uma sociedade.

Parece muita coisa e é mesmo, Fallout 4 é um pouco amedrontador quando o game se abre e confesso que isso se tornou um problema para mim.
Mas às vezes é bom ter limites.
Eu não sei o quão pessoal são as minhas muitas críticas ao design de jogo da Bethesda, até mesmo porque sei que Fallout é uma franquia bem aclamada, mas em alguns momentos é difícil fazer vista grossa para a falta de polimento do game.
A questão é que o jogo como um todo parece uma maquete colada de qualquer jeito, com juntas aparecendo, cola para todo lado, algumas coisas caindo aqui e ali, além de ocasionalmente algumas coisas fora do lugar. E sei que nada disso é exclusivo da versão de Switch 2, os jogos da Bethesda simplesmente são assim.
Uma maneira fácil de demonstrar isso é nas cenas de diálogo: A mais simples conversa pode reunir uma série de problemas. Um dos NPCs com quem eu estava conversando entrou de repente na animação de dormir, deitou-se na cama, fechou os olhos e o áudio da voz continuou saindo. Ora, eu sei que tem um fator cômico nisso, mas quando se torna tão recorrente só parece que estou jogando algo extremamente amador.

A sincronia da dublagem com as bocas nunca está certa, as animações dos personagens são sofríveis e o próprio visual do jogo é inconstante, com alguns modelos mais bem detalhados e outros tenebrosos.
Mas não é só a estética que me incomoda. O próprio desenho de jogo parece amador, as mecânicas não são bem explicadas e a interface visual é recheada de textos e opções que você precisa desvendar. É evidente que o jogo é feito para se jogar no computador e não houve muito esforço para adaptar os menus aos consoles. As vezes informações vão aparecendo na tela ao mesmo tempo e você mal consegue ler tudo antes que saia dali.

Me peguei diversas vezes pesquisando na internet dicas para iniciantes na série porque realmente tive dificuldade de me encontrar. Ao mesmo tempo que o jogo encoraja a exploração, ele pune o jogador severamente com diversos inimigos que podem lhe matar com apenas um golpe, causando uma frustração que me fez desistir de entrar em vários locais que apareciam no mapa, mas estavam cercado de inimigos de nível muito mais alto.
Não há um design inteligente que guie o jogador, há até tentativas, missões que ensinam tarefas básicas, mas tudo é muito difuso e dificilmente cumpre o papel educativo que deveria. É realmente como se os desenvolvedores não ligassem e não consigo achar isso algo interessante ou um charme dos jogos da Bethesda.
É possível achar ouro em toda essa bagunça
Para não dizer que é de todo ruim, eu entendo qual é a proposta de um jogo como Fallout 4. A ideia é trazer o máximo de conteúdo, de missões, de texto, de diálogos e entregar tudo isso para o jogador com um alto nível de liberdade, de forma que cada pessoa jogará o game de uma maneira. Para mim, no entanto, isso simplesmente não funciona. Talvez seja por conta do estilo de jogo que estou acostumado, mas é difícil ver um game tão desinteressado em guiar o jogador.

A tragédia é que Fallout 4 tem momentos genuinamente bons, a história principal, que se desenvolve de uma maneira interessante, tem bons momentos e consegue equilibrar o drama do protagonista com a construção de mundo da sociedade pós-apocalíptica e os grupos que ali residem. Alguns personagens são bem escritos e as missões secundárias vão de qualquer coisa até muito bom.
O que me incomoda de fato é isso tudo estar envelopado num pacote tão mal-acabado. E olha que estamos falando de um RPG AAA moderno, não é como se fosse um game antigo ou mesmo um projeto indie, então algumas coisas é difícil de passar pano.
Competente no Nintendo Switch 2
Falando especificamente da versão de Nintendo Switch 2, Fallout 4 é uma versão competente. O game oferece duas opções de gráfico, performance ou qualidade. Escolhi jogar no modo performance por conta da taxa de quadros maior, que fica na maior parte do tempo em 60 quadros por segundo.

Gosto sempre de ter essa opção nos jogos e fiquei bem satisfeito com o modo performance, em alguns momentos o jogo perde alguns frames, mas não é nada que incomode de maneira substancial.
No modo portátil ainda há um modo extra que o game roda a 40 quadros por segundo e é um ótimo meio termo. Inclusive, esse tipo de jogo, para aqueles que conseguem apreciar o caos da Bethesda, é ótimo para jogar no modo portátil.
Há uma promessa por parte da Bethesda de atualizações que podem melhorar ainda mais os gráficos, e seria interessante trazer também controles com mouse, afinal, como falei, o jogo ainda parece muito fiel às suas origens como um game de desktop.
Não é para mim, mas reconheço os méritos

Fallout 4 não é um jogo para todos e talvez não seja um jogo para mim. Os bons momentos não superaram a constante frustração com o game. Penso que está mais do que na hora de uma revisão geral no level design da Bethesda, grande parte do público hoje consome os jogos da empresa nos consoles e algumas adaptações seriam muito bem-vindas. Além disso, é preciso chegar em um meio termo entre a qualidade e a quantidade do conteúdo entregue. Nem todo jogo da empresa precisa ser tão expansivo e recheado de opções e mecânicas, às vezes diminuir um pouco o escopo das coisas pode ser uma boa oportunidade para criar uma experiência mais focada.
Se você é fã da franquia e nunca jogou o game, é uma recomendação fácil aqui no Switch 2, o mesmo vale para aqueles que querem rejogar o game no modo portátil. No entanto, para os inexperientes como eu, Fallout 4 acaba morrendo na praia como um jogo “meme” que tropeça constantemente na própria falta de polimento.
Prós:
- A história principal acerta em equilibrar o drama do protagonista com a construção de mundo;
- Diálogos, personagens e missões secundárias bem escritas são o pontos mais forte do game;
- Absurda quantidade de conteúdo para aqueles que investirem horas no jogo;
- Versão de Nintendo Switch 2 é competente e entrega a experiência portátil ideal.
Contras:
- Falta de polimento dos jogos da Bethesda é um problema dificil de ignorar que permeia toda a experiência;
- Despreocupação em guiar o jogador ou mesmo de criar um level design intuitivo fazem o jogo parecer uma criação de um time amador;
- Interface e menus pouco intuitivos parecem feitos para teclado e mouse.
Nota
7
