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Desenvolvedora: Fumi Games
Publicadora: PlaySide
Gênero: Ação | Tiro
Data de lançamento: 16 de abril, 2026
Preço: R$ 88,99
Formato: Digital
Plataformas: Nintendo Switch 2, PlayStation 5, Xbox Series X|S, PC
Análise feita no Nintendo Switch 2 com cópia fornecida gentilmente pela PlaySide.
Revisão: Lucas Barreto
É comum, em apresentações de jogos independentes, diversos dos títulos apresentados chamarem a nossa atenção. Muitas vezes, alguns desses jogos já são desenhados para capturar potenciais jogadores utilizando um visual chamativo ou recheando o gameplay de referências a franquias famosas. Nem sempre esses jogos que chamam atenção por um trailer superficial são de fato experiências memoráveis. Na realidade, com certa frequência muitos desses jogos acabam sendo medíocres. Mais do que uma boa ideia, falta um considerável tempo de dedicação e devs talentosos por trás do projeto.
Quando vi Mouse: P.I. for Hire pela primeira vez, tive receio de ser um caso desses, visto que o visual é de cair o queixo, trazendo toda a estética dos desenhos animados da era preto e branco para um jogo em primeira pessoa. É uma proposta que visualmente impressiona porque de fato é uma novidade. Claro que Cuphead fez muito parecido há alguns anos, mas foi em outro departamento, visto que o jogo é um shooter de plataforma 2D.
Bom, não pretendo fazer mistério, Mouse: P.I for Hire não é um jogo medíocre, é um game claramente desenvolvido com atenção, tempo e dedicação, resultando em algo que tem recheio e conteúdo. Falar da experiência é mais complexo do que dizer se é bom ou não, mas o que estou adiantando é que temos algo aqui que vale à pena ser discutido e jogado.
O Detetive Jack Peper

A narrativa do game conta a história do detetive particular Jack Pepper e os casos que ele investiga. O texto e o visual são recheados de referências e clichês do gênero noir de investigação, o que eu particularmente gostei muito porque amo histórias de mistério. Inicialmente, o jogador investiga o sumiço do famoso mágico Steve Bandel, porém, conforme a investigação avança, outros problemas de corrupção começam a se conectar ao caso e a problemática se torna maior e mais complexa.
Não é a intenção do game contar um mistério profundamente instigante. Na prática, a história aqui acaba funcionando como pano de fundo para o personagem principal ir de um ponto ao outro, e honestamente, não há nada de errado nisso. Seria um problema, claro, para um filme, mas para um videogame eletrônico funciona perfeitamente e me manteve interessado enquanto explorava cada área do jogo.

Para entender melhor a estrutura: cada fase do jogo é uma espécie de capítulo: Jack Pepper encontra alguma pista que o leva a certo lugar e lá ele precisa explorar até encontrar outra pista decisiva para manter a coisa funcionando. Isso abre espaço para algumas surpresas aqui e ali e a garantia de uma recompensa para o jogador no final de cada fase, ou seja, uma nova revelação que vai avançar a história.
Mas o segredo para que esse pacote seja de fato efetivo é o texto. O diálogo com os personagens não é longo e eu diria até que no total é apenas uma pequena parte do game, porém os personagens evidenciam suas personalidades pelo texto e são interessantes de se conversar. Os atores escalados aqui também parecem estar se divertindo e dando o seu melhor para cada figura caricata que aparece. Vale o destaque para o protagonista interpretado pelo já famoso na indústria Troy Baker, e que consegue entregar uma performance pastiche na medida certa para Jack Pepper.

Após ler toda essa descrição, talvez você tenha a impressão de que este é um game de investigação, mas aí que vem a quebra de expectativa que mais gostei: não é! Apesar de ter elementos de investigação, com toda certeza ele é primeiramente um jogo de ação.
Doom Noir
De uma maneira até agora inédita para mim, Mouse: P.I for Hire mistura a gameplay da série Doom com um toque de investigação e exploração. Enquanto em alguns trechos de fato o personagem está desarmado apenas interagindo com NPC’s ou investigando cenários, na maior parte do tempo está com uma arma na mão dizimando hordas de inimigos que aparecem na tela. O sistema é bastante funcional, basicamente não há muito espaço para táticas defensivas, a estratégia é sair atirando e se mover rapidamente para não dar espaço para o inimigo poder revidar. A ação é rápida e bastante satisfatória quando se consegue dizimar diversos inimigos sem tomar muito dano.

No início, temos acesso apenas a pistola comum de Jack Pepper, mas com o avançar da história mais armas vão aparecendo, desde as mais comuns, como espingarda, até armas como o “Desvanecedor” que espirra um ácido que é capaz de corroer a pele dos inimigos. Ao progredir nas fases e liberar novas armas, o jogo recompensa o jogador constantemente e abre espaço para maneiras mais divertidas de acabar com os inimigos.
Há ainda um nível de dificuldade considerável. Jogando na dificuldade normal achei tudo equilibrado, alguns chefões são mais complicados e às vezes os inimigos atacam todos de uma vez e se você não se planejar já era, mas geralmente nada me parece injusto e a dificuldade maior ou menor está disponível para os jogadores que tenham interesse. Há uma grande quantidade de itens espalhados pelo cenário, mas isso não facilita tanto por que mesmo que você jogue bem, vai tomar uns tiros quando a coisa tá vindo de todo lado, então é bem útil ter sempre itens próximos para se recuperar.

A movimentação também é essencial nesse sentido, temos acesso a “boosts” que movimentam o personagem mais rapidamente, pulos duplos e outras melhorias de movimentação que o jogador ganha acesso ao progredir no jogo. De maneira geral, tudo é muito fluído e fácil de operar com os controles ou com o modo mouse do Nintendo Switch 2, caso prefira uma opção mais precisa para a mira.
Esse loop de ação não fica cansativo e está sempre sendo renovado com novos inimigos, cenários e armas. Apesar do jogo ter uma duração razoável, entre 12-15 horas, a ação frenética não chegou a ficar maçante para mim.
A investigação fica um pouco de lado
Do jeito que estou falando, você vai notar que os trechos de investigação ficam em segundo plano no game, e isso é verdade. Normalmente a cada 10 trechos do jogo, 7 são de ação e 3 de investigação. Na prática, isso não é um demérito, só tenha em mente que este é primeiramente um jogo de ação de fato.

Os trechos mais investigativos normalmente envolvem encontrar alguns itens em certos cenários, interagir com NPC’s relevantes para a história ou ler alguns documentos encontrados nas fases. Além disso, entre cada fase, o jogador retorna ao escritório de Jack Pepper para reunir as pistas novas e definir qual será o próximo passo. No geral, como descrevi antes, o objetivo é fazer a roda continuar girando para justificar onde o jogador deve ir.
Confesso que às vezes fiquei sem entender por que estava sendo atacada em certos trechos do jogo. Parece que todo canto que Jack Pepper vai tem o capanga de alguém ou personagens específicos querendo matar o detetive, mas obviamente que temos aqui uma licença criativa para um jogo de videogame que precisa manter a ação sempre lá no alto. Inclusive, não é exigido em momento nenhum do jogador algum tipo de pensamento lógico para resolver os casos, no máximo temos alguns puzzles bem simples espalhados em alguns cenários do jogo.
Bonito de se ver
A apresentação visual do jogo é quase impecável, mas por ser extremamente estilizada, leva um tempinho no início para se acostumar. Para aqueles que não são tão fãs da estética, há alguns ajustes que podem ser efeitos, como reduzir o granulado do efeito de filme para deixar a imagem mais limpa. O único detalhe que achei que poderia ter tido um polimento melhor é quando os inimigos morrem. Quando você mata um inimigo, ele fica caído no chão, porém, como o cenário é 3D e o bonecos são 2D, fica um efeito mal-acabado do personagem morto se adequando a perspectiva que você está olhando.

O destaque fica principalmente para vários cenários urbanos, esgotos, metrô, ruas, guetos, casas, prédios, tudo é feito com muito detalhes e na mesma linguagem de desenho animado, criando cenários imersivos e divertidos de se explorar. Além disso, tudo que é 2D, como personagens e a mão do protagonista sempre aparecendo na tela, tem aquela clássica cara de animações antigas e é o que provavelmente mais enche os olhos enquanto se está jogando.
Especificamente aqui na versão de Nintendo Switch 2, temos duas opções para o visual do ponto de vista técnico: performance e qualidade. Para esse tipo de jogo, optei no modo performance sem pensar duas vezes, é o tipo de ação frenética que se beneficia de uma imagem mais fluída. Infelizmente o desempenho não é perfeito, em trechos com muitos inimigos ou em batalhas contra chefes há quedas de frame rate que atrapalham um pouco a imersão, mas não estragam a experiência. Testei um pouco do modo qualidade que parece ser relativamente estável a 30 quadros por segundo, porém, a diferença na qualidade da imagem é pouco perceptível visto que o jogo já tem um visual tão estilizado.

No modo portátil a experiência mantém quase como o modo de qualidade, talvez com um pouco de perdas na fluidez da imagem. Em geral, o game retém a sua experiência autêntica no Switch 2 e acho uma boa pedida para quem tem o console e está interessado.
Coerente e Divertido
Mouse: P.I for Hire me capturou de jeito. O jogo é divertido e viciante, daquele tipo que você vai jogando e mal sente o tempo passar ou só para porque realmente precisa fazer outra coisa. A temática noir, o visual cartunesco, a história de mistério e a ação frenética criam juntas uma experiência gostosa de se aproveitar.

Falei no início sobre o receio de jogos que parecem ser só visuais, sem conteúdo, mas realmente passou longe de ser o caso aqui. Vale ressaltar que não sou nenhum expert em jogos de tiro, muito pelo contrário na verdade, mas aqui é tudo tão simples que recomendo até mesmo para aqueles que não são tão acostumados com isso.
Outra armadilha comum que poderia ter aqui seria a duração da experiência, mas não senti que se estendeu além do necessário, com acontecimentos interessantes praticamente em todo capítulo, e diferentes tramas que vão se entrelaçando no contexto da cidade de Mouseburg.
Ah, vale lembra, o jogo está com legendas traduzidas na nossa língua, então não há barreiras para apreciar o jogo. Mouse: P.I for Hire é uma recomendação minha de olhos fechados.
Prós:
- Visual bem construído inspirado nos antigos desenhos animados em preto e branco;
- Ação é simples e divertida em cada cenário, com ocasionais novidades;
- História é funcional e recompensa o jogador com revelações ao fim de cada fase;
- Dublagem e diálogos têm personalidade e dão charme ao jogo.
Contras:
- Pequenos problemas visuais;
Nota
9
