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Desenvolvedora: Monster Couch
Publicadora: Monster Couch
Gênero: Estratégia | Cozy Game
Data de lançamento: 17 de setembro de 2026
Preço: R$ 57,99
Formato: Digital
Plataformas: Nintendo Switch, PlayStation 5, Xbox Series X|S, Xbox One, PC
Análise feita no Nintendo Switch com cópia fornecida gentilmente pela Monster Couch.
Revisão: Manuela Feitosa
Flamecraft surgiu inicialmente como um jogo de tabuleiro criado pelo designer Manny Vega, ilustrado pela artista Sandara Tang e lançado em 2022 pela editora Cardboard Alchemy após um estrondoso financiamento coletivo no Kickstarter.
O principal objetivo é ser um jogo fofo, aconchegante e de competição amigável, onde cada jogador pode colaborar com os outros ou receber ajuda, entretanto no final somente um sairá vitorioso da partida. Usando esse jogo como base, em setembro deste ano a Monster Couch adaptou-o para o formato digital e lançou Flamecraft para consoes e PC.
Quando assisti ao trailer do jogo fiquei um pouco confuso e não entendi muito bem qual era o objetivo, porém fui instantaneamente atraído pelos visuais coloridos e charmosos desenhados à mão e logo fui pesquisar mais sobre. Fiquei encantado com a fidelidade dos visuais com base no material original e sobre como as regras do jogo foram adaptadas para o “mundo virtual”. Apesar disso, eu nunca joguei Flamecraft original, então essa foi minha primeira experiência com o jogo e posso dizer que foi bastante positiva.
Como Flamecraft funciona?
Durante as minhas pesquisas sobre o jogo de tabuleiro original para fazer a review, pude ver como as regras foram adaptadas com muita fidelidade. O principal objetivo do Cozy Game é se tornar o guarda-chamas mais bem-sucedido da cidade, ajudando os dragões artesãos e lojistas a ganhar mais reputação, e assim, vence quem tiver mais pontos ao final da partida.

O jogador tem duas opções ao visitar uma das lojas: coletar os recursos disponíveis, que estão sempre de acordo com a categoria dos dragões, ou então encantar o comércio. A melhor forma de conseguir pontos de reputação é encantando, porém, são necessários os itens da coleta para executar os feitiços.
Cada tipo de dragão corresponde ao de uma loja, e esses tipos são: pão, carne, ferro, planta, cristal e poção. Os recursos também são de acordo com essas categorias. Depois de fazer a coleta, o jogador não precisa fazer os outros passos, que são: adicionar mais um dragão à loja e ativar uma das habilidades, porém, é altamente recomendado que faça, principalmente no início da partida.
Ao encantar, além do nível da loja aumentar, o player poderá ativar as habilidades de todos os dragões disponíveis se ele estiver apto. Para vencer, os jogadores devem montar diferentes combinações, usando ou não aquelas já estabelecidas por outros jogadores para ganhar o máximo de reputação possível ao fim da partida. Além disso, também existem os dragões extravagantes que contam com missões específicas para cumprir e ganhar reputação ou moedas.
Gameplay do jogo na prática
Para aqueles que, assim como eu, nunca haviam sequer tocado no jogo original, essa versão conta com um tutorial de 5 etapas para os iniciantes. Esse tutorial é bem intuitivo, e serviu bem para que eu pudesse aprender o básico sobre as principais regras, mecânicas e até estratégias sem precisar pesquisar na internet. Apesar disso, ainda foi um pouco difícil para mim no começo.

Demorei duas partidas para pegar o jeito e conseguir vencer de fato. Porém, jogando de verdade foi quando eu pude perceber o real brilho do jogo, o que não era possível só pelo tutorial, é claro. O jogo é bem intuitivo e tem um visual chamativo, o que facilita bastante o entendimento para quem é iniciante. Os controles são fáceis de aprender, e apesar do sistema de combos e ativações de habilidades dos dragões parecerem confusos no começo, com o tempo, tendo contato direto com as mecânicas na marra, fica fácil pegar todos os macetes, principalmente jogando e aprendendo com algum amigo.
Fica ainda mais legal com os amigos!
Falando em jogar com os amigos, a principal graça desse jogo está no multiplayer. Apesar de ser divertido no começo, jogar somente partidas contra bots chega a ser cansativo, mesmo aumentando o nível dos encantamentos para algo mais complexo. Por isso, o jogo conta com multiplayer local e online.
Os dois têm suporte para até 5 jogadores e as partidas locais são basicamente as mesmas do modo single player contra bots. Já o online tem três modos diferentes de jogo: o primeiro é o jogo personalizado, que funciona igual ao modo para mais de um jogador localmente, porém de forma online. Neste modo, a partida só funciona via convite, ou seja, somente contra amigos ou jogadores específicos. Além disso, o jogo tem crossplay, então mesmo que seu adversário esteja jogando no PlayStation 5, você pode convidá-lo para ser um guarda-chamas enquanto você está em outro console.

Os outros dois modos funcionam entre jogadores aleatórios. O primeiro deles é o “Jogo Curto”, em que cada jogada deve ser feita em até três minutos. Esse modo é ótimo, caso você não tenha nenhum conhecido para jogar e queira uma partidinha rápida que não seja contra robôs. O outro é o “Jogo Longo”, em que cada jogador tem um limite de 72 horas para fazer sua jogada, e não, não precisa ficar com o console ligado por 3 dias seguidos. Enquanto não estiver na sua vez, pode fechar o jogo e abrir mais tarde.
Minha experiência com o online foi boa, apesar dos servidores serem bem vazios. Por exemplo, no “Jogo Rápido” demorou bastante para encontrar meus adversários, mas no “Jogo Longo”, foi bem mais rápido (ironicamente). Só havia eu e mais um jogador, e o timer estava em um slot vazio, travando a partida. Até hoje, na data em que essa review está sendo publicada, eu estou com esse jogo em andamento e ele não está nem perto de acabar, o que eu acho bem ruim. Com a correria do dia a dia, qualquer um pode acabar esquecendo da partida ou então perder a linha de raciocínio que estava no momento da jogada, tornando esse modo inútil, pelo menos para mim.

Além disso, o sistema online do jogo conta com uma funcionalidade chamada “Karma”. Quando um jogador sai da partida antes dela acabar, ele perde pontos de karma que aumentam conforme o número de partidas jogadas. Os jogos são sempre sincronizados entre jogadores que têm um nível parecido dessa pontuação. No papel eu acho esse sistema ótimo, mas quando eu testei o “Jogo Longo” e vi que não era como eu pensava, cogitei abandonar a partida, porém, eu seria penalizado por isso, o que me deixou de certa forma “acorrentado” a ela.
Se fosse para sugerir uma forma de jogar com mais pessoas, eu diria para ser com outros amigos que têm o jogo ou então localmente. O online funciona super bem e, por ser um jogo super tranquilo e fácil de aprender, as chances de seus convidados gostarem são altas.
Campanha Solo
Apesar de não ser o foco, Flamecraft também tem uma campanha solo com história. A narrativa é bem simples: nós somos guarda-chamas e devemos ajudar a gerir as lojas das cidades, colocando dragões, coletando recursos e ganhando reputação. Porém, desta vez, com um objetivo principal em mente: ajudar os dragões a construir uma torre com um farol alto o suficiente para fazer cócegas nas nuvens e facilitar que novas pessoas encontrem a cidade. Tudo isso contado em uma estrutura que me lembra muitos livros infantis (aqueles para fazer as crianças dormirem), com ilustrações lindas feitas à mão.

No modo solo você não tem adversários. Durante as partidas, somente o jogador principal poderá colocar os dragões nas lojas, coletar os recursos e encantar de forma sequencial para garantir o máximo de reputação até o fim. Existem algumas diferenças pontuais para dar desafio e objetivos mais claros, sendo a principal delas as missões. Ao terminar uma partida com uma reputação acima de 75, o guarda-chamas recebe uma missão para cumprir. Acima de 90, duas missões. Cabe ao jogador concluir todas elas nas próximas partidas para zerar a campanha.
Além dessa diferença, a partida flui de forma distinta também. Ao fim de cada rodada, 5 dragões são colocados no parque e, no fim de cada turno, em alguma loja que corresponda ao seu tipo. Se o ícone desse dragão for igual a qualquer encantamento disponível, o jogador também deve usar o feitiço em alguma loja. A partida, na maioria das vezes, acaba quando todos os encantamentos são usados, mas também pode terminar ao usar todos os dragões da loja, assim como em uma partida normal.

Todas essas regras podem parecer confusas no começo, e são mesmo. Tanto que o jogo recomenda que, antes de jogar a campanha solo, o jogador já tenha certa experiência em partidas normais, seja contra bot, online ou com amigos. Depois de pegar o jeito, entretanto, é uma ótima forma de dar vida útil ao jogo, visto que é uma campanha com um certo grau de desafio e impede que o jogador jogue partidas sempre da mesma forma com os mesmos objetivos.
Belos visuais
Agora que abordamos bastante sobre como é a gameplay de Flamecraft, quero abrir um espaço para elogiar o artstyle do jogo. Toda a arte é baseada e extremamente fiel ao tabuleiro original. Desde os cenários, lojas e até as cartas seguem o estilo da artista Sandara Tang, apesar de ela não ter trabalhado no jogo. Tudo é muito colorido, atrativo e carismático, o que chama a atenção por si só, sendo um jogo perfeito para a família toda.
Cada dragão tem seu próprio nome e visual único, somente se assemelhando pelas cores que têm relação com a categoria. Os designs são simpáticos e cada um deles parece ter uma personalidade. Não só eles, como também toda a cidade parece viva graças aos cenários e “NPCs” que transitam o tempo todo. É de fato um lugar que te dá vontade de colocar um avatar no chão e sair explorando cada cantinho.

Porém, apesar de muito bonitos, os visuais são relativamente simples, o que não justifica o jogo rodar a 30 fps com pequenas e ocasionais quedas. Não que isso atrapalhe a experiência; estamos falando de um Cozy Game, então tudo é bem tranquilo e em nenhum momento vai ser exigido rapidez ou precisão do jogador. Entretanto, na versão de Nintendo Switch, que foi a que eu joguei, faltou um pouco mais de polimento na otimização do jogo, visto que, em alguns momentos, o game chegou a dar leves congeladas por alguns segundos, mesmo sem muita coisa acontecendo na tela.
No fim, Flamecraft vale a pena?
Admito que sempre tive um certo preconceito com jogos de tabuleiro que existiam na vida real adaptados para os consoles, mas para tudo existe uma primeira vez e ter essa experiência com Flamecraft foi ótima, principalmente sendo meu primeiro contato com o jogo. E que bom que ela existiu!
Flamecraft traz uma experiência relaxante, divertida e amigável para se jogar, tanto solo quanto com a família e amigos. O jogo tem visuais lindos e, mesmo um pouco difícil no começo, é bem satisfatório quando se aprende a fazer os combos e as melhores combinações nas lojas. Apesar disso, por ser um gameplay sem muitos fatores de imprevisibilidade, pode acabar cansando depois de algumas partidas, forçando-o a trocar de jogo durante uma festa ou visita. Por fim, essa é uma opção bem mais em conta do que comprar o jogo de tabuleiro original.
Prós:
- Gameplay relaxante e divertido;
- Visuais lindos e carismáticos;
- Muito bem localizado para português do Brasil.
Contras:
- A longo prazo, as partidas podem ficar cansativas;
- Mecânicas um pouco confusas no início;
- Poderia ter outros cenários além do padrão.
Nota
7
