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Review | SHINONOME ABYSS The Maiden Exorcist

Guilherme Varoto 07/04/2026
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Guilherme Varoto, se preferir. Uma pessoa com muitos hobbies e muita paixão por eles. Como tirar tanto tempo para descobrir todas essas coisas? Bem, sua cara de cansado pode guardar muitos segredos.
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Desenvolvedora: WODAN
Publicadora: KADOKAWA (KADOKAWA Game Linkage) / ABC Animation
Gênero: Dungeon Crawler | Roguelike, Terror
Data de lançamento: 26 de março, 2026
Preço: R$ 40,99
Formato: Digital
Plataformas: Nintendo Switch, PC

Análise feita no Nintendo Switch com cópia fornecida gentilmente pela Kadokawa.

Revisão: Davi Sousa

Bem-vindos mais uma vez ao mythos japonês. A escolha da vez? Onis e yokais! Não tenho nenhuma introdução elaborada cheias de curiosidades sobre minha experiência pessoal ou expectativas a respeito do jogo da vez. SHINONOME ABYSS The Maiden Exorcist é uma obra curiosa que combina exploração de masmorras e survival horror, criando uma experiência divertida, mas pouco além disso.

Adentre ao Abismo

Shinonome Abyss é uma mistura de um jogo de exploração de masmorras, ao estilo de Mystery Dungeon, com um ritmo lerdo, de economia de recursos ao viés do que o jogador veria em jogos survival horror como os clássicos Resident Evil, para meios de comparação popular, e, quem diria, é dirigido por Kenichi Iwao, roteirista e designer do pioneiro da franquia da qual a Capcom não quer que eu esqueça.

Jogos ao estilo Mystery Dungeon sempre tiveram a história mais como um motivador do porquê de o jogador estar explorando masmorras do que como o elemento motivador em si, e, no jogo aqui falado, não é diferente. Tudo acontece de forma bem súbita, jogando a protagonista, Yono, uma sacerdotiza, ou Miko, caso você seja um weeaboo safado, em uma casa mal-assombrada, introduzindo lentamente elementos como inimigos, formas de lidar com os mais simples, som, iluminação, etc.

Todos esses são elementos importantes ao lidar com o jogo em geral. A gameplay é isolada em masmorras separadas, e ao começar cada uma, o inventário retorna ao tamanho padrão — apenas 3 espaços —, geralmente com uma arma para defesa pessoal e munição, a qual é consideravelmente limitada, tornando a escolha de ensinar ao jogador como lidar com essas criaturas de forma além do confronto direto uma excelente escolha. Às vezes, temos também alguns itens para cura.

Apenas com os elementos entregues pelo jogo, é possível lidar com a maioria dos desafios com prudência e atenção o suficiente, e as masmorras acabam sendo todas grandes quebra-cabeças que desafiam a capacidade do jogador de improviso e gerenciamento de recursos.

Caso você procure um desafio a mais, existem masmorras aleatórias, geradas para lidar com desafios menos elaborados, porém imprevisíveis, competindo em uma classificação global contra outros jogadores, considerando o tempo utilizado para completar. Porém, pela natureza da aleatoriedade, esses desafios acabam sendo montados de forma mais limitada e menos deliberada, algo que seria possível de evitar a partir do momento em que aleatoriedade é colocada em jogo.

Explore em silêncio

A masmorra é separada em blocos, mas eles não existem em forma isolada. Os inimigos reagem à sua presença e som mesmo quando estão em salas diferentes, quebrando portas e fazendo barulho. É recomendado pelo próprio jogo prestar atenção aos sons, e com uma qualidade de vida muito bem-vinda, o volume pode ser desligado nas opções e será ativada a audiodescrição dos elementos do jogo.

Por consequência dessa escolha, os inimigos não deixarão de seguir o jogador quando ele sair da sala. É necessário aprender a utilizar as portas, armadilhas e a organização das salas para lidar com os inimigos sem que você perca muitos recursos ou todo o progresso da masmorra. Como a completude pode demorar apenas alguns minutos, não existe sistema de salvar o progresso interno, então a morte é sinônimo de começar do zero.

Nos aspectos mencionados, Shinonome Abyss faz muito bem em desenvolver a tensão do jogador, fazendo com que ele pare e pense bem nas suas próximas ações, e em quais recursos ele usará para não sair em desvantagem futura. Os inimigos são agressivos, e o jogador não possui tanta vida, então a morte vem com bastante facilidade.

Tecnicalidades

O jogo controla com uma certa dureza, mas não em uma parte ruim, mas sim no sentido de que a personagem andar de forma lerda é deliberada, para que não seja possível lidar com os inimigos com movimentos elaborados. Apesar de um bom jogador conseguir encontrar formas de eliminar os inimigos com movimentos suaves, jogadores menos experientes terão que se adaptar à rigidez prevista pelos desenvolvedores. O ritmo é lerdo e deliberado, e como os labirintos são, em sua maioria, pequenos, a lerdeza faz tanta parte da experiência quanto o gerenciamento de inventário, a cautela e o som.

Por conta do som ser um elemento tão importante, são raros quaisquer momentos em que música toca, às vezes fazendo parte diegética do jogo para indicar a presença de certas criaturas, mas, mesmo nos menus de seleção, não há existência de trilha sonora, portanto não há muito o que avaliar nesse aspecto. Quanto aos sons em si, eles se destacam pela natureza silenciosa do jogo. Os passos da exorcista são baixos, mas o jogador precisa parar para prestar atenção se não quiser ter um encontro infortuno com qualquer criatura agressiva e capaz de matar o jogador em poucos golpes.

Visualmente, Shinonome Abyss utiliza sprites com boas quantidades de animação e que fluem bem, principalmente se tratando da protagonista, que possuí não só várias animações, mas também, de uma forma bem macabra, várias representações da morte dela, dependendo de qual inimigo acabou com sua vida. Os inimigos em si têm animações previsíveis para o jogador reagir de forma adequada, e mais definidas para não confundi-lo.

A luz no fim do túnel

SHINONOME ABYSS The Maiden Exorcist não comete nenhum erro grave; pelo contrário: sua fundação é sólida, porém acaba não se destacando muito como um jogo espetacular. Ele se vende por sua jogatina, já que não há quase nada a respeito de história ou personagens além da própria exorcista, da qual sabemos tão pouco que precisei pesquisar qual era seu nome na internet.

Por outro lado, ele remete a um lado do terror bem popular, lembrando os que foram feitos no RPG Maker no fim dos anos 90 e começo dos anos 2000, quem sabe pelos visuais e brutalidade com a personagem principal. De qualquer forma, ele existe em contraponto: enquanto esses entravam em destaque por histórias e personagens com elementos de terror, com gameplay simplificada, o jogo aqui falado faz uma jogatina bem funcional, mas que talvez não fique muito presa na memória dos jogadores.

Para os que preferem jogatinas metódicas, com gerenciamento de recursos e desafios que requerem mais o planejamento prévio e preparação metódica, e com replay basicamente infinito pelos labirintos aleatórios, SHINONOME ABYSS The Maiden Exorcist pode muito bem ser uma boa pedida para donos de Switch, mas, aos que querem uma joia escondida, talvez não seja isso que procuram.

Prós:

  • Jogabilidade sólida;
  • Excelente aplicação da proposta;
  • Visualmente agradável;
  • Grande fator replay.

Contras:

  • Sem fator história;
  • Pouca variedade;
  • Pouco impressionante.

Nota

7

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