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Desenvolvedora: Tiny Monks Tales
Publicadora: Daedalic Entertainment
Gênero: Cozy Game | puzzle
Data de lançamento: 16 de setembro de 2026
Preço: R$ 112,00
Formato: Digital
Plataformas: Nintendo Switch, Nintendo Switch 2, PlayStation 5, Xbox Series X|S, PC
Análise feita no Nintendo Switch 2 co cópia fornecida gentilmente pela Daedalic Entertainment.
Revisão: Lucas Barreto
Sabe aqueles filmes em que o protagonista vai para a floresta, encontra um homem solitário em sua cabana que está, invariavelmente, esculpindo em madeira com uma faquinha cega e, no fim das contas, sai uma peça incrível de linda? Bom, tudo em ‘Woodo’ é feito assim. Todas as peças, personagens, árvores: tudo é feito como se fosse madeira, esculpida, pintada, lixada e trabalhada, que no fim das contas faz uma cenário lindo, e é você mesmo quem monta.
Além de bonecos de madeira, o que o velho ermitão na floresta faz? Te conta uma história bela e comovente que te deixa pensando! Acompanhado de uma gameplay bem simples, temos uma calorosa e bonitinha história de amizade, felicidade e sobre a vida (mas dessa vez eu prometo que não é de chorar)!
Férias na casa de campo!
Woodo traz uma abordagem um pouco diferente do que estamos acostumados hoje em dia, mas que era totalmente o tipo de filme que passaria na Sessão da Tarde dos anos 2000-2010. Uma adolescente obrigada a passar suas férias na casa dos seus avós “caipiras” no campo, numa fazenda de uma pequena vila. Sem teatro, sem cinema, sem internet (sim, tem eletricidade, eles são caipiras, mas não bichos das cavernas), e tendo diversas tarefas para dar conta ao longo do dia.
Nossa protagonista é a Raposinha (ou Foxy, no original), a adolescente que sempre foi mais retraída e introvertida, que adorava jogos no computador, celular, e tinha vários amigos virtuais, mas quase nenhum amigo presencial. Claro que é exatamente o que você espera: ela vai sem vontade, achando que vai ser tudo ruim e chato, mas ao longo da história ela vai se afeiçoando com o lugar e com Ben, que é um sapo um tanto mais velho que ela.

E a história de Woodo, bastante curtinha, gira em torno dos dois, narrada pela menina. Enquanto de início Foxy tenta se entreter com os jogos do celular, que aos poucos vão ficando sem graça, e assistir a Ben fazer “suas tarefas chatas, sendo feliz com isso”. Todos os dias, o sapo rega as plantas, colhe seus legumes, alimentas os animais, conserta um banquinho, serra madeiras para montar uma nova prateleira, come, olha o céu, canta… Esse é o dia-a-dia dele, e como uma adolescente tecnológica iria se divertir assim?
Como nos filmes, Foxy acaba ficando cada vez mais amiga de Ben, se interessando pelo que ele faz, como e por quê ele faz, até quando ela aceita ir a uma trilha com o sapinho, os pintinhos, gansos e vários outros moradores locais, em uma grande e divertida marcha por cenários campestres muito confortáveis, dignas de pinturas. Ela finalmente entende o que a vida é. Entende como Ben pode ser mais velho e, ainda assim, poder brincar de pirata, olhar as estrelas e nadar no rio, se divertindo igual a ela, e sem nenhuma relação romântica. Simplesmente o que a vida, a paz e a amizade pode oferecer.
Quebra cabeça de madeira está na moda, é chique e bem mais caro que o comum!
Embora eu não ache que “quebra-cabeça” é exatamente a palavra correta para esse tipo de jogo, vou aceitá-la pois não consegui pensar em nada que se encaixe melhor. Afinal, Woodo traz, na verdade, um cenário com objetos já posicionados em seus devidos lugares, mas em branco. Estão disponíveis objetos de madeira para que sejam encaixados em seus lugares corretos, completando a arte, e contando a história. A cada objeto específico colocado, ou cena completa, um pedacinho daquele dia é trazido à nós. É bem divertido nesse sentido, e faz uma coisa que poucos jogos fazem: utiliza o touch screen do Switch! Quem diria que a dona Nintendo colocaria um feature muito bacana que só os jogos third party indie utilizam né?

Um fato bem bacana é que os objetos têm, obviamente, seu lugar correto na cena, mas todas elas são em 3D, trazendo vários momentos. Afinal, estamos falando de cenários giratórios, e conformes giramos o “tabuleiro”, as peças também giram, estando sempre na posição que você, daquele ponto, a veria quando colocada. Isso dificulta e ajuda, então acabou sendo bem bacana.
Outra brincadeira que fazem é, em algumas fases, colocar os objetos dentro de caixas, então quando você vai colocar algo, tem que ser aquela, naquela hora, sem opção de escolha. Na fase da noite, os objetos parecem silhuetas. E, quando tem um objeto dentro da cena, como uma mochila, uma maquete, um carro etc, você pode abri-lo, encontrando coisas dentro dele para colocar na cena, ou até abrir uma nova cena ali dentro.

Não use facas cegas, e garanta seus EPIs quando for fazer entalhes
Embora usar a tela touch seja uma coisa muito louvável, infelimente não foi otimizada. Talvez a versão de Playstation consiga aproveitar algo do touch pad do controle, e pode ser que fique melhor que no Switch. Por ter sido pensado para isso? Não sei, o que importa é que a sensação de usar a tela tátil é correta, mas cansativa.
Veja, é possível arrastar as peças, girar as câmeras, ver os bonecos em branco em detalhe… é lógico que usar a tela de toque vai ser muito legal pra isso. Arrastar algo no controle é chato, você clica, e anda com o analógico como se fosse seu dedo, perdendo o encanto intuitivo do esquema de controles. Como os desenvolvedores não utilizaram a função mouse do Nintendo Switch 2, a esperiência acaba por ficar comprometida.
O que estou tentando dizer é que o controle pela tela sozinho não funciona. O zoom, o arrastar, o mexer a tela e a câmera, tudo isso é meio truncado e travado, e volta e meia eu acabava precisando pegar os joycons. Em certo momento acabei desistindo e joguei só com os controle mesmo, embora uma coisa ou outra era sim mais fácil com o toque… fazer o que né?

Woodo chegou pra mim em um momento bastante propício, mas não realizou o que eu esperava.
Sou uma pessoa extremamente ativa (não no sentido de exercício, mas de afazeres, sejam eles obrigatórios ou não), então eu pensei que um Cozy Game como Woodo seria exatamente o que eu precisava no momento. Bom, eu levei 6 dias para concluir, sendo que o jogo tem cerca de 2 horas na sua primeira gameplay, porque muita coisa deu errado aqui (parece que é de propósito, não posso pegar uma review que isso deixe de acontecer). Os controles frustrantes acabaram me tirando do espírito de calmaria que eu estava esperando. E o medo de um final triste de chorar me fez tentar deixar Woodo cada vez mais distante. Mas eu diria que o principal foram os controles.
Considerando tudo isso, eu não sei se posso recomendar o jogo. É lindo, as músicas são um charme, cativantes e relaxantes, mas sem ser aquela coisa tipo música de fila de espera do atendimento da Tim. A história de amizade pura, a arte e a diversão de ver as pecinhas de madeira se juntando em um objeto maior e mais criativo são muito divertidos e cativantes mesmo. Mas tirando a média, por ser super rápido, por ter problema no controle, e por custar 3 dígitos, acabo me sentido tolhido de indicá-lo, infelizmente, mesmo sendo tão bem polido visualmente.

Curiosidade curiosa: Woodo tem 2 DLCs pagas, com o valor normal de mercado, e diria que até justo pelo que entregam. A Soundtrack entrega obviamente as músicas do jogo, que são muito gostosinhas, e a Supporter Pack parece ser algo tipo os first backers do kick starter (ou seja lá como chama quem patrocina desenvolvimento do produto e ganha uns mimos por isso depois), trazendo modelos para impressão 3D dos personagens e figuras 2D para impressão em posters, além de outros itens cosméticos para o jogo. Achei esse segundo muito inusitado, então quis comentar.
Prós:
- Músicas deliciosas;
- Lindo de se ver;
- Abordagens criativas;
- Good vibes e história bonitinha.
Contras:
- Controles pouco intuitivos e truncados estragam em muito a experiência;
- Muito caro para o pouco conteúdo que oferece.
Nota
6,5
