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Desenvolvedora: Tatsujin
Publicadora: Clear River Games
Gênero: Shoot ‘em up
Data de lançamento: 30 de julho de 2026
Preço: R$ 127,99
Formato: Físico/Digital
Plataformas: Nintendo Switch 2, PlayStation 5, Xbox Series X|S, PC
Análise feita no Nintendo Switch 2 com cópia fornecida gentilmente pela Clear River Games.
Revisão: Lucas Ferreira
Após décadas sem um novo título da série (o último foi Truxton II em 1992), a infindável luta contra os Gidans retorna em Truxton Extreme. Essa sequência foi desenvolvida desde sua gênese pela Tatsujin, empresa fundada pelo criador original da série, Masahiro Yuge, e publicada pela Clear River Games.
O retorno de uma série tão antiga se justifica em uma plataforma onde os títulos do gênero shmup são lançados aos montes? O retorno de seu mestre à série fará uma diferença relevante em sua qualidade? É o que você vai descobrir comigo nessa review.
A salvação da humanidade depende dos bravos tatsujins!
A humanidade conseguiu se desenvolver a ponto de colonizar outros planetas. A sociedade chegou a um nível de plenitude tamanha que forças militares já não eram mais necessárias, sendo abolidas por conta disso. Porém, como tudo na vida não parece ficar em paz por muito tempo, sete dessas colônias foram invadidas por uma raça alienígena inimiga, subjugando totalmente a humanidade que não dispunha mais de meios para contra atacar.

O que os inimigos da humanidade não contavam era com a tenacidade humana, que mesmo nos momentos mais agudos de terror, possui a capacidade de se unir e se levantar contra a adversidade. Secretamente, um programa de aprimoramento humano estava sendo desenvolvido, com a finalidade de tornar meros humanos seres que conseguissem pilotar hiper naves que seriam as armas definitivas contra a ameaça extraterrestre. Assim nasciam os Tatsujins!
A narrativa de Truxton Extreme é iniciada de um ponto onde todo esse contexto já está em curso. Através de uma história de quadrinhos interativa e totalmente localizada em nosso idioma, acompanhamos as aventuras de Ash (um soldado modelo que parece ter retido pouco da sua humanidade no processo de aprimoramento), Bergamot (uma beldade que foi levada a se tornar piloto para encobertar o fato de ser uma filha bastarda de um grande político) e a misteriosa Cyrilla (que aparentemente nem deveria estar nas linhas de defesa e levanta suspeitas de ser, na verdade, uma agente inimiga infiltrada).

Nosso trio de heróis é bem diverso, tanto em design como em personalidade. A narrativa apresenta elementos que te envolvem aos personagens e a narrativa dinâmica da história faz com que tudo se desenvolva bem rápido, então pode ficar tranquilo, pois os que não curtem muita leitura não vão ficar entediados pela narrativa no formato de história em quadrinhos. Os visuais do entorno dos personagens e dos ambiente espaciais é ricamente detalhado, agregando valor à obra e mantendo o legado de excelência da série
Tanto o ótimo gameplay quanto a curiosidade de saber se nossos heróis serão bem sucedidos em salvar a humanidade serão os seus maiores motivadores para superar as fases, que deverão ser completas com cada um dos personagens para saber todos os meandros e desfechos da narrativa. E fiquem tranquilos, porque elas são suficientemente divertidas a ponto da repetição não ser problema algum. Depois de todo esse contexto, vocês devem estar com água na boca para saber como é o gameplay, certo? Então vamos a ele!
A excelência em cada detalhe é o seu diferencial
Assim que iniciamos o jogo, nos primeiros toques no controle, já é muito perceptível como Truxton Extreme é diferente, e isso pode ser notado por aspectos simples como o controle da nave. A facilidade de controle da mesma é medido por quantas unidades de velocidade conseguimos adquirir ao derrotar os inimigos. Você poderia me falar que já viu isso em outros jogos e estaria totalmente com a razão, mas a diferença da sensação de velocidade e a facilidade no controle que você sente aqui é algo incrível.

O jogo não exibe para você esses controles com muitos efeitos visuais ou sonoros. É algo quase tátil, como se você estivesse controlando manualmente a nave. Isso confere à obra uma imersão incrível, pois haverão momentos quando ser rápido demais pode ser um erro e você deve reduzir a sua velocidade, e outros em que a quantidade de projéteis na tela exigirá reflexos quase olímpicos da sua parte. A maestria com que a jogabilidade foi projetada é o que difere os grandes dos pequenos. Como um prato preparado por um grande chef e o mesmo prato feito por você no seu humilde fogão.

Além da velocidade, o tiro-bomba e a potência dos projéteis regulares também devem ser administrados. Deixo um conselho pessoal aqui sobre as bombas: use-as como forma de se proteger de situações onde a morte é iminente, usando-as mais como uma opção defensiva do que ofensiva. Porque sim, o jogo é bem hardcore — nada de barras de vida, aqui é one-hit-kill. Os projéteis regulares podem ser de vários tipos que podem ser diferenciados pela sua cor, indo desde os mais abertos, como o magenta, até os mais retilíneos, como os verdes. Para aqueles que gostarem de um pouco de facilidade, recomendo o projétil da cor branca, pois eles são teleguiados, apesar de serem um pouco mais fracos.

Truxton Extreme também apresenta a opção de tiro carregado. Apesar de poderoso, use apenas quando tiver poucos inimigos na tela ou quando estiver dominando bem a jogabilidade, já que ele torna o controle da nave bem pesado e isso torna você vulnerável aos adversários, sobretudo contra os mais rápidos. Então gerencie bem a questão “mais poder de fogo com vulnerabilidade” . E por último, mas não menos importante, existem unidades de vida que podem ser coletadas. Elas estarão sobre a proteção de um domo que só pode ser destruído se você estiver usando a mesma cor de projétil que o domo. Nem preciso dizer que em um jogo com uma pegada mais desafiadora é indispensável coletar mais vidas né?

O jogo ainda conta com vários modos, então mesmo que você tenha completado a jornada épica dos nossos heróis, ainda vai poder usar tudo o que aprendeu no modo arcade, além de treinar um pouco mais, caso esteja capenga em superar as fases, jogar um trecho do game sem se preocupar muito com perder vidas e até mesmo chamar um amigo para jogar em time. Apesar de muito exigente, o jogo é bem justo ao proporcionar meios de aprender a jogá-lo sem nos tornar reféns de um imenso tutorial. Não citei antes, mas a mente por trás da série, Masahiro Yuge, é pianista, o que impacta tanto a forma como ser bom no jogo te exige decorar comportamentos e timings dos inimigos, como pela trilha sonora que empolga até defunto.
Humano ou não, a diversão é garantida.

Acredito que ao longo do texto, vocês puderam sentir que Truxton Extreme foi diferente para mim. Poder desfrutar de um jogo de um gênero que gosto tanto, e com esse tamanho de qualidade, me faz sentir bem envergonhado por uma série como Truxton ter passado completamente fora do meu radar ao longo dos anos. É muito improvável não sentir o esmero e o amor colocados nessa obra ao jogá-la, o que fez ele já ser um dos grandes jogos desse ano de seu gênero, para mim.
Aguardo ansiosamente o lançamento do game, para ver no rosto e nos comentários de muitos a diversão que esse título irá despertar no fandom dos jogos de “navinha”; Yuge-sensei, muito obrigado!
Prós:
- A trilha sonora épica que arrepia cada fio de cabelo que você possa ter no seu corpo;
- Jogabilidade impecável a ponto de você se sentir jogando em um arcade clássico só que no conforto do seu lar;
- Personagens carismáticos a ponto de você se importar e buscar superar as fases para ver como a história se desenvolve;
- Yuge-sensei prova que ninguém conhece mais uma obra do que o seu próprio criador.
Contras:
- Teria que inventar algum mas estou totalmente apaixonado pelo jogo, então não tem nada para citar aqui.
Nota
10
