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Desenvolvedora: Studio Prisma, WRIGHT FLYER STUDIOS
Publicadora: WRIGHT FLYER STUDIOS
Gênero: RPG baseado em turnos
Data de lançamento: 16 de setembro de 2026
Preço: R$ 139,99
Formato: Digital
Plataformas: Nintendo Switch 2, Nintendo Switch, PC
Análise feita no PC com cópia fornecida gentilmente pela WRIGHT FLYER STUDIOS.
Revisão: Manuela Feitosa
Gacha. Agora que eu já assustei alguns de vocês, vamos começar a falar do jogo da vez, e a discussão que eu gostaria de apresentar, que é a moda recente de transformar jogos gacha RPG em jogos completos com começo, meio e fim, sem as mecânicas de gacha presentes nesses jogos.
Não estou falando de exemplos como Xenoblade Chronicles 2, que é um jogo completo que introduziu mecânicas de gacha na sua jogatina por algum motivo que só deus sabe. Estou falando de jogos que se originaram como gacha e foram transformados em jogos, como o OCTOPATH TRAVELER 0, o futuro Final Fantasy Ressonance, e o jogo do qual iremos conversar neste review, Another Eden Begins.
Another Eden nunca foi um dos gigantes dos gacha 2D, não em comparação com Granblue Fantasy ou Fate/Grand Order. Jogos que fizeram suas franquias se tornarem bilionárias, e que muitas empresas tentaram pegar uma parcela do mercado, seja com jogos originais, como é o caso do Another Eden do qual falamos, quanto de IPs licenciadas que em sua maioria já estão fechados em um limbo onde não podem mais ser jogados e que 90% pertence a Bandai Namco.
Esse mercado já não é o mesmo. Após a chegada dos gachas de verba alta da China, jogos de turno e gráficos em duas dimensões e jogatinas simples não são mais aceitos, e o gênero foi de marginalizado para um dos quais muitos jogadores antecipam com genuína vontade. Eu não sou um desses jogadores. Sou um dos advogados de que a estrutura de um gacha é a mesma que limita esses jogos a atingirem potenciais maiores.
Com isso em mente, eu não tenho contato prévio com Another Eden. Ele já foi-me recomendado várias vezes por um amigo, mas a ideia de investir tempo em gachas, principalmente após passar muito tempo investindo em outros gachas e tendo abandonado-os por sua jogatina questionável (estou olhando para vocês, Umamusume e Fate/Grand Order) não tive a curiosidade suficiente para tomar esse passo. Mas ao descobrir que um jogo inspirado nele sairia como um RPG tradicional, decidi dar o salto de fé e arriscar no jogo do qual ninguém fez alarde nenhum durante uma antiga Nintendo Direct. O resultado foi satisfação plena.
Familiar e bom

Another Eden Begins não é nada inovador, e aí surge um questionamento do quão importante isso é para a satisfação do jogador. A resposta é sempre: depende. O que em alguns se torna um empecilho por só ter opções melhores rodeando-os, outros apenas fazem o básico de forma muito satisfatória, com pequenos detalhes que tornam a experiência simples, mas completa. Another Eden Begins é a segunda opção.
O jogo segue um fundamento simples de JRPGs: combate em turno, quatro personagens ativos por vez e cada um com uma classe afiliada a ele. A customização de cada um é básica, mas por ser um jogo que veio direto de outro do qual o propósito é colecionar, e a variedade vem da sua capacidade de abrir a carteira ou investir o tempo de um CLT comum apenas em jogatina, a variedade estratégica vem da grande quantidade de personagens que o jogador pode contratar com o passar do jogo por meio de missões secundárias.
Essa é a parte mais divertida do sistema do jogo. Ele tem poucos comandos por personagem, mas a variedade é grande suficiente para criar várias composições diferentes. Caso os personagens tenham sinergia suficiente, o jogador será recompensado por turnos de muito dano e satisfação própria por ter colocado todas as engrenagens em jogo.

Isso em combinação com animações simples, porém rápidas e estilosas, fazem o sistema de combate fluir muito bem e ser um dos mais divertidos dentre os JRPGs de turno moderno que eu joguei. Sem timing de botões para apertar ou vários e vários toques, apenas uma sequência de comandos e aplicação da estratégia. É uma preferência pessoal, sim, mas é do jeito que eu gosto.
Usarei como exemplo meu time principal. Fiz uma combinação onde eu tinha cada tipo de dano elemental e físico, fazendo o possível para descobrir a fraqueza dos inimigos e provocar as fraquezas, causando a habilidade do personagem a ativar. Essa habilidade tem uma chance melhorada de crítico, causando o ativar da habilidade de outras duas personagens em meu grupo, que também causavam dano crítico podendo causar envenenamento. Esses críticos em cascata podiam causar outros a mais, e assim eu fazia uma corrente de golpes poderosa.

Outra equipe que fiz foi muito mais simples, apenas convoquei uma equipe inteira de dano de água, e cada vez que um dano de água era provocado a equipe seguia com outro, que seguia com mais um, e assim por diante.
Como eu disse, é um sistema simples, sem muita novidade, mas com variedade o suficiente pra que a criatividade do jogar em criar composições torne essa simplicidade uma diversão.
O pulo do gato
Em jogatina pura, Another Eden Begins é um exemplo de ouro de como sistemas de combate em turno de JRPGs devem ser feitos, mas como eu disse, ele não inova, e isso vem como prejuízo quando notamos que é muito difícil lembrar de um JRPG moderno com uma sidequest que não seja um completo fiasco. O design de quest é tenebroso. O mais comum sendo missões onde o jogador vai até o lugar indicado pela bússola, lê os diálogos específicos da missão, repete e às vezes faz de um a dois combate por missão. Um vai e volta sem graça alguma.
Se fossem sem recompensa alguma eu poderia até ignorar e dar o braço a torcer nessa crítica, mas é uma das formas de aumentar a sinergia com os membros da sua equipe e conseguir novos personagens para compor novos times. Caso você tenha se afeiçoado de alguma forma aos personagens controláveis, essas cenas podem muito bem ser divertidas de acompanhar, contendo um desenvolvimento básico de personagens que não está incluso na história com exceção do protagonista.

Não ajuda a ausência de pontos de Fast Travel bem espalhados, com o jogador precisando fazer grandes jornadas de ponto A ao B apenas para ver cenas que variam de qualidade. Essa é ativamente a parte mais decepcionante do jogo, e foi a atividade que mais fez eu querer fechar o jogo e ir fazer outra coisa. Quem sabe grindar em um gacha?
Não HD-2D
Devo admitir que o título desse trecho é um pouco traiçoeiro. Dá para imaginar que ele é um jogo feio, mas não, pelo contrário, Another Eden Begins é lindo. Então o porquê desse título? Pois é a forma mais comum de apresentação visual de JRPGs 2D no mercado ultimamente.
Ambientes cheios de alta definição, com grama, água e iluminação realista em contraste com personagens desenhados em sprites. Esse estilo tem seus fãs, mas há um público que odeia. Fico em cima do muro neste quesito. Não acho esse estilo feio, mas entendo aqueles que dizem que destoa muito.

Os visuais desse jogo em específico são completamente desenhados, sem ambientes realistas, mas que possuem cores digitais vibrantes e que combinam perfeitamente com os personagens principais em tela. O único ponto fraco é que a câmera não toma muitos riscos para ser cinemática. Ela não é completamente estática, se movendo vez ou outra, mas sempre deixa todos os protagonistas no centro da tela, com o plano de frente e o de fundo sendo a única referência de uma falsa tridimensionalidade. Nada de verticalidade, apenas horizontalidade.

Essa simplicidade visual, assim como na jogatina em si, serve em função ao jogo, pois todas as animações são simples, incluindo dos personagens em cena, exploração ou no próprio combate. Os cenários serem do lado mais homogêneo também fazem com que o começo do combate seja praticamente instantâneo, sem transição para uma área de combate e de 1 segundo de carregamento pra menos.
Em outras palavras, o jogo aposta na simplicidade visual para sua beleza, e é uma aposta bem colocada. Já no fim, não teve nada no jogo do qual eu considere feio de verdade.
Chrono Quem?
A inspiração principal desse garoto aqui é Chrono Trigger, ousado, não? Talvez um dos jogos que mais inspirou outros de seu gênero, tanto no cenário independente quanto no interior da indústria. Resultados sempre variam muito, mas se prender a esse brasão de um sucessor de Chrono Trigger vai colocá-lo frente a um dos jogos mais aclamados de todos os tempos.
Chrono Trigger é um RPG que aposta na simplicidade de jogo, uma história de aventura simples mas satisfatória de começo ao fim e com elementos ambiciosos para o console que foi sua casa.

Já foi deixado muito claro que o jogo não é tão ambicioso, e levando em consideração o tamanho do estúdio, não era de esperar algo do tipo, e também já deixei mais do que claro que isso não vem ao detrimento da qualidade do jogo. Também levantei que a jogatina é simples, e apesar da sinergia de personagens não ser tão direta quanto do clássico do SNES, acho ela mais satisfatória de executar em Another Eden Begins — se Chrono Trigger fizesse tudo melhor que todos os jogos, não teria porquê jogar outros jogos, não? — mas então onde quero chegar com esse trecho? Ambos os jogos se tratam de histórias envolvendo viagem no tempo, e onde Chrono Trigger domina, Another Eden Begins tropeça.
Aldo é o protagonista padrão para esse tipo de jogo. Gentil, usuário de uma espada incomum, destinado a salvar o mundo e viajar no tempo e por aí vai. Feinne é o arquétipo da imouto que é sequestrada antes do jogo bater 1h. Logicamente maga branca.
Surgem, então, os personagens obrigatórios da história, que têm o direito celestial de aparecer nas cenas, Amy e Cyrus. Todos os outros são secundários para nem serem considerados em cenas da história, mesmo que haja personagens obrigatórios entre eles. Esquecidos no parque nem começa a descrever. Juntos, nossos heróis e os outros precisam enfrentar uma ameaça ao reino que se prova um peixe pequeno frente ao diabo em pessoa, ou o mais próximo disso.
O status quo dos personagens também não muda. Não é exatamente um erro único de Another Eden Begins, mas de muitos jogos no gênero como um geral. A relação entre os personagens é amistosa de forma rápida, e nunca se desenvolve para algo além.
Cenas secundárias flertam com a ideia, mas ele tem um roteiro confuso que não sabe exatamente o que quer em relação aos personagens. Amigos continuam amigos, enquanto Aldo observa os seus resolverem seus problemas pessoais, às vezes até lembrando de personagens que ele não conversava há umas boas horas, mesmo estando sempre ali.
Por adaptar um gacha que está há anos em serviço, o jogo analisado é apenas um capítulo de um grande épico, um pedaço de uma saga que ainda está sendo construída. Uma história para jogos assim não se pode dar o luxo de ser simples. Toneladas e toneladas de lore e histórias de personagem, com linhas do tempo e probabilidades acabam se tornando necessárias, para sempre ter um próximo passo possível para a história tomar rumo.
Tudo isso vem em um detrimento muito simples: ela não é tão interessante. A maioria dos acontecimentos se desenrolam por meio de personagens explicando o que está acontecendo, como o universo em que eles se encontram funciona, por que eles devem se importar e o que ameaça esse mundo. Ela dá voltas, ela gira, ela se enrola toda, mas mesmo sendo curta, a trama é a parte menos interessante de toda a costura do jogo.
O fim desse começo
Em um pacote geral, Another Eden Begins é muito bom. Mesmo com uma história desinteressante e missões secundárias péssimas, o loop da jogatina é muito satisfatório para um jogador fã de jogos em turno. Sentir a progressão dos personagens para criar uma nova composição e vê-la contra inimigos mais fortes era sempre um motivador para continuar jogando.

Por ser um jogo curto, tendo uma história de aproximadamente 20 horas apenas, ele acaba antes de se arrastar demais para os menos pacientes, e caso o jogador exija mais desafio ele pode simplesmente ignorar as quests dos membros da party. Uma vitória desonrada, mas uma vitória ainda assim.
Por se tratar de apenas uma parte de uma história maior, tenho genuína curiosidade em como o jogo vai continuar sua história após o fim desta. Não pretendo jogar o gacha, pois não tenho em mim para mais um RPG de turnos de personagens coletáveis em 2D. Meus tempos de FGO e Granblue Fantasy já estão atrás de mim.
Sim, jogador de gacha, eu sei muito bem que eu consigo fazer o conteúdo do jogo sem gastar um centavo, mas que tal eu ter acesso ilimitado a TODO o conteúdo do jogo por um valor fixo e sem o banner de verão provando o quão… quer saber, melhor parar por aqui. Another Eden Begins é bom, muito bom. Joguem Another Eden Begins. Desinstale os gachas de seu celular e se liberte das correntes, retorne ao bom e velho RPG básico.
Prós:
- Sistema de combate maravilhoso. Muito simples, mas também com muito espaço para customização e aplicação de planos;
- Muito bonito. Gráficos com bastante equilíbrio entre os personagens e os jogadores, fazendo com que, mesmo que sem efeito brilhantes, ele seja muito atraente visualmente;
- Sucinto. O jogo tem um tempo de história curta, fazendo com que a campanha, mesmo com história fraca, não seja irritante ou arrastada. O jogo tem conteúdo secundário extra que não envolve as missões para aproveitar o combate..
Contras:
- Missões secundárias. Além de pouco elemento de combate em muitas delas, ignorando a melhor parte do jogo, elas são o equivalente de um vai e volta. Receba o comando, volta, repete, faz um combate, acabou;
- História sem sal. Elementos comuns para um JRPG, com todos os arquétipos de personagens presentes na história, mas sem tomar nenhuma liberdade com a história ou fazer algo além do básico presente em outros jogos de fantasia com premissa idêntica.
Nota
8,5
