A equipe do NintendoBoy teve a honra de entrevistar Alessandro Martinello, idealizador do boomer shooter Mullet Madjack. O jogo foi publicado pela Epopeia Games, distribuidora que já possui alguns jogos em seu catálogo, como IIN e Goroons, enquanto este é o primeiro jogo do estúdio indie Hammer95.
O que é Mullet Madjack?
Mullet Madjack é um jogo de tiro frenético inspirado na estética dos anos 80-90, e tem, como principal mecânica, o tempo. O jogador possui um temporizador de dez segundos, que sobe dois segundos a cada morte; é fim de jogo caso o relógio zere. Assim como DOOM ou Quake, as fases são geralmente lineares, e o seu objetivo é matar todos os inimigos de um ponto até o outro, antes do tempo acabar; você pode ler a nossa review da versão de Nintendo Switch na íntegra:
O FPS em questão é o primeiro jogo desenvolvido pela Hammer95, mas já possui ampla notoriedade pelo seu estilo único. “A gente praticamente apareceu em todos esses youtubers de nicho dos jogos de FPS”, conta o desenvolvedor na entrevista. Além disso, Mullet Madjack possui uma colaboração com Ultrakill, tendo um chefe secreto advindo desse jogo no formato de boss final do Modo Boss Rush, e feito especialmente para essa collab que, de acordo com Alessandro, foi “super simples” de se fazer, sem a necessidade de contratos completos, nem nada do tipo.

Gameplay Frenética VS Precisão
O jogo possui um estilo rápido, o que faz contraste com shooters mais atuais. Seguindo a linha dos “boomer shooter”, Mullet Madjack toma, como inspiração, os jogos antigos de tiro que possuíam uma jogabilidade bastante frenética se comparados aos mais modernos: “Eu achava o formato do shooter moderno militar que Halo e Call of Duty inventaram muito lento. Eles inventaram porque é mais fácil jogar no controle. É simples assim”. Alessandro também afirma sempre ter jogado modificações de Doom, e notado, lá pra 2019, a tendência delas ficarem cada vez mais rápidas.

Desde a concepção, Mullet Madjack foi pensado para que o foco não fosse em uma navegação complexa de fases, mas sim, no quão rápido inimigos podem ser eliminados no menor período de tempo.
Jogabilidade impecável para console
A peça final veio após conhecer Post Void, outro jogo indie brasileiro que também utiliza a ideia de pressão constante baseada em tempo: “Eu conheci os criadores e eles adoraram o nosso jogo, mas quando vi o Post Void, eu falei: ‘Tá, essa ideia é muito legal, só que ela não foi executada completamente’. Eu já tinha outras ideias que eu fui juntando, e daí meio que encaixou todas as peças”. Ele ainda cita influências como Ultrakill e o modo Mercenários, de Resident Evil 4, assim como a ideia de transmitir a sensação de ser um “John Wick jogável”. Apesar de mostrar hesitação inicial, a adição de um temporizador e a preocupação na criação de uma jogabilidade frenética e fluida foi o que fez com que Mullet Madjack ganhasse o prêmio de Melhor Jogo Brasileiro em 2025 pela Gamescom.

A limitação de memória, que costuma ser um desafio de adaptação recorrente para qualquer estúdio que atue com os consoles da Nintendo, não se mostrou um empecilho dessa vez, mas a parte técnica de ajuste de mira, para que o jogo fosse portabilizado adequadamente para console, foi um dos principais desafios dos desenvolvedores do jogo. Alessandro também não descartou a possibilidade de uma versão nativa para Nintendo Switch 2, se utilizando dos potenciais únicos do console, como o modo mouse: “A gente ainda não recebeu os kits de desenvolvimento do Switch 2, e acho que a Nintendo está priorizando esses dev kits para estúdios maiores, então devemos estar em alguma fila. Temos esse desejo, realmente é só uma questão de oportunidade.”
Apesar disso, trabalhar com a Nintendo parece ter sido relativamente tranquilo, com a gigante japonesa dando espaço para o jogo ser demonstrado em eventos como a Gamescon. Mesmo com a equipe já tendo feito esses ajustes previamente, ainda era necessário testar “o quanto era confortável e agradável de jogar no controle”, de acordo com Alessandro. Felizmente, o conforto lhe surpreendeu e superou as expectativas.
Roguelike brasileiro
Faz parte da estratégia de vendas de muitos títulos abranger o público internacional, pois “um jogo precisa ir bem na Steam e em outras plataformas para se pagar”. Alessandro disse que a maioria do público que compra jogos vem do Canadá, Estados Unidos e China, mas ainda assim, a dublagem brasileira sempre foi vista como uma prioridade por parte do estúdio Hammer95: “E já estava nos planos, sempre esteve nos planos. A gente sempre teve essa visão de lançar no exterior, pra poder, logo depois, dar atenção total pra um lançamento brasileiro”.
Embora não tenha inicialmente sido lançado com dublagem, as vozes brasileiras que foram adicionadas por meio de atualização gratuita são consideradas pelos desenvolvedores do jogo como as vozes canônicas dos personagens: “Enquanto eu desenhava os personagens, eu já ouvia o dublador Luiz Feier Motta, voz do Sylvester Stallone, do Toguro, do Yu Yu Hakusho, falando com a voz do Jack. Eu já ouvia a risada do Saga de Gêmeos, do Cavaleiros dos Zodíacos, que é do Gilberto Baroli, como Sr. Bullet.”
No fim, ele conseguiu trabalhar com todos os dubladores que imaginava para cada um dos personagens.

O jogo também completou seus 2 anos no dia 15 de maio, e as comemorações não param por aí. Mullet MadJack foi ganhador do título de Melhor Jogo Brasileiro pela Gamescom Latam 2025. De acordo com Alessandro, “Para todos os jogos que forem ganhar o prêmio, o que mais importa é o apoio do público. Termos sido reconhecidos mesmo em países que nem se importam com a gente, países que nem sabem que somos brasileiros”, esse apoio acabou sendo crucial por parte não só dos brasileiros, mas de todos os jogadores que se conectaram com seu caos acelerado, ação frenética e diversão desafiadora e imediata.
Estilo & Entretenimento
A mesma atenção ao detalhe em criar um portável que fosse impecável para os jogadores de console foi dada à concepção do protagonista, Jack, seu carro e o visual do jogo como um todo. Alessandro relata que ele e a equipe de Hammer95 queriam criar “Um jogo completinho”, mesmo que só pudessem fazer um escopo menor. Segundo ele, a equipe passou cerca de 6 meses extras polindo Jack e seu carro, sem denegrir o escopo do desenvolvimento — tempo extra este que não é normalmente visto em jogos.

Alessandro mencionou também outras de suas principais inspirações, como o jogo Doom, Akira e Máquina Mortífera. A intenção não era só criar um jogo estiloso, mas também descolado, sem necessidade de ser um exemplo prático para a vida real. Esbanjando referências, foram até mesmo citados o Rei do Pop, Michael Jackson, Rambo e Riggs, do Máquina Mortífera, como inspiração para o penteado assinatura de Jack.
Recado aos fãs!
No dia da entrevista, Mullet Madjack fez seu aniversário de dois anos de lançamento, e nós pedimos para ele algumas palavrinhas para os fãs que apoiaram o projeto:
“Fica meu agradecimento. Eu me sinto realmente recompensado pelas coisas que eu fiz, pensando no público brasileiro. Os brasileiros responderam de volta, e eu fico feliz por isso. Fico feliz que os jogos brasileiros em conjunto estão acabando com qualquer tipo de estigma e de estereótipos sobre o que um jogo brasileiro pode ser. Acho que a geração Z já vem tranquilamente pronta para jogar jogos nacionais da mesma forma que joga qualquer outro tipo de jogo.”
Mullet MadJack está disponível atualmente para PC, Xbox Series X|S, Xbox One e Nintendo Switch, com a versão de PlayStation em breve.

